sexta-feira, 29 de março de 2013

Oposição torce para Campos rachar base de Dilma, e PT vê planos para 2018

PPS e PSDB garantem que veem de maneira positiva candidaturas do governador de Pernambuco e da ex-senadora Marina Silva ao Planalto em 2014

Por: Eduardo Maretti, no Rede Brasil Atual 

eduardo_camposO governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), está cada vez mais próximo de encarnar uma “terceira via” no processo que desencadeará na eleição presidencial de 2014. Embora as lideranças próximas de Campos procurem desconversar quando questionadas se ele, enfim, será candidato à sucessão da presidenta Dilma Rousseff, o PSDB torce para ele assumir a candidatura e setores do PT acreditam que ele de fato vai entrar na disputa. Não é segredo que Campos tem se movimentado intensamente e estabelecido diálogo com diversas frentes, como o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab, PTB, PDT e até com o ex-governador paulista José Serra (PSDB).

Uma propalada aproximação entre Serra e Eduardo Campos foi comentada como um dos elementos novos do tabuleiro político nas últimas semanas. “São só prospecções, apenas conversas. Na política, nada mais normal essas movimentações, articulações, prospecções. Não se tem nada definido”, diz o presidente do PSB no Distrito Federal, Marcos Dantas. Porém, ele dá uma pista: “Sempre lembrando que é legítimo o partido ter candidaturas, para que cargo for, se o partido tiver legitimidade para pleiteá-la”.

Para o deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), o caminho do governador pernambucano parece claro. “Acho que Eduardo tende a ser candidato. Ao que tudo indica, ele aposta que, sendo candidato agora, coloca o nome no quadro nacional e tem a oportunidade de se divulgar nacionalmente, tendo em vista 2018. Ele se coloca agora para já estar na cena nacional em 2018”, analisa.

O também deputado federal Marcus Pestana, presidente do PSDB de Minas Gerais, não nega que torce pela candidatura de Eduardo Campos. “Aécio tem dito, e a nossa opinião é que a candidatura Campos interessa ao Brasil, é bom para a democracia, e para nós eleitoralmente. Queremos e torcemos muito para que se cristalize a candidatura dele e da Marina”. De acordo com o parlamentar mineiro, com isso o cenário é sobretudo “bom para o Brasil”, por configurar um “quadro plural, até como vacina contra essa visão totalitária de um segmento importante do PT que acha que só há uma forma de ver o Brasil”.

Pestana reconhece que a torcida pelo “sim” do governador pernambucano seria muito bem-vinda para os planos do PSDB. “Quem está preocupado com o Eduardo é a Dilma e o PT, porque ele divide a região mais importante eleitoralmente deles (Nordeste) e a base do governo”.

O deputado federal Roberto Freire (PPS-SP) já enxerga, inclusive, rachaduras na base governista. “O cenário, com a possibilidade do Eduardo Campos, muda substantivamente. Porque de qualquer forma é um sinal muito forte de que a base governamental começa a sofrer abalos. Se Campos for candidato, não será do governo”, especula. Para Freire, a situação mudou. “A base do governo começa a ter problemas, a se desestruturar. Se Eduardo vier a ser candidato significa uma defecção grande no governo.”

Berzoini vê o cenário de outra maneira. “O governador de Pernambuco vai disputar tanto o voto da base do governo como também os votos do Aécio. Pelo perfil dele, pela necessidade de ficar, digamos, numa zona cinzenta entre situação e oposição”, prevê o petista. “Ele não tem como dizer que é oposição porque participou como ministro e governador apoiado por Dilma e Lula. Não tem como dizer que é situação porque, se fosse situação, seria só apoiar a Dilma.” O petista acredita que a estratégia de Eduardo Campos será baseada num discurso do tipo “eu apoiei esse governo mas tenho outro programa para o país”. Para ele, a “aposta de Eduardo Campos tem dois planos: um plano 2018 e o plano 2014, mesmo sendo mais remoto”.

José Serra

“O PPS já disse que o recebe, por considerá-lo uma das grandes lideranças que a esquerda democrática brasileira tem.” A frase foi a resposta do deputado federal Roberto Freire à pergunta se o ex-governador José Serra estaria prestes a desembarcar no seu partido. Porém, Freire diz não ter informações sobre uma eventual movimentação de Serra rumo ao PPS ou no sentido de, se sair do PSDB, disputar não a presidência da República, mas o governo de São Paulo. “Essa hipótese não tem, até porque o PPS está muito bem na aliança com o governador Geraldo Alckmin. O partido está no governo Alckmin e não tem nenhuma ideia de não continuar.”

O mineiro Marcus Pestana diz que a questão Serra está resolvida. Segundo ele, a principal mostra disso foi o congresso realizado pelo partido na segunda-feira, em São Paulo, quando o tucanato paulista recepcionou o quase certo candidato tucano à presidência Aécio Neves. 

“As pessoas mais próximas ao Serra estavam no evento de São Paulo. O senador Aloysio [Nunes Ferreira], que fez um excepcional discurso no evento, o político mais importante e mais próximo ao Serra, que tem sido um grande parceiro. O [deputado federal] Mendes Thame estava lá, o (vereador) Andrea Matarazzo, todo o conjunto de pessoas mais próximas ao Serra do PSDB paulista. O espírito de todos é unidade”, diz Pestana. “O Serra vai voltar dos Estados Unidos e vai amadurecer o papel que ele quer ter nesse projeto.”