quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 357

Bessinha #357

Lula convoca o país para realizar uma revolução pela internet

No: Correio do Brasil 

lula-discurso“Não existe mais nenhuma razão de se manter o bloqueio (a Cuba) a não ser a teimosia de quem não reconhece que perdeu a guerra, e perdeu a guerra para Cuba”, disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao discursar na noite passada, durante o encerramento da 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, patrocinada pela Unesco. Ele conclamou Obama “ter a mesma ousadia que levou seu povo a votar nele” e mudar os rumos da política externa para Cuba e América Latina.

Lula abriu o seu discurso pedindo um minuto de silêncio para as vítimas do incêndio em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e fez uma homenagem a Hugo Chávez, que se encontra internado em Havana, em tratamento de saúde.

Com relação aos assuntos do continente, Lula disse que o desafio dos presidentes e líderes não é só promover a qualidade de vida e bem-estar, mas a integração latino-americana.

“Vocês não podem voltar para suas casas e simplesmente colocar isso (a participação no evento) nas suas biografias. É necessário que vocês saiam daqui cúmplices e parceiros de uma coisa maior, de uma vontade de fazer alguma coisa juntos mesmo não estando reunidos (fisicamente)”, afirmou Lula dizendo que a tecnologia atual permite maior integração.

Lula propôs uma “revolução na comunicação” radicalizando o uso das redes sociais para contrapor a velha mídia do contra. O recado foi: nós não podemos depender dos outros para publicar o que nós mesmos devemos publicar.

“Nem reclamo, porque no Brasil a imprensa gosta muito de mim”, ironizou o ex-presidente. O líder brasileiro disse que conhece a razão pela qual a mídia tradicional busca detratá-lo: “Eu nasci assim, eu cresci assim e vou continuar assim, e isso os deixa (a mídia conservadora) muito nervosos”.

O mesmo se aplicaria aos outros governos progressistas da América Latina:

“Eles não gostam da esquerda, não gostam de (Hugo) Chávez, não gostam de (Rafael) Correa, não gostam de Mujica, não gostam de Cristina (Kirchner),não gostam de Evo Morales, e não gostam não pelos nossos erros, mas pelos nossos acertos”.

Para Lula, as elites não gostam que pobre ande de avião, compre um carro novo ou tenha uma conta bancária.

“Quem imaginava que um índio, com cara de índio, jeito de índio, comportamento de índio, governaria um país e, mais do que isso, seu governo daria certo?”, questionou Lula, referindo-se a Evo Morales, presidente da Bolívia.

O orador contou que a direita brasileira queria que ele brigasse com Evo, quando ele estatizou a empresa de gás boliviana, que era de propriedade da Petrobras.

“Aí eu pensei: eu não consigo entender como um ex-metalúrgico vai brigar com um índio da Bolívia”, contou o ex-presidente, sob os aplausos da plateia.

Mulher vulnerável é um mito, diz coronel norte-americana

Por: Gabriel Bonis, no CartaCapital 

StarkApós anos de pressão, o Pentágono cedeu. Na última semana, o órgão suspendeu a proibição de mulheres em posições de combate nas Forças Armadas dos Estados Unidos, abrindo a possibilidade para que sirvam na linha de frente ao lado dos homens. A decisão derruba uma regra de 1994 e responde à queixa das oficiais de que suas carreiras eram prejudicadas pela falta de experiência neste tipo de operação.

O presidente Barack Obama definiu o passo como “histórico”, uma vez que as mulheres representam quase 15% dos militares na ativa nos EUA, cerca de 204 mil indivíduos. Centenas delas estiveram nas guerras do Iraque e Afeganistão em posições de médicas, policiais militares e oficiais de inteligência. Mais de 150 morreram, mas ajudaram a romper a barreira de que seriam vulneráveis. “Qualquer um com o treinamento adequado tem as mesmas chances de sucesso ou fracasso em uma situação de combate”, diz a coronel Christine A. Stark, oficial com mais de 27 anos de experiência no Exército e na Guarda Nacional daquele país.

Integrante da equipe de segurança presidencial na posse de George W. Bush em 2001, ela foi diretora de operações de aplicação de lei no Instituto de Manutenção da Paz e Operações de Estabilidade e faz parte da Escola Nacional de Guerra, da Universidade Nacional de Defesa dos EUA. Uma instituição conhecida por educar “futuros líderes” das Forças Armadas, Departamento de Estado e outras agências civis em estratégias de segurança nacional. Para lá costumam ir os oficiais superiores com condições de chegar aos mais altos cargos do estado-maior.

Na entrevista a seguir, a coronel define o banimento como “antiquado” e “limitador” e afirma que se as mulheres quiserem ocupar os cerca de 237 mil postos que podem se tornar disponíveis a elas, terão de treinar como homens. “O trabalho não faz distinção de gênero.”

CartaCapital: O que o fim da proibição para mulheres em posição de combate significa? O que muda?

Christine A. Stark: A maior mudança para as mulheres será o número de oportunidades disponíveis. Todos os postos em operações militares e de paz estarão abertos para os dois gêneros. É uma tremenda mudança, pois antes havia muitas vagas fechadas para mulheres. No Exército, elas não poderiam servir na infantaria, unidades de armas e em muitas das unidades de artilharia em campo. Isso significa que quanto mais uma mulher cresce na carreira, há menos oportunidades. Os postos de trabalho são mais escassos porque os colegas homens tinham mais posições abertas.

CC: Quais desafios as Forças Armadas dos EUA vão enfrentar para colocar a medida em prática?

C.A.S.: O maior desafio é uma resistência cultural a mudanças, que sempre são difíceis e podem estar sujeitas a certo nível de interpretação. O primeiro passo vai ser aceitar que essa é a nova política. Para muitas das soldados e oficiais mais novas, vai ser uma transição menos difícil porque elas cresceram com a integração das forças armadas. Quando me alistei em 1981, a integração feminina era um conceito novo, vindo do final dos anos 1970 quando as primeiras mulheres entraram no serviço da academia. Hoje não é mais assim.

CC: Por que o banimento desta proibição ocorreu apenas agora?

soldada_guerra_euaC.A.S.: Aprendemos muito nos últimos 25 anos com a integração das Forças Armadas e dez anos de persistentes conflitos de servir no exterior. Isso teve um impacto em como os gêneros são vistos. Além disso, os militares e líderes de defesa mais velhos estão prontos para a mudança e as mulheres demonstraram seu valor para a Organização. A nossa liderança, civil e uniformizada, reconhece isso.

CC: Quantas vagas serão abertas para a linha de frente?  

C.A.S.: É difícil dar um número exato, mas a grande notícia é que não haverá mais nenhum posto fechado. Como policial militar, mesmo que minha organização seja aberta a mulheres, há posições chamadas de “específicas de combate” às quais não posso servir. Isso agora acabou. Posso ser desqualificada por muitas coisas, mas não simplesmente por causa do meu sexo.

CC: Pela sua experiência, as mulheres são mais vulneráveis em combate?

C.A.S.: Isso é um mito. Qualquer um com o treinamento adequado tem as mesmas chances de sucesso ou fracasso em uma situação de combate. Não creio que uma mulher com uma arma é necessariamente mais ou menos vulnerável que um homem com uma arma (risos).

CC: As mulheres precisarão de treinamentos específicos ou deverão seguir o mesmo planejamento dos homens?   

C.A.S.: O padrão de treinamento é a chave para que essa medida tenha sucesso. Para que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que seus colegas homens, precisam ter o mesmo treinamento que eles. O trabalho não faz distinção de gênero. Nada do treinamento deve mudar.

CC: E a respeito das táticas e técnicas?  

C.A.S.: Elas também precisam ser as mesmas. As armas e equipamentos não especificam sexo. As táticas e procedimentos que todos seguem devem ser iguais e para que as forças armadas funcionem todos devem conhecer o seu trabalho. E na unidade você tem que ser capaz de realizar uma série de trabalhos.

CC: Haverá resistência dos homens em posição de comando militar? 

C.A.S.: Não creio que eles vão rejeitar a medida, porque a estrutura é bem profissional. Em qualquer organização pode haver reticências, mas, em geral, vai ser uma prática aceitável. Muitos dos nossos líderes têm esperado por isso há anos e estamos mais que prontos para abraçar essa mudança. É mais uma formalização da transição que estamos passando em muitos aspectos, mas é essa oficialização que diz: “esse banimento para mulheres em posição de combate é antiquado e se tornou limitador”.

CC: Como essa decisão, as mulheres poderão atingir cargos mais elevados na carreira militar?    

C.A.S.: Com certeza. O fim do banimento diz respeito a oportunidades. Formalmente acabar com ele, permite que mulheres na carreira militar realizem qualquer tarefa e sejam promovidas a posições de maiores níveis. Além disso, aumenta-se o número de vagas para as mulheres que terão mais chances de continuar atuando.

Charge Online do Bessinha # 356

Bessinha #356

PSDB usa “Folha”, “Estadão”, “Globo” e “Veja” para justificar ação contra Dilma

Orientando-se pelos editorais da grande imprensa, tucanos afirmam que presidenta fez promoção pessoal e propaganda eleitoral e partidária no pronunciamento do último dia 23

No: Rede Brasil Atual 

dilmaO PSDB usou editorais dos jornais Folha de S.Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, além de um texto da revista Veja, para justificar a representação que protocolou ontem (29) na Procuradoria-Geral da República contra a presidenta Dilma Rousseff. A ação – acompanhando a linha dos textos pulicados na grande imprensa – acusa Dilma de fazer “promoção pessoal” e “propaganda eleitoral e partidária” no pronunciamento de rádio e TV levado ao ar no último dia 23, quando a presidenta anunciou a redução das tarifas de energia elétrica e criticou os que são “do contra”.

Segundo a representação, assinada por advogados do PSDB, Dilma “transformou o espaço (...) em um palanque de lutas partidárias” e fez “puro proselitismo político”.

O texto argumenta ainda que o formato do pronunciamento lembra as peças publicitárias da campanha presidencial de 2010, como caracteres e recursos gráficos. Para o PSDB, as “semelhanças” são indicativos do caráter “eleitoreiro”.

A ação também questiona o uso da logomarca do governo na abertura do pronunciamento e o fato de Dilma vestir uma roupa vermelha, “em uma clara referência às roupas vermelhas utilizadas na campanha de 2010 e nos programas partidários, fazendo alusão à cor do seu partido”.

No entendimento dos tucanos, tais elementos mostram que Dilma cometeu um “verdadeiro crime de responsabilidade” e um “desvirtuamento do escopo legal”.

Clique aqui para ler a íntegra da representação.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 355

Bessinha #355

Santa Maria é aqui

“Vou te dizer. Se acontecesse alguma coisa parecida na festa de sábado eu já estaria morta”. Ouvi a frase durante o almoço ainda na segunda-feira 28. Minha amiga não estava em Santa Maria. Estava em São Paulo, em badalada casa noturna da zona oeste.

Por: Matheus Pichonelli, no CartaCapital 

santa-mariaÀquela altura, estavam praticamente mapeados todos os fatores que levaram à morte de 234 pessoas, a maioria jovens universitários, e deixou outros 118 feridos – mais de 70 ainda em estado crítico – no município gaúcho. Dois empresários e dois músicos da banda estavam detidos. Não tardou apara se descobrir que a boate Kiss não tinha alvará de funcionamento e o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros estava vencido. Havia apenas uma porta de saída, quando, por suas dimensões, deveria ter duas. A comunicação entre os funcionários era falha. Há relatos de que, sem saber o que acontecia, seguranças barravam a passagem das pessoas a fugir do fogo. A festa tinha mais gente do que sua capacidade. Por fim, com materiais inflamáveis no teto, a casa não poderia receber um show de fogos, a atração da banda da noite.

Não é difícil, portanto, explicar o que aconteceu em Santa Maria. Há indícios de negligência em cada canto. Difícil é pensar o quanto seria simples evitar tragédias do tipo. E que a receita para a tragédia não era exclusiva da Kiss (Dia desses, conta a mesma amiga, um garçom cruzou os corredores de uma casa noturna com uma garrafa de champanhe envolta de “cones faiscantes” para brindar um aniversariante. Algum santo protetor impediu que o mimo esbarrasse em material inflamável).

O incêndio em Santa Maria abriu uma caixa de pandora que só agora parece óbvia: corremos riscos o tempo todo. E a sensação de justiça proclamada contra os responsáveis diretos e indiretos pelo episódio não servirá para purgar acidentes evitáveis Brasil afora – não só em casas noturnas.

Ainda assim, quem resolveu levantar o tapete para onde foram levadas as lacunas jurídicas e anos de omissão esbarrou numa série de dificuldades para traçar um panorama exato sobre o despreparo de empresas e do poder público para garantir que tantas vidas não sejam novamente ceifadas com tanta facilidade.

Como a transparência, nesses casos, é artigo de luxo, fica difícil descobrir onde os problemas começam. Só como terminam.

Empresários reclamam do excesso de burocracia e condicionantes para operar na legalidade. Em São Paulo, onde a prefeitura hoje garante que uma boate como a Kiss não funcionaria em razão da legislação, o responsável por liberar licenciamentos até pouco tempo atrás foi denunciado por supostamente receber propina para aprovar empreendimentos suspeitos. Ele acumulou durante anos um patrimônio incompatível com a sua renda.

A lei, portanto, parece ser o menor dos problemas.

Na maior cidade do País há apenas 19 funcionários da prefeitura responsáveis por fiscalizar a aplicação das normas em cerca de 500 estabelecimentos de grande porte. Mais: não existe em lugar nenhum um sistema de monitoramento para saber se o local frequentado está adequado. Se tiver boa vontade, o dono do estabelecimento pode afixar o documento em lugar visível. Mas só se tiver boa vontade.

As atenções sobre o assunto, de toda forma, parecem ter despertado uma espécie de espírito vigilante: graças aos jornais, sabemos, por exemplo, que a distância máxima a ser percorrida até um extintor não deve ultrapassar 20 metros; que a distância máxima até a saída deve ser de 68 metros se houver chuveiros e de 45 metros se não houver chuveiros. Tá,bém aprendemos a desconfiar de quem confina clientes sem garantir ao mesmo uma porta a mais para a saída.

Até domingo pela manhã, dificilmente estas regras e números estariam em destaque.

Por aqui as coisas são assim: parecemos sempre pegos pelo despreparo e acordados aos sobressaltos de uma profunda letargia. Sabemos que vai chover em janeiro e que há construções em áreas de risco, mas só lembramos de resolver o problema quando o deslizamento já ocorreu. Não há mapeamento, não há cultura da prevenção. Não prestamos sequer atenção quando uma voz em off acompanha os desenhos sobre os pontos com saídas desobstruídas e barras antipânico do cinema.

Por este motivo, chama a atenção, em casos de comoção desta magnitude, a profusão de especialistas de todos os matizes para vender explicações possíveis para evitar no futuro a tragédia não evitada ontem (é assim em acidentes aéreos, desastres naturais e em grandes incêndios). Dessa vez as assessorias de imprensa foram ágeis em tentar emplacar suas pautas. Uns usaram o gancho para pedir a divulgação de um curso sobre atendimento médico. Outros, para oferecer contato de advogados dispostos a falar sobre as implicações civis, penais e administrativas que os donos da boate e até da Prefeitura de Santa Maria poderiam responder. Outro articulista oferecido perguntava: imagina na Copa?

Até mesmo um gestor de empresa de radiocomunicação enviou artigo para dizer que o uso desses equipamentos poderia ter mitigado a tragédia. Tudo para concluir: “será que Deus é mesmo brasileiro?”

Há dúvidas, caro especialista de radiocomunicação. Há muitas dúvidas.

Charge Online do Bessinha # 354

Bessinha #354

Serra: “Estou em fase de descanso e arrumação”

Por: Piero Locatelli, no CartaCapital 

serraTrês meses após perder as eleições para a prefeitura de São Paulo, José Serra diz ainda estar “em fase de descanso e arrumação.” O ex-governador paulista fez na segunda-feira 28 sua primeira aparição pública desde o discurso em que reconheceu sua derrota em outubro do ano passado.

No congresso estadual do PSDB, Serra falou durante 20 minutos sobre reforma política. Defendeu que o partido incorpore ao seu programa a posição favorável ao voto distrital, método pelo qual os eleitores elegeriam para cargos legislativos um único representante para a área onde vivem. No sistema proporcional, usado atualmente no país, nenhum vereador ou deputado responde por uma região específica, mas vários deles representam toda uma cidade ou unidade federativa.

Após discursar, Serra foi questionado sobre seu futuro político. “Tem tanta plantação e bobagem que qualquer coisa que eu disser…”, falou o tucano, deixando o raciocínio sem fim antes de voltar a tirar fotos com militantes que pediam sua atenção.

Entre as “bobagens”, assim nomeadas por Serra, estaria a possibilidade de ele sair do PSDB e aderir ao PPS para tentar a Presidência mais uma vez. Disputar o Senado ainda como tucano em 2014 é um cenário possível. Ele poderia, também, tentar disputar lugar na chapa à presidência da República com Aécio dentro do PSDB no ano que vem.

O tucano não quis dizer quais das “bobagens” são verdadeiras. “Eu não vou falar com a imprensa, eu ainda estou em fase de descanso e arrumação.”

Diante do mistério, Serra se limitou a dizer que falaria em “março ou abril”. Logo depois, se corrigiu e deixou tudo incerto mais uma vez. “Eu não estou marcando data,” disse.

ProUni promove salto econômico e social

No: Rede Brasil Atual 

prouniAo todo, 73,4% dos universitários que concluíram o ensino superior em 2011 com bolsas integrais ou parciais pelo Programa Universidade para Todos (Prouni), do Ministério da Educação, aumentaram sua renda individual depois de formados. Os dados são de uma pesquisa realizada pela doutora em educação pela PUC-SP, Fabiana Costa, que concedeu uma entrevista ao Seu Jornal, da TVT.

Dentre os jovens pesquisados, 72% já trabalham na área em que se formaram e 64% estavam contratados com carteira assinada e benefícios trabalhistas. “Houve uma elevação da renda individual, que se reflete na renda da família e na mobilidade social dela”, afirma Fabiana. “Existe a possibilidade de vincular conhecimento teórico com a opção de profissão. Isso amplia o leque de possibilidades e perspectivas dos jovens”.

Os pais de quase todos os jovens ouvidos pela pesquisa (90%) não possuíam diploma universitário, de acordo com o levantamento. “Eles são os primeiros universitários da família. Isso traz uma elevação do conhecimento e uma série de perspectivas e, sem sombra de dúvidas, se reflete na sua inserção no mercado de trabalho”, avalia a especialista.

É o caso da psicóloga Estela Franzin, de 30 anos, que se formou em 2011 com bolsa do Prouni. “Minha mãe era doméstica. Então, eu nunca tive oportunidade de estudar uma língua diferente e fazer uma escola com mais conteúdo”, conta. 

Para Fabiana, histórias como a de Estela trazem uma perspectiva de mobilidade social. “Se não fosse um programa como esse teríamos menos um milhão de jovens graduados hoje. Independente das críticas, ele tem uma relevância social importantíssima”.

O ProUni foi criado em 2004, no governo do então presidente Lula, para oferecer bolsas de estudo integrais ou parciais em universidades particulares a estudantes egressos de escola pública, com renda familiar de até três salários mínimos e que alcançassem pelo menos 450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Em 2013, mais de um milhão de estudantes se inscreveram para concorrer a uma das 162 mil bolsas de estudo oferecidas pelo Prouni.

Charge Online do Bessinha # 353

Bessinha #353

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Trabalho escravo tem 409 empregadores na lista negra

Por: Carolina Sarres, da Agência Brasil – No: Rede Brasil Atual 

cana_trabalho_escravoNo Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, lembrado hoje (28), 409 empregadores estão na lista suja do trabalho escravo, elaborada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Instituto Ethos, a Organização Não Governamental (ONG) Repórter Brasil e o Ministério do Trabalho. A lista reúne empresas ou contratantes (pessoa física) que mantêm trabalhadores em condições análogas às de escravidão.

Calcula-se que os citados no cadastro empregam 9,1 mil trabalhadores, em setores majoritariamente agropecuários – como na criação e no abate de animais, no plantio e no cultivo de espécies vegetais, segundo apurou a Agência Brasil. Ainda há empresas de extração mineral, comércio e construção civil.

A lista suja do Trabalho Escravo está disponível na íntegra na internet, e pode ser consultada por qualquer pessoa por meio do nome da propriedade, do ramo de atividade, do nome do empregador (pessoa jurídica ou física), dos cadastros de Pessoa Física (CPF) ou de Pessoa Jurídica (CNPJ), do município ou do estado. A lista foi criada em 2004 por meio de resolução do Ministério do Trabalho.

O infrator (pessoa física ou empresa) é incluído na lista após decisão administrativa sobre o auto de infração lavrado pela fiscalização. Os dados são atualizados pelo setor de Inspeção do Trabalho do ministério. Quando entra na lista, o infrator é impedido de ter acesso a crédito em instituições financeiras públicas, como os bancos do Brasil, do Nordeste, da Amazônia, e aos fundos constitucionais de financiamento. O registro na lista suja só é retirado quando, depois de um período de dois anos de monitoramento, não houver reincidência e forem quitadas todas as multas da infração e os débitos trabalhistas e previdenciários.

Na última sexta-feira (25), foi publicado no Diário Oficial da União o resultado das auditorias fiscais do trabalho em 2012. De janeiro a dezembro do ano passado, foram cerca de 757,4 mil ações. Do total, 241 foram para combater o trabalho escravo.

Durante esta semana, serão promovidos diversos eventos em várias cidades do país para debater a questão. O ministro do Trabalho, Brizola Neto, se reuniu hoje com membros da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), em Belo Horizonte, para discutir os desafios e os avanços do tema - como o trâmite no Congresso Nacional da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Trabalho Escravo, que prevê a expropriação de terras urbanas e rurais onde for comprovado o uso desse tipo de trabalho. A PEC já foi aprovada pela Câmara e precisa passar pelo Senado, o que está previsto para ocorrer ainda este ano.

Na próxima quinta-feira (31), estão previstos debates com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário, em São Paulo, quando será levado ao prefeito da cidade, Fernando Haddad, a necessidade de avanços da Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo, firmada em agosto de 2012, ainda quando o petista era candidato à prefeitura da capital paulista.

É considerado trabalho escravo reduzir uma pessoa à essa situação, submetendo-a a trabalhos forçados, jornada exaustiva, condições degradantes, restringir sua locomoção em razão de dívida com o empregador ou por meio do cerceamento de meios de transporte, manter vigilância ostensiva no local de trabalho e reter documentos ou objetos do trabalhador com o intuito de mantê-lo no local.

Charge Online do Bessinha # 352

Bessinha #352

Enterros de vítimas causam revolta e comoção em Santa Maria

Mais de 100 enterros de vítimas do incêndio na Boate Kiss estão previstos para hoje (28) no Cemitério Ecumênico Municipal de Santa Maria. Por todos os lados, o adeus é marcado por revolta e comoção dos parentes e amigos. As histórias são quase sempre de jovens na faixa de 20 anos e estudantes da universidade federal e tinham ido se divertir na casa noturna mais badalada da cidade.

No: Jornal do Brasil

enterro_tragedia“A gente estava junto em um churrasco e ele decidiu dar uma esticadinha na boate. Saiu do churrasco 1h30 e foi para lá. Não devia ter ido, devia ter ficado junto com a gente”, lamentava Everton Revelante, amigo de Silvio Beure, o Silvinho. O rapaz, que gostava de piquete e tinha levado amigas para conhecerem o local, morreu cerca de meia hora depois, no banheiro da boate, asfixiado com a fumaça tóxica do incêndio.

A poucos metros do túmulo onde Silvinho era enterrado, o soldado Leonardo de Lima Machado recebia a salva de tiros dos companheiros militares. Ele estava se divertindo com a mulher na boate quando o incêndio começou. Ele retirou a esposa do local, mas voltou para ajudar outras pessoas e não conseguiu mais sair. “Era uma pessoa competente, disciplinada, muito querida por todos do batalhão”, contou emocionado o sargento Lenois Cassol, que era colega de batalhão de Leonardo.

É difícil encontrar alguém em Santa Maria que não tenha perdido um amigo, parente ou conhecido na tragédia. Nos enterros, além de namoradas, mães, pais e irmãos inconformados, vizinhos e amigos demonstram perplexidade com o episódio. Pai de duas filhas com idades próximas às da maioria das vítimas, João Carlos Côvolo vai passar boa parte do dia acompanhando enterros no cemitério municipal.

“Fui no velório ontem, já fui a dois enterros hoje e vou a mais um hoje a tarde”, contou ainda chocado com o que aconteceu e aliviado por não ver as filhas entre os mortos. “Eu tenho duas filhas, de 23 e 28 anos, e graças a Deus no sábado elas não estavam lá, mas era um lugar onde elas sempre encontravam os amigos”, contou. O alívio, no entanto, não apaga a imagem de dor de amigos que perderam filhos. “Fui a pouco ao enterro de dois irmãos, de 17 e 19 anos. Um fazia agronomia e outro tinha acabado de entrar para direito. É muito triste”, completou.

Além da consternação, a maioria das pessoas também se mostrava confusa com a profusão de boatos e notícias que correm pela cidade - de que não havia extintores de incêndio funcionando na boate e que os seguranças impediram a saída das pessoas por achar que se tratava de uma tentativa de não pagar a conta. Para Cirineo Anversa, de 74 anos e morador de uma cidade próxima a Santa Maria, é inexplicável que ninguém tenha impedido a casa noturna de funcionar sem um plano contra incêndio.

“Eu fico admirado. Lá na lavoura, se você faz um armazém, os bombeiros vão lá ver se tem extintor, mangueira de incêndio, tudo certinho. E um clube como esse, que entra 1.500 pessoas, deixam funcionar desse jeito, com porta estreita para sair, sem extintor funcionando. Era isso que eles deviam olhar, apontou o aposentado.

O governador do estado, Tarso Genro, e senadores do Rio Grande do Sul visitaram as famílias no velório hoje e defenderam mudanças nas regras para liberação de alvarás para casas noturnas, além de melhorias na fiscalização municipal.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 351

Bessinha #351

Crônica da tragédia anunciada

Por: Matheus Pichonelli, no CartaCapital 

santa-maria-tragediaLevantado o tamanho da tragédia – ao menos 232 mortos, superior ao número de vítimas dos acidentes da TAM, em 2007, e do Edifício Joelma, em 1974 – é bem provável que um pente-fino das autoridades na Boate Kiss, em Santa Maria, descubra em poucos minutos todos os pontos que levaram ao incêndio. Despreparo dos profissionais? Fogos em local proibido? Ânsia para sair da claustrofobia? Falta de ventilação? Alvará de funcionamento vencido?

A fatalidade logo ganhará outras nomenclaturas: erro humano, ausência de prevenção, negligência. Fatalmente os responsáveis serão investigados, eventualmente condenados, provavelmente cumprirão penas. Mas o estrago para as famílias jamais será reparado, o que é forçoso dizer, por óbvio que seja.

Mas, num país onde tudo é legalizado fora da legalidade, é possível supor que esta não será a última tragédia anunciada.

No mundo ideal, no dia seguinte pela manhã todos os jornais das pequenas e médias cidades, os únicos com capilaridade suficiente para fiscalizar as esquinas mais distantes do País, mandariam para as ruas os seus repórteres para contar quantas casas noturnas locais têm condições de reunir multidões com um mínimo de segurança.

Junto com órgãos competentes, levantariam alvarás, números de portas corta-fogo, saídas de emergência, tetos com materiais inflamáveis, fios desencapados e normas internas sobre pirotecnias.

Os levantamentos, em forma de reportagem, serviriam como vacina e alerta sobre tragédias como as de Santa Maria. E as pessoa, aos poucos, se negariam a pagar fortunas para serem tratadas como gado – em boates, restaurantes e outros espaços culturas.

Mas isso, na prática, simplesmente não vai acontecer. Casas de shows são potenciais anunciantes. E o silêncio é um valor embutido na bem-sucedida parceria entre empresários, autoridades e imprensa oficial Brasil afora.

Tragédia em Santa Maira tem repercussão internacional

No: Agência Brasil

tragedia_santa maria_rs_incendio_boateA morte de centenas de pessoas em uma boate de Santa Maria (RS), vítimas de um incêndio nesta madrugada (27), ganhou destaque na imprensa internacional. Os veículos reúnem informações de correspondentes e da imprensa brasileira para dimensionar a gravidade do fato. Até o momento, foram confirmadas 245 mortes.

Os sites dos jornais argentinos La Nación e Clarín divulgam a tragédia na manchete – Santa Maria fica na região central do Rio Grande do Sul , estado que faz fronteira com a Argentina. Os veículos comparam o acidente com o ocorrido em Buenos Aires em 2004, quando um incêndio na boate República Cromañón resultou na morte de 194 pessoas.

O site do jornal espanhol El País também anuncia o fato na manchete, com vídeos e galerias de fotos que mobilizam comentários de dezenas de leitores. Os britânicos BBC e The Guardian também divulgam a notícia em destaque na primeira página. O Le Monde, um dos principais jornais da França, colocou a notícia na capa do site na internet.

O site do jornal norte-americano The New York Times faz um histórico de incêndios em casas noturnas pelo mundo, indicando que a tragédia de Santa Maria está entre as mais graves da última década. Também nos Estados Unidos, o jornal Washington Post e o canal televisivo CNN divulgam a notícia em destaque em seus respectivos sites.

A notícia também é manchete no site da televisão Al Jazeera, do Catar, que reúne as principais informações do Oriente Médio.

Charge Online do Bessinha # 350

Bessinha #350

A luz que queima os olhos da imprensa não deixa o povo cego

Estou aqui a pensar o que leva os megaempresários da imprensa, dos meios de comunicação comerciais e privados a nadar contra a maré ou a dar tiros em seus pés quando se trata de favorecer não somente o povo brasileiro, mas também a classe empresarial, dona e responsável pelo setor produtivo e que tem importantíssimo papel no que tange ao desenvolvimento da sociedade brasileira em todos os sentidos.

Por Davis Sena Filho, no Blog Palavra Livre

LUZA presidenta trabalhista, Dilma Rousseff, anuncia a queda nos preços da luz, da energia, com o apoio quase unânime da população e dos empresários da Fiesp e da Fierj, além de outras federações do País. De forma incoerente e inconsequente, os donos de O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão publicam editoriais contrários à diminuição dos preços de energia, fato este essencial para que o chamado custo Brasil tão criticado pelas famílias midiáticas e seus especialistas de prateleiras durante anos a fio, e que agora, de maneira oportunista e raivosa, questionam a decisão do Governo trabalhista e publicam palavras tão ridículas e sem sentido que até setores ideologicamente conservadores do mundo empresarial estão literalmente de saco cheio dos barões da imprensa de tradição golpista, pois os considero a categoria do empresariado mais reacionária e atrasada, a verdadeira lástima.

Como se percebe, tal empresariado midiático é e sempre vai ser contra os interesses do Brasil, porque eles são parte de uma plutocracia mundial que não tem pátria e muito menos sentimento de brasilidade. Eles são alienígenas e como tal não comportam em suas ações e atitudes a busca ou a luta para que o Brasil e seus cidadãos tenham acesso a uma vida de melhor qualidade, que propicie a conquista plena da cidadania e, consequentemente, sua emancipação.

Por isto e nada mais do que isto são publicados artigos e editoriais despidos de coerência e inteligência, porque essas palavras não fazem parte do dicionário da direita reacionária e herdeira da escravidão, que, de forma soberba e, por conseguinte, intolerante, negam o que pregavam e não se importam sequer com o que seus leitores pensam a respeito de tanta desfaçatez. Os barões da imprensa, realmente, querem ver o circo pegar fogo e assim darem continuidade a seus atos de oposição irada e feroz, porque eles sabem muito bem que o que está em jogo é a eleição presidencial de 2014, e ter de ver seus candidatos de direita derrotados pela quarta vez pelos trabalhistas é pior do que cortar os punhos.

Essa gente rancorosa e ressentida, que não desiste nunca vai fazer o possível e o impossível para derrotar o PT e seus aliados. Não importa se seus candidatos do PSDB ou de outro partido que o valha incorram em erros politicamente graves, a exemplo do mais recente, como no caso da queda dos preços da luz e da energia. Os líderes do PSDB e os barões da imprensa optaram por defender, evidentemente, os interesses das multinacionais e de seus rentistas, acionistas de empresas retransmissoras de energia que foram privatizadas, como ocorreu com o alter ego de FHC — o Neoliberal —, o senador tucano Aécio Neves, pré-candidato a presidente.

Não importa também para os editorialistas da imprensa de negócios privados se os governadores do Paraná, de São Paulo, de Minas Gerais e de Goiás, todos eles tucanos, e o de Santa Catarina, do PSD, boicotaram e ainda boicotam o programa do Governo Federal para baixar os preços das tarifas de energia elétrica. O que importa, sobremaneira, é fazer oposição sistemática e por isso irracional e perversa, mesmo se a energia custar menos para as empresas midiáticas familiares, monopolizadas, que,  obviamente, vão ser beneficiadas.

Agora, a pergunta que teima em não calar: os empresários da mídia de mercado vão abrir mão das tarifas a preços mais baixos para o consumo de energia? Respondo: não! E por quê? Porque empresário de imprensa e seus áulicos não dão ponto sem nó, apesar de seus imensos complexos de vira-latas e de suas mentes colonizadas e alienígenas. Contudo, e apesar de tudo, o Governo trabalhista de Dilma Rousseff vai continuar a efetivar programas e projetos para que a economia brasileira se fortaleça e continue a ofertar o pleno emprego, o que não acontece na Europa e nos EUA, coisa que a imprensa burguesa há alguns anos tentou esconder — censurar. 

A economia vai crescer este ano, porque as bases para isso foram implementadas pelo Ministério da Fazenda cujo ministro, Guido Mantega, tornou-se alvo da imprensa conservadora que quer sua saída, como se o Mantega não fosse um dos principais responsáveis pelo Brasil estar a viver um ciclo formidável de desenvolvimento social e econômico. A caravana passa e a oposição grita. É seu direito de se expressar, inclusive direito constitucional. A luz que queima os olhos dos barões da imprensa não deixa o povo cego. É isso aí.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 349

Bessinha #349

Brasil cria 1,3 milhão de empregos formais em 2012

Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego na tarde desta sexta-feira (25) mostram que no acumulado do ano, houve 21,6 milhões de contratações e 20,3 milhões de demissões no mercado. Na década o número é quase 20 vezes maior que nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso

Por: Vitor Nuzzi, no Rede Brasil Atual 

empregoO país criou 1,3 milhão de empregos com carteira assinada em 2012 (exatos 1.301.842), segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na tarde de ontem (25) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O crescimento foi de 3,43% sobre o estoque. O número é inferior ao dos dois anos anteriores – justamente os dois melhores na série histórica –, mas supera o registrado em 2009, quando o mercado de trabalho sofreu os impactos da crise.

Somados dez anos de governos Lula/Dilma, o total de vagas supera 14,5 milhões. Nos oito anos do governo FHC, foram abertos pouco menos de 800 mil postos de trabalho formais, sempre com base nas informações do Caged.

O resultado final de 2012 veio após a eliminação de quase 497 mil vagas em dezembro, mês em que os números são sempre negativos, principalmente por causa do encerramento de contratos temporários e da menor atividade. Foram criados 1,2 milhão de empregos e fechados 1,7 milhão.

No acumulado do ano, foram 21,6 milhões de contratações e 20,3 milhões de demissões no mercado formal. Praticamente metade dos empregos criados foi do setor de serviços, com saldo de 666.160, crescimento de 4,32%. O comércio abriu 372.368, expansão de 4,38%, e a construção civil criou 149.290, com alta de 5,17%. Com atividade menos intensa, a indústria de transformação teve saldo de 86.406 empregos com carteira, aumento de 1,06%. Agropecuária e administração pública ficaram praticamente estáveis, com saldos de 4.976 (0,32%) e 1.491 (0,19%), respectivamente.

O melhor momento do Caged foi registrado em 2010, com mais de 2.555.421 vagas, crescimento de 7,74%. Em 2011, segundo melhor ano da série histórica, foram abertos 1.966.449 postos de trabalho, alta de 5,47%. 

No período Lula, de 2003 a 2010, o saldo acumulado é de 11.271.503 empregos formais. Nos oito anos de FHC, o saldo somou 796.967. E nos dois primeiros anos de gestão Dilma, foram abertas 3,2 milhões de vagas.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 348

Bessinha #348

No Brasil continua a venda de medicamentos falsos

Só neste mês Anvisa apreendeu e destruiu lotes de cinco remédios com irregularidades, crime que pode resultar em 15 anos de prisão; saiba como se prevenir

Por: Eliseu 

medicamerntos falsificadosO Brasil é mesmo não só o País de todos os santos, como também de todos os corruptos, todos os safados (pelo menos os políticos e grande parte do empresariado).

Ao restante da população honesta, só resta sofrer as consequências e enriquecer cada vez mais os pilantras de plantão. E não tem como escapar. É no peso das mercadorias, qualidade duvidosa, e o mais grave: medicamentos falsificados.

Só neste mês de janeiro, a Agência Nacional de Saúde (Anvisa) identificou, apreendeu, destruiu e proibiu a comercialização de lotes do hormônio do crescimento Hormotrop, o esteroide Durateston e o antianêmico Hemogenin, além do Viagra e do Cialis, ambos contra a disfunção erétil. Segundo a agência, a decisão se deve pelo risco que os medicamentos falsificados representam à saúde, conforme reportagem do portal de notícias Rede Brasil Atual.

Com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) estima que um terço dos medicamentos vendidos no Brasil é falsificado. São produtos que tiveram suas fórmulas e data de validade adulteradas por organizações criminosas que utilizam laboratórios clandestinos e os comercializam por meio do contrabando. 

A falsificação de medicamentos é crime no Brasil, que pode ser punido com até 15 anos de prisão. No entanto, tem aumentado. Segundo dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), que reúne os maiores laboratórios, em 2008 foram apreendidas 500 mil unidades de medicamentos falsos (comprimidos e ampolas). Em 2010, o número subiu para 18 milhões.

“A falsificação é menor nos países desenvolvidos porque as instituições estão consolidadas, são conhecidas e respeitadas. E se forem desrespeitadas, há punição para os infratores”, diz o presidente do Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), Edson Vismona. “Nos países em desenvolvimento não funciona assim. As instituições não se consolidaram e a impunidade é grande. Um convite à ilegalidade.” Como lembra o advogado, há diversos produtos falsificados que a população compra mesmo sabendo não se tratar de originais. “Mas no caso dos medicamentos é diferente. As pessoas compram enganadas, colocando em risco sua saúde”. 

Em nota, a Anvisa afirmou que a fiscalização sobre a venda de medicamentos é feita prioritariamente pelos órgãos de vigilância sanitária nos estados e municípios, que realiza um trabalho de parceria e suporte técnico junto com os órgãos de vigilância sanitária locais e esferas policiais para coibir a venda irregular de medicamentos e que o objetivo do trabalho conjunto é identificar e desmontar as quadrilhas especializadas na produção, publicidade e venda de produtos sem registro. Ainda segundo a assessoria de imprensa do órgão, a agência monitora a venda de produtos irregulares pela internet, que já levou ao fechamento de laboratórios e distribuidoras de medicamentos clandestinos, a apreensão de toneladas de produtos irregulares, além das prisões, autos de infrações e notificações.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 347

Bessinha #347

Trabalho escravo continua no Brasil a “todo vapor”

Por: Eliseu

trabalho-escravoApós mais de uma centena de anos - 124 para ser mais exato – o escravagismo no Brasil continua existindo, e a exploração do trabalho escravo está a pleno vapor tanto nos rincões do país quanto em grandes centros como São Paulo. E a escravidão continua sendo explorada pelos mesmos de antes. Os  fétidos burgueses.

As notícias timidamente, e às vezes sequer divulgadas pelo PIG, dão conta de trabalho escravo no Brasil em várias frentes. No Espírito Santo o empresário e agora político Camilo Cola, dono da Viação Itapemirim foi acusado de usar o expediente em sua fazenda. Em plena São Paulo, a construtora MRV utilizava também o trabalho escravo em obras comandadas pelos tucano, e várias outras que podem ser vistas na postagem intitulada “Escravos da modernidade moravam em curral”, neste blog.

Ontem, o portal de notícias Rede Brasil Atual trouxe reportagem dizendo que operações em 2012 resgataram 2.560 pessoas em situação de trabalho escravo.

De acordo com o portal de notícias, em 135 operações realizadas no ano passado, o Grupo Especial de Fiscalização Móvel, do Ministério do Trabalho e Emprego, resgatou 2.560 trabalhadores em condições análogas à de escravo, segundo relatório apresentado dia 15 pela Secretaria de Inspeção e divulgado hoje (22). O número de operações foi menor que o de 2011 (135), mas o total de resgatados superou o do ano anterior (2.491). No Pará, onde foram feitas 22 operações, foi registrado o maior número de resgates, mais de 500. Os setores predominantes foram a pecuária e as atividades ligadas ao plantio.

“As condições em que os trabalhadores são resgatados envolvem restrições à liberdade, à falta de pagamento ou a descontos indevidos do seu salário mensal e demais direitos garantidos pela legislação trabalhista”, diz o MTE. As operações do Grupo Especial são feitas em conjunto com a Polícia Federal e com o Ministério Público do Trabalho.

Em 2012, foram registrados 1.461 trabalhadores. O pagamento de indenizações somou R$ 8,7 milhões.

Desde 1995, quando o grupo foi criado, o número de operações somou 1.388, em 3.428 estabelecimentos, com 44.231 trabalhadores resgatados e 39.992 registrados.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Moradias assistidas são opção para dar continuidade à recuperação de usuários de crack

No: Correio do Brasil 

Tratamento ambulatorial e moradias assistidas devem ser usadas pelo Estado como ferramentas para dar continuidade à recuperação de dependentes de crack após um período de internação, segundo especialistas ouvidos pela agência britânica de notícias BBC. O governo de São Paulo lançou um mecanismo médico e jurídico para agilizar internações forçadas para dependentes de crack no Estado. A iniciativa começou a funcionar na segunda-feira em um centro especializado próximo à Cracolândia, no centro da capital.

Segundo o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em geral, as internações motivadas por dependência do crack não devem superar um período superior a dois meses. Depois disso, segundo o médico, o paciente deve ser levado para a casa de um familiar e submetido a um tratamento ambulatorial  frequentando clínicas ou centros médicos especializados regularmente.

Porém, grande parte dos frequentadores da Cracolândia não só perderam seus empregos e família, como por vezes não possuem vínculos familiares fortes o bastante para tornar essa realidade possível. Laranjeira afirmou que uma alternativa para o governo nesses casos é enviar os viciados em recuperação para as chamadas moradias assistidas. Tratam-se de alojamentos onde o dependente de drogas recebe, além do teto, apoio para conseguir um emprego e recomeçar sua vida.

No exterior essas moradias são conhecidas como “halfway houses”, (casas a meio caminho, em português) e têm como característica oferecer também um monitoramento do processo de desintoxicação. Segundo Rosangela Elias, responsável pelo setor de tratamento de dependentes químicos da Secretaria de Saúde do Estado, São Paulo tem atualmente cerca de 300 vagas em moradias assistidas e residências terapêuticas estaduais e municipais.

Segundo o psiquiatra Antonio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, independente de onde os dependentes em recuperação estiverem instalados, o governo precisa estudar medidas para obrigá-los a frequentar semanalmente as clínicas especializadas.

Melhorias

O psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, também da Unifesp, afirmou que é necessário melhorar a qualidade do atendimento em parte da rede de clínicas de tratamento ambulatorial conhecidas como Capsad (Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas). Segundo ele, embora algumas sejam exemplares, outras ainda precisam melhorar. Já Silva foi mais longe, afirmando que falta especialização na rede pública de atendimento médico em geral no Brasil.

“Não há treinamento específico direcionado e capacitado para isso (tratamento de dependentes químicos). São raras as ilhas de exceção, precisamos de treinamento especializadíssimo, pois é um processo de alta complexidade”, disse.

Metodologias

Todos os especialistas ouvidos pela BBC  concordam que deve haver um planejamento específico para o tratamento dos viciados em crack. Eles divergem porém sobre a metodologia a ser adotada. Silveira, que é contrário à internação (exceto em casos específicos, como o de pessoas que corram risco de cometer suicídio ou sofram alucinações), disse que independente da forma de tratamento, as taxas de recuperação atualmente são muito baixas.

“Os melhores serviços do mundo têm taxas de eficácia de 35% a 40%, no máximo”, disse. Segundo ele, o tratamento ambulatorial deve promover a abstinência total das drogas em um primeiro momento. Contudo, se o dependente não conseguir se desligar totalmente do entorpecente, uma abordagem de “redução de danos” deve ser empregada.

Isso significa que ele pode começar a diminuir aos poucos a quantidade de entorpecente utilizada e eventualmente substituí-la por outra substância tóxica, porém um pouco menos danosa que o crack. Silveira estudou um grupo de 50 usuários de crack. A característica específica deles era o fato de afirmarem não ser capazes de lidar com a compulsão gerada pela abstinência da droga.

Todos afirmavam porém que quando usavam um cigarro de maconha conseguiam deixar de fumar o crack momentaneamente. Silveira passou então a endossar esse comportamento (sem prescrever entorpecentes, certamente). “Foi um acompanhamento de um ano ao todo: 68% deles abandonou crack em três meses. Depois de seis meses esse grupo abandonou também a maconha”, disse.

Já Silva afirmou que a abordagem de redução de danos não é recomendada pela Associação Brasileira de Psiquiatria. O que todos os especialistas concordam porém é que o tratamento pode ser multidisciplinar. Ou seja, pode ser acompanhado de atividades esportivas e religiosas. Mas eles dizem que a fé não pode substituir o tratamento clínico dos pacientes, o que ocorreria em algumas comunidades terapêuticas ligadas a religiões.

Charge Online do Bessinha # 346

Bessinha #346

Os equívocos da internação compulsória

Pouco tempo depois da prefeitura do Rio de Janeiro, agora é a vez do governo paulista adotar uma política de atenção aos dependentes de drogas baseada na internação compulsória.

Por Maurício Fiore, no CartaCapital 

crackO “problema do crack” parece ter se tornado um dividendo eleitoral de peso e, assim, motivado as esferas federais, estaduais e municipais a se movimentar, infelizmente, em busca de soluções rápidas que ignoram evidências e afrontam direitos. As ações recentes são, na verdade, focalizadas em grupos específicos de pessoas que ocupam regiões degradadas das cidades e faz uso da forma fumada e barata de cocaína.

No caso de São Paulo, a chegada do crack se deu nos fins dos anos 1980. A partir de meados dos anos 1990, a região da Luz e adjacências, já degradada, foi progressivamente se tornando um espaço onde os consumidores se concentraram para encontrar crack e ter liberdade em usá-lo. O crack não inventou as populações marginalizadas que moram no Centro como forma de sobrevivência, mas foi acolhido por muitos deles, principalmente por aqueles em situação de rua. Além disso, muitos consumidores de crack vieram das periferias, onde se sentiam ameaçados. Agrupados, trafegando numa vigília nervosa, com um gestual agressivo, a existência dos “craqueiros” tornou-se socialmente insuportável porque não se esconde, porque é visível.

Só uma pequena parte dos consumidores de crack da cidade está no Centro, mas não nos enganemos sobre a intenção primeira de todas essas ações recentes, exemplificadas nos episódios de violência de janeiro de 2012: uma tática de limpeza desses espaços, travestida de “cuidado aos dependentes”, por meio da retirada higienista de populações indesejadas.

É evidente que o consumo do crack – em muitos casos associado à compulsividade e a sérios danos à saúde e à vida social e afetiva, tem que ser alvo de atenção do poder público. Mas políticas públicas não podem se pautar no alarmismo em torno da ideia de que há uma epidemia de crack. A incontestável disseminação dessa droga pelo país não evidencia a existência de uma epidemia, pois, não obstante suas graves consequências, a prevalência do consumo de crack é pequena se comparada a de outras substâncias psicoativas com alto potencial de dano, como o álcool, cuja escala epidêmica é consensual.

Fala-se também do crack como um forte combustível para a violência. De fato, assim como outras drogas ilegais, seu mercado clandestino está associado ao crime e, portanto, à violência. Mas a relação entre o crack e a violência não é automática, haja vista, por exemplo, que o número de homicídios em São Paulo caiu no período em que o consumo da droga se expandia. Se há uma associação sustentada pelos dados, é a maior predileção de populações vulneráveis e de bairros mais pobres pelo crack, seja no Brasil, nos demais países da América Latina ou nos EUA, onde ele surgiu.

A criação de um tribunal de “campanha”, no qual juízes e promotores, auxiliados por médicos, decidirão em algumas horas quem será tratado por meio do confinamento é um atentado contra a Lei 10.216/2001, marco da luta contra o trágico modelo de confinamento manicomial.

Ela estabeleceu limites para as internações contra a vontade, que só devem ser prescritas quando esgotadas todas as alternativas ou em casos de risco eminente de morte. Além disso, a Organização Mundial de Saúde pediu para que os países abandonassem a política de internações compulsórias, pois elas não só acarretam violações de direitos humanos, como são pouco eficazes para a maior parte dos casos.

Internar parece uma solução atraente porque nos remete a um contexto de proteção, mas, por estar sustentada no isolamento artificial dos indivíduos, não resolve o maior desafio para a continuidade do tratamento da dependência, que é a vida fora dos limites da clínica. Quando ocorre à força, a chance de uma internação ter bons resultados cai ainda mais.

A dependência química não é “uma doença como apendicite, pneumonia”, como declarou recentemente o médico e governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. As evidências científicas a definem como um transtorno complexo, no qual a relação patológica do sujeito com a(s) substância(s) se instala a partir de uma confluência de fatores psíquicos, bioquímicos e sociais.

No caso da dependência de crack, a trajetória de muitos consumidores que circulam pelo Centro é marcada por privações e dificuldades de diversas ordens. Interferir nesse difícil contexto de vida, com a adoção de políticas de reinserção no mercado de trabalho, de reforço dos vínculos comunitários, de educação formal, de acesso aos cuidados básicos de higiene e saúde, entre outras ações, é parte fundamental de uma política que, de fato, esteja preocupada em cuidar dessas pessoas, não apenas tirá-las de nossas vistas.

Além disso, para defender a internação, é comum se desqualificar a rede pública de atenção à saúde mental, principalmente os Centros de Atenção Psicossociais (CAPs). Se há um grave problema da rede, é sua estrutura insuficiente, por vezes precária. Portanto, os resultados que seriam colhidos pelo investimento na qualificação da atenção psicossocial são ignorados pelo lobby da internação, sedento por recursos.

Enfim, cabe dizer que as dramáticas histórias de vida não são justificativas que desresponsabilizam os dependentes de crack; ao contrário, o caminho mais frutífero é reforçar sua capacidade de decisão, oferecendo cuidados e alternativas. A opção pelo confinamento forçado não resulta em proteção, mas no enfraquecimento do fator mais relevante para o tratamento da dependência: a vontade individual.

Maurício Fiore é antropólogo, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip)

Racismo chegou a nível insuportável, diz ministra

Ato contra a intolerância religiosa realizado no centro da capital paulista tem cobrança por respeito a afrodescendentes e muçulmanos

Por: Eduardo Maretti, no Rede Brasil Atual 

haddadA cidade de São Paulo celebrou ontem (21), com um ato ecumênico no Anhangabaú, na região central, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data decorre da Lei 11.635, sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2007, como homenagem à Ialorixá baiana Gildásia dos Santos. Hipertensa, Gildásia teve um infarto na data, em 2000, depois que sua imagem foi utilizada no jornal evangélico Folha Universal acompanhada do título “Macumbeiros Charlatães lesam o bolso e a vida dos clientes”.

Inúmeras religiões enviaram representantes ao ato de São Paulo. O prefeito Fernando Haddad participou do evento, assim como a ministra da Secretaria de Políticas de Promoções da Igualdade Racial, Luiza Bairros.

Haddad comentou sobre a relação da igualdade religiosa e a criação da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial na cidade, comandada pelo vereador Netinho de Paula (PCdoB). “Foi uma promessa de campanha. Isso tem uma projeção para além da cor da pele, porque São Paulo é uma cidade de muitos povos e tem a questão religiosa e a intersecção com a questão afro, as religiões afro e a tolerância. O sucesso dessa convocação, com a presença de várias lideranças religiosas, é uma forma de São Paulo dizer que quer viver em paz.”

Sobre os efeitos concretos que o ato ecumênico possa ter em relação às manifestações de preconceito e racistas em São Paulo contra religiões de matriz africana, Haddad afirmou que “atos como esse podem trazer mudança”. “Expressiva maioria da população de São Paulo abraça essa causa de convivência pacífica, de respeito e tolerância. Existe uma pequena minoria a quem o recado aqui é dado”, disse o prefeito. “Este é um convite à reflexão de uma pequena minoria que ainda resiste à cultura da paz, para ela é que dirigimos nosso apelo.”

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoções da Igualdade Racial, Luiza Bairros, foi enfática ao falar da “gravidade dos casos que têm acontecido de agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades”. Ela ressaltou: “Isso já chegou a um ponto que consideramos insuportável e que não se trata apenas de uma disputa religiosa, mas de uma disputa por valores civilizatórios.” Também nomeou aqueles que acha os mais intransigentes na discriminação: “Nesse conflito, está explícito que setores especialmente evangélicos e pentecostais gostariam que essas manifestações (afro) desaparecessem da sociedade brasileira, o que certamente não ocorrerá”.

Estado laico

O padre Kyrilos Santana, arquimandrita da Igreja Ortodoxa Bielo-Russa Eslava, disse que participou do evento “pela paz, pela harmonia religiosa, sobretudo racial”. Com um discurso político, o babalorixá Flávio de Iansã afirmou que a principal importância do evento é política. “Porque a gente tem de definir a questão do Estado laico. Todas as religiões com seu espaço e o Estado promovendo a integração entre elas. O que não dá para continuar é as grandes religiões serem privilegiadas e atacando as menos favorecidas.”

Perguntado se percebe perseguição às religiões afro, Flávio de Iansã afirmou que foi vítima dessa perseguição ao ser expulso de um lugar onde mantinha seu terreiro. “Essa perseguição não se dá apenas pelo poder das pessoas, mas também pelo poder instituído, Executivo e mesmo Legislativo; e quiçá o Judiciário julga com esses paradigmas morais voltados à religião.” Para ele, evangélicos e católicos lideram a intolerância contra a cultura religiosa de umbanda e candomblé.

O sheique Mohamad Al Bukai, diretor de assuntos islâmicos da União Nacional das Entidades Islâmicas no Brasil, afirmou que participou do evento para dizer “não para a intolerância religiosa, junto com todas as religiões”. Como muçulmano, Al Bukai disse concordar que “alguns muçulmanos têm sofrido” por causa da confusão, inclusive midiática, que se faz entre o islamismo e o terrorismo. “A mídia fala e mostra às vezes de maneira errada. Então acabam fazendo esse tipo de confusão. Mas aqui no Brasil, graças a Deus, são poucos os casos”. A importância do evento, diz, é que as pessoas enxerguem que existe essa diversidade e “temos que aceitar o outro”.

O rabino Gilberto Ventura diz que “não só no Brasil” árabes e judeus convivem em paz. “Inclusive no Oriente Médio. Meu pai nasceu no Egito e sempre teve muitos amigos árabes e muçulmanos. Em Israel mesmo existe amizade entre eles.” Para ele, “a busca pela paz, da fraternidade, a luta pela justiça social e assim por diante são coisas que temos em comum”. Em sua opinião, um dos principais focos do evento de São Paulo é a luta dos afrodescendentes. “Porque existe um preconceito muito grande principalmente em relação às religiões africanas.” De acordo com ele, os líderes religiosos devem se mobilizar “em prol da sociedade como um todo”.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 345

Bessinha #345

As oposições e suas batalhas

Por: Marcos Coimbra, no CartaCapital 

midia_poderO ano mal começou e a nova batalha das oposições, partidárias e extraparlamentares, já está em pleno andamento. Se a primeira quinzena de janeiro transcorreu assim, imagine-se o restante do ano. É fácil perceber o que as move e aonde pretendem chegar.

A espetacularização do julgamento do “mensalão” foi feita com o único objetivo de desconstruir a imagem do PT no plano moral. O que buscavam era marcar o partido e suas principais lideranças com o estigma da corrupção, a fim de erodir suas bases na sociedade.

Só quem acredita em histórias da carochinha levou a sério a versão de que a imprensa oposicionista tinha o desejo sincero de renovar nossos costumes políticos e promover a “limpeza das instituições”. Seus bons propósitos são tão verdadeiros quanto os de Pedro Malasartes, personagem de nosso folclore famoso pelo cinismo e a falta de escrúpulos.

Por maiores que tenham sido seus esforços, obtiveram, no entanto, sucesso apenas parcial na empreitada, como vimos quando as urnas da eleição municipal foram abertas. Os resultados nacionais e algumas vitórias, como a de Fernando Haddad, em São Paulo, mostraram que os prejuízos sofridos pelo PT em decorrência do julgamento ficaram aquém do que calculavam.

Essa frustração as levou ao ponto em que estão hoje. De um lado, a insistir no moralismo e na tentativa de transformar o “mensalão” em assunto permanente da agenda nacional. Querem forçar o País a continuar a debatê-lo indefinidamente, como se tivesse a importância de temas como a democracia, o desenvolvimento econômico, o meio ambiente e a educação.

De outro, a diversificar os ataques, assestando as baterias em direção a novos alvos, procurando atingir a imagem administrativa da presidenta e do governo Dilma. Por extensão, de todo o PT. Não chega a ser um projeto original. Nas disputas políticas, nenhuma novidade há em acusar os adversários, simultaneamente, de corrupção e incompetência. Em dizer que, além de se apropriar de recursos públicos, não sabem governar, e que não há, portanto, qualquer razão para apoiá-los, nem sequer o argumento do “rouba, mas faz”.

Neste início de ano, o discurso das oposições, em especial da armada midiática, é afirmar que o PT rouba e não faz.

Atravessamos os primeiros 15 dias de 2013 como se vivêssemos uma crise gravíssima e difusa, como se o Brasil estivesse na iminência da paralisia total. Quem acompanhou o noticiário só ouviu falar em problemas, gargalos e decepções.

É o inverso do que ela costuma fazer em janeiro, quando a maioria de seus leitores está de férias e pensa em outras coisas. Em vez das habituais reportagens amenas sobre a musa do verão e os preparativos para o carnaval, tudo que publicam tem um tom catastrófico.

Os mais radicais não escondem a satisfação com o fraco desempenho do PIB em 2012 e os problemas de abastecimento elétrico em diversas regiões. Ficaram algo tristes com as modestas tragédias naturais do começo do ano. Por enquanto, o que lhes resta é torcer por calamidades espetaculares.

“Pibinho”, crise de gestão, apagão, desindustrialização, inflação, desemprego, falta de ar refrigerado no Santos Dumont, a disparada no preço do tomate, tudo vai mal no Brasil, segundo a mídia oposicionista. Por culpa de Lula, que “não soube aproveitar a sorte” e “desperdiçou a herança de FHC”, e de Dilma, que é “centralizadora”, “estatista” e “antiquada”.

Batem em tudo que veem e, se não veem, inventam. Nos últimos dias, até o Bolsa Família entrou na linha de mira dos “grandes jornais”. Sem falar na raiva contra Hugo Chávez, a quem parecem detestar somente por ser amigo dos petistas – visto que nunca dedicaram aversão igual aos governantes de direita do continente.

São como os lutadores de boxe que não possuem em seu repertório um soco capaz de nocautear o adversário. Lembram os enfezados pesos-moscas orientais, que brigam desferindo a esmo diretos, cruzados, jabs e uppercuts – além de, vez por outra, golpes baixos. Funciona? Até agora, pode-se dizer que não. Apesar do coro negativista, as pessoas comuns continuam satisfeitas com o País e o governo, e esperançosas em relação ao futuro. Em recente pesquisa da Vox Populi, 68% dos entrevistados disseram esperar que a situação de suas famílias venha a melhorar nos próximos seis meses, contra 2% que temem que piore. E o mais provável é que os otimistas tenham razão.

Esta semana, outro patético esforço de mobilizar os “indignados” conseguiu colocar dez cidadãos na Avenida Paulista. Portavam cartazes pedindo “Basta!” Ficaram falando sozinhos.

Uma coisa é conseguir a adesão de meia dúzia de ministros do Supremo, a maioria já alinhada com a oposição. Outra é encher as ruas. Isso, ela nunca soube fazer.

E não consegue aprender.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 344

Bessinha #344

Crescimento “sério, sustentável e sistemático” é promessa de Dilma

No: Correio do Brasil

dilma-economiaA presidenta Dilma Rousseff, durante visita ao Piauí, previu nesta sexta-feira que o Brasil terá crescimento “sério, sustentável e sistemático” ao longo do ano, apesar das preocupações sobre a retomada da economia. Dilma torce para que a economia do país se recupere em 2013, após um ano ruim, em que a expansão consolidada deve ficar na casa de 1%, apesar da série de incentivos anunciados pelo governo e a redução da Selic à mínima histórica de 7,25% ao ano.

A crise mundial do capitalismo é um dos fatores apontados pelo governo para o mau desempenho nos últimos dois anos, mas ela diz que a recuperação já está a caminho.

“Dois mil e treze será um ano em que nós teremos aquele crescimento sério, sustentável e sistemático. Vai ser o ano que nós vamos colher muitas coisas que plantamos. Vai ser o ano em que nós vamos plantar ainda mais do que iremos colher”, disse Dilma em cerimônia em São Julião, no Piauí, onde visitou obras de uma adutora.

As principais medidas tomadas pelo governo para retomar o crescimento, segundo a presidenta, são a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos da chamada linha branca e automóveis e a desoneração de folha de pagamento em diversos setores. Em 2012, Dilma disse esperar que as medidas tivessem seus efeitos plenos ao longo deste ano.

A presidenta Dilma enfrentou em 2012, além da cobrança por um maior crescimento econômico, a ano desconfiança em torno da garantia do abastecimento de energia, em meio aos menores níveis dos reservatórios das hidrelétricas do país em dez anos.

O problema, no entanto, começa a ser contornado com a volta das chuvas e dos níveis normais de abastecimento nas hidrelétricas. Algumas horas antes de Dilma chegar ao Piauí, no entanto, um defeito em um transformador da Chesf ocasionou a interrupção do fornecimento de energia em 33 municípios no Piauí, inclusive toda a capital Teresina.

Dilma almoçou com líderes políticos locais e, à tarde, visitou os 400 apartamentos do residencial Bem Viver, no Lourival Parente, Zona Sul de Teresina. O conjunto habitacional próximo ao terminal rodoviário Lucídio Portella teve seus imóveis sorteados na semana passada e faz parte do programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal.

O apagão que incomoda

Por: Roberto Amaral, no CartaCapital 

hidreletricaAfastada a ameaça de ‘apagão’ ou racionamento neste início de 2013, é preciso ter presente que, se os problemas estruturais não forem atacados de imediato, a crise de fornecimento de energia elétrica permanecerá rondando o país na próxima década, a menos que, desgraçadamente, não nos reencontremos com o crescimento econômico.

Como explicar as reincidentes crises de fornecimento de energia elétrica (lembram-se os leitores dos apagões de 2000/2001 e da crise de 2008?), se o Brasil tem à sua disposição um dos mais ricos conjuntos de fontes energéticas do mundo, constituído pelas alternativas hidráulica, nuclear, petrolífera, eólica, solar e, até, do carvão, além do etanol e da biomassa?

Ocorre que o sistema brasileiro é fundado, essencialmente, na energia produzida pelas hidrelétricas (algo como 80% de toda a produção nacional) contando com a complementaridade das termoelétricas. A presença de fontes alternativas como a solar e a eólica (em crescimento) é ainda irrelevante e assim permanecerá por muitos anos, e a participação da fonte nuclear é irrisória, bloqueada por uma ignorância fanática.

De fato, hoje e ainda por muito tempo, dependemos e dependeremos da energia fornecida pelas hidrelétricas; dependemos, portanto, do regime das chuvas. A propósito, todos os nossos reservatórios estão presentemente operando próximos da linha de segurança, restando ao operador nacional a única alternativa disponível: acionar as termelétricas. Assim, em face da crise hídrica, estão operando todas as termelétricas, a um custo altíssimo, tanto financeiro quanto ambiental. (Não há milagres: ao pressionarmos um interruptor, a luz só se acenderá se houver geração e transmissão de eletricidade…)

Mesmo a fonte hídrica, particularmente na Amazônia, já está ameaçada. Porque as hidrelétricas, para serem construídas, dependem do humor de ambientalistas articulados com o Ministério Público, sempre prontos a embargar os projetos de engenharia (o caro leitor terá acompanhado o noticiário acerca de Belo Monte?) que tirariam melhor proveito das quedas d’água que a natureza nos aquinhoou. Por isso, as novas hidrelétricas estão sendo projetadas para operar a fio d’água, sem reservatório. E o reservatório é o único meio de estocar combustível – água –, para que as hidrelétricas operem nos períodos de estiagem.

Para que um sistema hídrico se auto-regule, são necessários seis meses de acumulação na capacidade de armazenamento, de forma a compensar os efeitos da sazonalidade da precipitação pluviométrica, assim como a ocorrência de períodos mais longos de seca. No Brasil, essa capacidade já foi de dois anos. No entanto, devido ao forte crescimento do consumo de energia elétrica, o valor hoje está em torno de 5,8 meses. A previsão tende a agravar-se, se levarmos em conta que as novas usinas programadas para entrar em operação têm uma razão de acumulação/produção de apenas dois meses, em decorrência daquelas exigências ambientais que impõem rigorosos limites na área a ser alagada pelos respectivos reservatórios.

Eis por que a crise das hidrelétricas se transforma em crise de todo o sistema, e as termelétricas, de simplesmente complementares, transformaram-se em essenciais. Reconheça-se, porém, que elas nos estão salvando do racionamento, elas e o sistema nacional que interliga todas as redes.

O Brasil precisa construir um portfólio de fontes de energia, razoavelmente equilibrado, o qual, sem descartar a hidrelétrica, compreenda, principalmente, o crescimento da núcleoeletricidade e a redução do uso das fontes fósseis. Impõe-se, para tanto, preliminarmente, o resgate do planejamento do setor elétrico, deixado de lado por governantes seduzidos pelas “vantagens” do mercado.

Essa diversificação de fontes é exigida por um cotidiano pontuado por apagões ou ameaças de apagões, pelo aquecimento global, pela poluição dos combustíveis fósseis e a constante variação de seus preços no mercado internacional. Diversificação também imposta pelas crescentes dificuldades – na sua maioria artificiais e contrárias aos interesses nacionais –, que, sob os mais diversos pretextos, vêm sistematicamente atrasando o programa hidrelétrico brasileiro.

A mesma ignorância antipatriótica que obstaculiza a construção das hidrelétricas é responsável pelo atraso da alternativa nuclear, que independe do regime das chuvas e da importação de matéria-prima, pois possuímos uma das maiores reservas de urânio do mundo e dominamos as técnicas de sua extração e enriquecimento.

protesto_usina_nuclearPor razões as mais diversas, tanto Angra I, projeto norte-americano da Westinghouse, quanto Angra II, projeto alemão da Kraftwekunion, tiveram, durante a construção, interrupções e retomadas, e só entraram em operação comercial em 1985 e 2001, respectivamente, ou seja, foram necessários 13 anos para construir Angra I e 25 anos para construir Angra II, quando o tempo médio mundial é de sete anos. Angra III está atrasada 35 anos, quando o programa original, de 1975, previa a construção de oito usinas!

Por óbvio, ninguém neste país está satisfeito com os índices recentes de nosso crescimento econômico. Mas é fácil concluir que não podemos pensar em retomada do crescimento, e muito menos planejá-lo, sem prévio aumento da oferta de eletricidade. Esse aumento, para operar-se em segurança, deverá, todavia, compreender o desenvolvimento de todas as fontes disponíveis. Por outro lado, o desarranjo dos sistemas de distribuição, fruto da criminosa privatização do setor, exige providências imediatas para assegurar investimentos em melhorias dos sistemas e na sua manutenção adequada, para impedir a ocorrência de apagões provocados por falhas operacionais.

O aumento da produção de todas as fontes, oferecendo segurança ao sistema em qualquer época do ano, de par com a melhoria da rede de distribuição, em síntese, o aumento da oferta de energia, aciona o crescimento econômico e o desenvolvimento social, os quais, por seu turno, aumentam a demanda por energia. Trata-se, porém, de um círculo virtuoso.

O extremo dessa equação se confunde com os limites das reservas das fontes energéticas, mesmo renováveis, inclusive as hidrelétricas, e as derivadas da biomassa, porque, até para países de dimensões continentais como o Brasil, há limites para a substituição da produção de alimentos (de que carecem nosso povo e a humanidade) por plantações de cana-de-açúcar, soja e oleaginosas em geral, destinadas à produção de combustível alternativo. O desafio de nossos dias – produzir energia em volume suficiente para atender a uma demanda que se eleva continuamente como preço do progresso – é relativamente maior em países como o nosso, que luta pela consolidação de seu parque industrial e pela retomada do crescimento econômico. No Brasil, esse crescimento deverá ser exponencialmente maior se levarmos em conta que nosso consumo per capita ainda pode ser considerado baixo, comparado, seja às médias mundiais, seja ao ritmo dos ‘emergentes’ mais dinâmicos, seja, principalmente, às necessidades de nossas populações.

Não é só a construção de um reservatório, ou de uma usina nuclear, que causa impacto ambiental. A maior poluição vem da pobreza: saneamento, lixo, dengue e cólera também são questões ambientais que só podem ser enfrentadas com desenvolvimento. E não há desenvolvimento sem geração de energia.

 

Roberto Amaral é cientista político e ex-ministro da Ciência e Tecnologia entre 2003 e 2004.