domingo, 31 de março de 2013

Charge Online do Bessinha # 414

Bessinha #414

Redução de IPI para carros e caminhões vai até o fim o ano

Governo prorroga benefício que terminaria nesta segunda-feira (1º); renúncia fiscal é estimada em R$ 2,2 bilhões

Por: Ivan Richard, no Agência Brasil 

carros_ipiO governo decidiu prorrogar até o final do ano a redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e caminhões. A medida foi anunciada na noite de ontem (30), dois dia antes do prazo previsto para o fim da redução, 1º de abril.

Em nota, o Ministério da Fazenda justificou que, com a medida, o governo, “não só estimula o setor automotivo, um dos principais motores da economia, como toda a cadeia automobilística, como as indústrias de autopeças, de estofado e de acessórios”.

A prorrogação da desoneração do IPI até 31 de dezembro, de acordo com a Fazenda, representará renúncia fiscal adicional de R$ 2,2 bilhões de abril a dezembro.

Para os veículos flex e a gasolina de até 1.000 cilindradas, a alíquota do IPI permanecerá em 2%. Antes, a previsão era que o imposto fosse elevado para 3,5% a partir de 1º de abril. Segundo o Ministério da Fazenda, a alíquota original para essa classe de veículos é 7%.

Já para os veículos flex de 1.000 a 2.000 cilindradas, que teriam a alíquota do IPI elevada para 9% a partir da próxima segunda-feira, serão mantidos os atuais 7%. Os carros a gasolina, que teriam o imposto elevado para 10%, permanecerão com o IPI em 8%. As alíquotas originais das duas categorias são, respectivamente, 11% e 13%.

Segundo o Ministério da Fazenda, a alíquota para os veículos acima de 2.000 cilindradas permanecerá alterada em 25% para aqueles movidos a gasolina e em 18% para os flex. Para os caminhões, o IPI permanece em zero.

O governo também decidiu prorrogar até 31 de dezembro a alíquota de 2% do IPI para os veículos comerciais leves. Originalmente, o IPI para essa categoria é 8%.

sábado, 30 de março de 2013

Charge Online do Bessinha # 413

Bessinha #413

Dilma de fôlego próprio

Por: Mauricio Dias, no CartaCapital 

As mais recentes pesquisas de intenções de voto do mês de março mostram que a candidatura da presidenta Dilma Rousseff ganhou identidade própria e que, já agora, apenas uma fatia menor do eleitorado ainda pensa em Lula como alternativa a ela. Segundo o Ibope, ela é citada espontaneamente por 35% dos eleitores. Lula baixou de 19% para 12%.

Entre novembro de 2012 e agora, Dilma subiu 9 pontos porcentuais. Somados os números da atual presidenta e do ex-presidente, o potencial de votos na petista alcança 47%. Dos 7 pontos a menos de Lula, 6 escoaram para ela.

Pesquisa de intenção de voto Ibope

Pesquisa de intenção de voto Ibope

Nunca antes um candidato à reeleição tão distanciado da disputa atingiu nível tão elevado de intenções de voto em pesquisa espontânea. Nesse processo de escolha, não são apresentados ao pesquisado os nomes dos candidatos. Em março de 2006, seis meses antes da reeleição, Lula tinha 27%. Em julho de 1998, três meses antes da disputa pela reeleição, Fernando Henrique tinha 25%.

Isso indica que, salvo pesados temporais e fortes trovoadas, em 2014 Dilma será uma candidata forte, por si só, e com a vantagem adicional de ter um cabo eleitoral poderosíssimo como Lula. Com isso poderá até mesmo, como se especula, fechar a eleição no primeiro turno.

Considerando os antecedentes da candidata, o fato é surpreendente. Ainda mais se for levado em conta o tiroteio diário que sofre da mídia conservadora. Não se pode negar que isso dá a ela a possibilidade de adiar o momento de enfrentar a questão secundária, o novo marco regulatório.

Mas falta alguma prova mais consistente de que, por isso, Dilma deixe o ministro Paulo Bernardo sentado sobre um problema que transcende situações políticas pessoais.

Em dois anos de governo, Dilma Rousseff ganhou identidade, mas nesse período ela pagou por ter cão e por não ter cão. A sisuda desconhecida foi comparada a um “poste” quando foi lançada candidata à Presidência. Acusada posteriormente de não saber fazer política, foi, enfim, condenada por supostamente fazer política com olho na eleição de 2014.

Essa condenação ficou clara na troca de ministros que ela fez recentemente. O objetivo foi fortalecer a coalizão governista. Quando a presidenta montou o governo, após tomar posse, o que ela fazia senão isso? Trocar ministros é tão normal quanto trocar o óleo do carro. A consequência natural de uma coisa e de outra é tentar melhorar o desempenho.

Pré-candidato à Presidência, o senador tucano Aécio Neves sentiu o golpe e disse que o objetivo dela era ganhar mais tempo na propaganda eleitoral em 2014. Desde sempre foi assim. Em 2010, a petista, além do apoio do PMDB do vice, Michel Temer, montou uma aliança com mais oito partidos. Com isso teve um tempo de propaganda de quase dez minutos e meio. O tucano José Serra contou com cinco partidos aliados e com mais de sete minutos de propaganda.

Estabilizado esse cenário, até 2014 a oposição busca a saída com a construção de um mutirão de candidatos para tentar levar a eleição para o segundo turno.

Há quatro possíveis atores influentes nesse cenário. Marina Silva, se construir o partido que lançou, e Eduardo Campos, se assumir a candidatura projetada. Os outros dois são tucanos. Um deles, Aécio Neves, é pré-candidato certo. O outro, José Serra, é uma incógnita. Tem ainda 2% das intenções de voto (14% deles no Sudeste) e pode ser eleitor influente em São Paulo. Mas apoiaria quem? Aécio ou Eduardo?

sexta-feira, 29 de março de 2013

Charge Online do Bessinha # 412

Bessinha #412

No aniversário do golpe, militares atacam Comissão da Verdade

A Comissão Nacional da Verdade foi o alvo escolhido pelos clubes Militar, da Marinha e da Aeronáutica em mensagem “à nação brasileira” pela passagem dos 49 anos do golpe de 1964 – ou "revolução", como preferem os defensores do movimento. Em nota, as entidades atacam os “democratas arrivistas” e reafirmam que a intervenção de quase cinco décadas atrás ocorreu para preservar a ordem.

No: Vermelho

ditaduraSegundo os clubes, as ações das Forças Armadas desde o início da República garantiram sua credibilidade. “Não foi por outro entendimento que o povo brasileiro, no início da década de 1960, em movimento crescente, apelou e levou as Forças Armadas Brasileiras à intervenção, em Março de 1964, num governo que, minado por teorias marxistas-leninistas, instalava e incentivava a desordem administrativa, a quebra da hierarquia e disciplina no meio militar e a cizânia entre os Poderes da República”, diz a nota, divulgada nesta quinta-feira (28), mas com data de 31 de março, assinada pelos presidentes do Clube Militar, general do Exército Renato Cesar Tibau da Costa, do Clube Naval, vice-almirante Ricardo Antonio da Veiga Cabral, e do Clube da Aeronáutica, tenente brigadeiro-do-ar Ivan Moacyr da Frota.

Essa intervenção, afirmam os militares, teria beneficiado o país em várias setores (economia, comunicações, transportes, social, político), “além de outros que a História registra e que somente o passar do tempo poderá refinar ou ampliar, como sempre acontece”. Mas – acrescentam – as “minorias envolvidas na liderança da baderna que pretendiam instalar no Brasil” tentaram se organizar e, financiadas por capital estrangeiro, “iniciaram ações de terrorismo, com atentados à vida de inocentes que, por acaso ou por simples dever de ofício, estivessem no caminho dos atos delituosos que levaram a cabo”.

Nesse trecho da mensagem entram os ataques à Comissão da Verdade. “E que não venham, agora, os democratas arrivistas, arautos da mentira, pretender dar lições de democracia. Disfarçados de democratas, continuam a ser os totalitários de sempre”, afirmam, apontando uma resolução da CNV, de agosto de 2012, que definiu sua área de investigação as violações de direitos humanos praticadas “por agentes públicos, pessoas a seu serviço, com apoio ou no interesse do Estado”. Para os militares, a comissão alterou a Lei 12.528 (que criou a própria CNV) a fim de “'varrer para debaixo do tapete' os crimes hediondos praticados pelos militantes de sua própria ideologia”.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, em fevereiro o brigadeiro Ivan Frota procurou o então presidente da comissão, Cláudio Fonteles, para encaminhar em nome da Academia Brasileira de Defesa (ABD), que ele preside, documentos e publicações para que servissem de “subsídios para a apreciação isenta dos fatos”. Em entrevista, o militar disse que a CNV “tem trabalhado em uma direção única”, sem dar direito à defesa ao “outro lado”. No manifesto referente aos 49 anos do golpe, os representantes militares criticaram o que chamam de terrorismo daqueles que “almejavam empalmar o poder para fins escusos”. Não fazem referência as ações praticadas pelo “outro lado”, representado pelo Estado, exatamente o foco das investigações feitas pela comissão, que em maio completará metade de seu mandato de dois anos.

A nota é divulgada no dia em que se completam 45 anos da morte, pela polícia, do estudante paraense Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, durante protesto no Rio de Janeiro. Em 13 de dezembro daquele ano (1968), o governo baixaria o Ato Institucional número 5 (AI-5), formalizando a fase mais dura do regime iniciado em 1964.

Fonte: Rede Brasil Atual

Charge Online do Bessinha # 411

Bessinha #411

O mistério do asilado

No: CartaCapital 

Reportagem de André Barrocal na CartaCapital desta semana mostra que o senador boliviano Roger Pinto Molina, um pastor de 53 anos acusado de diversos crimes em seu país, recebeu asilo político do governo brasileiro. Enquanto isso, o governo boliviano mantém corinthianos presos sem provas após o jogo em Santa Cruz de la Sierra há mais de um mês.

Molina era líder no Senado de um bloco de partidos de direita e pediu asilo por perseguição politica em 28 de maio de 2012. O Brasil aceitou o pedido em 6 de junho para ele viver no país, onde o senador tem família. Desde então, Molina aguarda na embaixada brasileira de La Paz um salvo-conduto para poder sair do país, mas o governo boliviano nega a concede-lo, alegando se tratar de um criminoso, e não de um perseguido. O caso tem causado ruídos na relação entre os dos países. “O asilo admite implicitamente que há perseguição politica aqui, e isso é inadmissível,” diz o ministro boliviano Quintana.

O governo boliviano diz que ele foi responsável por um prejuízo de pelo menos 2,6 milhões de dólares quando governador da província de Pando. Além disso, o seu patrimônio cresceu 290% enquanto ocupava cargos públicos e hoje chega a um milhão de dólares. CartaCapital teve acesso a documentos sobre cinco processos que ele responde devido ao período que foi governador de Pando. Entre os crimes, estariam denúncias de venda irregular de terras estatais, repasse ilegal e sem controle de verbas públicas e favorecimento de bingos e  cassinos estrangeiros. Clique aqui para ter acesso à íntegra dos documentos.

Charge Online do Bessinha # 410

Bessinha #410

Oposição torce para Campos rachar base de Dilma, e PT vê planos para 2018

PPS e PSDB garantem que veem de maneira positiva candidaturas do governador de Pernambuco e da ex-senadora Marina Silva ao Planalto em 2014

Por: Eduardo Maretti, no Rede Brasil Atual 

eduardo_camposO governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), está cada vez mais próximo de encarnar uma “terceira via” no processo que desencadeará na eleição presidencial de 2014. Embora as lideranças próximas de Campos procurem desconversar quando questionadas se ele, enfim, será candidato à sucessão da presidenta Dilma Rousseff, o PSDB torce para ele assumir a candidatura e setores do PT acreditam que ele de fato vai entrar na disputa. Não é segredo que Campos tem se movimentado intensamente e estabelecido diálogo com diversas frentes, como o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab, PTB, PDT e até com o ex-governador paulista José Serra (PSDB).

Uma propalada aproximação entre Serra e Eduardo Campos foi comentada como um dos elementos novos do tabuleiro político nas últimas semanas. “São só prospecções, apenas conversas. Na política, nada mais normal essas movimentações, articulações, prospecções. Não se tem nada definido”, diz o presidente do PSB no Distrito Federal, Marcos Dantas. Porém, ele dá uma pista: “Sempre lembrando que é legítimo o partido ter candidaturas, para que cargo for, se o partido tiver legitimidade para pleiteá-la”.

Para o deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), o caminho do governador pernambucano parece claro. “Acho que Eduardo tende a ser candidato. Ao que tudo indica, ele aposta que, sendo candidato agora, coloca o nome no quadro nacional e tem a oportunidade de se divulgar nacionalmente, tendo em vista 2018. Ele se coloca agora para já estar na cena nacional em 2018”, analisa.

O também deputado federal Marcus Pestana, presidente do PSDB de Minas Gerais, não nega que torce pela candidatura de Eduardo Campos. “Aécio tem dito, e a nossa opinião é que a candidatura Campos interessa ao Brasil, é bom para a democracia, e para nós eleitoralmente. Queremos e torcemos muito para que se cristalize a candidatura dele e da Marina”. De acordo com o parlamentar mineiro, com isso o cenário é sobretudo “bom para o Brasil”, por configurar um “quadro plural, até como vacina contra essa visão totalitária de um segmento importante do PT que acha que só há uma forma de ver o Brasil”.

Pestana reconhece que a torcida pelo “sim” do governador pernambucano seria muito bem-vinda para os planos do PSDB. “Quem está preocupado com o Eduardo é a Dilma e o PT, porque ele divide a região mais importante eleitoralmente deles (Nordeste) e a base do governo”.

O deputado federal Roberto Freire (PPS-SP) já enxerga, inclusive, rachaduras na base governista. “O cenário, com a possibilidade do Eduardo Campos, muda substantivamente. Porque de qualquer forma é um sinal muito forte de que a base governamental começa a sofrer abalos. Se Campos for candidato, não será do governo”, especula. Para Freire, a situação mudou. “A base do governo começa a ter problemas, a se desestruturar. Se Eduardo vier a ser candidato significa uma defecção grande no governo.”

Berzoini vê o cenário de outra maneira. “O governador de Pernambuco vai disputar tanto o voto da base do governo como também os votos do Aécio. Pelo perfil dele, pela necessidade de ficar, digamos, numa zona cinzenta entre situação e oposição”, prevê o petista. “Ele não tem como dizer que é oposição porque participou como ministro e governador apoiado por Dilma e Lula. Não tem como dizer que é situação porque, se fosse situação, seria só apoiar a Dilma.” O petista acredita que a estratégia de Eduardo Campos será baseada num discurso do tipo “eu apoiei esse governo mas tenho outro programa para o país”. Para ele, a “aposta de Eduardo Campos tem dois planos: um plano 2018 e o plano 2014, mesmo sendo mais remoto”.

José Serra

“O PPS já disse que o recebe, por considerá-lo uma das grandes lideranças que a esquerda democrática brasileira tem.” A frase foi a resposta do deputado federal Roberto Freire à pergunta se o ex-governador José Serra estaria prestes a desembarcar no seu partido. Porém, Freire diz não ter informações sobre uma eventual movimentação de Serra rumo ao PPS ou no sentido de, se sair do PSDB, disputar não a presidência da República, mas o governo de São Paulo. “Essa hipótese não tem, até porque o PPS está muito bem na aliança com o governador Geraldo Alckmin. O partido está no governo Alckmin e não tem nenhuma ideia de não continuar.”

O mineiro Marcus Pestana diz que a questão Serra está resolvida. Segundo ele, a principal mostra disso foi o congresso realizado pelo partido na segunda-feira, em São Paulo, quando o tucanato paulista recepcionou o quase certo candidato tucano à presidência Aécio Neves. 

“As pessoas mais próximas ao Serra estavam no evento de São Paulo. O senador Aloysio [Nunes Ferreira], que fez um excepcional discurso no evento, o político mais importante e mais próximo ao Serra, que tem sido um grande parceiro. O [deputado federal] Mendes Thame estava lá, o (vereador) Andrea Matarazzo, todo o conjunto de pessoas mais próximas ao Serra do PSDB paulista. O espírito de todos é unidade”, diz Pestana. “O Serra vai voltar dos Estados Unidos e vai amadurecer o papel que ele quer ter nesse projeto.”

quinta-feira, 28 de março de 2013

Charge Online do Bessinha # 409

Bessinha #409

Dilma sanciona lei que cria a Secretaria da Micro e Pequena Empresa

Por: Mariana Jungmann, no Agência Brasil

dilmaA presidenta Dilma Rousseff sancionou sem vetos, na noite de hoje (28), a lei que criou a Secretaria da Micro e Pequena Empresa. A secretaria será o 39º ministério do governo federal e terá estrutura já existente que será deslocada do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Com isso, todas as atribuições que o Mdic tem atualmente referentes a esse assunto passarão para o novo ministério. Da mesma forma, os servidores e o patrimônio que constavam da secretaria, que antes era ligada à pasta do Desenvolvimento, agora servirão ao novo ministério.

O projeto que criou a secretaria foi aprovado no último dia 7 no Senado e provocou protestos de oposicionistas que questionaram a necessidade de mais um ministério e os custos dele. Já o governo considera importante a criação do órgão para o estímulo à geração de empregos e ao empreendedorismo no país.

O ministro que ocupará a pasta ainda não foi escolhido. A sanção será divulgada no Diário Oficial da União na próxima segunda-feira (1º) e não há previsão de quando sairá a nomeação do titular do novo ministério.

Charge Online do Bessinha # 408

Bessinha #408

Dilma enfrenta a pátria rentista: mídia uiva

Por: Saul Leblon, no Carta Maior

dilmaUma dia de estupefação e revolta no circuito formado pelos professores banqueiros, os consultores e a mídia que os vocaliza. Na reunião dos Brics, na África do Sul, nesta 4ª feira, a presidenta Dilma afirmou que não elevará a ração dos juros reivindicada pelos batalhões rentistas, a pretexto de combater a inflação.

A reação instantânea das sirenes evidencia a cepa de origem a unir o conjunto à afinada ciranda de interesses que arrasta US$ 600 trilhões em derivativos pelo planeta. Equivale a dez voltas seguidas no PIB da Terra. Trinta e cinco vezes o movimento das bolsas mundiais.
Os anéis soturnos desse garrote reúnem – e exercem – um poder de extorsão planetária, capaz de paralisar governos e asfixiar nações.

Gente que prefere blindar automóveis a investir em infraestrutura. O Brasil tem a maior frota de carros blindados do mundo. E uns R$ 500 bi estocados em fundos de curto prazo; fora o saldo em paraísos fiscais.

Carros blindados, dinheiro parado, paraísos fiscais e urgências de investimento formam a determinação mais geral da luta política em nosso tempo. Em Chipre, como lembra o correspondente de Carta Maior em Londres, Marcelo Justo, o capital a juros compunha uma bocarra equivalente a 67 bilhões de euros, uns US$ 90 bilhões de dólares. Três vezes o PIB. De um país com população menor que a de Campinas.

A fome pantagruélica desse organismo requeria rações diárias indisponíveis no ambiente retraído da crise mundial. A gula que quebrou Chipre é a mesma que já havia quebrado a Espanha, Portugal, Irlanda, Islândia e alquebrado o mercado financeiro dos EUA.
A falência cipriota assusta o mundo do dinheiro não por suas dimensões.
Mas porque ressoa o uivo cavernoso de uma bancarrota, só anestesiada a um custo insustentável na UTI mundial das finanças desreguladas.

No Brasil o mesmo uivo assume o idioma eleitoral ao gosto do dinheiro graúdo: “dá para fazer mais”. O governo Dilma acha que sim.

Mas com a expansão do investimento produtivo. Não com arrocho e choque de juros.
O país ampliado por 12 anos de políticas progressistas na esfera da renda e do combate à pobreza, não cabe mais na infraestrutura concebida para 30% de sua gente.
A desproporção terá que ser ajustada em algum momento. Como o foi, com viés progressista e investimento pesado, durante o ciclo Vargas. Sobretudo no segundo Getúlio, nos anos 50.

Mas também o foi em 64. Em versão regressiva feita de arrocho e repressão contra as reformas de base de Jango, no golpe que completa 49 anos neste 31 de março.
O que se assiste hoje guarda uma diferença política importante em relação ao passado.
Nos episódios anteriores, o conflito de classe entre as concepções antagônicas de desenvolvimento seria camuflado pela vulnerabilidade externa da economia.
Um Brasil estrangulado pelo desencontro entre a anemia das exportações e o financiamento das importações colidia precocemente com o seu teto de crescimento.
O gargalo do investimento se realimentava no funil das contas externas. E vice versa.
Era um prato cheio para o monetarismo posar de arauto dos interesses da Nação. E golpeá-la, com as ferramentas recessivas destinadas a congelar o baile.
'Quem está fora não entra; quem está dentro não sai'.

Durante séculos, essa foi a regra do clube capitalista brasileiro. Hoje, embora a pauta exportadora se ressinta de temerária concentração em commodities, não vem daí o principal obstáculo ao investimento. O país dispõe de reservas recordes (US$ 370 bi). Tem crédito farto no mercado internacional. O relógio econômico intertemporal é favorável ao financiamento de um ciclo pesado de investimentos em infraestrutura.
Quem, afinal, veria risco em financiar a sétima economia do planeta, que, em menos de uma década, estará refinando a pleno vapor as maiores descobertas de petróleo do século 21?

O desencontro entre o Brasil que somos e aquele que podemos ser deslocou-se do gargalo externo, dos anos 50/60/80 para o conflito aberto entre os interesses da maioria da sociedade e os dos detentores do capital a juro.

Assim como em Chipre, na Espanha, nos EUA ou em Paris, o rentismo aqui prefere repousar num colchão de juros reais generosos, blindado por esférico monetarismo ortodoxo.
Migrar para a esfera do investimento produtivo, sobretudo de longo prazo, como requer o país agora, não integra o seu repertório de escolhas espontâneas.

É essa prerrogativa estéril que os professores banqueiros do PSDB cobram pela boca e pelo teclado do jornalismo econômico, escandalizado com a assertiva defesa do desenvolvimento feita pela presidenta Dilma.

Presidenciáveis risonhos que se oferecem untados em molhos palatáveis às papilas monetaristas e plutocráticas vão aderir ao jogral. “Esse receituário que quer matar o doente em vez de curar a doença está datado; é uma política superada”, fuzilou Dilma.
Previsível, o dispositivo midiático tentou desqualificar o revés como se fora uma demonstração de “negligência com a inflação”.

Um governo que trouxe 50 milhões de pessoas para o mercado de consumo minimizaria a vigilância sobre a inflação? Seria o mesmo que sacar contra o seu maior patrimônio político.
O governo Dilma optou por abortar as pressões de preços de curto prazo com desonerações. E enfrentar o desequilíbrio estrutural com um robusto ciclo de investimentos. São lógicas dissociadas da receita rentista.

Aqui e alhures, a obsessão mórbida pela liquidez descolou-se da esfera patrimonial para a dos rendimentos financeiros. Não importa a que custo social ou político.
Sua característica fundamental é a preferência parasitária pelo acúmulo de direitos sobre a riqueza, sem o ônus do investimento físico na economia.
A maximização de ganhos se faz à base da velocidade e da mobilidade dos capitais, sendo incompatível com o empenho fixo em projetos de longa maturação em ferrovias, hidrelétricas ou portos. Durante a década de 90, as mesmas vozes que hoje disparam contra o que classificam como ‘intervencionismo da Dilma’, colocaram o Estado brasileiro a serviço dessa engrenagem.A ração dos juros oferecida no altar da rendição nacional chegou a 45%, em 1999.

Um jornalismo rudimentar no conteúdo, ressalvadas as exceções de praxe, mas prestativo na abordagem, impermeabilizou essa receita de Estado mínimo com uma camada de verniz naval de legitimidade incontrastável.
A supremacia dos acionistas e dos dividendos sobre o investimento –e a sociedade-- tornou-se a regra de ouro do noticiário econômico. Ainda é.

A crise mundial instaurou a hora da verdade nessa endogamia entre o circuito do dinheiro e o da notícia. Trata-se de uma crise dos próprios fundamentos daquilo que o conservadorismo entende como sendo ‘os interesses dos mercados’. Que a mídia equipara aos de toda a sociedade. Dilma, de forma elegante, classificou essa ilação como uma fraude datada e vencida. De um mundo que trincou e aderna, desde setembro de 2008.
A pátria rentista uiva, range e ruge diante de tamanha indiscrição.

Charge Online do Bessinha # 407

Bessinha #407

Legalidade ou impunidade?

Por: Marcelo Pellegrini, no CartaCapital 

STF_estatua_justicaPara os delegados, é a PEC da Legalidade. Para os promotores, a PEC da Impunidade. A forma como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 37/2011) tem sido tratada fora do Congresso dá o tom do embate entre as policias civis e federal, encabeçados pela Adepol (Associação dos delegados de Polícia), e os integrantes do Ministério Público. O receio destes é justificado: o projeto, de autoria do deputado Lourival Mendes (PTdoB-MA), pretende retirar os poderes de investigação de promotores e procuradores da República. Por causa da proposta, têm circulado pelo Congresso cartilhas sobre as atribuições constitucionais da Polícia e do MP. Ao mesmo tempo, palestras dentro e fora das categorias interessadas são organizadas pelo País.

De acordo com a Constituição, os únicos órgãos com permissão para tocar as investigações criminais são a Polícia Civil e Federal. No entanto, a exigência do Ministério Público se apoia em um tratado internacional do qual o Brasil é signatário e assegura seus direitos de investigação. Em uma carta assinada por diversas entidades ligadas ao MP defende-se que “sendo o Brasil subscritor do Estatuto de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional, fez opção no plano internacional por um modelo de Ministério Público investigativo, sendo impensável que no plano interno seja (…) impedido de investigar”.

De acordo com a carta, a PEC significaria, se aprovada, um desrespeito a princípios do direito internacional e isolamento brasileiro em relação aos demais 120 países subscritores do estatuto.

Para o vice-presidente do Ministério Público Democrático, Roberto Livianu, a PEC indica que os interesses que inspiram o Poder Legislativo nem sempre são democráticos. “A proposta é produto da reação de pessoas investigadas e processadas pelo Ministério Público e que querem cercear e enfraquecer a atuação do órgão”, argumenta Livianu. Segundo ele, a PEC é uma forma de reconhecimento, mesmo que distorcida, do trabalho do MP. Como exemplos, o promotor relembra grandes casos investigados pelo Ministério Público como o “mensalão”, os bicheiros do Rio de Janeiro e o Esquadrão da Morte, em São Paulo.

Em resposta, Paulo D’Almeida, presidente da Adepol, argumenta que acima de qualquer tratado internacional deve-se assegurar o que diz a Constituição Federal. Segundo ele, muitas vezes a Promotoria atravessa as investigações policias visando um retorno midiático. “O Ministério Público trabalha de forma seletiva e midiática nas escolhas das investigações”, afirma. “Além disso, a polícia deve ser fiscalizada pelo MP, mas quem fiscaliza a atuação e os procedimentos dos promotores?”, indaga.

Por lei, o Ministério Público deve agir como o fiscalizador da lei, titular da ação penal e o responsável pelo controle externo da polícia. As investigações sobre o MP, prevê a lei, devem ser averiguadas por uma comissão interna do próprio órgão.

Uma polícia fraca

Um dos principais pontos de atrito entre as entidades diz respeito à capacidade da polícia em cuidar dos processos investigatórios sozinha. Para Livianu, hoje não há recursos humanos e financeiros para a Polícia Civil e Federal tocarem as investigações sem o auxílio do Ministério Público. Por isso a proposta é chamada de PEC da Impunidade pelos promotores.

Outra questão-chave é a dependência da polícia em relação ao Poder Público local, em particular nos pequenos municípios. “A polícia não tem a força necessária para realizar os trabalhos investigatórios porque é um organismo que em seu estatuto não tem as garantias que o Ministério Público tem, como a vitaliciedade e a estabilidade profissional de ser um agente do Estado e não um servidor público”, explica o vice-presidente do Ministério Público Democrático.

A realidade de dependência dos promotores é admitida pelos delegados. No entanto, no entendimento da Adepol, um órgão não pode ser fortalecido em detrimento de outro. “O MP deve respeitar a atribuição da polícia e trabalhar para fortalecer o órgão e reivindicar nossas necessidades. Isso sim é trabalhar em cooperação”, diz o delegado D’Almeida.

Para ele, com o fortalecimento da polícia o Ministério Público trabalharia melhor e menos sobrecarregado. “Temos que fazer uma polícia de Estado e não de governo por meio do fortalecimento de nossas corregedorias. Concomitante a isso, o MP deve investigar improbidades e omissões da polícia”, defende. “Assim, cada um faz sua parte e todos cumprem o que a Constituição diz.”

Outro temor em relação à proposta é a possibilidade de todas as condenações obtidas por meio de investigações do MP serem cassadas após a investigação da PEC 37. No entanto, de acordo com D’Almeida, a PEC 37 assegura que, junto à sua aprovação, seja adicionado o artigo 98 ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal. Este artigo garantiria o respeito às decisões jurídicas anteriores, baseadas em investigações do Ministério Público.

Tramitação

Até o momento, a PEC 37 já obteve o número mínimo de votos em uma Comissão Especial para ser votada no Plenário da Câmara, embora siga sem uma data estabelecida para a apreciação. A proposta ainda precisa ser votada em dois turnos no Plenário da Câmara antes de seguir para o Senado.

Caso seja aprovada na Câmara, o Ministério Público promete entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF).

O deputado federal Lourival Mendes (PTdoB-MA) não respondeu à reportagem até o fechamento da reportagem. A assessoria do parlamentar orientou a reportagem a obter eventuais esclarecimentos sobre a proposta com a Adepol, uma das partes interessadas do texto.

Charge Online do Bessinha # 406

Bessinha #406

Serra é indenizado em R$ 1 mil por “Privataria Tucana”

Entendimento é de que livro teria causado prejuízo eleitoral ao tucano, então pré-candidato a prefeito de São Paulo; na sentença, juiz ironiza afirmando que valor arbitrado é “simbólico (para fins de paraísos fiscais)”.

No: Rede Brasil Atual

privatariaEm sentença pontuada de ironias, o juiz André Pasquale Scavone, da 10ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, condenou o jornalista Amaury Ribeiro Júnior e a Geração Editorial a pagarem R$ 1 mil ao ex-governador José Serra a título de indenização por eventual dano moral e eleitoral pela publicação do livro “A Privataria Tucana” - que acusa integrantes do PSDB de desviarem para paraísos fiscais recursos obtidos com as privatizações ocorridas no governo FHC (1995-2002). Parte desse dinheiro, segundo o autor, teria retornado ao Brasil para abastecer campanhas políticas e enriquecer personagens ligados a Serra, entre elas sua filha, Verônica.

O livro-denúncia foi lançado no final de 2011, meses antes de Serra lançar-se candidato a prefeito de São Paulo, daí o suposto prejuízo eleitoral. Na eleição, Serra acabaria derrotado em segundo turno pelo petista Fernando Haddad.

“Em que medida (o livro) alcançou seu objetivo (prejuízo eleitoral) é questão que foge à lide, mas creio que nenhum simpatizante tucano passaria da orelha do livro”, diz o juiz na sentença. Mais adiante, ele comenta: “O livro recheado de fatos vinculados às eleições vendeu bem, ainda que muitos exemplares possam ter sido distribuídos por petistas”.

Scavone esclarece que não tem como julgar se os fatos narrados no livro são falsos ou verdadeiros. “Os fatos envolvem dinheiro público da União e Estados e não cabe a este juízo investigá-los. Há indicação de documentos que podem ser consultados e, infelizmente (para os deles excluídos), paraísos fiscais existem. E são assim denominados por razões que não demandam qualquer exegese profunda: deixar em paz o dinheiro, sem olhar seus pecados de origem”, continua a sentença.

Para o juiz, há dano moral “inequívoco” à imagem do candidato, mas definir um valor para cobrir esse dano, no caso, seria “inadequado” (os advogados de Serra pediram R$ 30 mil), já que os “interesses envolvidos” estariam “em outras esferas”. Ele volta a ironizar: “Daí que o valor da indenização que fixo é simbólico (para fins de paraísos fiscais): R$1.000,00”.

Por fim, Scavone classifica de “curioso” o fato de Serra pedir uma porcentagem sobre cada livro vendido, mas não solicitar sua retirada das livrarias ou a exclusão dos trechos que considera ofensivos.

“O pedido indenizatório é curioso, porquanto pede a fixação de um outro valor para os livros vendidos após a prolação da sentença. Falem bem, falem mal, mas falem de mim. Se o interesse era preservar a imagem, o pedido deveria ser de impedir a venda do material ofensivo, ou a retirada de expressões injuriosas. Mas ao bom democrata não convém atacar a 'liberdade de imprensa'”, conclui o magistrado.

Leia aqui a íntegra da sentença.

Charge Online do Bessinha # 405

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Liderança diz que PEC das Domésticas é “segunda abolição da escravatura”

No: CartaCapital

PEC-domésticasRepresentantes dos trabalhadores domésticos comemoraram, na terça-feira 26, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que amplia os direitos da categoria, como o pagamento de hora extra e direito a acesso ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. “Quando olhei ali para o painel, e vi que foi aprovada por 66 votos, me deu um alívio muito grande. É um sentimento de vitória, mais uma batalha vencida”, disse a presidente da Federação Nacional das Empregadas Domésticas, Creuza Maria de Oliveira ao jornal O Estado de S.Paulo.

Segundo ela, o temor de desemprego deve agora ser atenuado. ”Quando conquistamos direitos na Constituição de 88, todo mundo dizia que haveria desemprego. Mas o número de empregadas só cresceu. Há esse terrorismo no início, depois a poeira vai baixar.”

Para a presidente do Sindoméstica (Sindicato das Empregadas e Trabalhadores Domésticos) da Grande São Paulo, Eliana Menezes, a aprovação da PEC representa a “segunda abolição da escravatura” no Brasil.

A declaração foi feita à Folha de S.Paulo. Segundo ela, a proposta trará mais liberdade e dignidade aos trabalhadores domésticos. “Temos empregadas domésticas que trabalham 18 horas por dia. Elas ficam submetidas às regras dos patrões dentro das casas deles.”

Para o advogado trabalhista Renato Rua de Almeida, a medida pode contribuir para o aumento da informalidade. Contratar um empregado doméstico, segundo ele, ficou mais caro. ”As pessoas (de classe média e média baixa) vão começar a contratar diaristas duas vezes por semana para não criar vínculo trabalhista, porque a partir de três já se cria esse vínculo”, explicou ao Estado de S. Paulo. Além disso, a aprovação da PEC obrigará os municípios a investir em creches e outros apoios para estes trabalhadores, que em maioria são mulheres.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Charge Online do Bessinha # 404

Bessinha #404

Nazijornalismo

Por: Leandro Fortes, no CartaCapital 

cqcA violência do CQC contra o deputado José Genoíno alcançou, essa semana, um grau de bestialidade que não pode ser dimensionado à luz do humorismo, muito menos no campo do jornalismo. Isso porque o programa apresentado por Marcelo Tas, no comando de uma mesa onde se perfilam três patetas da tristeza a estrebuchar moralismos infantis, não é uma coisa nem outra.

Não é um programa de humor, porque as risadas que eventualmente desperta nos telespectadores não vem do conforto e da alegria da alma, mas dos demônios que cada um esconde em si, do esgoto de bílis negra por onde fluem preconceitos, ódios de classe e sentimentos incompatíveis com o conceito de vida social compartilhada.

Não é jornalismo, porque a missão do jornalista é decodificar o drama humano com nobreza e respeito ao próximo. É da nobre missão do jornalismo equilibrar os fatos de tal maneira que o cidadão comum possa interpretá-los por si só, sem a contaminação perversa da demência alheia, no caso do CQC, manipulada a partir dos interesses de quem vê na execração da política uma forma cínica de garantir audiência.

A utilização de uma criança para esse fim, com a aquiescência do próprio pai, revela o grau de insanidade que esse expediente encerra. O que se viu ali não foi apenas a atuação de um farsante travestido de jornalista a fazer graça com a desgraça alheia, mas a perpetuação de um crime contra a dignidade humana, um atentado aos direitos humanos que nos coloca, a todos, reféns de um processo de degradação social liderado por idiotas com um microfone na mão.

A inclusão de um “repórter-mirim” é, talvez, o elemento mais emblemático dessa circunstância, revelador do desrespeito ao ofício do jornalismo, embora seja um expediente comum na imprensa brasileira. Por razões de nicho e de mercado, diversos veículos de comunicação brasileiros têm lançado, ao longo do tempo, mão dessa baboseira imprestável, como se fosse possível a uma criança ser repórter, ainda que por brincadeira.

Jornalismo é uma profissão de uma vida toda, a começar da formação acadêmica, a ser percorrida com dificuldade e perseverança. Dar um microfone a uma criança, ou usá-la como instrumento pérfido de manipulação, como fez o CQC com José Genoíno, não faz dela um repórter – e, provavelmente, não irá ajudá-la a construir um bom caráter. É um crime e espero, sinceramente, que alguma medida judicial seja tomada a respeito.

Não existem repórteres-mirins, como não existem médicos-mirins, advogados-mirins e engenheiros-mirins.

Existem, sim, cretinos adultos.

Charge Online do Bessinha # 403

Bessinha #403

Após manifestação, prefeitura de SP promete solução para mais duas ocupações

Terrenos ficam na zona norte da cidade; famílias serão incluídas em programas habitacionais

Por: Júlia Rabahie, no Rede Brasil Atual 

desocupaçaoApós manifestação no centro da São Paulo, em frente à Secretaria Municipal de Habitação, ocupantes de duas áreas na zona norte conseguiram hoje (27) da prefeitura o compromisso de que todas as famílias sejam cadastradas em programas habitacionais antes de deixarem os terrenos.

“Conseguimos avanços nas negociações”, disse o coordenador da União dos Movimentos por Moradia (UMM), Donizete Fernandes de Oliveira, depois de reunir-se com o secretário de Habitação José Floriano de Azevedo Marques Neto. 

Os sem-teto reivindicam atendimento aos ocupantes em um terreno na avenida Deputado Cantide Sampaio, onde famílias moram há mais de cinco anos. Cerca de 1.700 pessoas vivem no local, que está em fase de desapropriação para que a área seja transformada no Parque Brasilândia pela prefeitura. “Aceitamos sair, queremos que se transforme em parque, mas queremos antes ter lugar para morar”, disse uma das ocupantes, que preferiu não se identificar.

“Conseguimos agora com o secretário que as famílias sejam todas cadastradas”, explicou Donizete. Ficou acordado que na segunda-feira (1º) haverá reunião com a subprefeitura da Freguesia do Ó/Brasilândia, para que o cadastramento das famílias, referente ao recebimento de bolsa-aluguel ou a atendimento habitacional permanente, comece a ser feito.

A outra ocupação fica no Parque Panamericano, no Jaraguá, onde vivem cerca de 300 famílias. A área pertence a uma cooperativa habitacional que conseguiu liminar junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo para que a área seja desocupada até o dia 18 de abril.

O coordenador da UMM afirmou que o secretário de Habitação prometeu se empenhar para que a liminar seja suspensa. Ficou marcada uma vistoria pela subprefeitura da Freguesia do Ó/Brasilândia, também na próxima segunda, em áreas próximas à ocupação, para que estas sejam destinadas à moradia para as famílias.

terça-feira, 26 de março de 2013

Charge Online do Bessinha # 402

Bessinha #402

O patrão mandou

futebolComo a Fifa, além de dar esporro na presidenta Dilma e nos governadores estaduais, também decidiu que será proibido xingar dentro dos estádios durante as copas das Confederações e do Mundo, seguem as minhas sugestões para que o torcedor  possa expressar suas emoções sem ser preso e levado, certamente, para Guantánamo, que é o lugar para terroristas de boca suja:

1)   Juiz ladrão = “Cara de melão!”

2)   Entrada maldosa do zagueiro = “Bobo!”

3)   Cartão amarelo injusto para o nosso time = “Vá pentear macacos, seu juiz!”

4)   Cartão vermelho injusto para o nosso time = “Juiz, ladrão, ação civil pública é a solução!”

5)   Bandeirinha ladrão = “Feio!”

6)   Frango do goleiro = “Ora, vá catar coquinhos!”

7)   Bola na trave = “Putz grila!”

8)   Bola rente ao travessão = “Caracoles!”

9)   Furada do centroavante na pequena área = “Seu bolha!”

10) Incentivando o time = “Avante, concidadãos!”

Charge Online do Bessinha # 401

Bessinha #401

PSDB abandona José Serra e abraça de vez candidatura de Aécio Neves em 2014

Acompanhado pelo governador Geraldo Alckmin e pelo ex-presidente Fernando Henrique, senador mineiro é recebido em clima de unidade

Por: Eduardo Maretti, no Rede Brasil Atual 

aecio_psdbEm clima de campanha, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi recebido ontem à noite (25) pelos principais caciques tucanos de São Paulo em ato político realizado pelo diretório estadual do partido. Aécio chegou ao encontro acompanhado do governador paulista, Geraldo Alckmin, poucos minutos depois do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O ex-governador José Serra, que estaria de saída do PSDB devido à perda de espaço para Aécio, não apareceu, sob pretexto de que já havia marcado viagem para os Estados Unidos na mesma data.

Em seu discurso, Alckmin pela primeira vez foi claro sobre seu apoio ao senador mineiro para presidir a legenda, a partir da convenção de maio, e ser o candidato tucano na sucessão presidencial de 2014: “Que que você, Aécio, assuma a presidência do PSDB, percorra o Brasil, ouça o povo brasileiro, fale ao povo e una o PSDB”.

À pergunta sobre a cobrança do partido para assumir a pré-candidatura, Aécio foi cauteloso. “Ainda não está na hora. Não é uma questão individual, é uma decisão que o partido vai tomar na hora certa”. Porém, o presidente do partido no estado, deputado Pedro Tobias, discursou: “A militância quer lançar candidato já”. O secretário Estadual de Energia do governo Alckmin, José Aníbal, indagado pela RBA se Aécio será o candidato a presidente, também não ficou em cima do muro: “Isso ficou claro hoje”.

Ao chegar ao evento, questionado se o clima era uma indicação de que a candidatura de Aécio, na prática, está sendo lançada em São Paulo, Fernando Henrique desconversou. “Não, não, a campanha é para a presidência do partido”, afirmou. A ele coube também explicar a ausência de José Serra. Segundo o ex-presidente, Serra, a quem chamou de “dileto amigo”, viajou aos Estados Unidos para participar de uma homenagem ao economista Albert Hirschman, morto em dezembro. “Eu me sinto representado por ele lá, e espero que ele se sinta representado por mim aqui.”

FHC e Aníbal negam saída de Serra do PSDB

Segundo algumas especulações, caso não consiga uma posição de destaque (no mínimo, no curto prazo, a presidência do partido), o ex-governador José Serra poderia deixar o PSDB. Seu destino seria outra legenda, que poderia ser o PPS, ou até mesmo um novo partido, pelo qual disputaria a eleição para o governo de São Paulo em 2014.
“É absolutamente delirante essa informação. Essa é a primeira vez que ouço isso, porque realmente seria impensável. Eu acho que não. Como Fernando Henrique disse hoje, ele se sente, aqui, representando o Serra”, disse o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, à RBA. A reportagem fez a mesma pergunta ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Conversa, conversa”, respondeu ele.

O ex-governador de Minas se preocupou em afagar os correligionários paulistas, onde seu nome ainda encontra resistências. “Aqui foi que tudo começou. O PSDB do Brasil inteiro deve muito aos paulistas, às lideranças que aqui estão, a outras lideranças extraordinárias como Mário Covas e Franco Montoro, à liderança de José Serra”, declarou Aécio. 

Segundo o senador, o PSDB vai entrar na campanha do ano que vem em busca “do início de um novo ciclo” e voltou a criticar o suposto “aparelhamento” da máquina pública no governo do PT, afirmando que irá substitui-lo pela “meritocracia”.

Apesar do discurso recorrente dos tucanos, levantamento publicado há uma semana pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra que o PSDB lidera em total de cargos de confiança (onde se daria o "aparelhamento) entre os governos estaduais. 

Aécio também voltou a falar em “ética” e “eficiência". “O PSDB não tem sequer o direito de se negar a apresentar ao Brasil uma alternativa a esse modelo de governo que aí está, do ponto de vista ético, da eficiência, de uma visão mais moderna de país e de mundo.”

Também nesse ponto, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que entre os anos 2000 e 2012 o PSDB é o terceiro partido com mais políticos cassados por corrupção (58), ficando atrás apenas do PMDB (66) e do DEM (69). O PT, alvo de Aécio, estava em 9º no ranking, com dez.

Unidade

A palavra de ordem nos discursos e nas entrevistas foi unidade. “O PSDB vai marchar junto para que possa apresentar-se ao país com força e vigor. O sentido dessa festa é de congraçamento e mostrar que estamos todos juntos”, resumiu Fernando Henrique em rápida e tumultuada coletiva ao lado de Alckmin, Aécio, do presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, e do presidente estadual, deputado Pedro Tobias.

“Temos certeza que estamos começando a reorganizar o partido”, avaliou FHC. “À arrogância do governo [federal], vamos responder com nossa unidade”, pregou Aécio. 

“Estamos aqui para mostrar que o partido está unido”, pontuou o senador Aloysio Nunes Ferreira. Sérgio Guerra também mencionou a unidade, mas foi mais claro ao rapidamente resumir “as duas coisas importantes” que tinha a dizer: “ao adversário interessa nos dividir e confundir, a nós interessa a unidade; as condições favorecem uma candidatura que, estou convencido, deve ser a de Aécio”.

No discurso à militância, o senador e ex-governador mineiro mencionou sua história pessoal, lembrou o avô Tancredo Neves e voltou a atacar os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, chamando-os de “projeto de poder do vale-tudo” e protagonista do “mais perverso aparelhamento da máquina pública”. Segundo Aécio, “o maior programa de distribuição de renda não é o Bolsa Família, é o Plano Real”.

No final do evento, quando Aécio lutava para ultrapassar uma pequena multidão que se interpunha entre ele e o carro que o aguardava à saída, uma militante se aproximou e entregou-lhe uma réstia com várias cabeças de alho e um crucifixo, dizendo: “Um presente para te proteger do José Serra”. Dando muita risada, Aécio respondeu: “José é aliado. Isso aqui vai proteger contra os adversários”.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Amigos!

Por: Eliseu 

Hoje, com atraso de pelo menos 3 meses e 1 dia, resolvi fazer uma limpeza em meus papeis, antigo sonho que não foi realizado por minha esposa. Coincidentemente nesta data (20) completou 3 meses de seu sepultamento.

No meio dos papeis que deveriam ser descartados, existiam verdadeiras relíquias que evidentemente foram lidos, preservados e guardados com todo carinho. Claro que as lembranças vieram à tona em grandes borbotões trazendo um misto de tristeza e alegria por tempos idos.

Mas o que me chamou fortemente a atenção foram 3 agendas de datas distintas, a mais antiga dos idos de 1996, outra de 2000 e a última de 2005. Ao verificar as anotações de telefones de “velhos amigos”, a surpresa foi grande e não pude deixar de lembrar a música “ A Lista”, do grande Oswaldo Montenegro. De todos os contatos existentes, pouquíssimos, que pode-se contar nos dedos de uma mão e ainda sobra, estavam em minha agenda atual e os que não estavam simplesmente não pude salvar nem um. Isso mesmo, alguns, talvez eu não tenha sabido cultivar a amizade, mas a grande maioria simplesmente deixou de ser meu amigo. As agendas foram para o lixo. Quem sabe serão recicladas? O motivo imagino!

Uma música pra refletir!

Charge Online do Bessinha # 399

Bessinha #399

terça-feira, 19 de março de 2013

Aprovação de Dilma chega a 63%

No: CartaCapital 

DilmaO governo da presidenta Dilma Rousseff é aprovado por 63% dos brasileiros, segundo a primeira pesquisa do ano da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o IBOPE. O resultado foi divulgado nesta terça-feira 19.

Em relação à última pesquisa, em dezembro, a administração da petista oscilou um ponto percentual para cima, dentro da margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O resultado positivo ocorre mesmo após o anúncio do crescimento de apenas 0,9% do PIB em 2012. O índice da presidenta é melhor que as aprovações de seus antecessores Lula (39%) e FHC (56%) no mesmo período de seus mandatos.

Segundo os dados, 29% dos entrevistados acham o governo regular e 7% o consideram ruim ou péssimo.

Aprovação pessoal. Dilma também oscilou um ponto positivo em sua aprovação pessoal desde a última pesquisa: de 78% para 79%, dentro da margem de erro. O resultado é superior ao de Lula (58%) e FHC (70%). Somente 17% dos entrevistados desaprovam a forma de governo da mandatária.

A confiança na presidenta também subiu: de 73% em dezembro para 75%, contra 60% de Lula e 68% de FHC.

Melhora nos indicadores. Os entrevistados aprovaram as ações de combate à fome e à pobreza (64%), meio ambiente (57%), combate ao desemprego (57%) e combate à inflação (48%). Mas foram contrários às medidas adotadas pelo governo na educação (47%) e na taxa de juros (42%).

A taxa de cobrança de impostos foi desaprovada por 60% dos entrevistados, mas houve uma melhora ante os 65% anteriores. O mesmo aconteceu com a segurança pública (caiu de 68% para 66%) e a saúde (recuou de 74% para 67%).

Para 61% dos brasileiros, o governo Dilma é igual ao do ex-presidente Lula. A novidade é que pela primeira vez o percentual que considera o atual governo melhor que o de Lula (20%) é maior do que o que considera o contrário (18%). Na pesquisa de dezembro, 21% considerava o governo Lula melhor, e 19% considerava o de Dilma melhor.

Foram ouvidas 2.002 pessoas em 143 municípios, entre 8 e 11 de março de 2013.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Charge Online do Bessinha # 398

Bessinha #398

Espião “machista e temperamental” dos EUA distribuía dinheiro à oposição e dividia o chavismo

Por: Natalia Viana, da Pública | No Rede Brasil Atual 

chavezEduardo Fernandez é um nome comum. Tão comum que é impossível encontrar informações sobre um determinado Eduardo dentre milhares deles em dezenas de países da América Latina. Mas o argentino-americano Eduardo Fernandez não é um homem nada comum. Entre 2004 e 2009, era ele quem dirigia o Development Alternatives (DAI) em Caracas, que recebia milhões de dólares da Usaid para seguir o plano estabelecido pelo Departamento de Estado dos EUA para a Venezuela: fortalecer grupos de oposição, dividir o chavismo e isolar Hugo Chávez internacionalmente.

O papel de Fernandez talvez passasse despercebido como o nome comum, não fosse o seu temperamento explosivo, desbragadamente machista e indiscreto – o que o levou a ser investigado por comportamento impróprio na empresa em que trabalhava – e que desapareceu da noite para o dia da Venezuela.

Como relataram seus ex-funcionários, ele era do tipo que se referia às mulheres colocando as mãos sobre os próprios peitos, para sugerir seios fartos, e chegou a dizer que o escritório da DAI em El Rosal, Caracas, era “ineficiente como um bordel”. Diante do caso de uma funcionária grávida, reagiu: “Se vocês conseguissem segurar uma pílula entre os joelhos, eu não teria que gastar dinheiro pagando por licença-maternidade”. Outra funcionária ficou tão desconcertada com os olhares sedentos do chefe à sua saia, que resolveu fechar a fenda com um clipes de papel. Dias depois Fernandez perguntou quando ela iria usar “aquela saia com o clipes” de novo.

Mas Fernandez é assim mesmo e não pretende mudar, como afirmou durante a investigação interna da DAI. Foi ele quem deixou o rastro das atividades da DAI na Venezuela, três anos depois de sua equipe ter se retirado às pressas do país, em 2009. Graças e ele uma longa lista de documentos que revelam em detalhes o trabalho da DAI pode ser consultada na internet, no processo de US$ 600 mil que a ex-diretora Heather Rome move contra a empresa por não ter tomado nenhuma atitude contra Fernandez apesar de suas repetidas reclamações. Os documentos da justiça de Maryland, nos EUA, foram vazados pelo jornalista americano Tracey Eaton, do blog Along the Malecon.

São mais de 300 páginas de documentos sobre o diretor da empresa que atuou num dos principais QGs anti-Chávez plantados pelos EUA em Caracas. “As reclamações que eu recebia das funcionárias venezuelanas iam ao ponto de elas virem chorar em meu escritório, o que reduzia a produtividade”, conta Heather no seu depoimento. “Várias pessoas falavam que seu sentimento era: ‘temos orgulho de estar trabalhando neste projeto, nós preenchemos os cheques e sabemos quanto dinheiro está sendo gasto. O governo dos EUA está trabalhando muito duro, e a DAI está nos ajudando a mudar a situação do nosso país para torná-lo mais democrático do que Chávez quer. Mas não entendemos como eles podem fortalecer a sociedade civil quando temos nosso próprio mini-Chávez aqui no escritório, e eles não ligam’”.

Alan Gross

Entre 2002 e 2009 a Usaid distribuiu cerca US$ 95,7 milhões de dólares a organizações de oposição venezuelana através do seu Escritório de Iniciativas de Transição (OTI, em inglês), aberto no país dois meses após o fracassado golpe de estado contra Hugo Chavéz.

Simultaneamente, instalou-se no país a empresa Development Alternatives, uma das maiores contratistas da Usaid para gerenciar fundos de assistência no exterior, o que desde o governo Bush vem sendo feito pela iniciativa privada. A empresa, que costuma atuar nos bastidores, passou a ser conhecida no cenário latino-americano em dezembro de 2009, quando Alan Gross, um de seus funcionários, foi preso em Cuba ao distribuir celulares e equipamentos de comunicação via satélite à dissidência cubana. Gross foi condenado a 15 anos de prisão por atos “contra a segurança nacional” de Cuba.

Na Venezuela, a DAI, cujo slogan é “moldando um mundo mais habitável”, foi a principal responsável pela distribuição de pequenos financiamentos da Usaid a diversas organizações da sociedade civil, seguindo a estratégia traçada pelo Departamento de Estado e pela missão diplomática no país de dividir o chavismo, infiltrar-se na sua base política e isolar Chávez internacionalmente.

No escritório em Caracas, situado entre a rua Guaicaipuro e a Mohedano, trabalhavam 18 venezuelanos de tendência anti-chavista e dois diretores americanos – Eduardo Fernandez era um deles e passou a dirigir o escritório em 2004. O currículo de Heather Rome, anexado ao processo, explica que a diretora assistente, também americana, chegou ao país em julho de 2005 para supervisionar a administração das doações a ONGs em um programa de US$ 18 milhões de dólares. Segundo seu currículo, Heather, que era subalterna a Fernandezn trabalhava “em colaboração com o embaixador americano William Brownfield”. Brownfield ocupou o cargo entre 2004 e 2007 e elaborou uma sucinta estratégia de 5 pontos para acabar com o governo Chávez em médio prazo.

Os programas mantidos pelas doações destinavam-se principalmente a “facilitar o diálogo entre segmentos da sociedade que dificilmente se sentariam juntos para discutir temas de interesse mútuo”, segundo um documento diplomático enviado ao Departamento de Estado em 13 de julho de 2004. Ou seja, unir a oposição. Um dos principais projetos era o “Venezuela Convive” que, segundo o documento diplomático, buscava “encorajar o conceito de convivência pacífica entre indivíduos e organizações com fortes opiniões contrastantes – um valor que a maioria dos venezuelanos respeita e que é considerado sob ataque no atual clima de intolerância política” – promovida pelo governo Chávez, segundo a embaixada.

Em 24 de fevereiro de 2006, em outro despacho diplomático, o ex-embaixador Brownfield explica que os financiamentos da DAI “apoiam instituições democráticas, incentivam o debate público, e demonstram o engajamento dos EUA na luta contra a pobreza na Venezuela”. Para William Brownfield, fortalecer a sociedade civil era essencial para isolar Chávez internacionalmente, levando para a arena internacional “os sérios problemas de direitos humanos no país”. Dois exemplos neste sentido, que receberam financiamento através da DAI, são o Centro de Direitos Humanos da Universidade Central da Venezuela e os projetos do  IPYS, Instituto Prensa y Sociedad de jornalismo investigativo e de uma Lei de Acesso à Informação venezuelana.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Matança de animais continua na administração (?) Audifax

Prefeito da cidade de Serra/ES, Audifax Barcelos continua e intensifica o extermínio de animais, como seu antecessor Sérgio Vidigal. Funcionários do CCZ tentaram me agredir ao registrar cena

Por: Eliseu 

corrocinha_cczComo é de conhecimento público e já alertado aqui neste blog, o atual prefeito da nossa cidade de Serra/ES, Audifax Barcelos é “cria” de Sérgio Vidigal, o prefeito que dentre outros, levou o título de pior prefeito do País na saúde. Audifax é o exemplo clássico do monstro que virou contra seu criador. Um ilustre desconhecido até ser lançado como candidato à prefeitura por Vidigal, tomou gosto e acabou desafiando e vencendo o antigo padrinho.

Portanto não é de estranhar que até o momento, Audifax não tenha mostrado a que veio. A sua única manifestação é que pegou a “prefeitura quebrada”, como argumenta praticamente todos os prefeitos Brasil afora paracarrocinha_ccz não cumprir suas obrigações.

Também não é de estranhar que use os mesmos métodos de Vidigal, de maneira mais violenta e ostensiva, é claro.

Ontem (14), pouco após 14:00hs. presenciei e acabei me envolvendo em uma cena de lastimável violência contra animais que acabou em violência verbal contra esse blogueiro por funcionários do CCZ, em frente ao forum da cidade. Só não fui agredido fisicamente pelos três covardes funcionários do CCZ devido a intervenção da Polícia Militar. E imaginem! Se tentam agredir um cidadão que tem condições de se defender, o que não fazem com indefesos cães?

cao_inofensivoA situação ocorreu quando os funcionários da “carrocinha” tentavam capturar dois cães pacatos e aparentemente saudáveis, da maneira brutal que é de conhecimento de todos, e para matá-los no CCZ, o que ocorre com todos os cães uma vez que não há uma política de castração e adoção, conforme determina a legislação. Ao questionar o procedimento dos funcionários, fui agredido verbalmente, sendo que me mandaram “ir embora” de uma via pública e um deles tentou tampar as placas do veículo público em que estavam para que não fotografasse. Outro me disse: “nóis trabalhamo pro prefeito”. Santa ignorância! Se trabalhassem para o prefeito não poderiam estar usando uniforme da prefeitura e muito menos utilizando um veículo público. Evidentemente que entendi que ele quis dizer que trabalhava para a prefeitura, que nesse caso deveria ser a primeira a cumprir a lei.

A Lei de Crimes Ambientais, de nº 9605/98 em seu artigo 32 diz que:

Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena de detenção de três meses a um ano, e multa.

§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.

Hoje por volta de 11:20 hs. passou por mim uma “carrocinha” na ES-10 com pelo menos um cão capturado. É bom lembrar que a “carrocinha” utiliza meios cruéis para capturar animais, laçando-caes_cczos pelo pescoço causando enforcamento e atirando-os dentro da jaula machucando-os e na maioria das vezes quebrando seus ossos. É bom lembrar também que a prefeitura recebe verba federal para recolher, reabilitar, castrar e promover adoção e posse responsável. Isso não existe na Serra. E o dinheiro?

Com a palavra o prefeito Audifax e o Secretário de Saúde Luiz Carlos Reblin.

As denúncias de maus tratos contra animais, seja por quem for, podem ser feitas pelos telefones 3236-8136 (Delegacia Especial de Crimes contra Animais) 181(Disque denúncia) e em casos de flagrante também à Polícia Militar pelo 190, que tem a obrigação legal de tomas providências imediatas.

E pelo jeito, aqui no ES os grupos ou grupo de defesa de animais não estão tão ciosos de sua causa. Também com eles a palavra!

Este blogueiro, Eliseu, não reivindica direitos autorais. Portanto esta, como todas as postagens do autor podem ser livremente copiadas, reblogadas e publicadas em qualquer meio legal de comunicação. Solicita apenas que cite o autor.

Candidatura Eduardo Campos é balão sem ar

Por Davis Sena Filho, no Blog Palavra Livre

lula_eduardo_camposA direita brasileira não sabe mais o que fazer para rachar o Governo, o PT e seus aliados. Chegam a ser engraçadas as tentativas de promover a discórdia na base parlamentar e partidária do Governo trabalhista da presidenta Dilma Rousseff. Uma pessoa desavisada ou que não acompanhe rotineiramente a política brasileira certamente, ao ouvir, ler ou ver os comentários de nossos “especialistas” distribuídos por todos os meios de comunicação de negócios privados, vai acreditar que o Governo Dilma está em apuros e que sua base de sustentação está a derreter como sorvete em um dia de 40 graus.

É formidável a nossa imprensa de mercado e completamente alienígena e por isso irremediavelmente distante quando se trata dos interesses do Brasil e de seu povo. Primeiramente, os arautos da grande imprensa mercantilista apostaram na desunião entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Repercutiram esse lenga-lenga enfadonho e cínico durante meses, talvez mais de um ano. Os “pitaqueiros” de direita tentaram, inclusive, mostrar a presidenta trabalhista como uma pessoa politicamente antagônica a Lula, bem como uma administradora mais competente, que rejeita acordos políticos e se recusa a negociar com seus parceiros, que lhe dão sustentação política e partidária no Congresso, nos estados da Federação e nos municípios. Surreal, não? Transformam o processo político em simples conchavos de malfeitores, que somente pensam em benefício próprio.

Absurdo dos absurdos, mas é o que faz essa imprensa conservadora de propósitos golpistas e que visa, sobretudo, a dissolução da política e a desmoralização dos políticos e de seus respectivos partidos perante a Nação. Por intermédio de uma máquina poderosa de comunicação, a ordem é negativar o que é público em prol do privado, além de tentar fazer de políticos eleitos apenas fantoches dos desejos das classes sociais dominantes, ainda mais se tais políticos são ligados às bases populares, que as elites, equivocadamente, chamam de populistas e populismo.

Agora a bola da vez é o governador Eduardo Campos (PSB/PE). Desde 1989, com rara exceção, o PSB é aliado do PT. Todo mundo sabe disso, até os mortos mais antigos e os recém-nascidos. Menos o paulista(?) Roberto Freire (PPS/SP), os tucanos aliados e inconformados de José Serra (PSDB/SP) e a imprensa privada e seus “especialistas” ferozes, como lobos com fome. O PSB é parte intrínseca do projeto de governo dos socialistas e trabalhistas do PT. Em sua nomenclatura, PSB significa Partido Socialista Brasileiro. Ponto. Eduardo Campos busca espaço em âmbito nacional, o que é legítimo para qualquer político. Contudo, não se pode confundir sua ambição pessoal com o projeto nacional do qual ele faz parte desde o início, principalmente a partir de 2003 quando Lula assumiu a Presidência. Ponto.

Os porta-vozes da imprensa de direita tentam confundir a classe média, ao dar a impressão de que Eduardo Campos vai pular do barco trabalhista. Não é bem assim que a banda toca, para o desespero dos tucanos e de todos aqueles que pensam ou desejam que aconteça um racha na base do Governo. O PSB é um partido de imensa importância para seus aliados do PT, do PMDB, do PCdoB, do PDT, do PRB, do PTB, do PP e do PR. Para quem não sabe, a base do Governo é composta por 14 partidos dos 19 que compõem o Congresso. Até o PSD, partido conservador do ex-prefeito paulistano, Gilberto Kassab, põe as barbas de molho, e, tal qual ao PSDB, não sai de cima do muro.

Os comentaristas, colunistas e blogueiros do sistema midiático hegemônico compromissado com o grande capital nacional e internacional são pagos para criar celeumas, divisões, antagonismos entre os aliados que governam o País. Criticam as alianças do Governo, de forma sistemática. Mas, quando se trata de ajudar seus aliados, não medem esforços e consequências. O maior exemplo é a novela em que se transformou o pernambucano, neto de Miguel Arraes, o socialista Eduardo Campos. Todavia e antes de tudo, Campos tem o dever de olhar para o passado e reviver a história de seu avô, um dos baluartes da esquerda brasileira e que nunca se bandeou para a direita. Arraes dialogou com a direita para receber apoio parlamentar e, consequentemente, montar suas bases aliadas em Pernambuco para poder governar. Compor politicamente não é se vender e muito menos trair sua ideologia e seus companheiros de luta e de projeto para o país ou para o estado que governa.

Eduardo Campos sabe disso, pois, antes de tudo, tem compromisso com a Nação, bem como entende que ainda é novo em idade e que pode muito bem, e com o apoio do PT, ser um futuro candidato à presidência da República. Eduardo Campos é neto de Miguel Arraes, e conhece muito bem os propósitos inconfessáveis da direita brasileira e seu principal e mais poderoso porta-voz: o sistema midiático privado.

José Serra (SP) — tucano derrotado duas vezes e eleições presidenciais — não vai dobrar os joelhos tão facilmente. Não é de sua índole e caráter. Serra quer ser o presidente nacional do PSDB. O cargo é poderoso, pois lhe permite ter influência e agilidade para visitar os estados e diretórios tucanos em todo o País, além de ter acesso a um polpudo orçamento, que viabilizará não somente suas ambições mais prementes, assim como vai lhe servir como trunfo na disputa pela indicação de sua candidatura à Presidência, ao Governo de São Paulo ou simplesmente lhe dar visibilidade e poder para participar com desenvoltura da candidatura do senador tucano Aécio Neves (MG), e, por conseguinte, ter acesso a cargos, indicar nomes e influir em um possível governo tucano, se o mineiro conseguir vencer o candidato do PT, evidentemente.

Não creio que Eduardo Campos, por exemplo, vai dar uma de aventureiro, sem, antes, ponderar que, por exemplo, o Estado de Pernambuco foi o segundo da Federação que mais recebeu investimentos, a ficar atrás apenas do Rio de Janeiro. Pernambuco é um campo de obras e de projetos da estatura da Refinaria Abreu e Lima, além do Porto e do Pólo de Suape e a indústria automobilística, somente para ficar nesses, pois são centenas de projetos e programas pequenos e médios, que reverteram, inclusive, a migração. Pernambuco passou a receber trabalhadores do Brasil e do exterior, sendo que muitos filhos do tradicional e histórico estado nordestino retornaram do Sudeste para suas origens. Orgulhosamente...

A imprensa burguesa, para variar, aposta na falácia, pois a candidatura presidencial de Eduardo Campos, a meu ver, trata-se de um fake. Não duvido se tal candidatura não é uma estratégia para dividir a candidatura direitista, na pessoa do senhor Aécio, com a cumplicidade e a vontade de José Serra, e, desse modo, dividir as fileiras do PSDB e enfraquecer o tucano das Minas Gerais, que é detestado pela cúpula tucano, pelos banqueiros e industriais da Fiesp e principalmente pela mídia conservadoríssima paulistana, de caráter golpista, preconceituosa e que, se pudesse, realizaria outro movimento golpista, a exemplo dos que aconteceram em 1932, 1938, 1945, 1961, 1964 e 2005, quando tentaram derrubar o presidente Lula do poder.

A candidatura de Eduardo Campo, no momento, não interessa e não é conveniente aos setores progressistas e democráticos da sociedade e da política brasileira. A esquerda não vai se dividir porque a imprensa alienígena deseja e aposta nessas cartas, que são, por sinal, de mão ruim. O político pernambucano — mesmo se não for candidato e até mesmo se ficar aborrecido com seus aliados — não vai abandoná-los, porque seria considerada absurda sua incoerência, ao tempo que preocupante seu individualismo, ambição e falta de comprometimento com o projeto trabalhista do Governo, que, indubitavelmente, melhorou, e muito, as condições de vida do povo brasileiro, bem como elevou o Brasil a um patamar de respeito no mundo, como nunca tinha acontecido em sua história. A direita vai ter de procurar outra estratégia para dividir a base do governo. A candidatura de Eduardo Campos é balão sem ar.

É isso aí.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Gestão no Vaticano pode ser mudada com novo Papa

Avaliação foi feita por vaticanólogos e especialistas

No: Jornal do Brasil 

papaApós o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio ter sido escolhido pelo conclave como o novo papa, Francisco, nesta quarta-feira (13) especialistas acreditam que o pontífice deve ter uma administração conservadora à frente da Igreja Católica. Segundo eles, seu perfil é de tino administrativo mesclado com uma hábil capacidade de comunicação, além da austeridade jesuíta.

Bergoglio torna-se o primeiro latino-americano a ocupar o cargo máximo na hierarquia da Igreja, o que para teólogos pode trazer ares de renovação no sistema de administração do Vaticano, que passa por duras críticas após os recentes escândalos de lavagem de dinheiro e crimes sexuais. 

Atualmente, ocupam cargos de alta patente dentro da estrutura do estado muitos italianos, que atuam na área administrativa. De acordo com o próprio site do Vaticano, o Estado é governado como uma monarquia absoluta, ou seja, o chefe de estado, o papa, possui poderes executivo, legislativo e judicial. Durante o período de sucessão de um papa para outro, estes poderes são exercidos pelo Colégio de Cardeais. Sendo assim, o papa Francisco tem livre influência para nomear para os altos cargos do Vaticano, possibilitando uma renovação do quadro administrativo e político.

O secretário geral Governatoratre da Cidade do Vaticano, Giuseppe Sciacca, foi nomeado para o cargo em setembro de 2011, enquanto o atual presidente da Governatoratre da Cidade do Vaticano, Giuseppe Bertello, assumiu a posição em outubro do mesmo ano. Já o Presidente-emérito, cardeal Giovanni Lajolo, foi Presidente do Governatorato da Cidade do Vaticano de 2006 a 2011, e desde então ocupa o atual cargo. 

Dos sete integrantes da Pontifícia Comissão para o Estado do Vaticano, por exemplo, cinco são italianos, um é francês, e outro argentino. Chama atenção o fato de um italiano, o Cardeal Giovanni Battista, ocupar o cargo de Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, e não alguém nascido na região.

Apesar disso, especialistas e vaticanistas afirmam que há uma gradual internacionalização dos postos de trabalho no Vaticano desde os tempos do papa João Paulo II e a escolha do papa Francisco pode dar novos contornos à atual gestão.

Posições firmes

Segundo Maria Clara Bingemer, teóloga e professora do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio e articulista do Jornal do Brasil, o papa Francisco, que atuou por muitos anos à frente da  arquidioceses de Buenos Aires, na Argentina, é um homem firme em suas decisões e posições. A especialista acredita que é preciso aguardar para saber como será feita a nomeação dos assessores imediatos, e assegura que o conclave é soberano em suas decisões: 

"Os nomes falados pela mídia não deram conta do resultado. Acho que a mídia não consegue penetrar esse segredo que a Igreja guarda. Tanto o cardeal Odilo e Scola, que estavam entre os mais cotados, não foram escolhidos. Acho que tudo se decide mesmo entre os cardeais", afirmou. Dos 115 que participaram do conclave, 25 são italianos, segundo o site do Vaticano.

Edson Sampel, doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do “Vaticano, e professor da PUC-SP, faz coro à teóloga e afirma que “não há lugar” para tal disputa política no conclave. “O voto é secreto. Sua natureza (do conclave) é diferente, não é puramente política. Os cardeais estão em clima de oração. Isso faz com que a situação toda tenha uma característica diferente”, destacou. 

Bingermer e Sampel ainda acrescentam que a escolha de um jesuíta representa uma característica de manter fidelidade à Igreja. “Não haverá mudanças descabeladas. A identidade da Igreja será protegida com Francisco. Imagino que ele tenha uma linha teológica moderada, que deve dar continuidade à que seguia Bento XVI. Ele não dará passos imprudentes nem despreparados”, projetou a professora da PUC-RJ. 

Ambos concordam que existem princípios da fé católica que não podem ser mudados, por se correr o risco de distorcer todo o pensamento. Sambel acredita que o movimento que denomina de “protestantização da Igreja Católica”, que, em suas palavras, seria uma menor ênfase a temas tipicamente inerentes à doutrina católica e à relativização de seu conteúdo, será combatido pelo novo papa. 

“A Igreja não pode mudar essas questões polêmicas, porque toda a interpretação que ela faz do livro vem de Jesus. Um papa que aceitasse (tais mudanças), seria herege e deixaria de ser papa. Agora, o que um papa deve fazer é sempre recrudescer o diálogo, encontrar novas formas de comunicação do evangelho”, avaliou Sambel. 

O Padre Sérgio Cavalcante Muniz, doutor em Antropologia Teológica e professor da faculdade de Teologia do Mosteiro de São Bento, ressaltou a firmeza do novo papa nos atritos que teve com o governo argentino em questões relacionadas ao matrimônio homossexual. 

Segundo ele, a internacionalização dos cargos no Vaticano não tem privilegiado apenas italianos, embora seja natural, pela localização e relação histórica do país com a Igreja, que haja mais italianos dentro do quadro.

Padre Sérgio também avalia que o fato de ser eleito um papa latino-americano demonstra um reconhecimento do continente pela Igreja, tanto pelo número de fiéis quanto à sua vitalidade. “A igreja na América Latina tem um papel importante, é vista com seriedade e prestígio. Essa escolha demonstra a esperança depositada”, avaliou.