domingo, 30 de junho de 2013

Charge Online do Bessinha # 442

Bessinha #442

Manifestações tem 1 protesto por hora

No: Yahoo Notícias

imagesNo dia 6 de junho, os jornais de São Paulo ainda repercutiam mortes violentas em tentativas de assalto quando uma primeira manifestação de 150 jovens, aparentemente despretensiosa, aconteceu no centro da cidade, na hora do rush, rumo à Avenida Paulista. Era o primeiro protesto do Movimento Passe Livre (MPL), que nos dias seguintes atrairia os holofotes da imprensa e se espalharia como “epidemia” pelo Brasil, contagiando rapidamente a população de diferentes cidades.

Até quinta-feira, a população saiu às ruas com cartazes para protestar em pelo menos 353 municípios, conforme levantamento feito pelo Estado em eventos no Facebook e em menções na imprensa regional. Ao todo, houve pelo menos 490 protestos em três semanas (mais de 22 por dia). Já a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em pesquisa feita nas prefeituras, identificou protestos em 438 cidades.

O papel das redes sociais (Twitter e Facebook) foi decisivo para a articulação dos discursos e para divulgar hora e local dos protestos. Mas a epidemia só ganhou força depois do dia 17, ao monopolizar o noticiário das grandes redes de televisão. “Fazendo um paralelo com o casamento, esses eventos não têm causa única. O casal não termina porque a toalha foi deixada em cima da cama. Essa toalha pode ser a gota d'água de brigas antigas. O mesmo ocorreu nos protestos, que explodiram por uma longa história de crises enfrentadas em silêncio”, diz o professor de comunicação digital Luli Radfahrer (ECA-USP).

Avanço. Em São Paulo, os primeiros três protestos aconteceram em um intervalo de seis dias e não ultrapassaram os 10 mil manifestantes. Mesmo assim, já eram a principal história dos jornais. No dia 13 de junho, outras dez cidades aderiram - capitais ou cidades médias, como Natal, Porto Alegre, Rio, Santos e Sorocaba. No dia 17, quando São Paulo parou, com 200 mil pessoas nas ruas, já eram 21 protestando.

O auge foi no dia 20, quando 150 municípios tiveram protestos. Pelo menos 1 milhão de brasileiros foram às passeatas, segundo dados das Polícias Militares de 75 cidades. Desde Belém, no Pará, até Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. A menor cidade a se rebelar foi Figueirão (MS), que tem 2,9 mil habitantes.

O mote do transporte público foi o mais popular principalmente nas cidades que têm rede de ônibus. Mas os protestos também ganharam conotações regionais, especialmente nas cidades menores. Picos (PI), por exemplo, atraiu manifestantes contra os pistoleiros. Coxim (MS) protestou contra os buracos nas ruas e pediu a saída do secretário de obras. “Foi uma revolta típica da pós-modernidade, aparentemente sem causa. Do ponto de vista político, contudo, a multiplicidade de causas tornou os protestos mais fortes justamente porque permite várias interpretações dos que vão se manifestar”, diz o psicanalista Jorge Forbes.

Forbes enxerga, no entanto, um ponto em comum nas demandas. “Trata-se de uma sociedade civil renovada, mais informada e educada, que continua tendo de lidar com as instituições do século passado, anacrônicas, que não atendem mais os anseios da população.”

Difícil leitura. Mesmo para aqueles que acompanham a história do movimento, a epidemia de protestos surpreendeu. O filósofo Pablo Ortellado, coautor do livro Estamos Vencendo! (Conrad), sobre os movimentos autonomistas no Brasil, ainda se esforça para entender o que aconteceu. “A resistência e a desobediência civil já eram discutidas desde Seattle, em 1999, nos movimentos antiglobalização. A novidade foi o Passe Livre, que passou a ter uma pauta clara, com um grupo de referência para negociar. O governo foi acuado pelas passeatas e mudou sua decisão.”

As manifestações continuaram em menor quantidade depois da redução das tarifas, apesar de muitos protestos contra a Copa das Confederações.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sábado, 29 de junho de 2013

Charge Online do Bessinha # 441

Bessinha #441

Uso do solo e especulação imobiliária influenciam transporte

Por: Vinícius Lisboa, no Agência Brasil

transporte_publicoA melhoria do sistema de transportes no Rio e no Brasil requer investimentos, mas, além deles, pede também uma intervenção em outros fatores que influenciam a circulação nas grandes cidades, avaliou Raul de Bonis, professor de Engenharia de Transporte do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“O setor de transportes influencia e é influenciado pelo meio. Se realizar investimento sem controlar o que existe além do transporte, o uso do solo, as condições para que as pessoas dependam menos do automóvel, a especulação imobiliária, a gente pode fazer investimentos que produzam efeitos contrários ao que se pretende”, adverte Bonis sobre a iniciativa da presidenta Dilma Rousseff de criar um pacto nacional com governadores e prefeitos para aumentar os investimentos na mobilidade urbana.

Esse melhor aproveitamento do solo a que o especialista se refere poderia vir, por exemplo, de uma política de habitação que recupere bairros degradados, reduzindo a necessidade de se deslocar para as áreas centrais. “O que existe hoje é uma cidade que explodiu, uma região metropolitana que se espalhou, mas que tem quase 20 municípios se deslocando para o centro e não dá para imaginar que meia dúzia de corredores de ônibus vão resolver isso. Se mexer nos transportes sem mexer no resto, tende a se agravar a situação.”

transporte_publicoOs corredores expressos mencionados por Bonis são os BRTs, faixas exclusivas de ônibus articulados que já começaram a funcionar na capital e serão ampliadas até os Jogos Olímpicos de 2016. Ao abordar a especulação imobiliária, o professor questiona o adensamento de bairros que têm passado por um processo de verticalização, que leva mais pessoas a locais que não aumentam sua oferta de serviços como o transporte.

Também professor de engenharia de tráfego da Coppe, Paulo Cezar Ribeiro defende que a prioridade é a integração e o planejamento do transporte público. “É preciso reduzir a superposição de linhas de ônibus, colocando mais veículos para fazer as linhas novas. Na zona sul, no centro e na Avenida Brasil, por exemplo, há muitas linhas superpostas. Temos que racionalizar essas linhas”.

Para nivelar a qualidade do serviço em toda a cidade, o pesquisador sugere um sistema de compensação em que as linhas mais lucrativas financiem as menos rentáveis, permitindo uma qualidade igual em toda a região metropolitana. "Com o sistema eletrônico de cobrança isso é muito mais fácil agora. Esse investimento interfere na articulação diária. A gestão é fundamental."

Ribeiro defende também a ampliação das barcas, com uma estação em São Gonçalo e maior qualidade na ligação entre o centro e a Ilha do Governador, na zona norte. Sobre os BRTs, o pesquisador pondera: “É uma solução boa para os níveis de demanda a que ele pode atender, mas será que a demanda a que ele está atendendo não seria melhor para um veículo leve sobre trilhos (VLT)? O metrô e o VLT atendem a demandas maiores que o BRT. É preciso considerar tudo isso e investir com planejamento, monitorando as concessionárias depois da obra.”

Lula diz que reportagem de “Folha” é fantasiosa

Ex-presidente chamou reportagem do jornal Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira 28, de “fantasiosa”

No: CartaCapital

lulaO ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de “fantasiosa” uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo que atribui a ele uma série de críticas à articulação do governo federal para convocar uma Constituinte exclusiva sobre a reforma política. Segundo a reportagem, publicada nesta sexta-feira 28, ele teria classificado como “barbeiragem” o anúncio e consequente recuo sobre a proposta.

Segundo o jornal, Lula reclamou com petistas da estratégia e também do recuo da proposta. “São fantasiosas, sem qualquer base real, as opiniões que me foram atribuídas. Não fiz qualquer crítica nem em público, nem em privado à atuação da presidenta Dilma Rousseff nos recentes episódios. Ao contrário, minha convicção é de que a companheira Dilma vem liderando o governo e o país com grande competência e firmeza, ouvindo a voz das ruas”, disse, em nota.

Lula, disse a Folha, teria criticado a consulta ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sobre o plebiscito antes de o governo conversar com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e outros aliados. O petista teria telefonado para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, reclamando da proposta de instalação de uma constituinte sobre a reforma política.

Na nota, o ex-presidente afirmou ainda que a sucessora “mostrou extraordinária sensibilidade ao propor a convocação de um plebiscito sobre a reforma política”. “A iniciativa tem o mérito de romper o impasse nessa questão decisiva, que há décadas vem entrando e saindo da agenda nacional, sem lograr mudanças significativas. Ouvindo o povo, nosso sistema político poderá se renovar e aperfeiçoar.”

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Velho filme: policiais infiltrados em protestos

Por: Eliseu

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Desde que começou as manifestações pelo Brasil afora, e as consequentes arruaças promovidas por “vândalos” que o PIG, encabeçado pela Rede Esgoto Globo insiste em rotular como tal, venho alertando que esse é um “velho filme”. A desfaçatez das “autoridades”, digo, quadrilheiros do PSDB e agregados é tamanha que sequer mudaram o roteiro do “filme”.

Na segunda (24), 16 policiais militares do ES foram presos por envolvimento nos protestos. A alegação é que prestavam serviços particulares à Rodosol (concessionária que administra a 3ª ponte). Acredite quem quiser.

Já de Belo Horizonte chega notícia parecida: policiais infiltrados entre os manifestantes para a desestabilização do movimento. Só que de forma mais direta.

E certamente novas notícias análogas começaram a circular em breve.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Um campo de concentração indígena a 200 quilômetros de Belo Horizonte

Nos anos 1970, a Fazenda Guarani aprisionou índios “delinquentes” e grupos que lutavam por terras. “Ninguém podia entrar e ninguém podia sair”, conta um ex-confinado

Por: André Campos, no Pública

Localizada poucas horas a nordeste de Belo Horizonte (MG), próxima à região da Serra do Cipó, a Fazenda Guarani foi, a partir do fim de 1972, uma continuação da experiência de confinamento de índios iniciada quatro anos antes, com a instalação do Reformatório Krenak em Resplendor (MG).

O Posto Indígena Guido Marlière, que abrigava o reformatório e os índios krenaks, vinha há anos tendo partes de suas terras ocupadas por fazendeiros. Algo que ocorria com a anuência do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), órgão federal que antecedeu a Fundação Nacional do Índio (Funai). Durante décadas, foi política oficial do SPI o arrendamento a terceiros de lotes nas áreas dos índios. “Esse foi o instrumento que patrocinou oficialmente a invasão de quase todas as terras indígenas até então demarcadas em todo o país”, escreve Egon Reck, experiente ativista do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

A pressão para que fosse extinto o Posto Indígena Guido Marlière levou à negociação de uma permuta entre a Funai e o governo mineiro. As terras foram cedidas aos fazendeiros, e, em contrapartida, o órgão federal recebeu a Fazenda Guarani, uma área pertencente à Polícia Militar, no município de Carmésia (MG).  Em 1972, concretizado o acordo, a Ajudância Minas Bahia, órgão regional da Funai, transferiu para lá todos os indígenas de Resplendor – os krenaks e os presos do reformatório.

“Fomos despejados dentro de um vagão de carga, que nem animais”, conta Edmar Krenak, que era criança quando ocorreu a transferência. “Eu lembro da tristeza dos índios mais velhos. Meu pai mesmo não queria sair de dentro da casa. Armou-se de arco e flecha, deu um trabalho e teve que ir algemado”. Nesse novo “lar”, os krenaks relatam diversas privações. “Lá era muito frio e não tinha nada para comer. Só banana”, lembra Maria Sônia Krenak..

Na luta pelas terras em Aracruz

A Fazenda Guarani assumiu o papel, antes exercido pelo Reformatório Krenak, de central carcerária indígena da ditadura. Para o local passaram a ser enviados diversos os índios e comunidades envolvidos em litígios Brasil afora.

“Quando começamos a lutar pela demarcação das terras aqui no município de Aracruz (ES), eles levaram a gente para lá”, revela Toninho Guarani, indígena guarani mbyá que passou parte de sua adolescência em naquele local.“Eles colocavam a própria polícia militar para vigiar. Ninguém podia entrar e ninguém podia sair.”

Os guaranis, explica Toninho, caminham pelo mundo seguindo revelações. E foi uma revelação de sua avó que levou seu grupo a iniciar, ainda na década de 1940, uma caminhada de contornos épicos, partindo do sul do país em busca da chamada “terra sem males” – o local onde, segundo a crença da etnia, é possível alcançar um estado de perfeição e ascender a uma espécie de paraíso.

Já na década de 1960, eles chegaram em Aracruz (ES), então um município litorâneo com boa parte da sua fauna e mata preservados. Mas sobre aquele lugar, uma terra supostamente propícia para a busca da “terra sem males”, também repousavam planos para viabilizar enormes plantações de eucalipto. E o choque de interesses levou os indígenas, sob pressão e a contragosto, para a Fazenda Guarani.

“Em Minas Gerais e no Espírito Santo, se houve alguma resistência de um povo indígena, eles pegavam essas pessoas e levavam pra lá”, diz Toninho, que perdeu um irmão na Fazenda Guarani, morto devido a uma picada de cobra.

O confinamento, avalia ele, foi uma tentativa de impor o sedentarismo aos guaranis, cujas contínuas migrações pelo sul do continente, frequentemente associadas a motivações espirituais, são amplamente documentadas desde o século XIX. “Foi uma violação dos direitos sagrados dos nossos líderes religiosos. Nós lutamos para que o Estado brasileiro reconheça o direito do nosso povo de fazer essas caminhadas”, reivindica Toninho.

Depois de alguns anos, os guaranis fugiram da fazenda e empreenderam nova peregrinação – percorrendo longos trechos de carona ou mesmo a pé. Em 1983, a Justiça determinou a homologação da área indígena ocupada pelos guaranis naquele município.

A anuência dos altos escalões

Em 1973, pouco após a transferência do Reformatório Krenak para a Fazenda Guarani, mudou também a chefia da Ajudância Minas Bahia da Funai. Assumiu o posto João Geraldo Itatuitim Ruas, um quadro histórico do SPI e um dos primeiros servidores de origem indígenas a integrarem o serviço público brasileiro.

Itatuitim conta ter sido salvo da morte por uma missionária católica, após sua mãe morrer no parto – segundo a tradição de sua etnia, do Alto Xingu, as crianças que não recebiam o leite materno supostamente eram sacrificadas. Entregue ao Marechal Rondon, foi criado entre brancos e estudou com a mãe de Darcy Ribeiro antes de ingressar nas fileiras do órgão indigenista.

Com essa biografia, Itatuitim, sofreu ao se tornar encarregado da Fazenda Guarani ao assumir a Ajucância. “Imagina o que era para mim, como índio, ouvir a ordem do dia do cabo Vicente (policial militar e chefe local do posto indígena), botando todos os presidiários em fila indiana, antes de tomarem um café corrido, ameaçando baixar o cacete em quem andasse errado. E alertando que, para aquele que fugisse, havia quatro cachorros policiais, treinados e farejadores, prontos para agir”, exemplifica. “Eles não trabalhavam no sábado, que era dia de lavar a roupa, costurar, essas coisas todas. Mas, durante a semana, era trabalho escravo!”

Itatuitim conta ter procurado o general Bandeira de Mello, então presidente da Funai, para discutir o fim da instituição correcional. Do general, diz ele, ouviu a seguinte pergunta: “Por que você vai salvar 50 índios que já estão condenados à morte?”.

Não satisfeito, o chefe da Ajudância Minas Bahia procurou o então ministro do Interior – o engenheiro Maurício Rangel Reis, morto em 1986. “Ao invés de me tratar com educação, ele me maltratou. Disse que eu queria perdoar, e ameaçou me demitir”, relembra.

Mesmo assim, Itatuitim afirma ter começado a enviar diversos índios que estavam confinados na Fazenda Guarani de volta às suas aldeias de origem. Algo que, de acordo com ele, teria contribuído para a sua demissão da Funai, pouco tempo depois.

Além dos “infratores”, a Fazenda Guarani também recebia indígenas para “tratamento mental”. Apesar, no local, de não haver nenhum atendimento psiquiátrico disponível.

Um deles foi um índio da etnia campa que, segundo diz sua ficha individual, já havia sido clinicamente diagnosticado como esquizofrênico. Entre outras excentricidades, ele dizia ser dono de vários automóveis e aviões, além de amigo íntimo do mandatário supremo da nação. “Sempre que um avião passa sobre esse reformatório ele pula e grita, dizendo que é o presidente vindo buscá-lo”, escreveu o chefe de posto a seu respeito.

As denúncias sobre o uso da Fazenda Guarani como local de prisão, confinamento ou despejo de índios “sem terra” seguiram até o final da década de 1970. Atualmente, lá vive apenas um grupo pataxó, cujos primeiros representantes foram remanejados por conta de conflitos fundiários em Porto Seguro (BA), acompanhados de novas levas após a “desmilitarização” da fazenda. Hoje, a comunidade pataxó na Fazenda Guarani é composta por 280 pessoas.

Como resquícios da presença da polícia militar, o local ainda conserva as ruínas da antiga capela e do engenho. O casarão que servia como sede para os destacamentos policiais foi convertido em moradia para alguns dos indígenas. E a antiga solitária – um cubículo de, no máximo, quatro metros quadrados – virou um depósito onde se empilham os cachos de banana colhidos nas redondezas.

André Campos, 31 anos, é autor de reportagens e documentários investigativos e pesquisa há cinco anos as cadeias indígenas da ditadura.  Esta reportagem foi realizada através do Concurso de Microbolsas de Reportagem da Pública.

sábado, 22 de junho de 2013

Cheiro de golpe no ar

Os protestos que pipocam Brasil afora estão sem direção, exatamente como quer a oposição e o PIG.

Por: Eliseu 

A imagem abaixo foi retirada do Facebook e resume o que os líderes do movimento que está acontecendo em todo país deveriam saber.

Infelizmente vemos que estão protestando contra tudo, sem uma pauta definida, alguns pedindo o impeachment de Dilma simplesmente porque a grande mídia “sugere” sutilmente em suas reportagens manipuladas.

Ontem, o blog ComTextoLivre publicou que a Globo convocava o Golpe pelo Twitter, o que é verdade.

Reproduzo adiante um pequeno trecho da reportagem de Marina Amaral, intitulada Conversas com Mr. DOPS, em que o delegado aposentado do DOPS José Paulo Bonchristiano conta como fazia infiltrações em movimentos estudantis, que pode servir de reflexão aos leitores sobre a horda de “vândalos” que a Globo insiste em rotular, que vem destruindo tudo por onde passa.

“…Eu sabia tudo o que o Dirceu fazia porque ele era metido a galã e eu coloquei uma agente nossa para seduzi-lo”, gaba-se o delegado. “Ela era muito bonita, a Maçã Dourada, e me contava todos os passos dele”, diz o delegado. A “estudante” Heloísa Helena Magalhães, uma das 40 moças contratadas pelo DOPS para esse tipo de serviço, segundo ele, chegou a ser secretária de Dirceu na UNE.

“…Foi o João Marcos que fundou o CCC e salvou os estudantes de passarem todos para o comunismo, por isso os americanos também gostavam dele”, diz o ex-delegado. “Ele era meu amigo”, muito meu amigo. Eu o conhecia desde o segundo ano da faculdade, ele queria ser delegado mas a família dele era muito rica e não o queria metido com polícia, então ele vinha para o DOPS comigo. Ele dirigia toda essa parte de estudantes, infiltrava gente entre os esquerdistas. Se tinha alguma coisa que interessava ao DOPS, ele fazia. Mas só com minha anuência", gaba-se o ex-delegado, que diz participado do planejamento do conflito…”.

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E, infelizmente, o que estamos vendo diariamente na mídia é uma repetição de 64. Querem instalar o caos, aí aparece o discurso que o governo perdeu o controle da situação e o golpe é o passo seguinte.

Charge Online do Bessinha # 439

Bessinha #439

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Porque protestam contra a copa

Em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Fortaleza protestos contra a Copa se misturam às bandeiras por participação política, transporte e serviços públicos de qualidade. Veja aqui 7 razões para que a festa esteja se transformando em manifestação.

Por: Marina Amaral, no Pública

Custo x Legado

16jun2013-a-frente-de-tropa-de-choque-da-policia-mulher-exibe-cartaz-em-protesto-contra-a-copa-no-brasil-1371426813766_615x300Já foram gastos 27,4 bilhões de reais na Copa e a previsão atual é de custo total de 33 bilhões, uma quantia que se aproxima do total do orçamento federal em educação para este ano: 38 bilhões de reais. Uma priorização de recursos que a população questiona nas ruas, assim como a concentração do dinheiro público na construção de estádios, em muitos casos, como em Manaus e Cuiabá, “elefantes brancos” sem futuro aproveitamento.

Além disso, as obras de mobilidade urbana – apresentadas pelo governo como o principal legado para as cidades-sede – atualmente orçadas em 12 bilhões de reais – privilegiam os acessos viários para carros (viadutos, alargamentos de avenidas) e a rota aeroportos-hotéis-estádios que não é necessariamente a prioritária para a mobilidade urbana no cotidiano das cidades. Um exemplo claro é Itaquera, onde as obras reivindicadas pela comunidade foram suspensas enquanto se investe a todo vapor nas obras de acesso ao estádio. Promessas em investimento em transporte público, como a construção do metrô de Salvador e o Monotrilho da linha Ouro em São Paulo foram retiradas da Matriz de Responsabilidades (o orçamento federal para a Copa) e o transporte público chegou a ser prejudicado no Rio de Janeiro, onde os moradores e comércio sofrem com a falta do tradicional bondinho – que não circula desde 2011 – depois de um acidente denunciado pelos moradores como resultante de um projeto equivocado de modernização (que teve de ser refeito e ainda não está pronto)

Por fim, as obras de mobilidade urbana são as principais responsáveis pelas remoções de comunidades, ameaças ambientais e perda de equipamentos públicas.

Remoções violentas e Demolições indesejáveis

Os movimentos sociais contabilizam 170 mil pessoas ameaçadas ou já removidas e/ou recebendo indenizações de 3 a 10 mil reais, para os que comprovam a propriedade do lote, e bolsas-aluguel de menos de 1 salário mínimo para os demais. Não raro os despejos são feitos de forma violenta, sem transparência nem diálogo entre poder público e moradores.  No morro da Providência no Rio de Janeiro, por exemplo, as pessoas descobriram que seriam expulsas quando suas casas apareciam marcadas, sem nenhuma negociação prévia.

Além das casas, os moradores perdem também suas comunidades, em alguns casos centenárias, amigos, vizinhos, tradições. Via de regra são enviados para longe de suas raízes e cotidiano e perdem a infraestrutura urbana dos bairros mais centrais, caso por exemplo, da ameaçada comunidade da Paz, em Itaquera, São Paulo. As indenizações recebidas são muito menores que os preços de aluguéis e imóveis nos bairros atingidos pelas obras da Copa, forçando a ida para longe também dos que podem decidir seu rumo. A especulação imobiliária em torno dos estádios e melhorias feitas para tornar a cidade mais atraente para os turistas expulsam moradores que seriam beneficiados pela evolução, dos morros  Rio de Janeiro à zona leste de São Paulo, agravando o problema extenso de carência de moradias nas grandes cidades brasileiras.

O patrimônio social e cultural também foi prejudicado, como mostrou a expulsão de representantes das etnias indígenas que ocupavam o antigo Museu do Índio, no Rio de Janeiro,reconhecido pelos antropólogos como marco da relação entre índios e brancos no Brasil, o histórico estádio do Maracanã foi descaracterizado por uma reforma que já custou 1,2 bilhões aos cofres públicos e acompanhado da destruição de equipamentos públicos esportivos, como o ginásio Célio Barros para construir estacionamentos e acessos viários em torno do estádio.

Legislação de exceção para cumprir as exigências da FIFA

Desde que o Brasil fechou o acordo com a FIFA, o governo vem criando leis por Medidas622_6fd1e0cf-2eee-324e-b827-ee8158bde59c Provisórias para assegurar os interesses da FIFA e de seus parceiros (Lei Geral da Copa), permitir que Estados e Municípios se endividem além do exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal para investir em obras da Copa, abreviar licenciamento ambiental e dispensar licitações.

Alguns exemplos do prejuízo que essa legislação traz para a população:

- as zonas de exclusão: a FIFA estabelece uma área em um raio de até 2 quilômetros em volta do estádio -  a zona de exclusão -  como seu território. Ali controla a circulação de pessoas, a venda de produtos, fiscaliza o uso de marcas que considera suas – o próprio nome do evento Copa 2014 e o mascote, entre outros –  protege a exclusividade de venda dos produtos de seus patrocinadores – da cerveja ao hamburger – e se encarrega da segurança. Segundo a ONG Streetnet, na África do Sul 100 mil ambulantes perderam a fonte de renda durante a Copa e situação semelhante  – caracterizada como violação ao direito ao trabalho e perseguição por trabalhar em espaço público – está prevista no Brasil onde mais de mil ambulantes já perderam postos de trabalho por causa das obras da Copa, principalmente em Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Fortaleza e Porto Alegre

- isenções fiscais, exceções legais: a criação de punições e tipificação de crimes para proteger os interesses da FIFA e seus parceiros – que pune por exemplo, quem utiliza símbolos da Copa para promover eventos em bares e restaurantes ou que fere a exclusividade das marcas da FIFA – é um dos  abusos permitidos pela Lei Geral da Copa, que também isenta de impostos uma série de entidades e indivíduos indicados pela FIFA prejudicando as receitas do país que arca até com toda a responsabilidade jurídica em acidentes/incidentes, danos e processos, incluindo o pagamento dos advogados da FIFA e parceiros.

- obras estaduais e municipais faraônicas e/ou contra os interesses da população: o caso mais gritante é da construção de um Aquário em Fortaleza , sem laudo arqueológico e com diversas falhas no EIA-Rima, a um custo superior a 280 milhões de reais enquanto o Ceará vive uma de suas piores secas. Em São Paulo, no Rio de Janeiro, Salvador e outras cidades-sede os governos estaduais e municipais também participam do investimento em dinheiro público em estádios que serão posteriormente explorados pela iniciativa privada . Em Natal, a construção do estádio põe em risco as dunas, e em Recife uma área até então preservada está sendo completamente alterada para instalar equipamentos relacionados à Copa, como hotéis e centros de apoio ao estádio.

- superfaturamento, custos elevados e desvios de recursos públicos: as sete maiores empreiteiras do Brasil – que são também as principais doadoras de recursos eleitorais para os principais partidos e políticos – beneficiaram-se da Lei 12.462/2011 RDC – Regime Diferenciado de Contratações Públicas – para determinar preços, aumentá-los através de cláusulas e aditivos frequentemente justificados pelo ritmo das obras e pela reformulação de projetos equivocados. O TCU já comprovou irregularidades na arena Amazonas, na reforma do Maracanã, na construção do estádio em Brasília, no aeroporto de Manaus. O Ministério Público do Distrito Federal entrou com ação contra superfaturamento e outras irregularidades no VLT de Brasília.

Violação ao direito à informação e à participação política

Os movimentos sociais denunciam no Dossiê de Violações de Direitos Humanos que também o direito à informação e à participação nos processos decisórios são “atropelados por autoridades FIFA, COI e comitês locais” porque “projetos associados à Copa e às Olimpíadas não são objeto de debate público”. A falta de informações e debate sobre os projetos, que não raro desrespeitam os planos diretores aprovados nas câmaras municipais, que atingem comunidades e bairros é denunciada por movimentos sociais em todas as cidades-sede. Associações de moradores também se queixam de audiências públicas pró-forma e da inexistência de mecanismos mais eficazes para a participação da sociedade nos projetos que atingem suas casas, bairros, cidades.

Recrudescimento da violência policial e dos seguranças da FIFA

O orçamento da área de segurança da Copa prevê investimentos de R$ 1,8 bilhão do governo federal. O Ministério da Justiça declara ter investido 562 milhões de reais até agora e o Ministério da Defesa, a 630 milhões de reais para gastos relativos ao evento. Por um total de 49,5 milhões, o governo federal fechou a compra de milhares de armamentos não-letais da empresa Condor – a mesma que forneceu as bombas usadas contra manifestantes – da Turquia às capitais brasileiras– para a Copa das Confederações, em andamento, e a Copa do Mundo de 2014.

O contrato, com vigência até 31 de dezembro de 2014, prevê o fornecimento de 2,2 mil kits não-letais de curta distância (sprays de pimenta, granadas lacrimogêneas com chip de rastreabilidade, granadas de efeito moral para uso externo e indoors e granadas explosivas de luz e som); 449 kits não-letais de curta distância com cartuchos de balas de borracha e cartuchos de impacto expansível (balas que se expandem em contato com a pele, evitando a perfuração); 1,8 mil armas elétricas para lançamentos dardos energizados  (as pistolas “taser”), e mais 8,3 mil granadas de efeito moral, 8,3 mil granadas de luz e som, 8,3 mil granadas de gás lacrimogêneo fumígena tríplice e 50 mil sprays de pimenta. Dentro dos estádios e na zona de exclusão a segurança é privada, escolhida e orientada pela Fifa mas paga pelo governo federal. Nas recentes manifestações no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte a quantidade  de equipamentos e munição chamou a atenção, exatamente por já estar sendo usado o material de segurança da Copa das Confederações.

Além da legislação de exceção abordada no item anterior – que inclui a tipificação de novos crimes para proteger marcas e exclusividade dos parceiros da FIFA e a zona de exclusão – o PL 728/2011, no fim de sua tramitação, inclui a tipificação do crime de “terrorismo”, algo que não existe na nossa legislação desde a ditadura militar, e prevê penas duras para quem promover “o pânico generalizado” . Para os movimentos sociais, o texto do projeto, bastante vago, pode criminalizar as manifestações desde que essas sejam enquadradas como causadoras de pânico generalizado.

Elitização dos estádios e dos ingressos para os jogos da Copa

As reformas nos estádios brasileiros para seguir as recomendações da FIFA reduziram ou extinguiram lugares populares nos estádios, ampliando a área de camarotes e lugares marcados, principalmente no Maracanã e no Mineirão, que perderam quase 50% da capacidade. Como resultado, o preço dos ingressos subiram mesmo nos jogos comuns – passando de 40 a 60 reais cobrados nas arquibancadas para preços mínimos de 160 reais no Maracanã, por exemplo.

Quanto aos ingressos para a Copa 2014, enquanto 200 mil pessoas assistiram a partida final contra o Uruguai em 1950 no Maracanã, apenas 74 mil ingressos serão colocados à venda para a final no mesmo estádio em 2014. Em 1950, 80% dos ingressos eram populares (arquibancada e geral) extintas para dar lugar a assentos acolchoados nas área Vips.

A FIFA também impôs padrões de comportamento aos torcedores completamente avessos à cultura da alegria e da participação da torcida brasileira de futebol, com platéia sentada, sem as coreografias, as baterias percussivas, o baile das bandeiras a que estamos acostumados.

Incremento ao tráfico e violência contra mulheres, adolescentes e crianças

Fortaleza, Natal e Salvador estão entre os principais destino do turismo sexual, que traz homens para o país em busca de mulheres, travestis, adolescentes e crianças, o que deve se agravar com a Copa. O Esplar, ONG que trabalha com mulheres cearenses e participa da Articulação dos Comitês Populares da Copa, lançou em parceria com a Fundação Heinrich Boll, um folheto informativo em um DVD para chamar a atenção para o esperado aumento do turismo sexual na Copa. Segundo a advogada Magnolia Said, que coordenou a produção desse material, já se detectou um aumento de tráfico interno (do interior para as capitais do Nordeste) de mulheres e adolescentes por causa dos preparativos da Copa do Mundo. Reportagem da agência Pública também detectou o trânsito de travestis de Fortaleza para São Paulo para colocar próteses de silicone em troca de trabalho gratuito para as cafetinas que bancam as cirurgias.

Charge Online do Bessinha # 438

Bessinha #438

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O decálogo do perfeito idiota da direita

Quais são as ideias típicas dos conservadores brasileiros na atualidade? Algumas são permanentes, outras conjunturais. Amanhã serão substituídas por novas idiotices. O estoque é imenso.

Por Marcos Coimbra, no CartaCapital

pig_tucanoEntre assombrações, equívocos e estereótipos, o pensamento conservador brasileiro anda atulhado de idiotices. Alguns nada mais fazem que repeti-las. Outros contribuem para aumentá-las. O título desta coluna alude àquele de uma obra que teve certa voga há quase 20 anos e hoje parece antediluviana. Publicado em 1996, o Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano era um ataque contra a esquerda e expressava o neoliberalismo triunfante que se espalhava pelo continente. Quem discordasse de seus axiomas era idiota.

Passou o tempo e a história mostrou o inverso. Nenhuma das experiências de governo inspiradas no Manual deu certo. Os povos sul-americanos escolheram caminhos diferentes, de mais realizações. Quem zombava dos outros, com a agressividade verbal característica dos autoritários, é que se revelou um tolo.

Quais são as ideias típicas dos conservadores brasileiros na atualidade? Algumas são permanentes, outras conjunturais. Amanhã serão substituídas por novas idiotices. O estoque é imenso. Vamos às dez mais comuns:

O Brasil está à beira do abismo

Ainda que os cidadãos normais tenham dificuldade de entender quem diz isso, os genuínos idiotas da direita estão convencidos: vivemos o caos e estamos a caminho do buraco. Há exemplo mais patético que a “inflação do tomate”?

O Bolsa Família é esmola usada para manipular os pobres

Marca distintiva desses idiotas, a ideia mistura velharias, como a noção de que os pobres são constitutivamente preguiçosos, com a pura inveja de ter sido Lula o criador do programa. No fundo, o conservador despreza os mais humildes.

O Brasil tem um governo inchado

Mundo afora, depois de a crise internacional sepultar a tese de que Estado bom é Estado mínimo, ninguém mais tem coragem de revivê-la. A não ser no Brasil. Fernando Henrique Cardoso deixou 34 ministérios quando saiu do governo. Esse seria o tamanho ótimo? Cinco a mais se constitui uma catástrofe?

O Brasil tem municípios demais

Exemplo de idiotice conjuntural, é prima da anterior. Que sentido haveria em considerar imutável a organização administrativa de um país em que a população se movimenta pelo território, fixando-se em novas regiões?

O Judiciário é nosso deus e Joaquim Barbosa, nosso pastor

Como seus parentes no resto do mundo, os conservadores brasileiros desconfiam da política e têm ojeriza a políticos. Quem mais senão o presidente do Supremo Tribunal Federal encarnaria os “anseios da sociedade contra os políticos corruptos”? Transformado em ferrabrás dos petistas, Barbosa virou herói da direita.

O “mensalão” foi o maior escândalo de nossa história

Conversa para boi dormir entre os conhecedores da política brasileira, o “mensalão” não passa de um exemplo do modo como as campanhas eleitorais são financiadas. Só os desinformados acreditam ser ele um caso excepcional.

A liberdade de imprensa está ameaçada

Na vida real, ninguém leva isso a sério. Volta e meia, a ideia é, no entanto, usada pela imprensa conservadora para defender os interesses de um pequeno grupo de corporações de mídia. De carona, alguns políticos da oposição a endossam para preservar as relações privilegiadas que mantêm com os proprietários dos meios de comunicação.

Dilma antecipou a eleição

Desde ao menos o início do ano, a oposição de direita repete, em tom queixoso, o mantra. O que imaginava? Que uma presidenta tão bem avaliada não fosse candidata? Que fingisse não sê-lo? Qualquer idiota sabe que os governantes pensam na reeleição. Assim que tomam posse, entram no páreo.

O Brasil virou as costas para seus parceiros internacionais e se aliou aos radicais

A fantasia desconhece a realidade da política externa e o modo como funciona a diplomacia brasileira. É montada em duas etapas: primeiro, desconstrói-se a imagem de um país ou liderança. Depois, afirma-se que o governo a apoia. De qual país o Brasil se afastou, de fato, nos últimos anos?

O Brasil moderno está na oposição, o arcaico é governo

Trata-se de um erro factual, somado a muita pretensão. Ao contrário, como mostram as pesquisas, o governo é mais bem avaliado (e Dilma tem mais votos) entre, por exemplo, jovens e aqueles conectados à internet que na média da população. A oposição possui, é claro, sua base na sociedade. Em nada, no entanto, esta é “melhor” que aquela apoiadora do governo.

Lula, o “abelhudo”

Texto de Jorge Alex, retirado do Facebook

TOME LULA. SEU ABELHUDO!

lula-nas-greves-do-abc

Quem mandou você se meter a fazer o MOBRAL?

Quem mandou você se tornar um diplomado do SENAI?

Quem mandou você entrar para o Sindicato?

Quem mandou você reorganizar a classe Trabalhadora?

Quem mandou você fundar a CUT e o PT?

Quem mandou você se tornar Deputado Constituinte?

Quem mandos você disputar o Governo de São Paulo?

Quem mandou você insistir até ser eleito o melhor Presidente da República?

Como Presidente, quem mandou você recuperar e criar novas Universidades que estavam sendo sucateadas por Governos Anteriores?

Como Presidente, quem mandou você recuperar a Indústria Naval enquanto tantos Países amigos de Governos anteriores nos vendiam os navios e plataformas por alguns bilhões?

Como Presidente, quem mandou você fortalecer a Petrobras?

Como Presidente, quem mandou você investir no pre-sal que era uma reserva escondida para os países amigos de governantes anteriores e pretensos?

Quem mandou você na condição de Presidente criar condições para filhos de operários cursarem Faculdade?

Quem mandou você na condição de presidente criar a bolsa família e tirar milhões de famílias da miséria e da escravidão?

Quem foi que mandou você ousar e defender a indústria nacional dos ataques americano?

Quem mandou você se tornar o Líder mais respeitado das Américas?

Quem foi que mandou você investir tanto na educação, na saúde, cultura e desenvolvimento?

Quem foi que mandou você salvar a economia Brasileira da catástrofe mundial?

Quem foi que mandou você ousar e nomear o primeiro ministro NEGRO para o STF?

Quem foi que mandou você ousar e eleger a primeira mulher Presidenta do Brasil?

Quem foi que mandou você receber vários títulos Internacionais????????

TA VENDO???? ISTO IRRITOU OS REACIONÁRIOS!

Ps.: do O Carcará: E este blogueiro vai mais direto. Irritou sim os reacionários, que nada mais são que os caciques do PSDB liderados pelo “coisa ruim” Fernando Henrique Cardoso, o playboy e “bebum” Aécio Neves, o “filhote de coisa ruim” e grande perdedor Joser Serra e seus quadrilheiros.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Os espaços públicos podem e devem ser ocupados

As manifestações contra a tarifa dos ônibus são apenas um passo no longo processo de construção da democracia e da cidadania

Por: Reinaldo Canto, No CartaCapital 

image_preview (1)Os recentes protestos não deveriam ser razão de tanto espanto, a ponto de causar reações indignadas vindas de setores mais conservadores ou mesmo acomodados da sociedade brasileira (tão pouco acostumadas a manifestações cidadãs de revolta e rebeldia).

Nesse sentido estivemos durante muitos anos - aliás, desde o estabelecimento da ditadura - desacostumados a grandes demonstrações civis de descontentamento generalizado.

Com exceções de algumas delas cobertas de consenso como as Diretas Já ou o Fora Collor, as concentrações estiveram sempre ligadas a setores específicos como greves de professores, metroviários que atuavam especificamente nas questões salariais e melhorias nas condições de trabalho.

Muito diferente é quando surgem nas telas da tevê milhares de pessoas em marcha pelas principais avenidas de São Paulo acompanhadas de imagens de lixos revirados, vidraças quebradas e cabines policiais incendiadas. Parece o fim dos tempos.

A clara distorção ao não mostrar o outro lado contribui para que muitos tenham a sensação de estarmos cercados de baderneiros.

A verdade nesses tempos de smartphones, facebooks e comunicações instantâneas não tardam a aparecer e derrubar os argumentos de mídias conservadoras que insistem em colocar os manifestantes na fácil alcunha de “vândalos”, “baderneiros sem causa” e outras adjetivações, inclusive de baixo calão.

Na vã tentativa de criar uma realidade paralela baseada em condomínios fechados, carros blindados e saúde privatizada, a nossa pretensa elite tenta se manter distante e alheia à construção de uma sociedade mais equilibrada, justa e sustentável.

Os espaços públicos que deveriam servir a todos acabam sendo paulatinamente “roubados” da sociedade em nome do progresso ou abandonados e deteriorados.  Parece que às nossas autoridades será melhor que as pessoas frequentem os paraísos de compras, os conhecidos shopping centers, do que passar um belo domingo de sol em parques e praças públicas. No lugar da integração fica a exclusão com todo o mal que trás as relações sociais.

Mas as inúmeras manifestações que vêm ocorrendo em todo o mundo, pelas mais diversas razões, carregam em seu íntimo o inconformismo de muitos pelo direito à liberdade de expressão. E aqui não poderia ser diferente, mesmo que tivesse demorado a chegar.

Os problemas das metrópoles brasileiras estão aí expostos para quem quiser ver e é praticamente impossível negá-los: dificuldades de mobilidade cada vez maiores (incentivo ao uso e compra do automóvel em detrimento do transporte público); deterioração de bairros e regiões inteiras (em nome da especulação imobiliária); falta de segurança; a ausência, enfim, de políticas públicas que busquem efetivamente contemplar a maior parte da população e só faz agravar as consequências dos desequilíbrios.

Os jovens e os não tão jovens que decidiram agora ocupar os espaços públicos estão resgatando o óbvio: em primeiro lugar, o direito inalienável de se manifestar. Já a nossa polícia, ainda sob os resquícios de tempos tristes e obscuros, demonstra não estar preparada para receber a incumbência de proteger os manifestantes, mas de reprimi-los a todo custo, pois em sua formação militar o espaço público possui a mera função de se manter livre e desimpedida, apenas para a circulação, o fluxo “ordeiro” determinado por seus superiores.

Quando milhares de pessoas tomam as ruas, nossos policiais passam a encará-los como verdadeiros combatentes inimigos, uma turba selvagem a corromper a ordem e o progresso. Entre esses “adversários do mal” também se encontram jornalistas como o colega desta CartaCapital, Piero Locatelli, preso por de portar uma poderosa e ameaçadora garrafa de vinagre.

Assim como em outros países, as manifestações só estão começando.

Os tais 20 centavos de aumento para um transporte público de má qualidade foi apenas o estopim para outras, que certamente virão.

Nossas autoridades, antes de condenar alguns poucos atos de pretenso “vandalismo”, devem estar atentas às reivindicações e priorizar o interesse coletivo. Tratar a todos com respeito e buscar o diálogo trarão mais benefícios do que o enfrentamento irracional.

ONU diz que corruptos desviam R$200 bilhões por ano no Brasil

No: Folha Política.Org

corruptoAlém de ter ocupado, em 2012, a posição de número 73 em lista dos países mais corruptos do mundo, a qual é medida segundo a percepção populacional, são desviados, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, de responsabilidade da ONU, ao menos R$200 bilhões por ano no Brasil (dados de 2012).

Em reunião promovida pelo órgão e realizada em novembro de 2012 em Brasília, foram convocados cinquenta especialistas para discutir o problema e possíveis práticas anti-corrupção.

O valor é superior à soma dos valores dispendidos em saúde e educação, os quais, em conjunto, são responsáveis pela despesa de R$140 bilhões. Isto é, não havendo corrupção, os valores investidos nestes setores poderiam dobrar e ainda restariam R$60 bilhões.

Segundo a Transparência Internacional, em estudo mais recente, o país melhorou ligeiramente a sua posição, atingindo a posição de número 69 (leia mais clicando aqui). No entanto, vale ressaltar que isto não significa, necessariamente, uma "melhora": o índice mede a percepção, não abrangendo os níveis efetivos, reais e abrangentes de corrupção.

Vale ressaltar, também, que tais valores não englobam a má utilização do dinheiro público, isto é, o dispêndio em programas falsos, obras paradas, shows, política de "pão e circo", despesas para a construção de estádios, entre outras políticas questionáveis.

o-custo-mccO Movimento Contra Corrupção (MCC), em sua página no Facebook, criou, no início do ano, um álbum - intitulado "O Custo da Corrupção" - com cálculos simples para demonstrar e ilustrar, de modo acessível, o que poderia ser feito com tais valores. Clique na imagem para acessar o álbum:

Qual é a sua posição a respeito destes dados? A corrupção pode ser nulificada, erradicada? Não sendo erradicada, pode ser minorada? Caso o seja, como isto se daria? Qual é o papel dos movimentos sociais neste objetivo? Qual é a função do voto? O que pode o cidadão comum fazer para reverter este quadro? Manifeste sua opinião e contribua para o diálogo democrático.

Lígia Ferreira é analista de sócio-mecanismos.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Protesto expulsa equipe da “Central Globo de Mentiras”

Equipe do jornalista Caco Barcellos foi impedida de acompanhar manifestação no Largo da Batata, em São Paulo; parte dos manifestantes, que já são 30 mil, se encaminha para a sede da Globo em São Paulo; transmissão da Globonews força a barra e tenta se apropriar da agenda dos protestos, incluindo temas de interesse da Globo, como a PEC 37

No: ComTextoLivre

images-cms-image-000320583Sobrou também para a Rede Globo. Ou melhor, para a “Central Globo de Mentiras”, segundo as palavras de ordem que foram proferidas nesta segunda-feira, em São Paulo. À tarde, uma equipe do jornalista Caco Barcellos, do programa Profissão Repórter, foi impedida de acompanhar os protestos no largo da Batata, na região da Faria Lima, em São Paulo.

Os manifestantes expulsaram o jornalista e seus repórteres com gritos de “Fora Globo” e “Central Globo de Mentiras”. Uma parte dos 30 mil manifestantes em São Paulo se dirige à sede da Globo na capital paulista.

Na GloboNews, a âncora Leilane Neubarth tenta, a qualquer custo, vincular os protestos à PEC 37. Em editorial recente, o jornal O Globo condenou a iniciativa do Congresso de limitar poderes do Ministério Público, com a proposta de emenda constitucional. Forçando a barra, Leilane tem tentado associar os protestos à defesa que a Globo tem feito do MP. Segundo ela, os manifestantes que subiram no topo do Congresso Nacional estariam tentando pressionar parlamentares contra a PEC.

Patético!

Cafu pede respeito à Dilma

“Ela é a presidenta do Brasil, a autoridade máxima do nosso país, uma pessoa que, sem sombra de dúvida, impõe respeito onde quer que vá”.

Por: Eliseu 

cafu_seleçao_brasileiraO capitão da seleção brasileira no pentacampeonato de 2002, Cafu, condenou ontem (16) as vaias à presidenta Dilma anteontem no estádio Nacional Mané Garrincha, na abertura da Copa das Confederações, em que o Brasil venceu o Japão por 3 a 0. Grande parte do público presente era de membros da podre elite brasiliense, que pagou altos valores para ver o jogo. Um deles, o senador de tucano Álvaro Dias (PSDB-PR), gastou R$ 1.463,00 por seis ingressos, evidentemente com o nosso dinheiro, e ainda teve a desfaçatez de publicar a foto em seu perfil no Facebook.

“Ela é a presidenta do Brasil, a autoridade máxima do nosso país, uma pessoa que, sem sombra de dúvida, impõe respeito onde quer que vá. Mas é o povo brasileiro e você não pode conter todo mundo. Foi uma situação ruim e desagradável. Isso, mundialmente, não repercutiu bem”, disse Cafu.

“Nós construímos estádios do nível do futebol europeu e estamos aqui lamentando o por que desses estádios. A gente espera que eles não virem elefantes brancos e eu tenho certeza que isso não vai acontecer. Até porque vai ajudar muito lugares onde o futebol não é tão divulgado. Se você pega São Paulo, Rio, Minas Gerais, Paraná, Porto Alegre, são locais onde o futebol já é bastante competitivo. Se pega outros lugares, como Manaus, onde o futebol não é tão competitivo, a cidade vai ganhar muito em termos de infraestrutura, educação, transporte e terá um crescimento muito grande. O Brasil vai ganhar com esses estádios modernos”, destacou.

Infelizmente o PIG (Partido da Imprensa Golpista), liderados principalmente pela Rede Globo, Folha, Estadão e Editora Abril são tendenciosos e tentam generalizar uma situação inexistentes com notícias distorcidas que a podre, imbecil e deslumbrada pseudo-elite brasileira quer. Não houve destaque algum aos aplausos que Dilma recebeu dos 78 mil trabalhadores no Maracanã.

Será que um voto de quem pode pagar R$ 600,00 para assistir um jogo de futebol vale mais que o de um trabalhador que ganha pouco mais que isso por mês e não foi ao estádio? As e últimas eleições presidenciais provaram que não!

Com informações do Rede Brasil Atual

domingo, 16 de junho de 2013

Arnaldo Jabor leva "Bofetada" da cidadã Cláudia Riecken. Ela não precisa de vinte centavos...

No: Terra Brasilis 

O conservadorismo e o besteirol no comentário do “intelectual” Arnaldo Jabor:

O bofetão - dado em Arnaldo Jabor - pela escritora e neurocientista Cláudia Riecken:

Charge Online do Bessinha # 437

Bessinha #437

PiG sente gostinho de 64

No: Terra Brasilis

violencia_sao_pauloOs índices de desemprego que vêm caindo nos últimos anos, muito contribuíram para o aumento do número de usuários do transporte público. Principalmente nos centros urbanos, nos horários de pico. Mas em São Paulo, as frotas de ônibus não acompanham essa demanda há mais de quatro mandatos estaduais. Do metrô nem se fala. É simplesmente catastrófico. É nele que acontecem as falhas mais graves, que há muito são uma tragédia ambulante anunciada envolvendo milhares de usuários.

O último alívio concedido ao herói usuário do transporte público paulistano foi o Bilhete Único. Esqueçam o “imagine na Copa” e imaginem o que seria SEM este cartão?

A indústria automobilística alavanca uma enorme cadeia de produção, e o próprio PIB brasileiro. Ninguém quer ficar de pé numa lata por horas no caminho para casa/trabalho. Congestionamento por congestionamento, todos preferem ficar sentados dentro de sua cabine particular de quatro rodas.

Só que os espaços reservados para esses motoristas e suas cabines não crescem na mesma proporção em que cresce o número deles em circulação. É uma questão física. Qualquer pessoa razoável entende que é VITAL investir pesado em transporte coletivo nos grandes centros urbanos, em todo o planeta. Mas em Sampa, durante décadas de PSDB na veia, sempre privilegiaram o individualismo nos transportes. Investem zilhões em reformas de ruas, avenidas e rodovias como o rodoanel… Tudo contempla o automóvel, quase nada para metrô e ônibus.

Serra e Alckmin se alternam mas nada muda. Não sabem o que fazer com o povão. Não é da natureza dos tucanos olhar para a população como um todo. São elitistas desde o próprio DNA. Mantém uma polícia troglodita, descendente da polícia da ditadura, que grita por eles quando é preciso. Enfrentam o que lhes foge de controle ou o que lhes parece incompreensível, na base da porrada. Satisfazem assim, aquele eleitor mais careta, conservador, que não usa ou necessita de serviços públicos e que considera o povão intruso em sua cidade.

Recente pesquisa dá a vitória a Alckmin nas próximas eleições para governador. Pior: assim como em 2010, seria eleito em primeiro turno. Isso demonstra que suas atitudes fascistas, são aprovadas por aqui. Então, Alckmin, assim como Serra cagou, caga montes. Manda suas tropas ao ataque cada vez que alguém levanta a voz. Em São Paulo, é proibido reivindicar coletivamente qualquer coisa. Vivemos num estado policial, governado por fantoches de uma elite endinheirada, encastelada em um universo estático.

O eleitor do interior do estado – que elege os mesmos tucanos há décadas – não dá a mínima para os paulistanos que sofrem no transporte público. Não dá a mínima para os professores da rede pública ou para vítimas de barbáries com as de Pinheirinho. Gosta de ver polícia batendo em “bandido”. É reality show de ação.

Essa foi a primeira vez que vi jornalista do PiG apanhar pra valer enquanto “trabalhava”. Além de mentir e distorcer os fatos para agradar o patrão, tá no contrato de trabalho do cara apanhar da PM? Afinal, os chefes dos jornais não são amigos dos chefes da polícia?

Oposição e seus jornalões estão se lixando para o MPL (Movimento Passe Livre). Estão, salivando, sentindo um gostinho de 64… Querem mais que o circo pegue fogo. Assim ganham matéria prima para distorcer, desfigurar o movimento e redirecionar a tensão para o inimigo principal: o Governo Federal.

Os protestos atuais contra o aumento das tarifas abrem espaço para indivíduos que se infiltram na massa e forjam atos de vandalismo e violência. Acabam por justificar (para a elite) a necessidade de reprimir com a “mesma violência” a todos, indiscriminadamente. O que assistimos hoje, é um esboço do que a direita e seu exército de mercenários podem estar planejando fazer em 2014. A Copa das Confederações, que começa hoje, é uma espécie de ensaio final para a Copa do Mundo. Mas não são apenas as seleções que ensaiam…

José Serra – que É o candidato da oposição para 2014 e que manda prender e soltar na Folha e nas TVs, será preservado de tudo o que acontecer. Então, pode apostar: durante os próximos 6 meses não ouviremos uma única vez seu nome no noticiário. Virá em abril de 2014 como o “pastor que trará paz ao rebanho”. Talvez traga no bolso aqueles 44 milhões de votos…

O que será que me dá?

sábado, 15 de junho de 2013

Repórter é preso por portar vinagre

O repórter de CartaCapital Piero Locatelli narra sua prisão por “porte de vinagre”, revela a violência contra detidas e lamenta que não-jornalistas não tiveram a mesma sorte e seguiram presos

Por: Eliseu

protesto_pm_sao_pauloO tucano Geraldo Alkmin, governador de São Paulo está dando uma prova inequívoca da ideologia do tucanato: querem a volta da ditadura. Nos confrontos violentos entre policiais e manifestantes contrários ao aumento da passagem que está tendo repercussão mundial, dá para perceber que os métodos do malfadado e extinto DOPS continuam sendo utilizados, como infiltração de policiais entre manifestantes para promoverem a baderna e a polícia reagir com violência.

Dentre os incontáveis casos esdrúxulos de violência policial do governo tucano está o ocorrido com o repórter Piero Locatelli, que ele mesmo narra a seguir:

“Eu comprei uma garrafa de plástico de 750ml de vinagre por menos de dois reais nesta quinta-feira 13. Fui a um mercado no caminho para a manifestação contra o reajuste das passagens, que iria cobrir para o site da revista.

Explico o porquê.

Acompanhei o primeiro protesto de perto na semana anterior. Na avenida Paulista, tive contato com bombas de gás lacrimogêneo. No dia seguinte, pela manhã, tinha a impressão de que havia passado um ralador em meu nariz e em meus olhos.

No segundo protesto, na última sexta-feira 7, manifestantes que seguiam pacificamente foram recebidos com mais bombas na zona oeste da cidade. No meio do ato, uma pessoa só com os olhos de fora espirrou vinagre na minha camiseta, dizendo para eu respirar e me cuidar.

Foi quando descobri que o vinagre atenua os efeitos do gás lacrimogêneo. O exemplo da manifestante desconhecida me fez ser mais precavido desta vez. Nesta quinta-feira, desembarquei do ônibus em frente ao metrô Anhangabaú. Ao chegar, vi dois estudantes sendo presos. Perguntei ao policial o que eles portavam. Ele falou em “artefatos”, sem especificar. Os presos responderam que era vinagre.

Eu não sabia que o mesmo iria acontecer comigo logo em seguida. No viaduto do Chá, a caminho da Praça do Patriarca, para onde os estudantes haviam sido levados, me deparei com jovens sendo revistados. Liguei a câmera do celular para filmá-los, quando gravei o seguinte diálogo:

SD PM Leandro Silva: Tira a sua [mochila] também.

Piero: Eu sou jornalista, amigo. Você quer a minha identificação?

SD PM Leandro Silva: Não, não. Não precisa não.

Piero: Tem vinagre aqui dentro. Tem algum problema?

SD PM Leandro Silva: Tem. Vinagre tem.

Piero: Por quê?

SD PM Leandro Silva: Pode ir lá [ser revistado]

Em seguida, minha mochila foi aberta enquanto eu continuava filmando (como é possível ver no vídeo) e pedia para pessoas próximas fazerem o mesmo. Questionei algumas vezes qual lei, norma ou portaria proibiria o porte de vinagre, mas não obtive resposta.

No caminho, tive a oportunidade de ligar para uma amiga, também jornalista, que estava indo ao ato. Disse a ela que estava sendo levado à praça do Patriarca.

Em seguida, continuei gravando. Foi este meu último diálogo com os policiais antes de ser colocado contra a parede de uma loja fechada na praça:

SD PM Pondé: Tá gravando aí, irmão?

Piero: Tô. Sou jornalista, amigo.

Cap. PM. Toledo: Vinagre... Pode ficar ali com a mão para trás.

Piero: Como é que é? Eu estou sendo preso? É isso?

Cap. PM. Toledo: Pega e fica ali com a mão pra trás! Coloca a mão pra trás aí! Mão pra trás! Mão pra trás e pega a sua bolsa! Mão pra trás!

Fiquei com a cara colada contra a parede. Enquanto isso, meu gravador permaneceu ligado em meu bolso. Este é um dos diálogos captados:

Policial homem não identificado pela reportagem: Encosta na parede! (2x) Mão pra trás! Coloca a mão pra trás! Mão pra trás!

Mulher: Para de me agredir. (2x) Você é homem.

Policial homem não identificado pela reportagem: Cala a boca! (3x)

Mulher: Para de me agredir. Eu não fiz nada (3x)

Policial homem não identificado pela reportagem: Quer uma policial feminina pra te agredir? Tá com spray!

Mulher: Eu não tô com spray! (2x)

Homem (policial?): Cala a sua boca! (3x)

Na sequência, a mesma mulher detida fala baixo com uma colega:

Mulher detida 1: O que ele fez com você?

Mulher detida 2: Ele me bateu com o cassetete.

Mulher detida 1: Onde?

Mulher detida 2: Em tudo. Na minha barriga, nas minhas costas.

(....)

Mulher detida 2: Ele me bateu, ele me agrediu, eu não fiz nada. Eu tava respeitando ele (2x). Ele tem que me respeitar. Eu sou uma cidadã.

Mulher detida 1: Calma. Calma. Calma. Ele não vai te respeitar porque ele tá passando dos limites. Isso é abuso de poder. Calma.

Logo após ter sido colocado contra a parede, estive ao lado de um fotógrafo, conhecido de outras pautas. Ele percebeu os flashes na parede em que nos escorávamos, disse que havia fotógrafos atrás de nós.

Eu tentei virar para ver se havia conhecidos. Não via ninguém e era recebido com gritos de policiais que me mandavam olhar para frente novamente e “não arranjar problema”.

Na terceira vez que virei, vi ao longe outro colega. Gritei o nome dele e fui colocado novamente contra a parede. Esses jornalistas se comunicaram novamente comigo por duas vezes. Na primeira, gritaram para eu virar e tirar uma foto. Na segunda, que haviam conseguido um advogado para mim.

Fui jogado em um ônibus da Polícia. Tentei perguntar por que eu havia sido preso e para onde eu estava sendo levado. Mais uma vez, não obtive resposta.

Dentro do veículo, policiais diziam que, caso houvesse pedras, era para seguir dirigindo. As ruas eram abertas por batedores, algumas motos que seguiam à frente.

Ao meu lado estava uma menina, pré-vestibulanda, que me perguntou cochichando porque estavam tirando fotos de mim no ônibus. Eu expliquei que era jornalista e aqueles eram amigos. Ela disse que “ao menos eu ia poder escrever sobre o que aconteceu, os outros não poderiam fazer o mesmo”. Falei que estávamos presos pelo mesmo motivo.

O ônibus da polícia seguiu por um caminho longo até o 78º DP, nos Jardins. Fomos colocados em fila para a revista. Pedi para colocar a blusa e um policial negou, dizendo que dali a pouco ia “ficar quente”.

Em seguida, finalmente explicaram porque estávamos ali. A delegada dizia que não estávamos presos, estávamos “sob averiguação”. Eu não sei a diferença. Tinham me levado para um departamento policial à força e não me diziam o motivo. Os meus documentos tinham sido retidos pela polícia.

Iriam fazer um Boletim de Ocorrência para todos os presentes. Segundo disseram os policiais, todos os outros (cerca de quarenta pessoas, nas minhas contas) haviam sido levados por conta do vinagre. A exceção era um que havia sido pego com entorpecentes.

Uma vez dentro da Polícia Civil, fui bem tratado. Vários policiais me perguntavam o que eu estava fazendo com um vinagre na mão. Eu tentava explicar e eles, incrédulos, não sabiam que o problema era justamente uma garrafa de vinagre. Cerca de duas horas após ser detido, fui liberado com a chegada de advogados. Deixaram que eu levasse o vinagre.

O fato de eu ser jornalista amenizou os problemas causados pela ação da polícia. A delegada chegou a me perguntar por que eu não havia me identificado como jornalista à Polícia Civil. A minha redação me disponibilizou um advogado e tentou contatar quem fosse possível. Meus amigos e outros colegas foram solícitos, mostrando o meu caso em redes sociais. A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) fez um comunicado falando da minha prisão, que foi reproduzido pelos maiores veículos do País.

Sou grato a todos eles por terem me ajudado. Só lamento que as histórias de todos os outros não tiveram a mesma conclusão. Ir e vir com garrafas de vinagre deveria ser um direito de todo cidadão.”

Lamentável. E mais que lamentável, preocupante. Aécio Neves que nada tem a ver com seu avô Tancredo, vai usar seu nome com vigor em sua campanha para as próximas eleições presidenciais. E aí, até para comprar vinagre pode ser exigido porte.

Charge Online do Bessinha # 436

Bessinha #436

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Alckmin aposta na provocação e no “quanto pior, melhor”

Para Adriano Diogo, truculência da PM paulista contra manifestantes faz parte de "orquestração para dizer que o país está mergulhado no caos"
No: Rede Brasil Atual

adriano_diogoO deputado estadual Adriano Diogo (PT), que coordena a Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo, considera “criminosa” a ação da Polícia Militar na repressão ao ato pela redução das tarifas do transporte público em São Paulo, ontem (13), que deixou mais de 100 pessoas feridas.

“A linha da PM é da provocação, do quanto pior melhor. Mas essa é a linha do governador do estado.”

Além dos fatos e das imagens chocantes de agressões de soldados contra civis relacionados ou não ao movimento, o deputado petista vê uma estratégia política “orquestrada” por parte do governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

“Eu já vi isso em 1964. É uma orquestração para dizer que o país está mergulhado no caos, numa profunda baderna, que a Dilma não governa, que Haddad aumentou a passagem de ônibus”, acredita Diogo.

“É um movimento articulado que já começou, para criar uma atmosfera de caos no país, para impedir que a Dilma ganhe a Presidência da República”. A presidenta deve concorrer à reeleição em 2014.

“As pessoas sabem que a PM é do governo do estado, mas não sabem que o governador está falando em aumento da passagem do ônibus de São Paulo. Fica a impressão que o Haddad está reprimindo. Eles falam que o movimento dos jovens é pelo aumento das passagens de ônibus, o que é uma mentira, porque o aumento é do metrô, de ônibus, do transporte em geral.”

Sobre as críticas de omissão por parte do prefeito de São Paulo, que, segundo inúmeras pessoas nas redes sociais, deveria usar sua autoridade para mediar uma negociação, Diogo diz concordar.

“Acho que tinha que ter e tem que ter uma mediação do Haddad. Mas isso não tem nada a ver com a repressão, a repressão vem da cabeça do governador. Ele mandou baixar o cacete para voltar o ódio contra o Haddad. É caso pensado. É uma estratégia do PSDB”, acredita.

Alckmin disse hoje que está “sempre aberto ao diálogo, mas não é possível permitir atos de vandalismo”. “Temos que garantir tranquilidade às famílias que querem trabalhar”, afirmou.

Liberdade de expressão

O deputado Olímpio Gomes (PDT), o Major Olímpio, acompanhou a movimentação das 16h até a meia-noite de ontem, segundo ele. “A manifestação era pacífica contra os preços extorsivos do transporte público, com o que todo mundo concorda. Temos que dar garantias pelo dispositivo constitucional de liberdade de expressão, do direito legítimo do cidadão de reclamar. Ninguém é capaz de rebater que a causa é mais do que justa”, diz.

O parlamentar, porém, faz uma ponderação. “A gente sabe que entre 5 mil pessoas talvez haja 200 ou 300 vândalos infiltrados para descaracterizar o próprio espírito da manifestação.” Por isso, o deputado, que exerceu função de oficial da Polícia Militar por 29 anos, diz que o fato de haver “pessoas com múltiplos objetivos” em manifestações grandes como essa justificariam uma estratégia “dissuasiva” do governo que, bem executada, segundo o deputado, poderia ter evitado o confronto.

De acordo com ele, a estratégia seria colocar uma força policial da tropa de choque visível, “para desestimular e dissuadir” os que estiverem pensando em violência. “O erro estratégico foi governamental. O governo não fez isso para não manchar sua imagem política e acabamos tendo essas imagens horríveis de confrontação para o mundo”, diz Olímpio.

domingo, 9 de junho de 2013

Feira do Bebê na Serra não tem sinalização de emergência

Por: Eliseu

Index_r2_c3_s3Brasil! Dizem que é terra abençoada; que Deus é brasileiro e mais um monte de baboseiras.

Terra abençoada pode ser, mas para bandidos. A começar pelos bandidos engravatados que nós do alto de nossa ignorância política os colocamos no poder para nos dilapidar. E claro, eles jamais farão leis para punir os ditos bandidos comuns, pois elas acabarão virando contra eles. É o caso da raposa vigiando o galinheiro.

Exemplo que aqui abaixo do equador a lei é para proteger os infratores em detrimento das vítimas, tem o retumbante caso da tragédia ocorrida em Santa Maria, onde morreram 242 pessoas e deixou feridas centenas de outras. Os responsáveis pela tragédia? Estão soltos, como era de se esperar.

Após a tragédia vimos na mídia uma verdadeira corrida dos bombeiros às casa noturnas e locais de grande aglomeração para inspeções; várias foram interditadas (e logo “deinterditadas”); políticos vieram a público dizer que fariam novas leis para maior segurança, etc, etc e mais etc. Pura baboseira.

feira_bebe_gestanteHoje (9), fui à “Feira do Bebê & Gestante” aqui em minha cidade, Serra/ES e fiquei estarrecido com a falta de respeito à vida promovida pelos responsáveis, e porque não, os bombeiros que não fiscalizam.

Como o nome diz, a feira é destinada a bebês e gestantes. Portanto é frequentada em sua maioria esmagadora por mulheres com crianças de colo e gestantes. E o material exposto é altamente inflamável. Circulei por toda área e não vi sequer um bombeiro civil, muito menos extintores. Rotas de fuga até haviam, mas vejam a foto de uma placa informando a saída de emergência. Seria hilário, se não fosse trágico. Mais uma vez nosso belo Espírito Santo envergonha os capixabas.

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sábado, 8 de junho de 2013

Mandela é internado e filhas já disputam herança

No: Rede Brasil Atual

nelson_mandelaO ex-presidente da África do Sul e Prêmio Nobel da Paz, Nelson Mandela, de 94 anos, foi internado hoje (8) de madrugada em estado grave. Mandela teve uma “recorrência da infecção pulmonar”, segundo nota do governo sul-africano. De acordo com as autoridades do país, Mandela “permanece em estado grave, mas estável”. Ele respira sem ajuda de aparelhos.

Mandela recebe cuidados de médicos que tentam reverter o quadro. Em comunicado, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, diz acompanhar a situação e torcer para que o ex-presidente melhore. Nos últimos meses, Mandela foi internado várias vezes em decorrência da pneumonia.

“O presidente Jacob Zuma, em nome do governo e da nação, deseja a Madiba (apelido de Mandela) uma rápida recuperação e pede à mídia e ao público para respeitarem a privacidade de Madiba e de sua família”, diz o texto.

O nome do hospital onde Mandela está internado não foi divulgado. Não há previsão de alta médica. Em dezembro de 2012 e janeiro de 2011, Mandela esteve internado também por infecções pulmonares, provavelmente ligadas a sequelas de uma tuberculose que contraiu quando estava preso em Robben Island – onde passou 18 dos seus 27 anos de prisão.

O patrimônio do ex-presidente é alvo de disputa entre suas filhas e seus amigos. Duas filhas de Mandela tentam na Justiça garantir o direito de administrar fundos de investimentos do pai.  A disputa envolve os fundos Harmonieux Investment Holdings e da Magnifique Investment Holdings estimados em cerca de US$ 1,7 milhão. Os fundos em disputa pertencem apenas a uma parte da herança de Mandela.

Charge Online do Bessinha # 433

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