domingo, 18 de maio de 2014

Fala de Lula é distorcida mais uma vez pela mídia conservadora

Quem participa dos eventos progressistas no Brasil sempre ouve aos discursos imaginando o que a mídia corporativa, golpista e virulenta publicará no dia ou momento seguinte, tratando-se das versões virtuais e dos urubus que enviam para captar o que pode ser aproveitado no achaque. É claro que, com a participação do ex-presidente Lula, nesta sexta-feira (16), no 4º Encontro Nacional de Blogueir@s e Ativistas Digitais, não seria diferente.

Por: Moara Crivelente, no Vermelho 

lula_no_encontro_nacional_de_blogueirosComo é usual, Lula não se atém a um tema específico em suas falas. Costuma traçar panoramas dos avanços no Brasil, dos desafios pela frente e da necessidade de continuidade, aprofundamento e mais ousadia nas conquistas sociais. É o que todos queremos, ou ao menos a maior parte da população, principalmente aquela que tem esperado muitos séculos por isso.

Para a elite, lembrou o próprio Lula, essas conquistas parecem ser motivo de temor. Não é para menos, tendo em vista a mídia dominante e de funções terroristas, que se estruturou e fortaleceu na base do golpe e dos furacões escandalosos que cria, alimenta, espalha e atiça, mesmo quando já devia se dissipar. Temos exemplos que bastam dos estardalhaços criados com o único intuito de acinzentar imagens, projetos, planos e rumo de governo.

Neste espectro, o debate da sexta, que se segue no fim de semana, é propício, necessário, urgente e tem fluído, com o avanço de um cavalo de carga, que precisa de cada vez mais tração para superar o peso ou a resistência contrária, mas avança. Falou-se, como exemplo disso, da perseguição, das ofensas e da intimidação contra os blogueiros que participaram da entrevista coletiva com o ex-presidente. A mídia elitista debate-se contra a perspectiva de perder o monopólio da comunicação.

O que restará do seu projeto para o país, para a manutenção do seu domínio sobre o rumo e o destino do Brasil? Só pode ser este temor, atiçado diariamente, o que justifica a intensificação do veneno. Mas isso também propele, como disse Lula, o empenho no “ativismo” pela mídia mais plural, diversa e mais democrática.

Entre as várias frases que arrancaram risos do público espremido no auditório, em São Paulo, Lula lembrou, em tom de romantismo, das vezes em que ia assistir às partidas de futebol nos estádios. “Íamos todos a pé” - disse ele - em multidões, torcer pelos times, ver a partida, participar do evento esportivo. Era disso que se tratava, até que a Copa do Mundo no Brasil mostra que vai acontecer, contra todos os esforços, em pleno ano eleitoral, pelo boicote de intenção quase criminosa, de que a mídia conservadora é a grande cúmplice, ou a responsável.

Como era de se esperar, alguma das frases espontâneas de Lula seria pinçada de forma atabalhoada pelo urubu de plantão que participou do evento, e aquela que saiu estampada na capa da Folha de S.Paulo, neste nublado sábado (17), pareceu servir o propósito. Na semana passada, Venício de Lima perguntou, em artigo na Carta Maior, se há limite para a pauta negativa. Percebemos, a cada dia, que parece não haver.

Entre todas as análises do avanço socioeconômico no Brasil, os apelos pelo avanço, pelo empenho, pela participação – contra a “negação” – na política e o desabafo ligeiro sobre a forma com que a grande mídia o (mal) representa, Lula disse aquilo que surgiu como mais uma oportunidade de manipulação para manter a pauta negativa engrenada. Diz a Folha de S.Paulo que o ex-presidente afirmou ser “babaquice exigir metrô dentro dos estádios” e “dar condições de Primeiro Mundo (com maiúsculas, mesmo) ao torcedor.” A matéria também aproveitou para destilar um pouco mais de veneno sobre as obras da Copa.

De repente, supostamente preocupada com o bem-estar de “primeiro mundo” que o povo merece, essa mídia engajada em lado óbvio neste ano eleitoral apresenta mais uma “denúncia” contra o ex-presidente, em meio às manifestações contra a Copa do Mundo no Brasil. Não que Lula precise da defesa, mas parece que devemos continuar expondo os detalhes e os recursos usados nessas páginas para distorcer, manipular e tergiversar não apenas as posições progressistas, mas a opinião pública.

A mesma matéria também passa pela presidenta Dilma Rousseff (que relançou a explicação de que as obras dos metrôs não são para a Copa, mas para as cidades), já que se trata de uma boa oportunidade para misturar alhos com bugalhos e continuar empurrando o leitor pela salada mista que a mídia virulenta costuma fazer, para colocar a fantasia de opinião política no ruído que emite.