quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Comprovação da participação em pedofilia não é suficiente para impedir cardeal de participar do conclave

Entre os 117 cardeais com direito a voto no conclave – eleição para eleger o novo papa em março – pelo menos 9 são acusados publicamente de terem praticado ou acobertado atos ilegais como assédio sexual e pedofilia. O número, que equivale a quase 8% dos religiosos com poder de decisão no Vaticano, escancara uma das crises institucionais por que passa a Santa Sé.

Por: Eliseu, extraído parte no: Vermelho 

igreja-pedofiloPara evitar maiores constrangimentos, na segunda-feira (25), o responsável pela Igreja Católica na Escócia, o cardeal Keith Michael Patrick O’Brien, renunciou ao seu direito de participar do conclave. Oficialmente, diz-se que teria partido dele o desejo de renunciar ao cargo de cardeal - por já estar com mais de 75 anos. Mas especula-se que o Vaticano o pressionou a tomar tal atitude por conta da acusação de ter praticado assédio sexual na década de 1980. “Pelo bem que eu tenha feito, agradeço a Deus. Por qualquer falha, peço desculpas a quem eu tenha ofendido”, escreveu em comunicado.

O cardeal foi denunciado por três padres e um ex-religioso da diocese de St. Andrews e Edimburgo por ter investido sexualmente contra eles. O’Brien disse que desistiu de participar da eleição que escolherá o sucessor de Bento XVI porque não quer que a atenção da mídia se concentre nele e sim no papa Bento XVI e no seu sucessor.

Outro caso de destaque é do cardeal e antigo arcebispo de Los Angeles, Roger Mahony, suspeito de ter acobertado 129 casos de pedofilia por várias décadas. Mahony sofre pressão para que deixe de participar do conclave. A presença de Mahony “vai agravar o escândalo e a vergonha da nossa Igreja”, disse a associação de católicos dos Estados Unidos, Catholics United. A petição do grupo, que pede que o cardeal “fique em casa”, teve alcance internacional.

Outro estadunidense, o cardeal Justin Francis Rigali, ex-chefe da diocese de Filadélfia, é acusado de não ter esclarecido casos de pedofilia supostamente cometidos por 37 sacerdotes. Acusação semelhante é feita ao cardeal belga Godfried Danneels, que há três anos teve o seu computador pessoal apreendido por conta de acobertamento de casos de abuso de menores. Já o nome do cardeal irlandês Seán Baptist Brady foi envolvido com uma centena de casos de abusos cometidos em orfanatos, escolas e paróquias.

Acusações de mesmo tipo são feitas contra o arcebispo de Sydney, o australiano George Pell; o arcebispo de Cracóvia, o polonês Stanislaw Dziwisz; o prefeito emérito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, o esloveno Franc Rodé; o prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, o argentino Leonardo Sandri; e o arcebispo da Cidade do México, Norberto Rivera Carrera, acusado de proteger o pedófilo e fundador da corrente direitista Legionários de Cristo, Marcial Maciel.

A suspeita ou comprovação da participação em atos como assédio sexual e pedofilia não é suficiente para impedir um cardeal de participar do conclave. A decisão de afastamento, entretanto, pode ser tomada individualmente pelo religioso.

Fonte: Brasil de Fato

Pitaco do O Carcará: Apesar desse blogueiro não gostar de dar pitacos em assuntos de religião, não tem como entender. Aí o O Carcará fica pensativo: se comprovação da participação em atos como assédio sexual e pedofilia não é suficiente para impedir um cardeal de participar do conclave, o que seria então? Será que na igreja vale tudo?

A pensar…

Uma musiquinha para amenizar!

Charge Online do Bessinha # 383

Bessinha #383

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Lula diz que FHC deveria no mínimo ficar quieto

Fernando Henrique cardosoO ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu nesta terça-feira 26 às críticas feitas à presidenta Dilma Rousseff pelo seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. “Acho que o FHC deveria no mínimo ficar quieto,” disse Lula no lançamento do livro O Brasil, do diretor de redação de CartaCapital, Mino Carta. “Eu acho que ele não deveria falar. O que ele deveria era contribuir para a Dilma continuar a governar o país bem. Ou seja, deixa ela trabalhar, ela sabe o que faz,” disse Lula.

Fernando Henrique havia dito que Dilma era “ingrata”, “cospe no prato que comeu” e acusou o PT de “usurpar” o projeto político do PSDB. A frase de FHC era uma resposta ao discurso da presidenta na semana anterior. No aniversário de dez anos do PT no poder, Dilma afirmara que não havia herdado nada dos tucanos na presidência.

No evento, Lula disse que a princípio não responderia a perguntas. “Hoje é o dia do Mino falar,” repetiu ele diversas vezes. Sua presença no local causou alvoroço de pessoas que queriam tirar foto com ele. Depois, porém, Lula falou sobre política.

Rio de Janeiro

A direção nacional do PMDB decidiu nesta terça que não apoiará a campanha de reeleição de Dilma em 2014  caso o PT não abra mão da candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo fluminense. O PMDB quer o atual vice-governador, Luiz Fernando Pezão, como candidato.

Lula foi irônico ao ser perguntado sobre o assunto. “Como é que eu vou saber se eu não acompanho nem a política do estado de São Paulo? Eu, depois que deixei a presidência da República, deixei de acompanhar política de perto,” disse o ex-presidente.

CartaCapital

Charge Online do Bessinha # 382

Bessinha #382

Combate ao tráfico de pessoas irá além da exploração sexual

Novo plano anunciado hoje pelo governo quer enquadrar também trabalho escravo e retirada de órgãos, entre outros crimes

Por: Júlia Rabahie, no Rede Brasil Atual 

ministrosO governo federal vai expandir o combate ao tráfico de pessoas para além da exploração sexual, segundo anunciaram o hoje (26) o ministério da Justiça e as secretarias de Direitos Humanos e de Políticas para as Mulheres.

O 2º Plano de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, lançado em Brasília pela manhã, inclui um pacote de leis que tipifica como crime o tráfico também para trabalho escravo, doméstico, de criança e para retirada de órgãos humanos.

“É um desejo nosso que os projetos tenham um rápido andamento no Congresso. Vamos falar com os presidentes da Câmara e do Senado para pedir urgência na tramitação”, afirmou o ministro da Justiça José Eduardo Cardoso. Outro ponto ressaltado por ele foi a elaboração de um projeto que garanta punição mais rigorosa aos criminosos

“Na legislação brasileira, conseguimos moldar o trafico com fins de explora sexual, mas não tratamos de outras modalidades de tráficos de seres humanos, o que é muito sério. Precisamos estar de acordo com o Protocolo de Palermo”, disse a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

O protocolo de Palermo é um documento da Organização das Nações Unidas (ONU), de 2000, que define internacionalmente o crime de tráfico de pessoas como o “recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração”.

Referindo à novela “Salve Jorge”, da Rede Globo, que tem como temática central o tráfico de mulheres, a ministra de Mulheres, Eleonora Menicucci, disse que “o que passa novela é muito pouco”. Maria do Rosário destacou que o tráfico de pessoas é uma crime “uma violação absoluta” aos direitos humanos. “Desterritorializar uma pessoa é uma forma de dominação total”.

Cardozo ressaltou a importância de denúncias pelo Disque 100 e Disque 180. O primeiro (100) é para casos de violência e o abuso contra crianças e adolescente. O segundo (180), uma central de atendimento em favor das mulheres. 

Ele também falou sobre a capacitação dos profissionais que lidam com as vítimas.

“O crime é difícil de ser combatido, porque é tido como crime subterrâneo, as pessoas não percebem que está ocorrendo. As vítimas não denunciam porque tem medo ou vergonha. Todos os agentes devem estar capacitados para poder cuidar desse tipo de crime. As informações precisam chegar à Polícia Federal e aos órgãos públicos.”

Metas

Segundo dados do Ministério da Justiça, entre 2005 e 2011 a Polícia Federal instaurou 157 inquéritos e indiciou 381 pessoas relacionados ao tráfico internacional de pessoas para exploração sexual.

Os números são de um relatório feito pelo MJ em parceria com a ONU. Segundo o documento, menos da metade dos crimes investigados levou à prisão dos responsáveis. 

As metas dos planos estão elaboradas em torno de cinco eixos: ampliação e aperfeiçoamento da atuação dos órgãos envolvidos ao tráfico de pessoas; fomentar a cooperação entre os órgãos públicos, organizações da sociedade civil e organismos internacionais; reduzir as situações de vulnerabilidade ao tráfico de pessoas; capacitar profissionais e instituições envolvidas com o combate ao tráfico; e produzir e disseminar informações.

Entre as metas está a criação de mais dez postos de atendimento em cidades de fronteira; a perda dos bens dos envolvidos com o tráfico de pessoas; criação de novas delegacias especializadas no combate a crimes contra os direitos humanos; e mais 20 Centros de Referência Especializados no atendimento a mulheres vítimas do tráfico.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 381

Bessinha #381

Yoani reloaded

Por: *Leandro Fortes, no CartaCapital 

yoaniPrimeiro de tudo: foi um erro dos manifestantes baianos impedir a exibição do documentário, ou seja lá o que for aquilo, do tal cineasta de Jequié, Dado Galvão, em Feira de Santana. Não que eu ache que dessa película poderia vir alguma coisa que preste, mas porque praticar sua arte – seja genial, banal ou medíocre – é um direito inalienável de qualquer cidadão brasileiro.

Ao impedir o documentário, os manifestantes estão ajudando a consolidar a tese adotada pela mídia de que os que são contra a blogueira Yoani Sánchez são, apenas, a favor da ditadura cubana. Fortalece, pois, esse reducionismo barato ao qual a direita latinoamericana sempre lança mão para discutir as circunstâncias de Cuba.

Minha crítica aos manifestantes, contudo, se encerra por aqui.

De minha parte, acho ótimo que tenha gente disposta a se manifestar contra Yoani Sánchez, uma oportunista que transformou dissidência em marketing pessoal. Não vi ainda nenhuma matéria que informe ao distinto público quem está pagando a turnê de Yoani por 12 (!) países – passagens aéreas, hospedagens, traslados, alimentação, lazer e banda larga.

Nem a Folha de S.Paulo, que até em batizado de boneca do PT pergunta quem pagou o vestido da Barbie, parece interessada nesse assunto. E eu desconfio por quê.

Yoani Sánchez é a mais nova porta-bandeira da liberdade de expressão em nome das grandes corporações de mídia e do capital rentista internacional. É a direita com cara de santa, candidata a mártir da intolerância dos defensores da cruel ditadura cubana, a pobre coitada que tentou, vejam vocês, 20 vezes sair de Cuba para ganhar o mundo, mas só agora, que a lei de migração foi reformada na ilha, pode viver esse sonho dourado. Mas continuo intrigado. Quem está pagando?

A mídia brasileira, horrorizada com as manifestações antidemocráticas em Pernambuco e na Bahia, não gosta de lembrar que a atormentada blogueira morou na Suíça, apesar de ter tentado sair de Cuba vinte vezes, nos últimos cinco anos. Vinte vezes!

Façamos as contas: Yoani pediu para sair de Cuba, portanto, quatro vezes por ano, de 2006 para cá. Uma vez a cada três meses. Mas, antes, conseguiu MORAR na Suíça. Essa ditadura cubana é muito louca mesmo.

Mas, por que então a blogueira dissidente e perseguida abandonou a civilizada terra dos chocolates finos e paisagens lúdicas de vaquinhas malhadas pastando em colinas verdejantes? Fácil: nos Alpes suíços, Yoani Sánchez poderia blogar à vontade, denunciar a polícia secreta dos Castros e contar ao mundo como é difícil comprar papel higiênico de qualidade em Havana – mas de nada serviria a seus financiadores na mídia, seja a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que lhe paga uma mesada, ou o Instituto Millenium, no Brasil, que a tem como “especialista”.

Então, é preciso fazer Yoani Sánchez andar pelo mundo. Fazê-la a frágil peregrina da liberdade de expressão, curiosamente, financiada pelos oligopólios de mídia que representam, sobretudo na América Latina, a interdição das opiniões, quando não a manipulação grosseira, antidemocrática e criminosa da atividade jornalística, em todos os aspectos.

É preciso vendê-la como produto “pró-Cuba”, nem de direita, nem de esquerda – aliás, velha lenga-lenga mais que manjada de direitistas envergonhados. Pena Yoani ter se atrasado nessa missa: Gilberto Kassab, com o PSD, e Marina Silva, com a Rede (Globo?), já se apropriaram, por aqui, dessa fantasia não-tem-direita-nem-esquerda-depois-da-queda-do-muro-de-Berlim.

No mais, se a antenada blogueira cubana tivesse ao menos feito um Google antes de embarcar para o Brasil, iria descobrir:

1) Dado Galvão, apesar de “colunista convidado” do Instituto Millenium, não é ninguém. Ela deveria ter colado em Arnaldo Jabor;
2) Eduardo Suplicy é a Yoani do PT;
3) Em Pernambuco não tem só frevo;
4) E na Bahia não tem só axé.

*Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor, autor dos livros “Jornalismo Investigativo”, “Cayman: o dossiê do medo” e “Fragmentos da Grande Guerra”, entre outros. Sua mais recente obra é “Os segredos das redações”. É criador do curso de jornalismo on line do Senac-DF e professor da Escola Livre de Jornalismo.

Michael Sullivan - My Life

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 380

Bessinha #380

Joaquim amoleceu?

Por: Mauricio Dias, no CartaCapital 

joaquim_barbosaO ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou amolecido, cordato, compreensivo, após o generoso recesso do Judiciário. O tipo “malvadeza durão”, encarnado por ele ao longo do julgamento do chamado “mensalão” petista, esfumou-se. Talvez temporariamente ou, quem sabe, por força das circunstâncias.

Sob a presidência de Barbosa, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em reunião no dia 19, ao julgar o veto a patrocínios da iniciativa privada para festas de juízes, estabeleceu um nível porcentual de tolerância para a ética. É mais ou menos assim: eventos promovidos por conselhos de Justiça, tribunais e escolas da Magistratura podem ganhar incentivo privado de até 30%. Alguém poderá pensar: melhorou, só porque não havia limites.

Embora tomado pelo espírito da discutida cordialidade brasileira, o ministro Barbosa ainda fez uma ponderação restritiva ao que chancelou: “É uma primeira tentativa de segregar o Poder Judiciário dessas relações duvidosas, senão promíscuas, às vezes, com o empreendimento privado”. Fez a concessão emoldurada por um discurso duro: “A minha posição, e de outros conselheiros, é no sentido de proibição total. Acho que isso virá em futuro próximo”.

Houve, no entanto, quem não cedeu. Os conselheiros do CNJ Jefferson Kravchychyn e Jorge Hélio, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, ficaram a favor da proibição de 100%. Não queriam deixar para depois.

Esses patrocínios são uma tradição equivocada no Judiciário brasileiro. Na falta de freio, tudo foi se agravando: houve congresso em resort de luxo patrocinado por instituições financeiras e a Associação Paulista de Magistrados recebeu brindes que foram distribuídos em uma festa na qual, por fim, foi sorteado um carro.

“É uma verdadeira vergonha esse evento”, condenou, na ocasião, o corregedor do CNJ, Francisco Falcão. Ele anotou a transgressão na sua lista de tarefas.

Quem ousa negar um “pedidinho” de ajuda para realizar um evento da Magistratura? O pedido por si só constrange, independentemente de outros problemas que possa criar.

Quando corregedora, a ministra Eliana Calmon, a favor do veto total ao patrocínio, tinha força na opinião pública, mas era fraca junto às forças ocultas. Não chegou a levar a questão a plenário. Isso foi feito pelo ministro Francisco Falcão, atual corregedor. Falcão apresentou a proposta de veto total, mas não manteve a posição. Aderiu ao porcentual aprovado.

No Conselho, a maioria votou seguindo a proposta apresentada pelos ministros Carlos Alberto de Paula e o próprio Falcão. O novo texto foi costurado no último fim de semana pelos dois.

A explicação oficial para o recuo foi político: não se formou consenso. A decisão final foi obtida por maioria de 10 votos a 5.

Há também explicação oficiosa. Fontes bem informadas garantem que o Instituto Innovare, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que conta com apoio do Sistema Globo, conseguiu demover vários integrantes do CNJ.

Não se sabe se houve proibição de brindes, prêmios e passagens aéreas, entre outras coisas condenáveis. Essa decisão, de manga curta, do CNJ prova, entre outras coisas, que a ética no Brasil, tão invocada, avança no ritmo da nossa história: lenta e gradualmente.

Seguimos com o estandarte da esperança, no qual se lê: Brasil, país do futuro.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Freddie Mercury & Montserrat Caballe - How can I go on

Boa noite!

Palace 2 – Justiça?

Passados 15 anos da tragédia do Edifício Palace 2, vítimas ainda esperam por indenização

Por: Alana Gandra, no Agência Brasil 

palace2Quinze anos depois do desabamento do Edifício Palace 2, na Barra da Tijuca, que matou oito pessoas, as vítimas da tragédia ainda esperam por indenização. Segundo Rauliete Guedes, presidenta da Associação de Vítimas do Palace 2, as 120 famílias filiadas à associação receberam, até agora,  40% do que tinham direito, em sete parcelas, o que dá um total, atualizado, de R$ 30 milhões. Outras famílias preferiram entrar na Justiça em ações separadas.

Rauliete Guedes e o filho tinham dois apartamentos no prédio e conseguiram  recomeçar a vida, comprando novos imóveis pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH). O que ela tinha no Palace 2 foi implodido após a tragédia, enquanto o do filho foi perdido no desabamento, ocorrido no dia 22 de fevereiro de 1998, um sábado de carnaval.

O Palace 2 tinha 176 apartamentos. A última família que estava morando em um hotel por decisão judicial foi expulsa  por ordem da própria Justiça, devido ao não pagamento das diárias pela construtora Sersan, responsável pela obra que desabou.

O dono da construtora, Sérgio Naya, morreu em Ilhéus (BA), em 2009, o que agravou o problema, já que os bens que possuía acabaram reunidos em espólio. “Vai aumentando o montante e fica por isso mesmo”, reclamou Rauliete.

O advogado da associação, Nélio Andrade, confirmou à Agência Brasil que o processo está parado há quatro anos, após a venda de um imóvel pertencente à Sersan, cujo valor foi depositado em juízo. “Tem R$ 5,3 milhões depositados em conta judicial para fazer a partilha. Em quatro anos, o juiz não liberou o dinheiro”. A situação, segundo ele, é de penúria para muitas famílias.

As indenizações variam de acordo com a situação das famílias – inquilinas ou proprietárias – na época do desabamento do Palace 2 e também com o fato de terem perdido algum parente. Andrade disse que  os valores oscilam de R$ 200 mil a mais de R$ 1 milhão por família. Somando todas as indenizações devidas, o montante atinge cerca de R$ 70 milhões, com as correções e juros.

O advogado encaminhou à 4ª Vara Empresarial do Rio documento mostrando que o cálculo feito pelo contador indicado pela Justiça está errado. Andrade analisou que a morosidade da Justiça é muito grande. “É má vontade. Não tem outra explicação”, assegurou. “Se tem o crédito para as famílias, por que vai mandar fazer cálculo?”, indagou.

Ainda há vários imóveis da construtora Sersan e de Sérgio Naya para serem leiloados.  “Eu tornei o patrimônio dele indisponível no país todo”, disse o advogado. Alguns imóveis apresentam dívidas referentes a impostos atrasados. Andrade relatou que um terreno que valia na época R$ 40 milhões teve que ser alienado por R$ 9 milhões, devido às dívidas e problemas no imóvel. “Tudo com relação aos imóveis do Sérgio Naya era enrolado”.

Nélio Andrade disse que acompanha com preocupação a situação dos clientes. “Tem gente que ficou doente mental, que se separou... as pessoas não conseguiram restabelecer sua vida ainda. Passados 15 anos, as pessoas ainda estão traumatizadas com isso”, comentou. “Cada ano que passa, as famílias vão revivendo a tragédia”.

Algumas vítimas, como Ione Vitório nunca conseguiram comprar outro imóvel. Ela atribui o fato às sucessivas trocas de juízes na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que trata do caso, e à demora em receber a indenização. Isso fez com que ela nunca conseguisse completar o pagamento de um novo local para morar, pretendido na região da Barra, zona oeste da cidade.

Atualmente, ela vive em Jacarepaguá, em apartamento que herdou do pai. “A Justiça está muito arcaica. Deveria ter resolvido na hora do desabamento”. Ione disse à Agência Brasil que essa demora em receber o que tem direito “acaba com a gente” e diz que a espera “é tão desapontadora e dolorosa quanto o desabamento”. Seu padrão de vida hoje é muito diferente do que tinha há 15 anos. Estimou que o seu apartamento no Palace 2 valeria pelo menos R$ 700 mil atualmente.

Como o espólio de Naya teve que ser incorporado ao processo, isso atrasou todo o trâmite. O advogado Nélio Andrade pretende lutar agora para conseguir desbloquear o dinheiro que está depositado para pagar as famílias. Ele pretende reunir todos os imóveis da Sersan e de Sérgio Naya para levá-los a um leilão único. “Vamos decidir isso logo”.

Procurado pela Agência Brasil, o juiz da 4ª Vara Empresarial, que assumiu o cargo este mês, Gilberto Matos,  respondeu, por meio da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que “conforme o despacho proferido às folhas 3.805 verifica-se que inexistem valores disponíveis para a satisfação dos créditos”.

Em relação aos R$ 5,3 milhões depositados em juízo, o magistrado informou que o valor só poderá ser liberado quando deixarem de existir recursos tanto do lado dos credores como dos herdeiros de Sérgio Naya.

Charge Online do Bessinha # 379

Bessinha #379

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Mensalão best-seller

Por: Gabriel Bonis, no CartaCapital 

mensalãoFinalizado há cerca de dois meses pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento do “mensalão”, que condenou 25 dos 37 réus do esquema – entre ex-ministros, deputados e empresários – ainda não tem prazo para a publicação do acórdão. A demora é compreensível: foram 53 sessões durante cinco meses do mais longo julgamento da história da Corte. Mesmo assim, as editoras não esperaram a análise dos embargos para transformar o caso em História.

Até o momento, foram lançados ao menos três livros relatando ou analisando o caso, que teve extensa cobertura diária na televisão, rádio, internet, jornais e revistas. Os trabalhos chegaram com grande alarde e, não por acaso, são indicados como possíveis best-sellers.

O primeiro livro da safra a ser lançado foi “Mensalão – O Julgamento do maior caso de corrupção da história política brasileira” (Editora Leya, 392 págs., R$ 39,90), do historiador Marco Antonio Villa. Com tiragem inicial de 10 mil cópias, vendeu 15 mil e a expectativa é que o número ainda dobre.

Um patamar que pode ser considerado acima da média no mercado editorial brasileiro, onde as tiragens por edição ficam entre 3 e 5 mil cópias.

Lançado há cerca de duas semanas, Mensalão – O Dia A Dia do Mais Importante Julgamento da História Política do Brasil” (Record, 288 páginas, R$ 34,90), de Merval Pereira, também chegou com alarde, embora a editora não informe o número de cópias da edição inicial.

Outro que apresenta números expressivos é “A outra história do Mensalão – As contradições de um julgamento político” (Geração Editorial, 353 págs., R$ 34,90), do jornalista Paulo Moreira Leite, lançado na terça-feira 19. O livro saiu com tiragem inicial de 8 mil exemplares, aumentada para 18 mil cópias devido à alta procura. Isso sem contar as vendas em formato digital.

mensalão-mervalApesar da semelhança nas tiragens, os livros trazem perfis e abordagens diferentes sobre o “mensalão”. Os dois primeiros seguem um tom mais agressivo contra os réus, presente em grande parte da mídia durante o julgamento. O último aborda a análise do STF de um ponto de vista crítico.

Nas livrarias “antes da hora”

O livro de Villa surpreende pela data de lançamento: 10 de dezembro, sete dias antes de o julgamento terminar.

O trabalho, inclusive, estava em pré-venda 15 dias antes da data, devido à “grande expectativa dos livreiros”.

Ou seja, o historiador da Universidade Federal de São Carlos concluiu a história sem saber a dosimetria das penas atribuídas a todos os réus daquele que chama de “o julgamento do maior caso de corrupção da história política brasileira”.

Já o trabalho de Merval reúne uma coletânea de artigos publicados durante o julgamento pelo jornal O Globo, entre 2 de agosto a 18 de dezembro. Alguns textos trazem ataques contra os réus e os ministros do STF que não os condenaram.

mensalão-VillaO prefácio é assinado por Carlos Ayres Britto, ex-presidente do STF, que participou de grande parte do julgamento antes de se aposentar ao completar 70 anos de idade.

O livro de Moreira Leite, por sua vez, reúne textos de seu blog, então hospedado no site da revista Época, postados antes e durante a análise do STF. O jornalista, ex-diretor de Época, Veja e Diário de S.Paulo, acompanha o caso desde 2005 sem deixar de apontar a gravidade das acusações enquanto busca uma abordagem mais crítica à atuação do Supremo.

O prefácio é de Jânio de Freitas, da Folha de S.Paulo.

Em seu texto de apresentação, Freitas critica o pré-julgamento realizado pela mídia antes mesmo de o STF começar a julgar os 37 acusados.

“Os comentaristas, com exceções raras, enveredaram por práticas que passaram do texto próprio de comentário jornalístico para o texto típico da finalidade política, foram textos de indisfarçável facciosismo.”

mensalão-VillaLeite avança na temática na introdução para destacar que a maioria dos meios de comunicação “cobriu o julgamento em tom de celebração e cobrança”.

“Quase todos consideravam que a culpa dos réus já fora demonstrada [...] A versão dos acusados, que sempre se declararam inocentes, raramente foi levada em consideração.”

O jornalista aponta, entre outras coisas, que uma das maiores “incongruências” do STF foi a decisão de rejeitar o desmembramento do caso entre os três parlamentares com foro privilegiado e os demais que poderiam responder a cortes inferiores. Antes, o tribunal havia concedido esse direito aos réus do “mensalão tucano”, esquema também comandado por Marcos Valério que teria irrigado a campanha de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998. Eram casos semelhantes, tratados de forma distinta.

Na dosimetria das penas, diz o autor, ficou evidente a preocupação, principalmente do relator Joaquim Barbosa, em impedir que determinados réus se beneficiassem do direito à prescrição ou do regime semiaberto. “Atitude estranha diante da isenção e do equilíbrio que se espera de uma decisão da Justiça.”

Segundo Leite, outro resultado do “mensalão” criado pela mídia precisa ser desmistificado. Como o caso envolvia ministros, políticos e banqueiros, a condenação foi associada a uma vitória contra a corrupção e os poderosos. Mas a Procuradoria-Geral da República deixou de lado empresas e grupos econômicos que contribuíram com mais de 200 milhões de reais para as empresas de Marcos Valério. Nenhum de seus executivos foi indiciado no processo.

“Elas são tão condenáveis, do ponto de vista legal, como os primeiros, pois em todos os casos pode‑se alegar que se buscava comprar favores e atenções especiais do governo”, diz o texto.

O jornalista ainda analisa a polêmica decisão do STF em cassar os mandatos dos deputados condenados João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry. Para ele, a Constituição reserva ao Congresso esse direito.

“O debate sobre a perda de mandato envolve uma questão política. Diz respeito à separação entre poderes, a organização do Estado. Envolve o respeito ao voto. A Constituição não um documento produzido pelo Supremo, mas obra de uma nação inteira.”

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 378

Bessinha #378

Marina e Itaú, sustentável coincidência

Por: Leandro Mazzini, no Correio do Brasil 

marina-silvaÉ inquestionável a admiração de Maria Alice Setúbal por Marina Silva, o engajamento em seu ideal político e a amizade entre as duas. A ponto de ser inevitável a associação da candidata que lançou a Rede Pró-Sustentabilidade com o Itaú, o maior banco privado do país, fundado pelo pai de Maria Alice, a Neca – a tesoureira do novo partido.

Um: a cor da Rede é laranja, a mesma do bancão.

Dois, Marina insistiu no termo Sustentabilidade; e qual o banco mais sustentável do mundo, como propala em anúncios? Três: Marina não incluiu na sua lista de doadores proibidos os bancos privados, que lucram bilhões por ano.

Blog “Falha de São Paulo” continua censurado

Publicação que ficou no ar apenas um mês fazia parodiava a Folha de S. Paulo. Para responsável pelo blog, decisão judicial abriu “jurisprudência ruim”

Por: Gisele Brito, no Rede Brasil Atual 

falha_sao_pauloA 5ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu na manhã de hoje (20) manter a proibição ao blog “Falha de São Paulo”. A ação foi iniciada em 2010 pelos responsáveis do jornal Folha de S. Paulo. Eles alegam que os irmãos Lino e Mario Bocchini, responsáveis pelo blog, teriam copiado o projeto gráfico e a logomarca do impresso e os explorado comercialmente.

Os irmãos pretendem recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Não é simples, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) e o STF não recebem uma ação qualquer. Mas a gente vai estudar de que forma se pode recorrer. Nossa intenção é ir para os tribunais superiores”, afirma Lino.

Ele tem insistido que a decisão abre jurisprudência que fere a liberdade de expressão. “Se isso atingisse só a mim e a meu irmão seria menos mal. A jurisprudência aberta é muito ruim para a coletividade. Porque outra empresa que queira tirar um site do ar utilizando os mesmos argumentos da Folha terá uma decisão anterior para se respaldar”, afirma. Para ele, a decisão é tão temerária que poderia ser usada contra a própria Folha de S. Paulo.

Lino menciona o exemplo de charges em que marcas são usadas para fazer paródias. “Claro que há uma tradição na manutenção ao que é mais favorável ao grande poder econômico. Seria até surpreendente se dois irmãos que não fazem parte de nenhuma organização conseguissem ganhar de um dos maiores grupos de comunicação do Brasil. Isso sim seria uma surpresa”, lamenta.

Em setembro de 2010, o Falha de S. Paulo foi retirado do ar depois de pedido liminar da Folha de S. Paulo, cabendo multa diária de R$ 10 mil caso a decisão fosse desrespeitada, e um processo tratando de uso indevido de marca foi aberto. O blog de paródias ao jornal ficou no ar menos de um mês. Os advogados da Folha argumentaram que além do uso de marcas semelhantes à exposição da capa e indicação do link para a revista CartaCapital, por exemplo, tinham fins comerciais.

Charge Online do Bessinha # 377

Bessinha #377

Yoani, a blogueira “limpinha”

No: Terra Brasilis

yoani_serraQuem foi que disse que os barões da mídia não gostam de blogueiros? Yoani Sánches, blogueira da CIA e da Sociedade Interamericana de Imprensa (SII) – clube dos donos dos meios de comunicação – é tratada a pão de ló. Ela ajuda a ecoar a campanha anti Cuba em todo o planeta. Sempre a mesma ladainha sobre Direitos Humanos.

Yoani em seu blog “Generación Y” jamais questionou a prisão de Guantánamo. Centro de tortura e experiência sádicas dos Estados Unidos na ilha caribenha. Ela também não explica por que quis voltar da Suíça onde vivia para ser “perseguida” em Cuba. Tampouco fala como sua atuação em prol da liberdade é financiada.

A blogueira já recebeu em forma de prêmios – com um ano de blog – o equivalente a 250 mil euros. Isso equivale a mais de 20 anos de salário mínimo da França, quinta potência mundial, e a 1.488 anos de salário mínimo em Cuba. Mais o salário mensal da própria SII de seis mil dólares mensais.

Seu blog é “© 2009 Generación Y - All Rights Reserved”, mas por conta do embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba nenhum outro blogueiro cubano pode fazer o mesmo naquela ilha.

Vale tudo para disseminar o ódio a Cuba. Yoani é mais uma “limpinha” a combater os “mal cheirosos e sujos” nesse mundo. Ela é da mesma turma do Reinaldo Azevedo e sua “doença” anti povo.

Se realmente ela fosse preocupada com ataques à liberdade e aos direitos humanos estaria denunciando a prisão de Guantánamo e as intervenções em governos de toda a América Latina feita pelos EUA e, jamais, jamais, começaria a discutir liberdade de expressão em Cuba num país onde apenas seis famílias determinam quais informações e como elas vão circular.

Vinte e três dos vinte e sete países que votaram e votam sanções contra Cuba por violações dos direitos humanos são violadores muito maiores desses direitos. E conforme constatou o jornalista Lúcio de Casto em seu blog no portal da ESPN, “segundo a Anistia Internacional, que de forma alguma pode ser apontada como conivente com Cuba, (muito pelo contrário), em parecer de abril de 2011, no continente americano, é o país que menos viola os direitos humanos ou que melhor os respeita é Cuba”.

Problemas em Cuba há de toda ordem, mas de longe lá se assemelha ao inferno de Dante como é nas regiões que sofrem intervenção militar das grandes potências mundiais.

Alguém publicou na internet que “existe a Cuba ilha e existe a Cuba pátria”. Nem sempre os filhos da Ilha são filhos da pátria. É o caso de Yoani. Ela sente saudades do tempo que Cuba era um local de veraneio dos poderosos dos EUA, onde imperava a jogatina e a prostituição.

Clique aqui e leia 40 perguntas que não serão feita à blogueira da CIA em sua visita ao Brasil

Blog do Cadu

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Despenca audiência da TV Globo

Por Altamiro Borges, no Correio do Brasil 

tvsA jornalista Keila Jimenez, da coluna Outro Canal da Folha, publicou hoje mais uma notícia que confirma a queda de audiência da TV Globo. A emissora perdeu 20% do seu público matinal em dois anos. O artigo deveria ser analisado com cuidado pela Secretaria de Comunicação (Secom) da presidenta Dilma, que continua garantindo milionários anúncios publicitários oficiais para a famiglia Marinho com base na chamada “mídia técnica”. A audiência definha, mas o governo ajuda a manter o faturamento das Organizações Globo.

Segundo Keila Jimenez, “em 2010, a média de audiência anual da TV Globo das 7h ao meio-dia foi de 8,2 pontos no Ibope. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande SP. Em 2011, esse número caiu para 7,6 pontos. Em 2012, veio o tão esperado ‘Encontro com Fátima Bernardes’. Mas a grande aposta da emissora não estancou a queda de ibope pela manhã. A atração registrou menos audiência que os desenhos que a antecediam na faixa, e a Globo encerrou o ano com média de 6,6 pontos”.

Ainda segundo a jornalista, diante da persistente queda da audiência, a direção da Rede Globo pretende fazer novas mudanças na sua programação matinal – já que as implantadas em 2012 “não surtiram o efeito desejado. Pelo contrário, fizeram a rede perder público no horário”. Um em cada cinco telespectadores abandonou a programação matinal do canal. A nova reforma, porém, também pode dar zebra. Há uma acelerada queda de audiência da TV aberta no país, decorrente da sua péssima qualidade, do crescimento da tevê por assinatura e da chamada revolução da internet.

Outras emissoras também sentem os efeitos desta nova realidade, mas de forma menos dolorosa. Em 2010, por exemplo, a TV Record registrou uma média de 5,6 pontos no Ibope na faixa da manhã; em 2012, ela baixou para 5,4; já o SBT caiu de 4,5 para 4,3% pontos de média. Os telespectadores, principalmente os mais jovens, estão fugindo das telinhas. Segundo recente estudo do Ibope, o número de televisores ligados aos domingos na Grande São Paulo despencou de 46,3%, em 2002, para 41,5%, no ano passado.

No caso da TV Globo, a situação é ainda mais dramática. Ela perdeu quase metade da sua audiência aos domingos. “Em 2002, a média diária (das 7h à meia-noite) dos domingos na Globo foi de 20,3 pontos. Em 2011, esse índice caiu para 14,6 pontos. Em 2012, foi para 12,9 pontos”, relata Keila Jimenez em outra reportagem. Para o desespero da famiglia Marinho, a rival TV Record até que se saiu melhor. Em 2002, ela marcou 4,3 pontos aos domingos; subiu para 8,9 em 2009; e ficou em 7,3 pontos no ano passado.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 375

Bessinha #375

VOCÊ SABE QUANTO CUSTA O CARNAVAL?

Como todos sabem, nosso país é considerado o país do carnaval. Muito tem-se questionado as despesas decorrentes dos eventos carnavalescos, quando estamos necessitando melhorar a Educação Pública , atendimento no serviço de saúde, melhorar nossa segurança e o que se ouve é a desculpa da falta de dinheiro!

Nos meios de comunicação, em massa, é comum encontrarmos jornalistas e os chamados “especialistas” defenderem que o carnaval dá lucro e que praticamente não se utiliza de dinheiro público (nossas contribuições). Mas, será que a população tem conhecimento do que está sendo gasto e quanto está sendo gasto nestes carnavais? 

As pessoas imaginam que o carnaval ocorre somente no início do ano (geralmente no mês de fevereiro), mas as festas carnavalescas ocorrem praticamente durante todo o ano, principalmente no primeiro semestre do ano. Estou considerando como festas carnavalescas: Prévias carnavalescas, o próprio carnaval em si, as micaretas (conhecidos como carnavais fora de época) e os shows utilizando trios elétricos, as famosas festas de padroeiro(a)s que ocorrem em várias cidades do interior por esse Brasil afora. 

Além da classificação dos tipos de carnavais existentes, estou levando em consideração os tipos de gastos que são realizados para efetivação destas festas. É comum as pessoas levarem em conta somente o dinheiro gasto diretamente por órgãos públicos e privados. Mas, estas festas tem despesas bem maiores do que pensamos e que é percebida pela população, e é bem maior do que os valores informado nos grandes meios de comunicação. 

Vamos classificar as despesas decorrentes destas festas, nas seguintes modalidades: a) despesas diretas; b) despesas indiretas; c) despesas não previstas; d) incômodos decorrentes do carnaval. 

a) Despesas Diretas

Essas despesas são as assumidas pelo poder público e constam nas contas das prefeituras e dos Estados, geralmente como Incentivo a Cultura. Também existe o chamado investimento para o turismo por parte do Ministério do Turismo. Já é conversa corriqueira que o Précaju (Aracaju - SE- Brasil) recebeu, nos últimos anos, alguns milhões do citado ministério. Estranhamente, mesmo estando em um período de seca (a maior dos últimos quarenta anos), algumas prefeituras estão patrocinando carnavais, estando em Estado de Emergência!!!!! 

Alguns casos são emblemáticos, algumas prefeituras e Estados patrocinam blocos e até escolas de samba em outros estados, gerando despesas diretas, que são utilizados fora da área de atuação da administração. As escolas de samba do Rio de Janeiro, em alguns casos, chegam a receber patrocínio de algumas prefeituras, de fora do Rio de Janeiro, quando se prontificam defender um enredo falando da cidade patrocinadora. 

b) Despesas Indiretas

Todo o aparato de segurança, de saúde, controle do trânsito e o serviço de limpeza que são utilizados e ficam a disposição desses eventos não são considerados despesas de carnaval e não são questionados pela grande imprensa. A segurança é efetuada pelas respectivas policias (militar, civil, agentes de trânsito e corpo de bombeiros). Na saúde se chega a montar postos de saúdes de emergência com direitos a ambulâncias, médicos e enfermeiros de plantão, e o mais incrível é que nesses postos de saúde não faltam remédios durante os eventos! 

Vale lembrar que os dias de trabalho de médicos, policiais, agentes de trânsito, bombeiros e garis tem os salários pagos pelo contribuinte e portanto é despesa pagas pelo poder público (embora nunca sejam consideradas despesas para esses eventos) 

Temos de acrescentar, que durante esses eventos carnavalescos, toda a rede elétrica é reforçada para garantir uma boa iluminação, são colocados sanitários químicos (geralmente de empresas terceirizadas) e as transmissões pela televisão, algumas, são patrocinadas, pelo poder público, a título de propaganda para reforçar o turismo. 

c) Despesas não previstas 

Estas despesas são decorrentes daqueles casos que oneram o poder público e não estão previstos, mas que sempre ocorrem, como por exemplo: aumento nos acidentes de trânsitos (aumentam as despesas médicas). Esses acidentes, as vezes, derrubam postes de energia (prejuízo material e as pessoas ficam sem energia durante algum tempo), e tem o tratamento dos embriagados que ocupam postos de saúde e vagas nos hospitais. 

Em alguns casos, há a ocorrência de acidentes por morte, brigas utilizando armas de fogo e armas branca (facas), os acidentes de trânsitos (que são muitos) e as vezes os acidentes ocorrem dentro dos próprios ambientes da festa, como o caso de trios elétricos que, por algum motivo, se desgovernam e chegam a causar muitos acidentes, alguns com mortes. 

d) incomodo decorrentes do carnaval 

Quando da realização destas festas, o trânsito dos locais onde ocorrem os eventos são alterados e desviados para outras vias, causando congestionamentos incríveis (pelos menos em Aracaju-SE). Geralmente o som produzido pelos trios elétricos são muitos acimas dos permitidos. O incomodo é tão grande, que parte da população que não curte o carnaval, viajam nos dias de eventos para locais que consideram mais tranquilos. O número de baianos que saem de Salvador para ficarem longe da folia é bem maior que muita gente imagina. Claro que essas informações são escondidas do público. Quanto vale o seu sossego? 

Observações 

Temos de observar, que estou levando em consideração apenas os chamados festejos carnavalescos, mas os argumentos utilizados até o momento, também valem para as Festas Juninas. 

Fico imaginando que toda a grande imprensa e nas redes sociais na internet, o que se mais critica é a qualidade do Sistema Público de Saúde, Educação e Segurança. Mas, será que se o poder público, utilizar grande parte do dinheiro investido nessas grandes festas para melhorar o sistema público a população iria aceitar? ´É bom lembrar que grande parte destas festas, embora sejam financiadas com dinheiro público, são pagas, e portanto a grande maioria das pessoas que curtem o carnaval não são a grande maioria que se utilização da saúde e educação pública. 

O sistema de público só funciona ruim para atenderem os que não tem dinheiro para irem para os carnavais e consequentemente não tem dinheiro para se utilizarem de serviços particulares de Educação, Saúde e segurança. Os que tem dinheiro, pagam para curtirem essas festas e pagam para terem um serviço de saúde e educação de melhor qualidade e só utilizam do serviço público quando estão justamente curtindo estas festas e são justamente nestas festas que tais serviços funcionam bem!!!!

Relembrando…

Efeitos da pregação midiática

Por: Mino Carta, no CartaCapital | Publicado originalmente em 4/11/2011

lulaNo princípio era e é a mídia. A primazia vem de longe, mas se acentua com o efeito combinado de avanço tecnológico e furor reacionário. De início a serviço do poder até confundir-se com o próprio, um poder ainda medieval de muitos pontos de vista, na concepção e nos objetivos.

Ao invocar o golpe de Estado de 1964, os editorialões receitavam o antídoto contra a marcha da subversão, obra de pura fantasia, embora os capitães do mato, perdão, o Exército de ocupação estivesse armado até os dentes. Marcha da subversão nunca houve, sequer chegou a Revolução Francesa.  Em compensação tivemos a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade.

Há tempo largo a mídia cuida de excitar os herdeiros da Casa-Grande ao sabor de pavores arcaicos agitados por instrumentos cada vez mais sofisticados, enquanto serve à plateia, senzala inclusive instalada no balcão, a péssima educação do Big Brother e Companhia. Nem todos os herdeiros se reconhecem como tais, amiúde por simples ignorância, todos porém, conscientes e nem tanto, mostram se afoitos, sem a percepção do seu papel, em ocasiões como esta vivida pelo presidente mais popular do Brasil, o ex-metalúrgico Lula doente. E o estímulo parte, transparentemente, das senhas, consignas, clichês veiculados por editorialões, colunonas, artigões, comentariões.

Celebrada colunista da Folha de S.Paulo escreve que Lula agora parece “pinto no lixo”, cuida de sublinhar que “quimioterapia é dureza” e que vantagens para o enfermo existem, por exemplo, “parar de tomar os seus goles”. Outra colunista do mesmo jornal, dada a cobrir tertúlias variadas dos herdeiros da Casa-Grande, pergunta de sobrolho erguido quem paga o tratamento de Lula. Em conversa na Rádio CBN, mais uma colunista afirma a culpa de Lula, “abuso da fala, tabagismo, alcoolismo”. A cobra do Paraíso Terrestre desceu da árvore do Bem e do Mal e espalhou seu veneno pelos séculos dos séculos.

Às costas destas miúdas aleivosias, todas as tentativas pregressas de denegrir um presidente que se elegeu e reelegeu nos braços do povo identificado como o igual capaz de empenhar-se pela inclusão de camadas crescentes da população na área do consumo e de praticar pela primeira vez na história do País uma política externa independente. Trata-se de fatos conhecidos até pelo mundo mineral e no entanto contestados oito anos a fio pela mídia nativa. E agora assistimos ao destampatório da velhacaria proporcionado pelo anonimato dos navegantes da internet, a repetirem, já no auge do ódio de classe, as tradicionais acusações e insinuações midiáticas.

Há uma conexão evidente entre as malignidades extraordinárias assacadas das moitas da internet e os comportamentos useiros do jornalismo do Brasil, único país apresentado como democrático e civilizado onde, não me canso de repetir, os profissionais chamam o patrão de colega.

Por direito divino, está claro. E neste domínio da covardia e da raiva burguesotas a saraivada de insultos no calão dos botecos do arrabalde mistura-se ao desfraldado regozijo pela doença do grande desafeto. Há mesmo quem candidate Lula às chamas do inferno, em companhia dos inevitáveis Fidel e Chávez, como se estes fossem os amigões que Lula convidaria para uma derradeira aventura.

Os herdeiros da Casa-Grande até mesmo agora se negam a enxergar o ex-presidente como o cidadão e o indivíduo que sempre foi, ou são incapazes de uma análise isenta, sobra, de todo modo, uma personagem inventada, figura talhada para a ficção do absurdo. De certa maneira, a escolha da versão chega a ser mais grave do que a própria, sistemática falta de reconhecimento dos méritos de um presidente da República decisivo como Lula foi. Um divisor de águas, acima até das intenções e dos feitos, pela simples presença, com sua imagem, em toda a complexidade, a representar o Brasil em tão perfeita coincidência.

Judiciário sem freio

Por: Mauricio Dias, no CartaCapital 

tríade-stfO esforço do Supremo Tribunal Federal para impor à Câmara dos Deputados a decisão final sobre a cassação dos parlamentares condenados na Ação 470, o chamado “mensalão” petista, é a causa mais aguda e temerária daquilo que os acadêmicos costumam chamar de “judicialização da política”.

Se essa questão gerou uma crise institucional entre o Judiciário e o Legislativo, contida e ainda não resolvida, ela promove também um avanço da intromissão pessoal dos magistrados em causas menores em outras instituições, em iniciativas controvertidas, para dizer o mínimo, como a que é patrocinada agora por Luiz Fux.

O peso da toga de ministro do STF causou grande constrangimento na Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Rio de Janeiro, para onde ele telefonou e falou com os atuais e com os ex-dirigentes da entidade. Pediu a inclusão do nome da filha dele, Marianna, uma jovem advogada de 31 anos, na lista a ser feita pela OAB para preencher vaga de desembargador, no Tribunal de Justiça do Estado, pelo Quinto Constitucional da advocacia.

A vaga será aberta em julho. O ministro, no entanto, trabalha desde já. Parece repetir, em nome da filha, o padrão usado em benefício próprio quando buscou a vaga no STF: a conquista a qualquer preço.

O ritual oficial é comum. A OAB faz uma lista sêxtupla que é encaminhada ao Tribunal de Justiça. Os desembargadores cortam três nomes e enviam lista tríplice para o governador do estado. Ele faz a escolha.

É preciso lembrar que Sérgio Cabral jogou forte na indicação de Fux ao STF. Por coincidência, dessas que os cristãos costumam atribuir a desígnios divinos, Fux favoreceu o Rio de Janeiro em liminar que interferiu na pauta da Câmara. A decisão do ministro suspendeu a votação sobre os vetos feitos por Dilma à Lei dos Royalties. Eles seriam derrubados pelos deputados e isso prejudicaria o Rio.

Iniciativas em causa própria, como faz Fux, geram espanto e mancham a toga. E, mais grave, denunciam uma prática utilizada nos tribunais corriqueiramente.

Tarefa semelhante à de Fux tem, também, Felix Fischer, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele batalha para incluir o filho, Octávio, na lista do Quinto da OAB do Paraná. Para isso, também pressiona os dirigentes daquela seccional da OAB.

Do STF ao STJ. Do STJ de volta ao STF.

A filha do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, foi incluída, no fim de 2012, na lista do Quinto, nesse caso elaborada pelo Conselho Federal da OAB. Ela busca a vaga de desembargadora do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, no Rio de Janeiro. A escolha será da presidenta Dilma Rousseff.

Em 1998, Carlos Eduardo Moreira Alves, filho do ministro José Carlos Moreira Alves, hoje aposentado, tomou posse como Juiz do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, pelo atalho de sempre, o Quinto Constitucional. Foi indicado em lista sêxtupla pelo Ministério Público Federal e, em lista quádrupla, pelo TRF – 1ª Região.

Vista de certo ângulo, a árvore que retrata a Justiça brasileira se assemelha a uma árvore genealógica. A inadequada intromissão dos pais togados citados aqui, seguramente, mostra a falência do sistema de escolha. E isso, neste momento em que o Judiciário perdeu o freio de contenção, revigora a observação do filósofo inglês Francis Bacon (1561-1616), que, aqui, é oferecido à meditação do Congresso Nacional: “Os juízes são leões, mas leões sob o trono em que se assenta o Poder Político”.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 374

Bessinha #374

As distorções na cobertura política

O pronunciamento em que a presidenta Dilma Rousseff anunciou oficialmente a redução das tarifas de energia elétrica, em rede nacional de rádio e televisão, no dia 23 de janeiro, provocou reação irada da oposição política, isto é, de partidos e da grande mídia.

Por Venício A. de Lima, em Teoria e Debate | No: Vermelho 


midiaDepois de meses vendo, ouvindo e lendo a monótona repetição diária do discurso adversário único da grande mídia, a população brasileira teve a oportunidade de ouvir da própria presidenta a posição oficial do governo. Algum contraditório foi finalmente apresentado, mesmo que para isso o governo tenha sido obrigado a recorrer às prerrogativas legais que lhe facultam a convocação de uma rede nacional de radiodifusão.
Além do fato em si – a redução das tarifas –, os trechos do pronunciamento que mais irritaram a oposição foram aqueles em que a presidenta identifica como precipitadas, desinformadas, sempre do contra e alarmistas as pessoas que desacreditaram não só da redução das tarifas de energia elétrica, mas também de outras políticas públicas implantadas no país, em contraposição ao time vencedor, que tem sido aquele dos que têm fé e apostam no Brasil. Disse ela:

Surpreende que, desde o mês passado, algumas pessoas, por precipitação, desinformação ou algum outro motivo, tenham feito previsões sem fundamento, quando os níveis dos reservatórios baixaram e as térmicas foram normalmente acionadas. Como era de se esperar, essas previsões fracassaram. (...) Cometeram o mesmo erro de previsão os que diziam, primeiro, que o governo não conseguiria baixar a conta de luz. Depois, passaram a dizer que a redução iria tardar. Por último, que ela seria menor do que o índice que havíamos anunciado. (...) Neste novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás, pois nosso país avança sem retrocessos, em meio a um mundo cheio de dificuldades. Hoje, podemos ver como erraram feio, no passado, os que não acreditavam que era possível crescer e distribuir renda. Os que pensavam ser impossível que dezenas de milhões de pessoas saíssem da miséria. Os que não acreditavam que o Brasil virasse um país de classe média. Estamos vendo como erraram os que diziam, meses atrás, que não iríamos conseguir baixar os juros nem o custo da energia e tentavam amedrontar nosso povo, entre outras coisas, com a queda do emprego e a perda do poder de compra do salário. (...) O Brasil está cada vez maior e imune a ser atingido por previsões alarmistas. Nos últimos anos, o time vencedor tem sido o dos que têm fé e apostam no Brasil. (Pronunciamento da presidenta da República sobre a redução da tarifa de energia elétrica).

Falar versus fazer

O episódio confirma uma das principais características da grande mídia brasileira: a distância abismal entre o que alardeia como bandeira sua e seu comportamento real.
É flagrante a ausência do “outro lado” na cobertura política que a grande mídia oferece, como já mencionado. Por exemplo: após o pronunciamento da presidenta, é extremamente significativo o quase silêncio em relação às “quedas de energia” que provocaram enormes paralisações em eventos da grandeza do Superbowl, nos Estados Unidos (New Orleans, em 3 de fevereiro), e na partida de abertura do torneio internacional de basquete da Liga das Américas, na Venezuela (Barquisimeto, em 8 de fevereiro). A omissão interessada substitui regras básicas de qualquer manual de redação. Não se trata, evidentemente, apenas da questão da energia elétrica. Prevalecem pesos e medidas diferentes, dependendo do lado “político” envolvido.

A esse comportamento assimétrico soma-se a acusação de que o governo politizou a questão da energia elétrica. Trata-se de um descarado cinismo não reconhecer que o tema estava desde sempre politizado, e para apresentar (finalmente) sua posição o governo teria, necessariamente, de identificar a posição contrária – como bem o fez.
Aparentemente, a “carapuça” de precipitados, desinformados, sempre do contra e alarmistas encontrou seus destinatários e foi por eles assumida.

Basta cumprir a Constituição

No final das contas, a reação irada da oposição – partidos e grande mídia – ao pronunciamento da presidenta põe uma vez mais em evidência as enormes distorções que existem na cobertura política oferecida ao país.A melhor forma de tratar esse problema é, simplesmente, cumprir o que há mais de 24 anos está escrito na Constituição.

A regulamentação do “princípio da complementaridade” (artigo 223) possibilitaria o fortalecimento dos sistemas estatal e público, alternativas ao sistema privado, hoje hegemônico. Além disso, impediria o oligopólio midiático, direto e/ou indireto, de alguns poucos grupos empresariais (vetado pelo § 5º do artigo 220) e o controle que ainda exercem sobre a agenda pública e a liberdade de expressão no Brasil.
A ver.

Candidatos de fantasia

Por: Marcos Coimbra, no CartaCapital 

eduardo-camposAo longo dos últimos 20 anos, a política brasileira, no fundamental, foi regida pela polarização PT-PSDB. Desde 1994, todos os nossos presidentes da República saíram de um dos dois partidos.

Seria razoável imaginar que essa polaridade será rompida na próxima eleição? Parecem significativas as probabilidades de que o futuro presidente venha de outra legenda? Quem acompanha os comentaristas e analistas da “grande imprensa” deve acreditar que sim. De tanto ouvir falar em terceiros ou quartos nomes, talvez suponha que o longo ciclo se encerrará no próximo ano.

Não há, no entanto, sustentação para a hipótese, salvo especulações despropositadas. O que quer dizer que teremos mais uma eleição que culminará com o eleitorado dividido entre os candidatos de um ou outro partido.

Isso, claro, não implica que não possamos ter várias candidaturas, vindas de muitos partidos. Em 1994, foram oito. Em 1998, 12. Na primeira eleição vencida pelo PT, seis candidatos disputaram. Na segunda, oito. Em 2010, passaram a nove.

Em todas essas eleições, tivemos nomes que saíram “consagrados” das urnas, saudados como fenômenos por conseguir desempenho considerado surpreendente. Em 1994, o fato novo foi o pitoresco Enéas Carneiro, com seus quase 7,5% dos votos válidos. Em 1998, foi Ciro Gomes, que beirou os 11%. Na seguinte, Garotinho quase obtém 18%. Em 2006, Heloísa Helena chegou a 8%. Na mais recente, Marina Silva arremeteu no final e ultrapassou os 19%.

Ou seja, mesmo em uma eleição tão sui generis quanto à primeira de Fernando Henrique, costuma aparecer alguém para atrapalhar a bipolaridade. No máximo, porém, como Garotinho ou Marina, se aproximam dos 20%.

Curioso é especular a respeito dessas “surpresas” no médio prazo. Sem falar de Enéas, já morto, todos emagreceram: Ciro Gomes, que parece haver desistido da política nacional, Heloísa Helena, hoje vereadora, Garotinho, que sobrevive graças a seu feudo no Norte Fluminense.

E Marina?

Hoje, quando escrevem sobre as perspectivas da eleição, os comentaristas gostam de lembrar sua performance na disputa anterior, como se significasse uma espécie de piso. Como se tivesse formado base sólida na sociedade, tão expressiva como o quinto do eleitorado que sufragou seu nome.

Dá-se o caso que a votação que recebeu foi muito mais determinada por fatores de rejeição aos outros candidatos que por sua capacidade de atrair apoios. Se não houvesse um eleitorado incomodado com Dilma e Serra, que não os queria por motivos diferentes, Marina pouco iria além dos 7% a 8% registrados em pesquisas desde o início de 2010 e que eram genuinamente seus, motivados por sua biografia, agenda e imagem.

E Eduardo Campos?

Desde o fim da eleição do ano passado, e agora depois da escolha dos novos presidentes do Senado e da Câmara, nossa mídia anda cheia de especulações sobre o “crescimento” de sua candidatura ao Planalto. Como se não apenas fosse candidato, mas tivesse elevada possibilidade de vencer.

A tese do crescimento do governador de Pernambuco deriva de um suposto duvidoso: de que o aumento do número de prefeituras conquistadas pelo PSB em 2012 expresse um realinhamento relevante de opiniões e preferências na sociedade. De que uma parcela expressiva do eleitorado “votou no PSB”.

Nada autoriza acreditar nisso. O PSB entrou na eleição de 2012 pequeno na identificação popular e assim saiu. Aqui e ali, os eleitores votaram em seus candidatos, sem que esse comportamento possa ser considerado reflexo de qualquer mudança em suas simpatias.  Como partido de massa, o PSB inexistia antes da eleição e continua a inexistir.

Tampouco faria sentido falar em “crescimento da candidatura” de Eduardo Campos como se tivesse aumentado sua visibilidade, propiciada pela exposição da campanha. Ele começou o ano de 2012 quase desconhecido fora de seu estado e o terminou da mesma maneira.

Ao contrário do PT e outros partidos ideológicos, o PSB nada mais é que um agregado de quadros políticos e lideranças que se associaram para perseguir alguns (poucos) objetivos comuns, sem, necessariamente, compartilhar convicções e projetos.  Ou alguém acha que, por exemplo, Cid Gomes está engajado na candidatura do correligionário?

No fundo, o PSB tem mais semelhanças com o PMDB do que com os partidos à esquerda. A velha ideia da federação de oligarquias regionais, que tão bem descreve aquilo em que se tornou o antigo MDB, aplica-se igualmente a ele. Em cada lugar, dança conforme a música: aqui situacionista, ali de oposição.

Fantasie-se o quanto se queira, o mais provável é que tenhamos a sexta eleição polarizada por tucanos e petistas. E que, nela, o grande favorito seja o PT.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 373

Bessinha #373

“The Economist” ataca política brasileira

Jornal londrino faz acusações a Renan Calheiros e critica sua eleição no Senado

No: Jornal do Brasil

bira_pig_crise_demotucanaO artigo Unstoppable (Imparável), publicado no jornal londrino The Economist de quinta-feira (14), ataca de forma pesada a política brasileira, destacando principalmente a recente eleição do senador Renan Calheiros para a Presidência da Casa. O texto começa citando a afirmação que consta na petição online pedindo o impeachment do presidente do Senado, Renan Calheiros – “Brasileiros, vocês acabam de ser feitos de palhaços!”. O texto segue dizendo que tal petição reuniu 1,36 milhão  de assinaturas, o que daria o direito de apresentar a demanda ao Congresso, “no entanto, os organizadores precisarão esperar até o dia 19 de fevereiro para tal: enquanto outros brasileiros recebem três dias de folga por conta do Carnaval, o Judiciário goza de duas semanas inteiras”, ironiza.

The Economist destaca que Calheiros foi presidente do senado entre 2005 e 2007 e que renunciou depois de enfrentar acusações. O jornal cita ainda fatos não comprovados e que deverão causar grande impacto entre os parlamentares. 

De acordo com o jornal, a presidente Dilma Rousseff tomou uma linha dura no passado, afastando ministros acusados de corrupção, mas que seu Partido dos Trabalhadores (PT) “está irritado com o que entende como perseguição: o julgamento do mensalão no ano passado terminou com vários de seus membros recebendo inesperadas duras penas.”

Ainda de acordo com o artigo, “Calheiros é o último exemplo de bem consolidado fenômeno brasileiro: os políticos que sobrevivem a incontáveis escândalos aparentemente inaceitáveis”. E cita os casos de Paulo Maluf, culpado por superfaturamento e recepção de propina na década de 90, e José Genoino e Francisco Tenório, que apesar de terem sido condenados, voltaram a ocupar cargos públicos.  

The Economist segue com os ataques afirmando que, o próximo turno de eleições, em 2014, “deve ver alguns dos corruptos serem despachados do Congresso. Mas o atraso trouxe o desprestígio sobre as instituições políticas. Uma pesquisa recente apontou que, pela primeira vez desde o retorno da democracia em 1988, apenas uma minoria de brasileiros apoia algum partido político.”

O jornal afirma ainda que muitos brasileiros atribuem as firmes condenações do mensalão, em parte, ao fato de que o julgamento foi transmitido ao vivo por televisão, “e transformou em herói o presidente da suprema corte, Joaquim Barbosa, que puxou seus colegas juízes à sua linha dura.”  O artigo termina afirmando que “brasileiros ainda têm esperança de que os zumbis da política possam ser colocados para descansar”.

Charge Online do Bessinha # 372

Bessinha #372

Meteorito cai na Rússia

Bom mesmo se tivesse caído no Congresso Nacional, no Brasil. Mas não hoje, não teria ninguém a não ser os seguranças para atingir. Se é num dia de votação de salários dos deputados faria uma limpeza e tanto. Que pena!

Charge Online do Bessinha # 371

Bessinha #371

Os Silva

Quando acabei de ler a matéria de capa da revista do Globo sobre a cidade de Cachoeiro de Itapemirim, deu uma vontade danada de reler crônicas de Rubem Braga, justo nessa semana em que ele completaria cem anos. Procurei, procurei, procurei até achar numa das estantes do meu escritório onde os livros convivem na mais perfeita harmonia, completamente fora de ordem. Braga estava entre Günter Grass e Gay Talesse, sem a menor cerimônia. Abri o livro aleatoriamente e caí na crônica Luto da Família Silva, que começa assim:

Por: *Alberto Villas, no CartaCapital 

lula“A assistência foi chamada. Veio tinindo. Um homem estava deitado na calçada. Uma poça de sangue. A assistência voltou vazia. O homem estava morto. O cadáver foi removido para o necrotério. Na seção dos Fatos Diversos do Diário de Pernambuco, leio o nome do sujeito: João da Silva. Morava na Rua da Alegria. Morreu de hemoptise”.

Era um tempo em que ambulância era chamada de assistência e a seção de Polícia dos jornais era chamada de Fatos Diversos. A ambulância que hoje vem voando, naquele tempo vinha tinindo

Rubem Braga continua descrevendo o drama em bem traçadas linhas :

“João da Silva – Neste momento em que seu corpo vai baixar à vala comum, nós, seus amigos e seus irmãos, vimos lhe prestar esta homenagem. Nós somos os joões da silva. Nós somos os populares joões da silva. Moramos em várias casas e em várias cidades. Moramos principalmente na rua. Nós pertencemos, como você, à família Silva. Não é uma família ilustre; nós não temos avós na história. Muitos de nós usamos outros nomes, para disfarce. No fundo, somos os Silva. Quando o Brasil foi colonizado, nós éramos os degredados. Depois fomos os índios. Depois fomos os negros. Depois fomos imigrantes, mestiços. Somos os Silva. Algumas pessoas importantes usaram e usam nosso nome. É por engano. Os Silva somos nós. Não temos a mínima importância. Trabalhamos, andamos pela rua e morremos. Saímos da vala comum da vida para o mesmo local da morte. Às vezes, por modéstia, não usamos nosso nome de família. Usamos o sobrenome de Tal. A família Silva e a família de Tal são a mesma família. E, para falar a verdade, uma família que não pode ser considerada boa família. Até as mulheres que não são de família pertencem à família Silva”.

Rubem Braga poético e sentimental, continua:

“João da Silva – Nunca nenhum de nós esquecerá seu nome. Você não possuía sangue azul. O sangue que saía da sua boca era vermelho – vermelhinho da silva”.

Rubem Braga fala de outras famílias, da família Crespi, da Matarazzo, da Guinle, da Rocha Miranda e da família Pereira Carneiro. E termina sua crônica assim:

“Apesar disso, João da Silva, nós temos de enterrar você é mesmo na vala comum. Na vala comum da miséria. Na vala comum da glória, João da Silva. Porque nossa família um dia há de subir na política”.

Por que essa crônica de Rubem Baga me chamou a atenção? Porque ela foi escrita no país de Luiz Inácio Lula da Silva em junho de 1935.

 

*Mineiro de Belo Horizonte, é jornalista e autor dos livros “O mundo acabou!”, “Afinal, o que viemos fazer em Paris?”, “Admirável mundo velho!”, “Onde foi parar nosso tempo?”, “Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Morta”, todos pela Editora Globo, além de "Carmo" (Ed. Contexto).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Charge Online do Bessinha # 370

Bessinha #370

A imprensa brasileira não é democrática

A imprensa tradicional brasileira, a velha mídia, não é democrática, de qualquer ponto de vista que seja analisada.

Por: Emir Sader, em seu blog* | No Vermelho 

imprensaAntes de tudo, porque não é pluralista. Do editorial à ultima página, a visão dos donos da publicação permeia tudo, tudo é editorializado. Não podem, assim, ter espaço para várias interpretações da realidade, deformada, esta, pela própria interpretação dominante na publicação, do começo ao fim.

Não é democrática porque não contém espaços para distintos pontos de vista nas páginas de debate, com pequenas exceções, que servem para confirmar a regra.

Não é democrática porque expressa o ponto de vista da minoria do país, que tem sido sistematicamente derrotada desde 2002, e provavelmente seguirá sendo derrotada. Não expressa a nova maioria de opinião política que elegeu e reelegeu Lula, elegeu e provavelmente reelegerá a Dilma. A imprensa brasileira expressa a opinião e os interesses da minoria do país.

Não é democrática, porque não se ancora em empresas públicas, mas em empresas privadas, que vivem do lucro. Assim, busca retorno econômico, o que faz com que dependa, essencialmente, não dos eventuais leitores, ouvintes ou telespectadores, mas das agências de publicidade e das grandes empresas que ocupam os enormes espaços publicitários.
São empresas que buscam rentabilidade para sobreviver. Que não se interessam por ter mais público, mas público “qualificado”, isto é, o de maior poder aquisitivo, para mostrar às agências de publicidade que devem anunciar aí. São financiadas, assim, pelas grandes empresas privadas, com quem têm o rabo preso, contra cujos interesses não vão atuar, o que seria dar um tiro no próprio pé.

Não bastasse tudo isso, as grandes empresas da mídia privada são empresas de propriedade familiar. Marinho, Civita, Frias, Mesquita – são não apenas os proprietários, mas seus familiares ocupam os postos decisivos dentro de cada empresa. Não há nenhuma forma de democracia no funcionamento da imprensa privada - são oligarquias, que escolhem entre seus membros os seus sucessores. Nem sequer pro forma há formas de rotatividade. Os membros das famílias ficam dirigindo a empresa até se aposentarem ou morrerem, e designam o filho para sucedê-los.

Tampouco há democracia, nem sequer formal, nas redações dessas empresas. Não são os jornalistas que escolhem os editores. São estes nomeados – e eventualmente demitidos – pelos donos da empresa, os que decidem as pautas, que têm que ser realizadas pelos jornalistas, com as orientações editorializadas da direção.

Uma mídia que quer classificar quem – partidos, governos etc. – é democrático, é autoritária, ditatorial, no seu funcionamento, tanto na eleição dos seus dirigentes, quanto na dinâmica das suas redações.

Como resultado, não é estranho que essa mídia tenha estado ferreamente contra os mais populares e os mais importantes dirigentes políticos do Brasil – Getúlio e Lula. Não por acaso estiveram contra a Revolução de 30 e a favor do movimento contrarrevolucionário de 1932 e o golpe de 1964, que instalou a mais a sangrenta ditadura da nossa história.
Coerentemente, apoiaram os governos de Fernando Collor e de FHC, e se erigiram em direção da oposição aos governos do Lula e da Dilma.

Em suma, a velha imprensa brasileira não é democrática, é um resquício sobrevivente do passado oligárquico do Brasil, que começa a ser superado por governos a que – obviamente – essa imprensa se opõem frontalmente.

A democratização do país começou pelas esferas econômica e social, precisa agora chegar urgentemente às esferas políticas – Congresso, Judiciário – e à imprensa.
País democrático não é só aquele que distribui de forma relativamente igualitária os bens que a sociedade produz, mas o que tem representações políticas eleitas pela vontade popular, e não pelo poder do dinheiro. E que forma suas opiniões de forma pluralista e não oligárquica. Um país em que ninguém deixa de falar, mas em que todos falam para todos.

Fonte: Carta Maior