quinta-feira, 18 de abril de 2013

Amigos!

Por: Eliseu

Nunca fui adepto aos “dias especiais”. Explico: dia da mães, dia dos pais, dos professores e outras infinidades de “dias”, por dois fortes motivos: as datas, principalmente o dia das mães (campeão absoluto de vendas) viraram apenas mais uma forma de apelo comercial e porque penso que dias das mães e todos os outros devem ser todos os dias do ano.

Hoje é comemorado o dia do amigo. Pois bem, mando um grande abraço a todos os meus amigos, os poucos que restaram de velhos tempos e aos novos amigos que chegaram. Não vou citar nomes para evitar cometer injustiças, mas deixo aqui uma música do grande Oswaldo Montenegro que serve de reflexão sobre amigos.

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assovia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Link: http://www.vagalume.com.br/oswaldo-montenegro/a-lista.html#ixzz2QrDq2Cgr

Um grande abraço a todos.

Eliseu.

Charge Online do Bessinha # 430

Bessinha #430

Na hora de fazer não gritou

Essa frase, ouvida por muitas mulheres na hora do parto, é uma das tantas caras da violência obstétrica que vitima uma em cada quatro mulheres brasileiras. Eu fui uma delas

No: Pública

gravidaEu tive meu filho em um esquema conhecido por profissionais da área da saúde como o limbo do parto: um hospital precário, porém maquiado para parecer mais atrativo para a classe média, que atende a muitos convênios baratos, por isso está sempre lotado, não é gratuito, mas o atendimento lembra o pior do SUS, porém sem os profissionais capacitados dos melhores hospitais públicos nem a infraestrutura dos hospitais caros particulares para emergências reais. Durante o pré-natal, fui atendida por plantonistas sem nome. Também não me lembro do rosto de nenhum deles. O meu nome variava conforme o número escrito no papel de senha da fila de espera: um dia eu era 234, outro 525. Até que, durante um desses “atendimentos” a médica resolveu fazer um descolamento de membrana, através de um exame doloroso de toque, para acelerar meu parto, porque minha barriga “já estava muito grande”. Saí do consultório com muita dor e na mesma noite, em casa, minha bolsa rompeu. Fui para o tal hospital do convênio já em trabalho de parto.

Quando cheguei, me instalaram em uma cadeira de plástico da recepção e informaram meus acompanhantes que eu deveria procurar outro hospital porque aquele estava lotado. Lembro que fazia muito frio e eu estava molhada e gelada, pois minha bolsa continuava a vazar. Fiquei muito doente por causa disso. Minha mãe ameaçou ligar para o advogado, disse que processaria o hospital e que eu não sairia de lá em estágio tão avançado do trabalho de parto. Meu pai quis bater no homem da recepção. Enquanto isso, minhas contrações aumentavam. Antes de ser finalmente internada, passei por um exame de toque coletivo, feito por um médico e seus estudantes, para verificar minha dilatação. “Já dá para ver o cabelo do bebê, quer ver pai?” mostrava o médico para seus alunos e para o pai do meu filho. Consigo me lembrar de poucas situações em que fiquei tão constrangida na vida. Cerca de uma hora depois, me colocaram em uma sala com várias mulheres. Quando uma gritava, a enfermeira dizia: “pare de gritar, você está incomodando as outras mães, não faça escândalo”. Se eu posso considerar que tive alguma sorte neste momento, foi o de terem me esquecido no fim da sala, pois não me colocaram o soro com ocitocina sintética que acelera o parto e aumenta as contrações, intensificando muito a dor. Hoje eu sei que se tivessem feito, provavelmente eu teria implorado por uma cesariana, como a grande maioria das mulheres.

Não tive direito a acompanhante. O pai do meu filho entrava na sala de vez em quando, mas não podia ficar muito para preservar a privacidade das outras mulheres. A moça que gritava pariu no corredor. Até que uma enfermeira lembrou de mim e me mandou fazer força. Quando eu estava quase dando a luz, ela gritou: “pára!” e me levou para o centro cirúrgico. Lá me deram uma combinação de anestesia peridural com raquidiana, sem me perguntar se eu precisava ou gostaria de ser anestesiada, me deitaram, fizeram uma episotomia (corte na vagina) sem meu consentimento – procedimento desnecessário na grande maioria dos casos, segundo pesquisas da medicina moderna – empurraram a minha barriga e puxaram meu bebê em um parto “normal”. Achei que teria meu filho nos braços, queria ver a carinha dele, mas me mostraram de longe e antes que eu pudesse esticar a mão para tocá-lo, levaram-no para longe de mim. Já no quarto, tentei por três vezes levantar para ir até o berçário e três vezes desmaiei por causa da anestesia. “Descanse um pouco mãezinha” diziam as enfermeiras “Sossega!” Eu não queria descansar, só estaria sossegada com meu filho junto de mim! O fotógrafo do hospital (que eu nem sabia que estava no meu parto) veio nos vender a primeira imagem do bebê, já limpo, vestido e penteado. Foi assim que eu vi pela primeira vez o rostinho dele, que só chegou para mamar cerca de 4 horas depois.

Faz exatamente nove anos que tudo isso aconteceu e hoje é ainda mais doloroso relembrar porque descobri que o que vivi não foi uma fatalidade, ou um pesadelo: eu, como uma a cada quatro mulheres brasileiras, fui vítima de violência obstétrica.

UMA EM CADA QUATRO MULHERES SOFRE VIOLÊNCIA NO PARTO

O conceito internacional de violência obstétrica define qualquer ato ou intervenção direcionado à mulher grávida, parturiente ou puérpera (que deu à luz recentemente), ou ao seu bebê, praticado sem o consentimento explícito e informado da mulher e/ou em desrespeito à sua autonomia, integridade física e mental, aos seus sentimentos, opções e preferências. A pesquisa“Mulheres brasileiras e Gênero nos espaços público e privado”, divulgada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo, mostrou que uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto. As mais comuns, segundo o estudo, são gritos, procedimentos dolorosos sem consentimento ou informação, falta de analgesia e até negligência.

Mas há outros tipos, diretos ou sutis, como explica a obstetriz e ativista pelo parto humanizado Ana Cristina Duarte: “impedir que a mulher seja acompanhada por alguém de sua preferência, tratar uma mulher em trabalho de parto de forma agressiva, não empática, grosseira, zombeteira, ou de qualquer forma que a faça se sentir mal pelo tratamento recebido, tratar a mulher de forma inferior, dando-lhe comandos e nomes infantilizados e diminutivos, submeter a mulher a procedimentos dolorosos desnecessários ou humilhantes, como lavagem intestinal, raspagem de pelos pubianos, posição ginecológica com portas abertas, submeter a mulher a mais de um exame de toque, especialmente por mais de um profissional, dar hormônios para tornar o parto mais rápido, fazer episiotomia sem consentimento”.

“A lista é imensa e muitas nem sabem que podem chamar isso de violência. Se você perguntar se as mulheres já passaram por ao menos uma destas situações, provavelmente chegará a 100% dos partos no Brasil” diz Ana Cristina, que faz parte de um grupo cada vez maior de mulheres que, principalmente através de blogs e redes sociais, têm lutado para denunciar a violência obstétrica tão rotineira e banalizada nos aparelhos de saúde.

“Algumas mulheres até entendem como violência, mas a palavra é mais associada a violência urbana, física, sexual” diz a psicóloga Janaína Marques de Aguiar, autora da tese “Violência institucional em maternidades públicas: hostilidade ao invés de acolhimento como uma questão de gênero” que entrevistou puérperas (com até três meses de parto) e profissionais de maternidades públicas de São Paulo. “Quando a gente fala em violência na saúde, isso fica difícil de ser visualizado. Porque há um senso comum de que as mulheres podem ser maltratadas, principalmente em maternidades públicas” acredita. E dá alguns exemplos: “Duas profissionais relataram, uma médica e uma enfermeira, que um colega na hora de fazer um exame de toque em uma paciente, fazia brincadeiras como ‘duvido que você reclame do seu marido’ e ‘Não está gostoso?”

Em março de 2012, um grupo de blogueiras colocou no ar um teste de violência obstétrica, que foi respondido de forma voluntária por duas mil mulheres e confirmou os resultados da pesquisa da Fundação Perseu Abramo. “Apesar de não terem valor científico, os resultados mostraram que 51% das mulheres estava insatisfeita com seu parto e apenas 45% delas disse ter sido esclarecida sobre os todos os procedimentos obstétricos praticados em seus corpos” lembra a jornalista mestre em ciências sociais Ana Carolina Frazon, uma das coordenadoras da pesquisa. “Nós quisemos mostrar para outras mulheres que aquilo que elas tinham como desconforto do parto era, na verdade, a violação de seus direitos. Hoje nós somos protagonistas das nossas vidas e quando chega no momento do parto, perdemos a condição de sujeito” opina Ana Carolina.

Desse teste nasceu o documentário “Violência Obstétrica – A voz das brasileiras” (que você pode assistir no fim da matéria) com depoimentos gravados pelas próprias mulheres sobre os mais variados tipos de humilhação e procedimentos invasivos vividos por elas no momento do parto. Uma das participantes diz que os profissionais fizeram comentários “sobre o cheiro de churrasco da barriga durante a cesárea”.

Mas talvez o relato mais triste seja o da mineira Ana Paula, que após planejar um parto natural, foi ao hospital com uma complicação e, sem qualquer explicação por parte dos profissionais, foi anestesiada, amarrada na cama, mesmo sob protestos, submetida a episiotomia, separada da filha, largada por várias horas em uma sala sem o marido e sem informações. Seu bebê não resistiu e faleceu por causas obscuras. Ana Paula denunciou o falecimento de sua filha ao Ministério da Saúde pedindo uma investigação e em paralelo denunciou a equipe, convênio médico e o hospital que a atenderam ao CRM de Belo Horizonte. Diante do silêncio do Conselho, que abriu uma sindicância em novembro de 2012 e não forneceu mais informações, a advogada de Ana Paula, Gabriella Sallit, entrou com uma ação na justiça.

“O processo da Ana Paula foi o primeiro que trata a violência obstétrica nestes termos. Não é um processo contra erro médico, ou pelo fim de uma conduta médica. É sobre o procedimento, a violência no tratar. É um marco porque é o primeiro no Brasil” explica a advogada. “É uma ação de indenização por dano moral que lida com atos notoriamente reconhecidos como violência obstétrica. Tudo isso tem respaldo na nossa legislação”, diz.

Para prevenir a violência no parto, infelizmente comum, a advogada aconselha que as mulheres escrevam uma carta de intenções com os procedimentos que aceitam e não aceitam durante a internação. “Faça a equipe assinar assim que chegar ao hospital. E antes de sair do hospital, requisite seu prontuário e o do bebê. É um direito que muitas mulheres desconhecem. Isso é mais importante do que a mala da maternidade, fraldas e roupas. Estamos falando de algo que pode te marcar para o resto da vida”.

DIREITOS LEGAIS DESRESPEITADOS NAS MATERNIDADES

Além do nosso código penal e dos vários tratados internacionais que regulam de forma geral os direitos humanos e direitos das mulheres em especial, a portaria 569 de 2000 do Ministério da Saúde, que institui o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento do SUS,  diz: “toda gestante tem direito a acesso a atendimento digno e de qualidade no decorrer da gestação, parto e puerpério” e “toda gestante tem direito à assistência ao parto e ao puerpério e que esta seja realizada de forma humanizada e segura” e a LEI Nº 11.108, DE 7 DE ABRIL DE 2005 garante às parturientes o direito à presença de acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato nos hospitais do SUS. Mas dificilmente essas normas são seguidas, como explica a pesquisadora Simone Diniz (leia entrevista na íntegra), formada em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo, que participou da pesquisa “Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento”, grande e minucioso panorama realizado pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde  – ainda sem data para lançamento.

“O parto é muito medicalizado e muito marcado pela hierarquia social da mulher no Brasil. Para algumas questões de saúde, como para quem tem HIV, precisa de um antiretroviral ou de uma cirurgia, você tem o mesmo procedimento público e privado, existe um padrão do que é considerado como aceitável. Para o parto não. A assistência ao parto para as mulher de menor renda e escolaridade e para aquelas que o IBGE chama de pardas e negras, é muito diferente das mulheres escolarizadas, que estão no setor privado, pagantes. Normalmente as mulheres de renda mais baixa têm uma assistência que não dá nenhum direito a escolha sobre procedimentos. Os serviços atendem essas mulheres para um parto vaginal com várias intervenções que não correspondem ao padrão ouro da assistência, como ficar sem acompanhante e serem submetidas a procedimentos invasivos que não deveriam ser usados a não ser com extrema cautela, como o descolamento das membranas, que é muito agressivo, doloroso, aumenta o risco de lesão de colo e infecções, a  ruptura da bolsa, como aceleração do parto. É uma ideia de produtividade que parte do pressuposto que o parto é um evento desagradável, degradante, humilhante, repulsivo, sujo e que portanto aquilo deve ser encurtado. No setor público é pior, mas é preciso levar em conta que no setor privado, 70% das mulheres nem entra em trabalho de parto, vão direto para cesarianas eletivas”.

CESARIANA DESNECESSÁRIA: MAIS UMA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 

A imposição de uma cesariana desnecessária também tem sido vista pelos pesquisadores e pelas próprias mulheres como uma forma de violência porque além de um procedimento invasivo, oferece mais riscos a curto e longo prazo para a mãe e o bebê. “Hoje nós sabemos que existe muito mais segurança nos partos fisiológicos do que nas cesáreas. Não tenha dúvidas de que elas são um recurso importante que salva vidas quando realmente necessárias. Mas no parto fisiológico o bebê tem menor chance de ir para uma UTI neonatal, de ter problemas respiratórios, metabólicos, infecções, tem o melhor prognóstico de todos” explica Simone Diniz. “O bebê nasce estéril e a medida que ele entra em contato com as bactérias da vagina durante o parto, é colonizado por elas e isso fará com que ele desenvolva um sistema imune muito mais saudável do que se nascer de cesárea e for contaminado por bactérias hospitalares. Esse é conhecimento recente, mas já saíram pesquisas sobre risco diferenciado de asma, diabete, obesidade e uma série de doenças crônicas”.

Apesar do índice máximo de cesarianas aconselhado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) ser o de 15%, o Brasil lidera o ranking na América Latina, segundo a Unicef, com mais de 50% de nascimentos através da cirurgia. O índice sobe consideravelmente quando se olha apenas para os hospitais particulares. Em 2010, 81,83% das crianças que nasceram via convênios médicos, vieram ao mundo por cesarianas. Em 2011, o número aumentou para 83,8%, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Há ainda hospitais particulares como o Santa Joana, em São Paulo, que no primeiro trimestre de 2009 apresentou taxa de 93,18% cesarianas, segundo o  Sistema de Informações de Nascidos Vivos (SINASC). Questionada a respeito, a ANS declarou por meio de assessoria de imprensa que “vem trabalhando, desde 2005, para a diminuição do número de partos cesáreos, mas o problema é bastante complexo e multifatorial, envolvendo a organização do trabalho do médico, dos hospitais e a própria cultura e informação da população brasileira”. Disse ainda que “não existe limite para a realização de partos cesáreos” e que isso depende da indicação médica.

No filme “O Renascimento do Parto”, ainda sem data de estreia no Brasil, mas que já possui uma versão resumida no Youtube, o pediatra Ricardo Chaves questiona: “Eu quero saber o seguinte: nós combinamos com o bebê que ele vai nascer sexta-feira, quatro da tarde? Ele respondeu que tem condição de nascer?”

NOS CONSULTÓRIOS, A PRÁTICA É ASSUSTAR A MULHER 

Os profissionais têm opiniões diferentes a respeito do grande volume de cesarianas. Para a médica obstetra representante do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) Silvana Morandini, “a medicina defensiva está indicando mais a cesárea. Se o bebê tem circular de cordão no pescoço, se é um feto muito grande, se tem placenta marginal, qualquer diagnóstico que possa dar problema, aumenta a prescrição”. Ela chama isso de “conduta defensiva”, por “medo de dar errado”. Silvana também acredita que “o grande número de cesáreas é cultural. A mulher brasileira tem a ideia de que com o parto vaginal vai ficar com o perineo mais flácido”.

Já o obstetra especialista em parto humanizado Jorge Kuhn acredita que “a grande culpada pelo boom de cesarianas foi a mudança do modelo obstétrico. Antigamente o modelo era centrado na obstetriz. O médico era chamado nos casos de complicação. A transformação do parto domiciliar em hospitalar, na década de 1970, aumentou a incidência de cesarianas. É lógico que esse índice também cresceu por outras razões,  como gravidez múltipla, idade avançada e riscos reais ”. Ele explica que outro fator importante foi a entrada dos convênios médicos nos planos de parto. “Eles perceberam que para vender planos de saúde, um bom argumento era o de que a mulher faria o pré-natal com o mesmo médico que faria o parto e isso é a maior cilada. Porque o médico prefere ficar no consultório a sair para ganhar tão pouco. Dizem que a mulher escolhe a cesariana, mas o parto normal é desconstruído no consultório consulta a consulta. Frases como ‘nossa, mas esse bebê está crescendo muito’ dão a conotação subliminar de que a mulher não poderá ter parto normal. Circular de cordão, bacia estreita, feto grande, feto pequeno, pouco líquido, muito líquido, pressão arterial alta, diabetes, nada disso é indicação de cesariana. Foi se criando o conceito de que o corpo da mulher é defeituoso e requer assistência. Que ela precisa ser cortada em cima ou embaixo para poder parir”.

Um médico obstetra com 15 anos de formação, que atende a convênios e preferiu ter sua identidade preservada, confirma a fala de Jorge Kuhn.

Ele explica que com o valor irrisório pago pelos convênios (cerca de 300 reais por parto normal ou cesárea) não compensa para o profissional largar o consultório cheio ou sair de casa de madrugada para passar 10, 12 horas acompanhando um parto normal. “Eu digo para as minhas pacientes logo nas primeiras consultas que se elas optarem por marcar uma cesariana eu farei, mas se optarem por um parto normal vão ter com plantonista”. Para ele, apesar das pesquisas e das indicações internacionais como a da OMS, a cesariana é a melhor opção para a mãe e o bebê. “No hospital particular eu acho que acontece o real parto humanizado. Porque tem uma assistência muito maior. Com 5 para 6 cm de dilatação a gente instala a anestesia, aí a paciente já não sente dor, faz a tricotomia (raspagem dos pêlos) porque é mais higiênico, rompe a bolsa, acelera o trabalho de parto. Minha filha nasceu por cesárea, minhas sobrinhas também. Se eu achasse tão bom o parto normal teria feito. Claro que se o médico marcar a cirurgia para muito antes, o bebê pode nascer prematuro, com problemas respiratórios, pode complicar sua saúde a longo prazo. Mas no parto normal existe mais risco de asfixia e paralisia cerebral. Se você for perguntar, 90% dos filhos de médicos nascem por cesárea”.

Jorge Kuhn, que foi recentemente denunciado pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro e responde a processo no CREMESP por ter declarado em um programa de televisão ser favorável ao parto domiciliar para gestantes de baixo risco, lembra que para o hospital também é muito mais lucrativo e conveniente que se façam cesarianas. “Eles sabem quais são os recursos humanos e materiais que têm em vésperas de feriados, principalmente os mais prolongados, e têm os agendamentos da sala certinhos. Fazer uma cesariana em trabalho de parto resulta em maior custo para o hospital. Quando a mulher ficou tantas horas em trabalho de parto e passa para uma cesárea, isso é um problema. Uma vez eu perguntei para um gestor quanto eu custava, fazendo mais partos normais. Ele disse que o problema é quando meus partos normais viravam cesáreas, porque já tinha gasto tempo e material naquele parto e gastava com a cirurgia. Mas tanto faz em termos de custo. O agendamento que facilita. Nenhum hospital no Brasil tem condições de atender partos normais como a OMS aceita, com no máximo 15% de cesarianas. Não têm estrutura física para isso, é uma formula difícil de fechar. Mas basicamente é uma tríade: comodidade dos médicos e hospitais, indiferença das mulheres e mercado. Sempre é uma questão de dinheiro”.

Ana Cristina acrescenta que quanto mais complicado for o parto, mais lucro o hospital terá. “anestesia, cirurgia, drogas, antibióticos, compressas, equipamento, equipe de enfermagem. Se rolar uma UTI neonatal por dois dias, já vai mais uma boa grana, quase a de um parto. E esses equipamentos todos da UTI estão pagos, precisam ser usados para gerar lucro. A UTI custa muito caro. Então qual é o problema? É que nós estamos colocando bebês para nascer em uma estrutura muito cara, que precisa se pagar”.

Para incrementar, alguns hospitais particulares oferecem alguns “extras” a seus pacientes, conta Simone Diniz. “Existe uma coisa chamada ‘janela de plasma’, que fica no centro cirúrgico e dá para um pequeno auditório anexo. É uma janela opaca que fica transparente quando o bebê nasce e o médico pode apresentá-lo à plateia. Algumas famílias fazem festas, com serviço de catering etc. Isso não pode acontecer em um parto normal, certo? Precisa ser agendado com antecedência. Aí você vê como hoje o parto fisiológico é subversivo, porque subverte toda essa lógica hospitalocêntrica”.

ALTERNATIVA SUBVERSIVA

O modelo alternativo, hoje conhecido como parto humanizado, se baseia em exemplos usados há muitos anos em países como Holanda e Alemanha, e é centrado na autonomia da mulher, pensando o parto como algo fisiológico, natural, com pouca ou nenhuma intervenção médica. O direito da mulher sobre o seu próprio parto também é uma das principais bandeiras de um movimento feminino que cresce a cada dia no Brasil, principalmente através de blogs e articulações por redes sociais.

No filme inglês Freedom For Birth, que conta a história da parteira húngara Ágnes Geréb, processada criminalmente e condenada a dois anos de prisão porque, até 2011, não havia regulamentação para os profissionais que assistiam partos domiciliares, a antropóloga americana Robbie Davis-Floyd critica o modelo atual, em que o corpo da mulher é tratado como uma máquina, e o parto como um processo mecânico disfuncional, que precisa das intervenções médicas para trazer o bebê ao mundo porque não confia na fisiologia natural do parto. Em seu estudo “Birth as an American rite of passage (1984)” ela lembra que o parto, até pouco tempo, era vivido como algo exclusivamente feminino e privado, com as mulheres dando a luz em suas casas amparadas por outras mulheres: parteiras, mães, amigas mais experientes. A ideia de “mulher empoderada”, que escolhe onde, como e com quem quer parir, ou no mínimo opina a quais procedimentos quer ou não se submeter é o centro deste pensamento.

O parto humanizado pode acontecer em casas de parto, em casa (somente para gestantes de baixo risco) e até em salas especiais que muitos hospitais estão criando com esta finalidade. A equipe geralmente é reduzida, com uma enfermeira obstetra (ou médico que siga esta filosofia), um neonatologista e uma doula – profissional treinada a dar suporte físico e emocional à mulher desde o pré-natal. Na hora do parto, a doula orienta sobre exercícios e posições, respiração e fornece um arsenal de recursos não farmacológicos para alívio dor, como massagens, bolas, óleos, exercícios e banhos. A mulher pode comer, tomar água, andar e ficar na posição que se sentir mais a vontade para parir. Cada vez mais mulheres têm optado por este modelo, mas nem todas têm acesso. Um parto domiciliar custa de 5 a 10 mil reais (somando os honorários de todos os profissionais). No hospital, além da equipe, é preciso pagar a internação em pacotes de parto, que podem custar em média mais 8 mil reais.

Apesar de em 2011 o governo federal ter lançado a Rede Cegonha, que tem como objetivo humanizar o parto e criar casas de parto normal integradas ao SUS, ainda há poucas opções e somente em grandes centros urbanos – até 2014, segundo o Ministério da Saúde, serão 200 em todo o país. Com pouca ou nenhuma divulgação, sobram leitos em muitas delas. A Casa de Parto de Sapopemba em São Paulo, por exemplo, referência no atendimento a gestantes de baixo risco, não só não é divulgada, como não se consegue entrevistar os profissionais que atendem na Casa. Alertada por colegas jornalistas, eu tentei entrar em contato através da assessoria de imprensa da prefeitura mas não obtive resposta, apesar da insistência. Durante a reportagem, conheci uma enfermeira obstétrica que foi demitida por ter concedido entrevista a um jornal sem autorização. Uma reserva que faz lembrar o que acontece com os programas de redução de danos – cala-se a respeito para evitar polêmica, ou a adesão excessiva em relação às dimensões previstas por essas políticas públicas.

Simone Diniz conta que a própria mulher que resolve esperar o trabalho de parto é hostilizada. “As pesquisas indicam que entrar em trabalho de parto aumentam muito o risco de você sofrer violência. É muito interessante o grau de hostilização da mulher em trabalho de parto. No setor privado, acham o fim da picada que aquela mulher queira dar trabalho para eles. Uma mulher contou que como insistiu muito com o médico que queria parto normal, ele indicou um psicólogo dizendo que ela tinha traços masoquistas!” O Conselho Federal de Medicina é totalmente contra o parto domiciliar. Assim como os conselhos regionais que quiseram caçar o registro de Jorge Kuhn. O Conselho de Enfermagem (COFEN) também tentou por muito tempo fechar o novo curso de obstetrícia da USP Leste, mas desde dezembro de 2012, o curso ganhou, através de liminar do Ministério Público, não só o direito ao funcionamento como ao registro específico no COFEN.

POR MIM VOCÊ PODE CORTAR A MULHER EM QUATRO…

Essa “caça às bruxas do parto humanizado” não é exclusividade brasileira – vide Àgner Gereb. Jorge Kuhn conta que quando chegou ao Brasil após uma temporada aprendendo sobre parto humanizado na Alemanha, foi procurar os gestores de grandes hospitais para implantar essas técnicas de redução de cesarianas, mas que foi recebido com declarações como “por mim você pode cortar a mulher em quatro desde que me entregue um bebê bom”. Ainda assim, o obstetra é otimista: “O filósofo Schopenhauer dizia que toda verdade passa por três estágios: No primeiro, ela é ridicularizada. No segundo, é rejeitada com violência. No terceiro, é aceita como evidente por si própria. Estamos no segundo estágio”.

Outra alternativa bonita para quem procura por um parto “empoderado” (no sentido de dar poder à mulher sobre o parto) é a Casa Ângela, em São Paulo. Criada pela Associação Comunitária Monte Azul, a Casa de Parto, instalada na periferia da zona sul da cidade, se mantém com financiamentos de parceiros nacionais e internacionais e, desde o começo de 2012, faz uma média de 10 partos por mês, e acompanha mais de 250 mães e bebês. O nome homenageia a parteira alemã Ângela Gehrke, que nas décadas de 1980 e 1990, atendeu a mais de 1500 mulheres da favela Monte Azul e foi referência de parto humanizado no Brasil. Ângela morreu de um câncer em 2001 mas o trabalho com a comunidade foi retomado alguns anos depois.

A casa é linda, iluminada, arejada e no dia que visitei, um cheiro de bolo assando perfumava o ambiente. Nada ali lembrava o ambiente hospitalar. Anke Riedel, obstetra coordenadora do projeto, me conta que por causa da grande procura de mulheres de outras regiões e até outras cidades, a casa criou um plano de sobrevivência, no qual cobra um pequeno valor para quem não é da comunidade. O pacote padrão, que inclui o pré-natal, a triagem para fatores de risco no parto (as regras são rígidas e somente as gestantes que não apresentam riscos podem ser atendidas na casa), o parto e o acompanhamento do puerpério e do bebê por um pediatra, custa 3.500 reais, que pode ser negociado conforme as condições financeiras do casal. “Como não recebemos qualquer ajuda do governo, essa foi a forma que encontramos de manter a casa e poder atender às gestantes, além do apoio dos parceiros”. Na equipe, obstetrizes atendem às gestantes e, em casos de urgência, a casa possui equipamento e ambulância próprios para remoções para hospitais próximos. Segundo Anke, algumas vezes estas remoções acontecem, mas nunca houve uma de urgência.

EM VEZ DE MACA E SORO, UMA LEOA COM O BEBÊ NOS BRAÇOS

Fui convidada a conhecer Aline, de 26 anos e seu marido Marcos, da mesma idade, moradores da comunidade que tiveram seu bebê na casa na noite anterior. Quando entrei no quarto, a primeira surpresa. Nada de maca ou soro. Apenas um casal deitado em uma cama com o bebê nos braços, com luz baixa e largos sorrisos no rosto. Aline me mostrou a pequena Sofia, que veio ao mundo sem qualquer intervenção médica ou farmacológica. Ela conta que o bebê nasceu na banheira, à luz de velas e música ambiente, com o marido fazendo massagem e ajudando nas posições. Que se apaixonou pela Casa assim que conheceu a proposta e que durante o pré-natal, ela foi bem orientada e tratada pelo nome, ao contrário do atendimento no posto de saúde em que era uma “mãezinha”.

Um nó aperta minha garganta, é impossível não fazer comparações. Marcos diz que estava orgulhoso da mulher, que mais parecia uma leoa poderosa no parto. Compara ao que já tinha visto na televisão ou nas novelas: “Aquelas mulheres gritando, deitadas, aquele desespero. Nada disso aconteceu. Teve hora que a enfermeira abraçava, dava beijo na testa dela, esse afeto fez diferença. No hospital você fica vendo seu parto acontecer.” Flashes do meu parto não param de vir à mente. Sou feliz por Aline e Marcos. E muito revoltada por mim mesma. Vendo e ouvindo essas histórias de amor, assistindo a vídeos de partos humanizados, dignos, nos quais as mulheres foram protagonistas do nascimento dos seus filhos, só posso chegar a uma conclusão: Violaram meu momento. Roubaram meu parto de mim.

Mapa da Violência obstétrica: denúncias pela internet

Depois de um parto traumático e extremamente violento e um segundo humanizado, empoderado e em casa, Isabella Rusconi e Carlos Pedro Sant’Ana criaram o Mapa da Violência Obstétrica. A ferramenta é inédita no Brasil e permite ao internauta denunciar onde e quais tipos de violência obstétrica sofreu. “Acredito que um dos melhores modos de ter uma leitura real de um problema é mapeando situações, dando uma leitura gráfica do problema para facilitar a sua compreensão” explica Carlos. “Embora seja um problema invisível para muita gente —principalmente para os homens— e silenciado por muitas mulheres —por vergonha ou por desconhecimento de que foi vitima— é necessário mostrar que é uma realidade agressiva no Brasil e mostrar que existem alternativas, que é necessário criar um novo sentido de respeito humano e mudar o modo como lidamos com o parto. Talvez mostrando relatos de vitimas da violência obstétrica, possamos chegar a outras mulheres que passaram por essa violência sem o saber ou sem o reconhecer, e as arrancar de sua Síndrome de Estocolmo”…

Quanto custa nascer no Brasil? *

SUS – grátis, independente do tipo de parto

Hospitais particulares com médicos particulares – de 10 a 30 mil reais o pacote de parto que inclui equipe médica e internação.

Independente do tipo de parto (cesárea, normal ou humanizado). Se houver complicações no parto, mãe ou bebê precisarem de UTI o valor pode triplicar.

Hospitais particulares, via convênio médico – cesáreas marcadas muitas vezes são cobradas à parte, no valor médio de 3 mil reais. Cesáreas em trabalho de parto e partos normais geralmente são atendidos por plantonistas e não são cobrados à parte.

Parto domiciliar (com o mínimo de intervenções para gestantes de baixo risco) com enfermeira obstétrica e doula – de 3 mil a 5 mil reais em média ; Com médico e doula – 10 a 15 mil reais

Parto em casa de parto humanizado ONG – cerca de 3 mil reais incluindo pré-natal, parto com enfermeira obstetra e atendimento pós parto com pediatra durante o puerpério.

Quanto ganham os médicos

Particulares (independente do tipo de parto) – de 8 mil a 20 mil reais por procedimento.

SUS (por plantão, período de 12 horas) – R$ 700 (valor médio)

Saúde suplementar –R$ 300 por parto normal e R$ 240 por cesariana (valores médios)

*Fontes: ANS, MS e profissionais de saúde

Charge Online do Bessinha # 429

Bessinha #429

Brasiguaios dizem viver “momento de euforia” e defendem volta do Paraguai ao Mercosul

Para agricultores não há preferência entre candidato colorado ou liberal, ambos contra tentativa de reforma agrária de Lugo

Por: Vitor Sion, do OperaMundi | No Rede Brasil Atual 

brasiguaiosA três dias da eleição presidencial paraguaia, o país vive um momento de indefinição decorrente da pequena diferença de intenção de voto entre os candidatos Horacio Cartes, do Partido Colorado, e Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA). Há uma parcela da população, no entanto, que parece não se importar com o resultado de domingo (21) e já se considera vitoriosa: os brasiguaios.

Críticos do ex-presidente Fernando Lugo, que tentou impulsionar uma reforma agrária e deixou o poder com o golpe de Estado de junho de 2012, os brasileiros que vivem no Paraguai e seus descendentes classificam Cartes e Alegre como "bons candidatos".

“Ambos representam e promovem ideias de acordo com o direito a propriedade privada. Estamos vivendo um momento de euforia poucas vezes visto no Paraguai”, afirma Marcelo Balmelli, que vive em Santa Rosa del Monday, a cerca de 60 quilômetros da tríplice fronteira.

A Central Nacional do Cooperativas, que reúne 5 mil produtores agrícolas, sendo mais da metade brasiguaios, adota discurso mais crítico aos dois favoritos, que representam os maiores partidos políticos do país. “Os brasiguaios dizem que estão mais tranquilos agora, mas para o sindicato não mudou muito. Aqui a insegurança jurídica é uma situação histórica, mas que se intensificou durante o governo Lugo”, explica a presidente da entidade, Simona Cavazzutti.

Cavazzutti lamenta o descaso com que os agricultores são tratados no país. “Ouvimos muitas propostas no período eleitoral, mas nunca tivemos uma relação fluida com o governo. Temos que nos encarregar de tudo, porque eles não apoiam o setor produtivo: não oferecem crédito para agricultura, como no Brasil, não há infraestrutura, logística, nem apoio ao comércio exterior”.

Retorno ao Mercosul e à Unasul

Dez meses depois de o Paraguai ser suspenso do Mercosul e da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), há importantes setores no país que argumentam contra o retorno a esses blocos. Para esses paraguaios, que compõem a elite local, a suspensão não trouxe prejuízo para o país. A opinião dos agricultores brasiguaios, no entanto, é oposta.

“O Paraguai tem que voltar ao Mercosul e ter relações normais com todos os países. Já fui barrada de reuniões de cooperativas na Argentina e no Brasil. Isso não foi nada agradável e atrapalha o desenvolvimento e os resultados do setor”, explica Cavazzutti. Os principais produtos desenvolvidos pelos brasiguaios são soja, trigo, milho e leite.

Charge Online do Bessinha # 428

Bessinha #428

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Um Feliciano piorado na Assembleia mineira

Por: Leandro Fortes, no CartaCapital 

MosconiEnquanto o Congresso Nacional é submetido a um constrangimento diário desde a eleição do deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), pastor evangélico de discurso homofóbico e racista, para o comando da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, um caso semelhante na forma, mas muito mais grave no conteúdo, permanece escondido na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Em 1º de fevereiro, o tucano Carlos Mosconi assumiu pela quarta vez consecutiva a presidência da Comissão de Saúde do Parlamento mineiro. Médico de formação, Mosconi é idealizador da MG Sul Transplantes, ONG que servia de central clandestina de receptação e distribuição de órgãos humanos em Poços de Caldas, no sul do estado. Segundo uma investigação da Polícia Federal, Mosconi chegou a encomendar um rim para o amigo de um prefeito da cidade mineira de Campanha.

Em 19 de fevereiro, o juiz Narciso Alvarenga de Castro, da 1ª Vara Criminal de Poços de Caldas, condenou quatro médicos envolvidos no esquema de compra e venda de órgãos humanos, a chamada “Máfia dos Transplantes”. João Alberto Brandão, Celso Scafi, Cláudio Fernandes e Alexandre Zincone, todos da Irmandade Santa Casa, eram ligados à MG Sul Transplantes. Scafi era sócio de Mosconi em uma clínica da cidade. A ONG era responsável pela organização de uma lista de pacientes particulares que encomendavam e pagavam por órgãos retirados de pacientes ainda vivos. A quadrilha realizava os transplantes na Santa Casa, o que garantia, além do dinheiro tomado dos beneficiários da lista, recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para o hospital.

A máfia de médicos de Poços de Caldas foi descoberta em 2002 por causa do chamado “Caso Pavesi”, que chegou a ser investigado na Câmara dos Deputados pela CPI do Tráfico de Órgãos Humanos, em 2004. Em 19 de abril de 2000, Paulo Veronesi Pavesi, 10 anos de idade à época, caiu de um brinquedo no prédio onde morava e foi levado à Santa Casa. O menino foi atendido pelo médico Alvaro Ianhez, coordenador do setor de transplantes do hospital e, soube-se depois, chefe da central clandestina de tráfico de órgãos. Ianhez é amigo particular do deputado Mosconi, responsável por sua nomeação no hospital.

A partir de uma denúncia do analista de sistemas Paulo Pavesi, pai do garoto, a PF abriu um inquérito e descobriu que a equipe de Ianhez havia decretado a morte encefálica de Paulo quando ele estava sob efeito de substâncias depressivas do sistema nervoso central. Ou seja, teve os rins, o fígado e as córneas retirados quando provavelmente ainda estava vivo. Pavesi pai foi obrigado a pedir asilo na Itália, depois de ser ameaçado de morte por diversas vezes em Minas Gerais. Atualmente, mora em Londres, onde aguarda até hoje o julgamento do caso do filho.

Outros oito casos semelhantes foram descobertos pela PF e pelo Ministério Público Federal durante as investigações. Um deles, o do trabalhador rural João Domingos de Carvalho, foi o que resultou nas condenações de fevereiro passado. Internado por sete dias na enfermaria da Santa Casa, entre 11 e 17 de abril de 2001, Carvalho foi dado como morto quando estava sedado e teve os rins, as córneas e o fígado retirados pelos médicos Fernandes e Scafi. “Era pura ganância, vontade de enriquecimento rápido, sem se preocupar com o sofrimento dos demais seres humanos”, escreveu o juiz Narciso de Castro na sentença que condenou os médicos da Santa Casa a penas de 8 a 11 anos de prisão, em primeira instância. Todos continuarão em liberdade até o julgamento dos recursos.

Pavesi não se amedrontou à toa. Em 24 de abril de 2002, Carlos Henrique Marcondes, administrador da Santa Casa, foi assassinado no dia exato de seu depoimento no Ministério Público sobre a atuação da máfia dos transplantes lotada no hospital. Ele tinha gravado todas as conversas com os médicos envolvidos no tráfico de órgãos e pretendia entregar as fitas às autoridades. Antes de falar, Marcondes foi encontrado morto no próprio carro com um tiro na boca. Segundo um delegado da Polícia Civil da cidade, o ex-PM Juarez Vinhas, tratou-se de suicídio. O caso foi sumariamente arquivado. O laudo pericial constatou, porém, que três tiros haviam sido disparados contra Marcondes, embora apenas um o tenha atingido.órgãos

Mais ainda: a arma usada e colocada na mão da vítima desapareceu do fórum de Poços de Caldas, razão pela qual foi impossível periciá-la. Levado à Santa Casa, o corpo do administrador foi recebido por dois médicos do hospital. Um deles, João Alberto Brandão, foi condenado em fevereiro. O outro, Félix Gamarra, chegou a ser indiciado, mas acabou beneficiado pela lei de prescrição penal, por ter mais de 70 anos de idade. A dupla raspou e enfaixou a mão direita de Marcondes, supostamente usada para apertar o gatilho, de modo a inviabilizar o exame de digitais e presença de resíduos de pólvora. E o advogado da Santa Casa, o também ex-PM Sérgio Roberto Lopes, providenciou a lavagem do carro.

O nome de Mosconi apareceu na trama em 2004, durante a CPI do Tráfico de Órgãos. Convocado pela comissão, o delegado Célio Jacinto, responsável pelas investigações da Polícia Federal, revelou a existência de uma carta do parlamentar na qual ele solicita ao amigo Ianhez o fornecimento de um rim para atender ao pedido do prefeito de Campanha, por 8 mil reais. A carta, disse o delegado, foi apreendida entre os documentos de Ianhez, mas desapareceu misteriosamente do inquérito sob custódia do Ministério Público Estadual de Minas Gerais.

Mosconi foi ouvido pelo juiz Narciso de Castro e confirmou conhecer Ianhez desde os anos 1970. O parlamentar disse “não se recordar” da existência de uma lista de receptores de órgãos da Santa Casa, da qual chegou a ser presidente do Conselho Curador por um período. Sobre a MG Sul Transplantes, que fundou e difundiu, afirmou apenas “ter ouvido falar” de sua existência. Declaração no mínimo estranha. O registro de criação da MG Sul Transplantes, em 1991, está publicado em um artigo no Jornal Brasileiro de Transplantes (volume 1, número 4), do qual os autores são o próprio Mosconi, além de Ianhez, Fernandes, Brandão, e Scafi, todos investigados ou réus do processo sobre a máfia de transplantes de Poços de Caldas.

Procurada por CartaCapital, a assessoria de imprensa de Carlos Mosconi ficou de marcar uma entrevista com o deputado. Até o fechamento desta edição, o parlamentar não atendeu ao pedido da revista.

Charge Online do Bessinha # 427

Bessinha #427

Haddad vai a protesto prometer diálogo com sem-teto na construção de 55 mil moradias

Prefeito de São Paulo desce do gabinete para informar que movimentos de habitação terão acesso a planilhas e que já localizou locais para construção de 99 mil unidades, mais que a meta em quatro anos

No: Rede Brasil Atual

protesto_hadad_moradia_spO prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, surpreendeu hoje (17) ao aparecer no primeiro grande protesto contra sua gestão. Promovido por movimentos de luta por moradia, o ato em frente à sede da administração municipal contou com a participação não programada do petista, que subiu no trio elétrico para garantir que haverá diálogo constante durante a construção das 55 mil unidades habitacionais previstas em seu plano de governo.

“Mapeamos locais em que 99 mil moradias que podem ser construídas. Evidentemente, não em quatro anos. Mas, para construir 55 mil, precisa ter um horizonte maior, até porque alguma coisa pode falhar e você precisa repor de outro lugar”, disse, acrescentando que até o próximo mês já terá mapeado terrenos em área suficiente para 120 mil unidades. “Vamos abrir essa planilha para os movimentos de moradia acompanharem. Porque muitas vezes há desinformação. Gastamos muito tempo desapropriando terrenos e repassando para a Caixa, e os movimentos sequer ficam sabendo. Então, a transparência vai ajudar o diálogo. Uma mesa permanente de acompanhamento.”

Os movimentos de luta por moradia querem que 25 mil moradias sejam construídas pelo modelo de autogestão, em que as organizações da sociedade civil são responsáveis pelo projeto. A leitura é de que este sistema garante apartamentos maiores e mais baratos, o que pode ser viabilizado por meio do Minha Casa, Minha Vida Entidades, braço do programa federal de habitação criado em 2007. “Se for por parceria público-privada, a gente já sabe que não vai atender a essa população e nem vai ter a nossa participação”, disse Donizete Fernandes Oliveira, um dos coordenadores da União dos Movimentos de Moradia (UMM).

Provocou insatisfação a notícia de que 20 mil apartamentos serão construídos no centro em parceria com o governo estadual por meio do programa Casa Paulista. O acordo prevê que município e estado participem com R$ 20 mil cada um por unidade, ante uma contrapartida de R$ 76 mil da administração federal. 

“Estamos discutindo uma política habitacional. É a política habitacional que vai resolver o problema de moradia. Não basta construir casa. É preciso que construa casa, mas tem a política habitacional, termina um governo, outro começa, e dá continuidade à política”, disse o coordenador do Movimento de Moradia do Centro, Luiz Gonzaga, o Gegê.

O prefeito declarou que os programas de governo devem atender a diferentes camadas da população. “A maioria é Habitação de Interesse Social. Agora, não posso trazer para a região central somente a população de uma faixa de renda, senão vou transformá-la em um lugar homogêneo”, disse, após discursar. “Pelo menos metade é para população de baixa renda”, destacou.

Mudanças

Desde que assumiu o cargo, em 1º de janeiro, o prefeito priorizou a aliança com a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades para garantir o cumprimento das metas de moradia. O prefeito ficou insatisfeito com a estrutura herdada da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), que ao longo do mandato dele ficará responsável apenas por dar retaguarda, ajudar a localizar terrenos e fiscalizar o andamento do Minha Casa, Minha Vida na cidade. 

O secretário de Habitação, José Floriano, informou hoje que até junho estarão desapropriados terrenos em quantidade suficiente para a construção de 8 mil moradias, em um valor total de R$ 80 milhões. Ele acrescentou que 14 mil novas unidades estão em processo de construção, e que em breve começam as obras de outras 3 mil. 

O prefeito esclareceu aos integrantes de movimentos que é preciso atender também à população que não está organizada. “Uma família que está em uma situação de risco, mesmo que ela não pertença ao movimento organizado, eu não posso voltar as costas. Então vamos abrir a situação da prefeitura, para que eles com solidariedade entendam que há pessoas que têm direitos também e que precisam ser resguardados.”

Sobre a utilização de edifícios desocupados para a criação de moradias populares, Haddad lembrou que nem todos os prédios são viáveis para esse tipo de projeto. “Eu sou a favor de tributar os prédios vazios com o IPTU progressivo no centro. Às vezes há a impressão de que qualquer imóvel vazio pode ser reformado para receber habitação popular. Não é possível transformar todos em moradia, porque alguns são inviáveis economicamente. É mais fácil construir desapropriando estacionamentos ou sobrados degradados do que reconstruir estes prédios”, disse.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Charge Online do Bessinha # 426

Bessinha #426

Lula tem de ir às ruas e evitar golpe de Joaquim e Gurgel

Por: Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

lulaAfirmo e reafirmo novamente neste espaço: se o ex-presidente Lula e o PT não se prevenirem para passar para o ataque, a direita brasileira que perdeu três eleições presidenciais para os trabalhistas vai amarrar os pés e as mãos dos principais políticos do PT, como se fossem gado de rodeio ou vaquejadas.São nítidas e sonoras as intenções dos senhores Joaquim Barbosa e Roberto Gurgel, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e procurador-geral da República (PGR) no que é relativo às tentativas de investigar o Lula.

A ação não tem o propósito de apenas investigar o ex-mandatário para comprovar ou não seu envolvimento com o mensalão, mas, sobretudo, tem a finalidade política de envolver seu nome nesse processo, e, consequentemente, desqualificá-lo e desconstruí-lo perante a Nação brasileira, que o elegeu duas vezes, bem como votou em sua candidata e atual presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.

O STF e a PGR são há algum tempo os principais interlocutores da poderosa direita brasileira, bem como tratam o processo político deste País como se fosse segmento da sociedade de terceira categoria. Só que não é. É equívoco e petulância, desfaçatez e arrogância de homens togados se arrogarem o direito de estarem acima da escolha politica e eleitoral do povo brasileiro.

A judicialização do processo político e a criminalização de políticos sem provas cabais, como ocorreu no mensalão, o do PT é lógico, são uma afronta à Constituição e ao estado democrático de direito. Eu até acredito que a sociedade brasileira, em um primeiro momento, não perceba o que está a acontecer com os primeiros políticos do campo da esquerda que assumiram, de fato, o governo central.

Vou além. Quando o povo trabalhador brasileiro perceber o que querem fazer com o presidente mais popular da história do Brasil, além de ser o principal político do País e o mais conhecido internacionalmente, as ruas vão ser ocupadas pelas pessoas, que são os trabalhadores que transformaram e enriqueceram este País, bem como votaram duas vezes em Lula para ser presidente da República.

O tempo é curto e por isto o PT e aliados, a exemplo do PCdoB, os milhares de sindicatos e suas federações e confederações do campo e da cidade, as alas progressistas da Igreja Católica, o MST, os estudantes secundários e universitários, as inúmeras associações e cooperativas de trabalhadores, as donas de casa, os aposentados, os pequenos e médios empresários urbanos e rurais e as comunidades pobres das periferias e dos morros que foram, de uma forma ou outra, beneficiados, respeitados e considerados pelos governantes trabalhistas.  

O povo deve ir às ruas para estancar a prepotência, a arrogância, a perversidade e até mesmo a incoerência e a insensatez de homens públicos e sem votos pagos mensalmente pelo dinheiro do contribuinte que resolveram transformar o STF e a PGR em ferramentas e instrumentos de intimidação e perseguição política àqueles que há três eleições derrotam uma direita reacionária, violenta, egoísta, colonizada, provinciana, dona de um incomensurável e inenarrável complexo de vira-lata, além de ser, inquestionavelmente, herdeira da escravidão.

joaquim_barbosaAs acusações a Lula são suposições, mas o senhor Gurgel e alguns membros do STF liderados pelo condestável juiz Joaquim Barbosa, que, usualmente, tem recaídas de Tomás de Torquemada, continuam os seus périplos políticos e nitidamente a se alinharem aos interesses políticos do PSDB e seus nanicos do DEM e do PPS, bem como a terem sempre ao seu lado os porta-vozes de uma imprensa de mercado frontalmente oposicionista aos trabalhistas que há dez anos administram o Brasil, com a aquiescência e o voto do povo brasileiro. Nunca é tarde para lembrá-los.

Marcos Valério, o agente também do mensalão tucano que, ao que parece, nunca vai ser investigado de forma séria para ser julgado pelos juízes conservadores do STF, negociou com o PGR Roberto Gurgel, pois o que interessa a ele é diminuir sua pena de 40 anos. Gurgel quer o Lula, bem como os juízes direitistas de um tribunal que se transformou em um partido conservador.

A direita partidária, empresarial, midiática e judiciária apostam na desconstrução da imagem de Lula, porque sabem muito bem que o político trabalhista é o maior cabo eleitoral do Brasil, enquanto o cabo eleitoral tucano conhecido pelo nome de Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal — não tem força e influência para eleger o síndico do prédio onde mora.

Não há provas contra o ex-presidente Lula. A PGR de Gurgel sabe disso e é por isso que a instituição, de acordo com a imprensa, reuniu-se com quatro juízes do STF, à frente o senhor Joaquim Barbosa. Segundo a mídia conservadora e de caráter histórico golpista, a reunião foi para formular estratégias de como chegar ao Lula, depois acusá-lo, processá-lo, julgá-lo e quiçá prendê-lo.

Lula tem de ser incluído no mensalão, que para mim é o mentirão, agora e já. Dessa forma, haverá tempo para que ele fique a ser desconstruído, imolado e açoitado moralmente até as eleições presidenciais que vão acontecer em outubro de 2014. O mentirão dos José(s) Dirceu e Genoíno foi o combustível usado pelo canhão da direita nas eleições de 2012. Só que eles, mesmo com o apoio da imprensa de negócios privados, perderam a eleição até em São Paulo.

A direita, que nunca deu nada para o povo brasileiro, apenas retirou e o explorou durante 500 anos, quer calar o Lula. O torneiro mecânico e nordestino para ela é abusado e ousado e se atreveu a pisar os tapetes do Palácio do Planalto e sentar na cadeira da Presidência da República.

gurgelO establishment e seus instrumentos de ação politica incrustados no estado brasileiro, a exemplo da PGR e do STF, não quer a distribuição de renda, de riqueza e a emancipação do povo brasileiro. Por trás dessa engrenagem perversa está o dinheiro, a luta pelo dinheiro, cada vez em quantidades maiores, com a finalidade de locupletar os ricos, os muitos ricos e os que são inquilinos do pico da pirâmide social em termos internacionais.

Essa gente demasiadamente endinheirada e patrimonialista não quer perder nada e por isto combate até programas de renda mínima como o Bolsa Família. São os tubarões do planeta, que financiam golpes e contragolpes de estado, cujo objetivo principal é manter o status quo das classes privilegiadas e por isto abastadas e que dominam o poder por intermédio da violência, da intimidação, da denúncia vazia e da desconstrução moral daquele que pensa diferente e coloca em prática seu pensamento, propósitos e ideologia.

Lula não vai ficar quieto dentro da sua casa a ouvir acusações e ilações maldosas, muitas vezes injustas e a levar o dedo na cara. Ele vai às ruas, porque não é salutar remediar ou tergiversar quanto aos fatos e às realidades que se apresentam. A direita é golpista. Ponto. A ética para a direita não passa de uma peça de retórica. E quem geralmente acredita, por má-fé ou não, neste teatro grego é, como sempre, a classe média de índole conservadora e alma ressentida e amarga. Não porque ela odeie tanto os pobres. Mas, sobretudo, porque a classe média sabe, lá no fundo do seu coração, que nunca vai ser rica, apesar de abraçar os valores da burguesia consumista de princípios superficiais.

A sugestão é que Lula saia às ruas e reative as Caravanas da Cidadania”. A luta pela sobrevivência é o princípio fundamental da existência humana. Somos assim e lutamos pelo o que acreditamos. Eu não acredito no STF e na PGR. Entretanto, não preconizo o golpe por ser um homem que acredita na democracia, na legalidade institucional e na Constituição. Por seu turno, acreditar nesses princípios não me faz um covarde e muito menos um pusilânime no que diz respeito a aceitar que a direita promova golpes, manipule as notícias e as realidades e faça da verdade um instrumentos de seus interesses. Lula tem de ira às ruas! É isso aí.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Charge Online do Bessinha # 425

Bessinha #425

Após crime, tucanos querem endurecer penas para jovens

No: CartaCapital 

geraldo-alckminO governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse nesta quinta-feira 11 que o PSDB encaminhará ao Congresso Nacional um projeto de lei pedindo penas mais rígidas para menores de 18 anos. O objetivo é endurecer o Estatuto da Criança e do Adolescente.

“Nós defendemos a mudança da legislação federal no sentido de que, para casos mais graves e reincidentes, o prazo seja bem maior para estabelecer limites. E, de outro lado, quem completou 18 anos de idade não deve ficar na Fundação Casa”, disse Alckmin, segundo o portal G1.

O governador fez as declarações após o assassinato do estudante Victor Hugo Deppman, de 19 anos, em frente à sua casa na Zona Leste da cidade. Um adolescente, que confessou o crime, completará 18 anos na sexta-feira 12, e por isso não deve responder pelos crimes de latrocínio – que, para adultos, variam entre 20 e 30 anos.

“Ele vai ficar apenas três anos na Fundação Casa, e vai sair com a ficha limpa embora seja um caso grave e reincidente”, disse o governador.

Alckmin defendeu que, após completar 18 anos, o jovem sentenciado por crime violento cumpra a pena em uma unidade do sistema penitenciário. Atualmente, ele pode ficar na Fundação Casa até completar 21 anos.

Charge Online do Bessinha # 424

Bessinha #424

Em SP dependentes químicos usam drogas em hospital

Por: Gabriel Bonis, no CartaCapital 

crackUma das alas de um centro de referência em saúde mental em São Paulo está repleta de usuários de drogas. O cenário, no Centro de Atenção Integrada com Saúde Mental (CAISM) Philippe Pinel, foi observado por especialistas em Psicologia e Assistência Social do Ministério Público paulista em março. O local parou de receber pacientes em surto psicótico para destinar seus 63 leitos a pessoas encaminhadas para internação involuntária pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod), uma iniciativa do governo iniciada em 21 de janeiro. Os novos pacientes hoje fazem uso de drogas na instituição e já agrediram membros da equipe médica.

Devido a esse cenário, o órgão anunciou nesta quinta-feira 11 uma ação civil pública contra o estado de São Paulo pedindo a retomada das atividades de origem do CAISM sob a pena de multa de 100 mil reais por ocorrência registrada.

Segundo o MP, o estado não dispõe dos 1.004 leitos anunciados para o tratamento de dependentes químicos e, para atingir esse número, apenas substitui uma população por outra no sistema de saúde. O órgão já começou a verificar se a criação de vagas artificiais também ocorre em outros centros médicos do estado.

Até o início das internações involuntárias, o local atendia apenas pacientes de surtos psicóticos. No começo do ano, a ocupação começou a cair e leitos ficaram ociosos. Até que, em 24 de janeiro, a direção do hospital foi informada que o local passaria a receber dependentes químicos enviados pelo Cratod.

Os novos pacientes chegaram no mesmo dia. Segundo o MP, eles não tinham sequer ficha de anamnese, necessária para saber quais doenças possuíam, como HIV, hepatite ou sífilis.

Criado para ajudar os pacientes a se reconectarem com a sociedade, o CAISM não tem restrições de entrada e saída, ou capacidade de realizar exames complexos. “Os funcionários não sabiam o que fazer porque os dependentes iam conviver com os psicóticos. Uma situação absolutamente inadequada que durou até que todos os psicóticos recebessem alta”, disse Artur Pinto Filho, promotor de Justiça de Direitos Humanos, em coletiva de imprensa.

Mesmo com a mudança repentina, a equipe médica recebeu apenas treinamento para contenção de pacientes. Ainda assim, houve casos de agressão contra funcionários. Em uma tentativa de roubar uma televisão do centro, um paciente com HIV feriu um enfermeiro que precisou tirar licença e ser encaminhado para tratamento no Hospital Emílio Ribas, especializado em doenças infecciosas.

Apurou-se também que a direção do Philippe Pinel, por orientação do governo paulista, realiza um tratamento que dura no máximo 30 dias. Uma internação minimamente adequada pra usuários de crack duraria ao menos seis meses, aponta a ação do MP, que chama o programa de internações de “maquiagem”. “Houve o desmantelamento de um serviço de excelência prestado por um corpo de especialistas que criou uma metodologia para tratar essas pessoas, em troca de nada”, afirma Maurício Ribeiro Lopes, promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo.

A ação mostra também que no Pinel, o tempo de internação variava de 7 a 15 dias. Um depoimento de uma adolescente é mais claro: “colocam a gente aqui para dar uma lavada, mas a gente é jogado de novo na lama.”

Aos dependentes químicos internados no centro é oferecida apenas a abstinência como forma de tratamento. Mas como é possível entrar e sair do local, os pacientes têm acesso a drogas. “Encontramos pessoas que estavam ali apenas preenchendo estatísticas, recebendo comida, banho e televisão. Depois de um mês, rua”, diz Lopes.

Os funcionários que prestaram depoimento na ação definiram o local como um “campo de batalha”, segundo Luciana Bergamo, promotora de Justiça da Infância e Juventude. O comportamento peculiar dos pacientes psicóticos, relata, gerou atritos e violência dos dependentes. “Muitos deles se juntaram em guetos de dependentes com lideranças e liderados. Tomaram uma ala do hospital para usar drogas e os profissionais não tinham acesso.” A polícia precisou ser chamada ao local, mas a situação persiste.

Os médicos não sabem informar para onde foram os pacientes psicóticos, mas há suspeitas de que tenham sido enviados ao Pronto Socorro da Barra Funda, onde não teriam tratamento adequado e podem impor riscos aos outros pacientes.

A situação de substituição de vagas vai até o litoral paulista. Érika Pucci, promotora de Justiça de Itanhaém, buscava leitos para dois pacientes psicóticos graves em Santos. Não conseguiu a liberação no Polo de Atenção Intensiva à Saúde Mental Pai Baixada Santista e obteve uma ordem judicial para fazer uma vistoria ao local. Comprovou que havia vagas ociosas bloqueadas para pacientes enviados pelo Cratod.

Por email, o governo paulista demandou que metade das 30 vagas de atendimento para dois milhões de pessoas da Baixada Santista e Vale do Ribeira fossem bloqueadas. A ação não levou em conta critérios de classificação de urgência, mesmo que houvesse 35 pessoas na lista de espera, 13 delas com determinação judicial. “Tinha um paciente que havia tentado matar a esposa, a mãe e a filha, além de atacar vizinhos e tentar se matar. Foi feito um pedido e o juiz autorizou a internação, mas ele teve que ficar horas na porta do polo porque não queriam recebe-lo.”

Governo responde

Em nota, a Secretaria de Saúde de São Paulo disse ser “lamentável” que o MP faça “acusações tão graves” e “volte-se contra um projeto que visa salvar a vida de dependentes de crack”. Segundo o órgão, não há consumo ou tráfico de drogas dentro da unidade e a interpretação do MP “é equivocada”. “A afirmação, além de mentirosa, é ofensiva.”

A Secretaria ainda afirma que o Pinel não atende apenas usuários do Cratod e que não houve prejuízo aos pacientes de outras patologias, pois os casos de internação devido a problemas de saúde mental são cada vez mais raros.

De acordo com o pronunciamento, desde o início do programa mais de 540 dependentes foram encaminhados pelo Cratod para tratamento. A expectativa do governo é ultrapassar 1,3 mil leitos até 2014, com investimentos de 250 milhões de reais.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Charge Online do Bessinha # 423

Bessinha #423

Mobilidade tem perspectivas de avanço na gestão Haddad

No entanto, especialistas afirmam que é essencial a implementação de um Plano de Mobilidade Urbana para efetivamente melhorar os deslocamentos pela cidade

Por: Gisele Brito e Rodrigo Gomes, no Rede Brasil Atual 

transporte_sao_pauloÁrea que apresenta problemas aparentemente impossíveis de resolver, a mobilidade urbana em São Paulo pode avançar na gestão do prefeito Fernando Haddad (PT). Especialistas consideram as metas apresentadas ao longo dos cem dias de gestão como factíveis e adequadas à priorização do transporte público. No entanto, eles ponderam que é preciso desestimular o uso do automóvel e melhorar as condições de deslocamento na cidade, e o caminho para isso passa pela construção de um plano de mobilidade urbana nos moldes do previsto pela legislação federal.

Esta semana, a Secretaria Municipal de Transportes apresentou os planos para a implementação de 147 quilômetros de corredores e 12 terminais na cidade. As obras terão início em janeiro de 2014 e término em junho de 2016, com custo estimado em R$ 6,1 bilhões e foco nas vias frequentemente congestionadas nas zonas sul e leste. O projeto prevê paradas a cada 500 metros, de preferência à esquerda das avenidas, com cobrança de passagens na plataforma de embarque, reforma de calçadas e implementação de ciclovias em paralelo.

Outra medida para melhorar o deslocamento do transporte coletivo é a mudança nos itinerários de algumas linhas de ônibus. Ela parte da ideia de que se deve estabelecer sistemas de transporte de curta e longa distância, privilegiando os corredores para tráfego contínuo, contida nas diretrizes para licitação dos transportes públicos, apresentadas em março. Desse modo, algumas linhas de ônibus trariam os passageiros até os corredores e outras percorreriam toda sua extensão. A avaliação é de que o entra-e-sai de ônibus nos corredores interfere negativamente na velocidade desenvolvida.

O presidente do Instituto Mobilidade Verde, Lincoln Paiva, considera uma novidade positiva a admissão da existência de dois tipos de fluxo na cidade. “Nas licitações, há pedidos de estudo de demanda de curta e longa distância e cada uma delas é tratada de forma diferente. Claramente tem uma preocupação para lidar com esses fatores. É uma questão importante, que nunca foi tratada, por isso eu vejo com bons olhos. A cidade é dividida em curta e longa. Na primeira está a maioria das pessoas que dirigem automóvel. Se não há um projeto com foco nelas, dificilmente vai conseguir atraí-las para o transporte coletivo”, analisa.

A RBA publica uma série de reportagens sobre os primeiros 100 dias de Fernando Haddad na prefeitura de São Paulo. As mudanças nas relações políticas, as iniciativas e os problemas enfrentados em áreas fundamentais para o dia a dia dos moradores da cidade.

Uma das primeiras medidas da gestão Haddad visando a melhorar a condição do transporte coletivo é a restrição do tráfego de carros na região do largo Treze de Maio, na zona sul, que começou a valer no dia 29 de março. A determinação vale entre 5h e 10h, em determinadas vias, como a alameda Santo Amaro. São permitidos apenas ônibus, táxis e motocicletas nesse horário. Além disso, também houve alteração do sentido de várias outras vias. A medida, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), pretende melhorar o desempenho do transporte coletivo na região.

Para o coordenador do Grupo de Trabalho de Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi, a administração está dando sinais de rompimento com a priorização dos carros. “A gestão está no caminho certo. A intervenção na região do largo Treze de Maio, proibindo o tráfego de automóveis, foi muito importante pois dobrou a velocidade dos ônibus. As propostas apresentadas no Plano de Metas estão no caminho da priorização da mobilidade do transporte público sobre os carros. Temos no plano os 150 quilômetros quilômetros de corredores de ônibus, 400 quilômetros de vias para bicicletas”, explica.

No entanto, Broinizi pondera que ações para melhorar o deslocamento dentro da cidade deixarão de ser meramente emergenciais quando a gestão se comprometer em desenvolver um Plano de Mobilidade Urbana para a capital. “É preciso fazer um bom estudo dos pontos de estrangulamento existentes na cidade e observar como a população se desloca para desenvolver estratégias que melhorem efetivamente a mobilidade da população na capital. Esse plano devia ter sido feito na gestão de Gilberto Kassab, quando foram destinados R$ 15 milhões para elaboração dele, mas nada foi feito. Acredito que o prefeito poderia aproveitar o momento da revisão do plano diretor para também desenvolver essa política”, defende.

As cidades com mais de 20 mil habitantes têm até janeiro de 2015 para elaborar um plano de mobilidade, conforme determina a Lei Federal 12.587 de 2012, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana.

Sobre o plano de metas, Paiva, do Mobilidade Verde, acha que elas são factíveis. Mas pondera que a cidade precisa da eficiência do Metrô e que isso pode ser atingido com a transição para o BRT, um sistema de circulação segregado de ônibus de alta capacidade. Para que os atuais corredores tenham o grau de eficiência dos BRTs é preciso avançar ainda mais em sua implementação, com adoção de pagamento antecipado de tarifa e embarque no mesmo nível da rua, por exemplo. “Se você vai fazer corredor de ônibus o Plano de Metas tem um número limitado. E nem poderia ter tudo que a cidade precisa. Mas você tem de transformar o ônibus em um sistema mais rápido.” 

Outro setor que está satisfeito com o início da gestão são os cicloativistas. Em 22 de março, o prefeito se reuniu com os militantes para discutir os problemas que afetam os ciclistas na cidade, após o atropelamento do limpador de vidros David Santos de Sousa, que teve o braço amputado em acidente na avenida Paulista. Na ocasião, Haddad anunciou a liberação de mais verbas para construção de ciclovias e ciclofaixas na capital, e a elaboração de um plano de comunicação para promover a segurança de ciclistas, além de garantir um canal de diálogo entre eles, a Secretaria Municipal de Transportes e a CET.

Para o diretor da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), Thiago Benicchio, a gestão tem boas intenções e bons planos. “Temos bons sinais. Há uma consolidação dos projetos cicloviários que existiam, com a CET tomando-os como um conjunto de ações que devem ser realizadas. Há uma perspectiva de integração de ciclovias com os corredores de ônibus. O prefeito garantiu que fará uma campanha de educação no trânsito voltada para a convivência de ciclistas e motoristas no trânsito. Começa a haver um entendimento melhor, de quem está na gestão, quanto à bicicleta”, avalia.

Os entrevistados esperam uma superação do modelo exclusivista do carro na cidade, mas concordam que é um processo difícil. “Em qualquer cidade do mundo, você precisa criar politicas para diminuir o uso do automóvel e melhorar o transporte público. Muitas vezes a população não fica muito satisfeita, porque você precisa restringir o uso do carro”, avalia Paiva. “A prefeitura precisa buscar o apoio de quem será beneficiado pelas ações. O trânsito no largo Treze de Maio melhorou para os ônibus, mas uma parte da sociedade reage fortemente às reivindicações de quem usa carro”, conclui Benicchio.

domingo, 7 de abril de 2013

Charge Online do Bessinha # 422

Bessinha #422

Joaquim Barbosa faz diferença?

Por: Claudio Bernabucci, no CartaCapital 

Barbosa-e1362093132933-300x197Uma decepção profunda tomou conta de mim, dias atrás, ao ver o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, aparecer na tevê, como qualquer estrela do show business, para receber o Prêmio Faz Diferença, outorgado pelo jornal O Globo. Trata-se de condecoração muito badalada, graças à forca de propaganda do maior grupo editorial do País, e nem por isso se eleva acima de sua caraterística prosaicamente mundana.  Em princípio, nada contra esses tipos de manifestações autocelebrativas aos quais, infelizmente, estamos quase completamente habituados: o marketing e a publicidade tanto penetraram nossas sociedades que são vividos pela maioria como aspectos fisiológicos da existência. Nenhum purismo, então, ante atrizes e cantores, cineastas e novelistas, donos de restaurantes e de produtos de beleza, que desfilam em passarela num teatro carioca e se orgulham pela “honra” recebida, porque é considerado normal, segundo a moral corrente, fazer uso de tais instrumentos e ser usados.

Ao constatar, contudo, que certoappeal da mundanidade chegue até o chefe do Judiciário, uma das mais altas figuras institucionais do País, experimentei uma grave frustração. A meu ver, o presidente do Supremo, como símbolo personificado da Justiça, deveria manter o perfil público e privado mais equilibrado e sóbrio, de maneira ainda mais atenta que outras personalidades dos vértices do Estado. Ao contrário, também o presidente Joaquim Barbosa, ao receber o título de personalidade do ano, sentiu-se “honrado” como qualquer outro “famoso”. Estrela da festa, ele aceitou de bom grado o pacote completo oferecido pela Globo: melíflua apresentação de seus heroicos feitos no “histórico” julgamento do “mensalão”, entrevistas extemporâneas e banais, com direito a foto final de grupo ao lado de gente muito simpática, e ali o único fora do lugar era exatamente o presidente do Supremo. Em suma, o Sistema Globo fez o próprio trabalho: instrumentalizou a personagem, como melhor não poderia ter feito, para seus fins políticos e comerciais. Mas ele, o presidente do Supremo, se deu conta disso e aceitou a situação em plena consciência, ou foi simplesmente vítima da própria ingênua vaidade?

Confesso que o comportamento recente de Joaquim Barbosa na sociedade, inadequado sob certos aspectos, também cria em mim não poucos problemas de coerência pessoal: por ter sempre declarado meu respeito ao Supremo, já tive sérias divergências durante o processo do chamado “mensalão”. Respeito justificado inclusive pelo fato de que o Tribunal resulta integrado por 9 entre 11 juízes, nomeados por presidentes de muito prestígio internacional, como Lula e Dilma. E se uma sólida maioria destes, Barbosa à frente, chegou a condenar réus que militam na área política dos dois presidentes, causando inevitavelmente desagrado para ambos, esta foi para mim boa demonstração da validade das escolhas feitas. E da real independência do Poder Judiciário em relação ao Executivo, como há de ser em um regime democrático.

Sem entrar nas polêmicas que se deram à época do “mensalão”, quero sublinhar minha convicção que efetivamente ocorreu entre 2003 e 2005 um fenômeno grave de corrupção política – não mensal, mas seguramente continuativa –, no relacionamento entre Executivo e Legislativo, fora da ética republicana e das leis. Portanto, me perguntei, então, se seria fundamentada a acusação aos juízes do Supremo de serem vítimas de um irresistível condicionamento midiático. Não quero afirmar, em todo caso, que tal bombardeio não existiu: muito pelo contrário, a pressão da imprensa conservadora foi mórbida e irrespeitosa do trabalho do Judiciário.

As fanfarras da mis-en-scène carioca celebram Barbosa e eu fico perplexo por ele considerar significativo tal reconhecimento ostentado pelo O Globo, o jornal que se distinguiu como o mais aceso e parcial dos torcedores. Tal promiscuidade, com o agravo da inoportuna atração mundana, faz correr a Barbosa um grave risco, que não é só de estilo, mas, sobretudo, de respeitabilidade diante do País e da comunidade internacional.

sábado, 6 de abril de 2013

Charge Online do Bessinha # 421

Bessinha #421

MP diz que CQC expôs criança a situação vexatória em falsa entrevista com Genoino

Conselho Nacional do Ministério Público pede que caso seja investigado pela Promotoria da Infância e da Juventude e também pelo Ministério Público do Trabalho por exploração da mão de obra infantil

Por: Raimundo Oliveira, no Rede Brasil Atual 

criança_vexatoriaO conselheiro nacional do Ministério Público Luiz Moreira Gomes Júnior disse hoje (5) que a situação a que foi exposta uma criança utilizada pelo programa CQC, da TV Bandeirantes, em uma suposta entrevista com o deputado federal José Genoino (PT), pode ser caracterizada como vexatória, degradante e como exploração de mão de obra infantil. Gomes Júnior encaminhou pedidos de investigação sobre o episódio à Promotoria da Infância e da Juventude do Ministério Público Federal e ao Ministério Público do Trabalho.

Genoino, condenado a seis anos e 11 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção ativa e formação de quadrilha no julgamento da Ação Penal 470, conhecida como mensalão, teria se recusado a conceder entrevistas aos atores do programa, o que teria motivado a produção do CQC a “forjar” uma entrevista usando uma criança, acompanhada de um adulto com uma câmera escondida e apresentado com militante petista para conseguir acesso ao gabinete do deputado. A produção do CQC foi transmitida no dia 25 de março. Segundo informações do jornalista Mauricio Stycer, a criança que aparece no programa do CQC é o ator João Pedro Carvalho, e o adulto, o pai dela.

Para o conselheiro do Ministério Público, a criança, apresentada no programa como “repórter mirim”, foi usada em um contexto que vai além do trabalho de um ator. “A criança utilizada no programa sequer tem discernimento para avaliar a situação a que foi exposta. Ela participou de uma mentira, ela mentiu e dissimulou para induzir um adulto ao erro”, disse.

De acordo com Gomes Júnior, a extensão do uso da criança pelo CQC pode caracterizar exploração de mão de obra infantil, já que no programa exibido pela Band, a criança é apresentada apenas como “repórter mirim” e não como ator.

Segundo ele, uma pessoa adulta contratada para exercer a função que foi desempenhada pela criança, teria de tratar com os responsáveis pela produção do programa e ser informada sobre a necessidade de ter de mentir e dissimular para conseguir fazer com que o deputado, induzido em erro, respondesse a perguntas formuladas pela produção. 

De acordo com o conselheiro, esta criança pode ser levada a pensar que mentir e dissimular para conseguir um objetivo profissional é uma prática correta. "Mal comparando, é uma situação semelhante aos traficantes de drogas que usam crianças na comercialização”, disse.

Para o conselheiro, o fato de a criança estar acompanhada de um adulto, responsável por ela ou não, não exime a produção do programa e a emissora de serem responsabilizadas por crimes previstos na Constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Nos pedidos de investigação sobre o caso, o conselheiro pede que sejam apuradas responsabilidades por parte da direção do programa, da direção da Band e dos pais ou responsáveis pela criança.

A assessoria de imprensa da Band foi procurada hoje para comentar os pedidos de investigação, mas a empresa ainda não se pronunciou sobre o caso.

De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho da 10ª Região (Distrito Federal), o procurador Waldir Pereira da Silva recebeu o pedido de investigação e apura as denúncias apresentadas pelo conselheiro do MP para definir as medidas que serão adotadas. A promotora Luíza de Marilac, da Promotoria de Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude, também recebeu o pedido de investigação ontem, e deve se pronunciar sobre o caso no início da próxima semana.

Charge Online do Bessinha # 420

Bessinha #420

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Toni Braxton - Un-Break My Heart

Boa noite! 

Tradução livre:

 Não me deixe em toda essa dor

Não me deixe na chuva

Volte e traga de volta meu sorriso

Venha e leve essas lágrimas embora

Eu preciso que seus braços me abracem agora

As noites são cruéis

Traga de volta aquelas noites em que eu tinha você ao meu lado

Refaça meu coração

Diga que irá me amar de novo

Desfaça essa dor que você causou

Quando você saiu pela porta

E saiu da minha vida

Não chore essas lágrimas

Eu chorei muitas noites

Refaça meu coração, meu coração

Leve embora aquela triste palavra adeus

Traga de volta a alegria para a minha vida

Não me deixe aqui com essas lágrimas

Venha e beije-me para essa dor ir embora

Eu não posso esquecer o dia em que você saiu

O tempo é tão cruel

E a vida também é tão cruel sem você aqui ao meu lado

(repete)

Ohh, oh

Não me deixe em toda essa dor

Não me deixe na chuva

Traga de volta as noites em que eu tinha você ao meu lado

(repete)

Refaça meu

Refaça meu coração

Volte e diga que me ama

Refaça meu coração

Doce querido

Sem você eu não posso continuar

Não posso continuar