sábado, 30 de agosto de 2014

A entrevista da candidata do PSB, Marina Silva, ao Jornal dito Nacional

No: Terra Brasilis – Postado originalmente em 28 de agosto de 2014

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William Bonner: Boa noite, candidata.

Marina Silva: Boa noite, William. Boa noite, Patrícia.

William Bonner: Muito obrigado pela sua presença. O tempo da entrevista começa a ser contado a partir de agora. Candidata, o avião que o PSB vinha utilizando na campanha eleitoral, até aquele acidente trágico de duas semanas atrás, está sendo investigado pelas autoridades competentes. Ele foi objeto de uma transação milionária feita por meio de laranjas. Essa transação não foi informada na prestação de contas prévia, parcial, à Justiça Eleitoral. A senhora tem dito que vai inaugurar uma nova forma de fazer política, que todo político tem que ter certeza absoluta da correção de seus atos. No entanto, a senhora usou aquele avião como teria feito qualquer representante daquilo que a senhora chama de velha política. Eu lhe pergunto: a senhora procurou saber que avião era aquele, quem tinha pago por aquele avião, ou a senhora confiou cegamente nos seus aliados?

Marina Silva: Nós tínhamos, William, uma informação de que era um empréstimo, que seria feito um ressarcimento, num prazo legal, que pode ser feito, segundo a própria Justiça Eleitoral, até o encerramento da campanha. E que esse ressarcimento seria feito pelo comitê financeiro do candidato. Existem duas formas, três formas, aliás, de fazer o provimento da campanha: pelo partido, pelo comitê financeiro do candidato e pelo comitê financeiro da coligação. Nesse caso, pelo comitê financeiro do candidato. Essas informações eram as informações que nós tínhamos.

[Bonner pergunta: "O avião que o PSB vinha utilizando na campanha eleitoral... " Pessoa jurídica não é gente. E sim a pessoa física. Quem vinha usando o avião não era o PSB, mas os candidatos a presidente Eduardo Campos e a candidata a vice Marina Silva que, inclusive, escondeu que viajou no avião. Por "intuição, providência divina", só não pegou o voo da morte no azarado dia 13 de agosto. Marina revelou para Eduardo este milagroso aviso divino?

Bonner: "A senhora procurou saber que avião era aquele?.."

Marina responde: "Era um empréstimo... Neste caso, pelo comitê financeiro do candidato". Candidato no singular. Marina quer dizer que o comitê era exclusivo de Eduardo Campos. Marina deu uma de Pilatos: lavou as mãos, e tirou o corpo fora. E como representante da velha política, está providenciando que seu partido, o PSB, sob nova gerência, promova a troca do CNPJ. Este foi o jeitinho encontrado para que Eduardo Campos seja o único culpado].

William Bonner: A senhora sabia dos laranjas? Essa informação foi passada para a senhora como candidata a vice-presidente?

Marina Silva: Não tinha nenhuma informação quanto a qualquer ilegalidade referente à postura dos proprietários do avião.

[Bonner chama os proprietários de "laranjas", e Marina não contesta. Uso de "laranjas" é crime, corrupção,  mas Marina afirma que "não tinha nenhuma informação quanto a qualquer ilegalidade". Passou a ter].

William Bonner: Eu lhe pergunto isso…

Marina Silva: As informações que tínhamos eram exatamente aquelas referente à forma legal de adquirir o provimento desse serviço. Agora, uma coisa que eu quero dizer para todos aqueles que estão nos acompanhando é que, para além das informações que estão sendo prestadas pelo partido, há uma investigação que está sendo feita pela Polícia Federal. E o nosso interesse e a nossa determinação é de que essas investigações sejam feitas com todo o rigor para que a sociedade possa ter os esclarecimentos e para que não se cometa uma injustiça com a memória de Eduardo.

[Marina quer "rigor" nas investigação para que "não se cometa uma injustiça com a memória de Eduardo". Ou melhor dito, a obrigação da Polícia Federal é culpabilizar, unicamente, o comitê financeiro. Neste trecho da entrevista, Marina nega a anterior insinuação. Testemunha que Eduardo, também, não sabia de nada].

William Bonner: Candidata, quando os políticos são confrontados ou cobrados por alguma irregularidade, é muito comum que eles digam que não sabiam, que foram enganados, que foram traídos, que tudo tem que ser investigado, que se houver culpados, eles sejam punidos. Este é um discurso muito, muito comum aqui no Brasil. E é o discurso que a senhora está usando neste momento. Eu lhe pergunto: em que esse seu comportamento difere do comportamento que a senhora combate tanto da tal velha política?

Marina Silva: Difere no sentido de que esse é o discurso que eu tenho utilizado, William, para todas as situações. Inclusive quando envolve os meus adversários. E não como retórica, mas como desejo de quem de fato quer que as investigações aconteçam. Porque o meu compromisso e o compromisso de todos aqueles que querem a renovação da política é com a verdade. E a verdade, ela não virá nem apenas pelas mãos do partido e nem, também, apenas pela investigação da imprensa. Que eu respeito o trabalho de vocês. Ela terá que ser aferida pela investigação que está sendo feita pela Polícia Federal. Isso não tem nada a ver com querer tangenciar ou se livrar do problema. Muito pelo contrário, é você enfrentar o problema para que a sociedade possa, com transparência, ter acesso às informações.

[Marina aqui deixa bem clara sua visão extremista, e amoral, de considerar como juízo de valor o inquérito policial. Apesar desta crença, não prometeu nenhuma investigação para combater a velha política. Não prometeu uma auditoria da dívida. Nem prometeu combater o tráfico de minérios, de madeira nobre, de água, de moedas etc]

William Bonner: Candidata…

Marina Silva: O compromisso é com a verdade.

William Bonner: Agora, é que a senhora tem uma postura bem rigorosa no que diz respeito à ética, no discurso, quando a senhora se dirige aos seus adversários [Gostei do elogio, do reconhecido do discurso ético]. Esse rigor ético que a senhora exige dos seus adversários nos faz perguntar e insistir se a senhora antes de voar naquele avião não teria então deixado de fazer a pergunta obrigatória se estava tudo em ordem em relação àquele voo. Não lhe faltou o rigor que a senhora exige dos seus adversários?

Marina Silva: O rigor é tomar as informações com aqueles que deveriam prestar as informações em relação à forma como aquele avião estava prestando serviço. ["Aqueles"? Os sem nomes? Quais indivíduos] E a forma como estava prestando serviço era por um empréstimo que seria ressarcido pelo comitê financeiro. [Novamente culpa um comitê financeiro que a própria Marina extinguiu] Agora, em relação à postura dos empresários[que Bonner chamou de laranjas], os problemas que estão sendo identificados agora pela imprensa, e que com certeza serão esclarecidos pela Polícia Federal, esses, eu, como todos os brasileiros, estou aguardando. E com todo rigor. Eu não uso, William, de dois pesos e duas medidas. Não é? A métrica, a régua com que eu meço os meus adversários, é porque eu a uso em primeiro lugar.

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Por Talis Andrade

Marina defende anistia. É contra investigar empresários e banqueiros que financiaram os crimes da ditadura

No: Terra Brasilis – Postado originalmente em 27 de agosto de 2014

Marina Silva mudou de posição quando passou a ser financiada pelo Banco Itaú. Defende a Anistia ampla, geral e irrestrita. Inclusive é contra a Comissão da Verdade abrir investigação para apurar os empresários que financiaram os crimes de torturas, desaparecimentos e assassinatos durante a ditadura militar.

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“Estamos em cima dos que deram dinheiro para a OBAN [Operação Bandeirante, que coordenava a repressão]“, disse o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias em um encontro em sua casa com outros três integrantes da comissão – Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Maria Cardoso Cunha.

Dias fez um paralelo do suporte empresarial à ditadura com o escândalo de corrupção que levou à queda de Fernando Collor em 1992. “PC Farias [tesoureiro de campanha de Collor] tinha uma empresa, a EPC, que fingia que prestava consultoria e emitia notas fiscais frias a empresários que davam dinheiro a ele. Descobrimos uma consultoria fictícia que fazia a mesma coisa na ditadura: fornecia notas fiscais de ‘assessoria econômica’ a empresas que davam dinheiro à repressão.”

Os integrantes da comissão revelaram que estão tendo dificuldades para acessar documentos oficiais que poderiam esclarecer crimes. O principal obstáculo estaria no Ministério da Defesa.

“Buscamos documentos, e eles dizem que foram incinerados”, diz José Carlos Dias.

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A Frente de Esculacho Popular (FEP) promoveu, no dia 9 de março último, ato de protesto na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), localizada na Avenida Paulista, criticando o apoio da entidade à ditadura militar (1964-1985). Além da Fiesp, a frente denunciou o Banco Itaú, que, segundo os ativistas, ajudou a financiar o regime militar.

“Hoje estamos esculachando não uma pessoa, como fizemos até agora, mas duas empresas, que são mais representativas de toda uma estrutura: a Fiesp e o Itaú. A Fiesp foi uma das principais organizadoras das reuniões, chamadas de grupos de trabalho, onde os empresários se reuniam para contribuir para a caixinha da ditadura”, explicou Lavinia Clara Del Roio, uma das organizadoras do ato. Segundo Lavinia, essas empresas, entre várias outras, financiaram a preparação do golpe, a ditadura e a repressão e, em troca desse apoio, receberam “facilitações fiscais”, o que as fez “crescer enormemente”.

Quanto ao Itaú, Lavinia disse que o banco foi escrachado principalmente pelo fato de um de seus controladores, Olavo Setúbal, ter sido prefeito biônico de São Paulo entre os anos de 1975 e 1979. Olavo é pai de Maria Alice Setúbal, Neca, mentora política e financiadora de Marina.

Segundo a Frente de Esculacho Popular, a “caixinha” era feita pelo regime entre os empresários paulistas para financiar a Operação Bandeirante (Oban), responsável por atos de repressão durante o regime. Em fevereiro do ano passado, a Comissão da Verdade de São Paulo apresentou documentos obtidos no Arquivo Público do Estado que mostravam indícios de ligação entre a Fiesp e os serviços de repressão da época. Entre os documentos, há seis livros datados dos anos 70 que registram entradas e saídas de funcionários e visitantes do extinto Departamento de Ordem Política e Social (Dops) em São Paulo, um dos órgãos da repressão. Segundo a comissão, nesses livros, há registro de entradas de Geraldo Resende de Matos, cujo cargo é identificado como representante da “Fiesp”.

De acordo com Lavinia, as empresas e a federação precisam dar uma resposta à sociedade. E não somente isso. Para ela, a Fiesp, por exemplo, deveria abrir seus arquivos, encontrar os culpados e puni-los. “As empresas tem que se posicionar. Pedimos uma posição e também que, eventualmente, sejam encontrados os nomes e que se tenha punição e ressarcimento”, disse ela.

Durante o protesto, vários cartazes denunciando a participação e apoio da Fiesp e do Itaú na ditadura militar foram colados em postes, orelhões e pontos de ônibus na região da Avenida Paulista.

 

Usando uma máscara de gorila, uma atriz segurava cartolinas com os nomes “Dr Geraldo” e “Olavo Setúbal”, em referência a Geraldo Resende de Mattos, ex-funcionário da Fiesp, e ao banqueiro Olavo Setúbal, que foi prefeito biônico de São Paulo, entre 1975 e 1979.

Ao microfone, o deputado Adriano Diogo (PT), ex-preso político e presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, citou empresas colaboradoras da ditadura, sendo seguido pelos manifestantes, que repetiam, em coro: “Supergel, Cobrasma, Mercedes Benz, Volkswagen. Elas financiaram o golpe, acompanharam sessões de tortura com o Boilesen e o Dr. Geraldo. A Fiesp é o símbolo da ditadura”.

Outra ex-presa e militante de direitos humanos, que atua nas comissões da Verdade e de Familiares, Maria Amélia Teles, a Amelinha, afirmou:

- Viemos mostrar nosso repúdio à participação do empresariado e da Fiesp não só no golpe como em todo o aparato repressivo que torturou e matou pessoas durante a ditadura. Aqui, na Fiesp, tem de ter um centro de memória e verdade para contar a história dos trabalhadores perseguidos.

Entre os participantes do protesto, estavam a ex-guerrilheira do Araguaia Crimeia de Almeida, viúva de André Grabois; Denise Crispim, viúva de Eduardo Collen Leite, o Bacuri, e Angela Almeida, viúva de Luiz Merlino.

A Frente de Esculacho Popular, criada em 2012, é uma organização composta por familiares de vítimas da ditadura e ativistas de direitos humanos, em geral. O objetivo da frente é promover esculachos, denunciando os colaboradores da ditadura militar, sejam eles pessoas ou empresas.

Por Talis Andrade

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A máscara negra de Marina Silva

No: Terra Brasilis – Postado originalmente em 26 de agosto de 2014

Na campanha presidencial de 2010, candidata pelo partido Verde, Marina Silva deixou passar a versão que era descendente das nações indígenas, e defensora da Amazônia, e viúva de Chico Mendes.

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Candidata novamente, hospedeira do PSB, Marina diz que é de um partido inexistente, “repleto de palavras-senha da propaganda das organizações de Soros: “sociedade sustentável”, “sociedade do conhecimento” e “diversidade”.

Usa como slogan a frase final da última entrevista de Eduardo Campos: “Não vou desistir do Brasil”. Que Marina, no troca-troca de partidos, nunca teve ideias próprias.

No papel de viúva, estendeu sua rede entre os caixões de Chico Mendes e Eduardo Campos.

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A novidade é que passou a proclamar que será a primeira presidente negra do Brasil, quando vários mestiços já exerceram o cargo. Inclusive dois ciganos – Washington Luiz e Juscelino -, uma minoria étnica entre as mais perseguidas no mundo, notadamente hoje na França, como aconteceu na Alemanha dos fornos de Hitler.

Atriz, Marina representa vários papéis: a doente de malária, a meiga, a santa, a deusa mãe terra Pachamama, a Indira Gandhi no jeito de se vestir, a Jacqueline Kennedy que não chorou no enterro do marido assassinado.

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Em Marina, várias personas na busca de adaptação política. Começou no Partido Revolucionário Comunista de José Genoíno, depois de noviça em um convento. Deixou de ser católica e ingressou na Assembleia de Deus. Uma carreira que resultou no seguinte cartazete que circula na internet:

Para cada partido uma máscara nova (persona), em uma campanha que lembra velhos carnavais.

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil candidatos na eleição
A viúva está chorando
pelo amor de Chico Mendes
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo quatro anos
Foi no eleição que passou
Eu sou aquela candidata
Que te abraçou
Que te beijou, meu eleitor
Na mesma máscara negra
Que esconde o meu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Eu era vice
Neste carnaval
virei viúva presidencial

Por André Thalis

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Vídeo inédito mostra queda do avião em que estava Eduardo Campos

No: Terra Brasilis publicado originalmente em 20/8/2014

Imagens gravadas por uma câmera de segurança de um prédio em Santos, litoral paulista, mostram pela primeira vez a queda da aeronave que matou o presidenciável Eduardo Campos (PSB) e outras seis pessoas no último dia 13 de agosto.

O vídeo demorou a ser divulgado por conta de um erro no horário do sistema de monitoramento do equipamento e foi concedido à TV Tribuna, filiada da TV Globo.
A queda aconteceu por volta das 10h em um bairro residencial de Santos. O candidato, terceiro nas pesquisas para as eleições de 5 de outubro e companheiro de chapa de Marina Silva, estava a bordo de um avião Cessna 560XL.

Fonte: Yahoo

As mãos de Marina e de Maradona não são as mãos de Deus

No: Terra Brasilis publicado originalmente em 17/8/2014

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Quebrando a trégua do luto de todos os candidatos a presidente, pela morte de Eduardo Campos, Marina Silva vem realizando uma campanha emocional, messiânica e mística, misturando religião com mensagens demagógicas.

Ela, comprometida que é, com banqueiros e barões da mídia nacional e internacional, jamais falará de nacionalismo, patriotismo e brasilidade.

Hoje, Marina deu entrevista para explicar porque recusou o convite de Eduardo Campos para viajar no jatinho que explodiu.

“Foi providência divina não estarmos naquele voo”, disse.

Não considero santo usar o nome de Deus para esconder motivos terrenos, políticos e profanos. Como faz Marina. E fez Maradona.

Fonte: Andrade Talis

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Marina explica por que não morreu: a mão de Deu

No: Terra Brasilis 
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A explicação de Marina Silva para não estar no voo que  causou a trágica morte de Eduardo Campos é muito infeliz. Dizer que foi a “mão de Deus” que  a salvou nos faz pensar que a mesma mão de Deus matou Eduardo Campos, para que ela fosse a candidata. Que Deus é esse de Marina Silva, que mata pessoas inocentes só para que ela seja candidata? Messianismo exacerbado não é bom para ninguém, não é bom para o Brasil nem para os brasileiros. Misturar política e religião nunca deu certo em nenhum lugar do mundo e em nenhum momento da história.

Jussara Seixas [coeditora do Terra Brasilis - São Paulo]

Aécio não explicou o inexplicável no Jornal Nacional

No: Terra Brasilis 

Por Paulo Nogueira*

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O aeroporto de Cláudio é um inferno na vida de Aécio.

Foi o que se viu hoje, mais uma vez, na entrevista que ele concedeu ao Jornal Nacional.

Aécio não tem explicação porque ela, simplesmente, não existe. O aeroporto foi um uso abjeto de dinheiro público para benefícios privados da família. Como escreveu Machado, alegrias particulares são bem mais satisfatórias que alegrias públicas.

Ele se agarra desesperadamente à desculpa de que seu erro foi ter usado um aeroporto não homologado pela ANAC, a agência que regula a vida área nacional.

E aproveita para dizer que a ANAC foi incompetente ao demorar para a homologação porque está “aparelhada” pelo PT.

Não, não e ainda não.

O problema não é burocrático, e sim ético e moral. Aécio usou o aeroporto de Cláudio porque facilita substancialmente suas viagens para seu “Palácio de Versalhes”. É como ele se refere à sua fazenda em Cláudio, a 6 km do aeroporto.

Não é só isso. Existe também o ponto da valorização das terras da região por conta do aeroporto.

Isso beneficia Aécio diretamente, e a sua família.

Ele invoca em sua defesa a desapropriação litigiosa de parte da fazenda do tio para a construção do aeroporto.

O tio quer mais na justiça do que Minas deseja pagar. Na fala treinada de Aécio, o tio aparece quase como uma vítima.

Mas um momento. E a valorização do restante da fazenda?

Bonner perguntou isso, no melhor momento da entrevista do Jornal Nacional.

Aécio tergiversou. Respondeu com a metragem da fazenda: 30 alqueires. Ora, 30 alqueires podem valer x ou, alguns x, caso um benefício como um aeroporto irrompa na região.

Aécio também sofreu para responder a uma pergunta de Patrícia Poeta sobre o desenvolvimento social de Minas.

O IDH de Minas é o pior do Sudeste. Era o oitavo do Brasil, e agora é o nono.

E então, onde os avanços sociais tão trombeteados?

Nova tergiversação.

Aécio falou, como sempre tem falado, no suposto avanço em educação.

Agora que os brasileiros vão conhecendo-o melhor, vai ficando clara a semelhança entre ele e Maluf na compulsão cínica em responder a perguntas de uma forma peculiar em que você vai falando coisas que nada têm a ver com a questão.

Aécio tem agradecido aos entrevistadores quando indagam sobre o aeroporto. Fez isso na sabatina do G1 e voltou a fazer no Jornal Nacional.

Mas é um agradecimento tão fajuto quanto suas explicações para a aberração que é o aeroporto de Cláudio.

*O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Marina!

Por: Eliseu

marina_silvaComo já era esperado desde o acidente que vitimou o candidato à Presidência da República Eduardo Campos, sua vice de chapa, Marina Silva “aceitou” substituir Campos na disputa eleitoral.

E também como já era de se esperar, Marina Silva na sua ânsia pelo poder, sua falta de ética e moral sequer esperou o sepultamento de Eduardo Campos. Já no sábado (16) o jornal online Folha Vitória e o restante da mídia anunciava que Marina Silva tinha aceitado concorrer à Presidência da República em substituição à Campos. À noite, o Jornal Nacional de William Bonner também anunciava com satisfação o “aceite” de Marina.

De acordo com o jornal online, a candidata à Vice-Presidência da República Marina Silva aceitou ser cabeça de chapa da coligação Unidos para o Brasil, em substituição ao ex-governador de Pernambuco  Eduardo Campos (PSB), que morreu quarta-feira (13). O presidente do PSB, Roberto Amaral, foi à casa de Marina para saber se ela autorizava uma consulta ao partido sobre a candidatura dela ao cargo. Ainda de acordo com o jornal online o líder do PSB na Câmara dos Deputados, Beto Albuquerque (RS), a ex-ministra aceitou que seja feita a consulta para saber se o partido concorda com sua candidatura à Presidência da República em substituição a Campos. Beto Albuquerque confirmou que Marina disse sim à consulta e que aceita disputar a presidência pela coligação formada pelo PSB, PPS, PPL, PRP, PHS, além da Rede Sustentabilidade, este último criado por Marina Silva com assinaturas que não puderam ser autenticadas, - ou falsas - e que por esse motivo ainda não tem registro.

Nada de errado em Marina Silva ter aceitado substituir Eduardo Campos, mas seria de bom tom que ela esperasse pelo menos seu sepultamento, em respeito à família.

Pela conduta de Marina que demonstra verdadeira sede pelo poder e com o mafioso corrupto Aécio Neves na disputa dá para ter uma prévia do que virá pela frente. Aguardemos. Há… e que esse acidente seja investigado direitinho. Estranho a caixa-preta da aeronave não ter registro de áudio!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Eduardo Campos: informativo!

Por: Eliseu

eduardo_camposEsse blogueiro informa que o “silêncio” atual, com a interrupção das postagens se deve ao falecimento do candidato à Presidência da República Eduardo Campos, amplamente divilgado pela mídia.

Como é de conhecimento dos leitores, esse blog é essencialmente político, seu editor não é apolítico, muito pelo contrário tem convicção clara, firme, de tendência esquerda e defende com garra esse posicionamento, o que continuará a acontecer.

Entretanto, com o trágico acidente que culminou com a morte de Eduardo Campos, sua comitiva, a tripulação, e também com ferimentos em vários moradores das residências atingidas pela aeronave, informo que em respeito às famílias de Eduardo Campos e dos “anônimos” que foram vitimados, O Carcará não fará qualquer postagem de cunho político até o enterro de Eduardo Campos.

Como já foi dito acima, o blog que é essencialmente político deverá ficar “silenciado” até lá. Depois voltaremos ao debate, as eventuais críticas, e tudo mais com o substituto do mesmo e os demais candidatos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Tancredo Tolentino: As Ligações Perigosas do Tio do Aécio Neves

Eis o jornalismo revelador do Cumpadi Giovani de Morais que a Globo e a grande mídia golpista não se dignam a fazer quando seus interesses - não tão escusos assim - estão ameaçados. Vale a blindagem de uma classe política que joga contra o Brasil, como há mais de quinhentos anos o povo brasileiro tem visto e sofrido os efeitos das ações nocivas dessa elite nojenta e nefasta. [Por Diafonso]

No: Terra Brasilis 

Esta reportagem do Fantástico foi ao ar em 22/04/2012. O foco da reportagem é o desembargador Hélcio Valentim que teria vendido sentenças para libertar traficantes de cocaína em Minas Gerais. Na mesma reportagem, aparece Tancredo Tolentino - Tio do Aécio Neves - e ex-proprietário das terras onde foi construído o recém famoso aeroporto da cidade de Cláudio. Este Aeroporto foi construído durante o Governo Aécio Neves com verbas estaduais e custou 13,9 milhões de reais. Na reportagem, Tancredo Tolentino intermedeia um esquema de propinas para a libertação, por meio de Habeas Corpus, de suspeitos de tráfico de cocaína com base na cidade de Cláudio/MG.
Observem que a reportagem não fala em nenhum momento do parentesco de Tancredo Tolentino com o atual candidato a Presidente do Brasil Aécio Neves.
Neste mato tem coelho e o coelho é grande!!! Quase um abominável coelho das Neves!!!

Assistam e tirem suas próprias conclusões!

NO Cachete, do cumpadi Giovani de Morais

domingo, 10 de agosto de 2014

O discurso de Eduardo Campos: entre a exploração, a incompetência e a farsa

No: Terra Brasilis

Por: DiAfonso

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Eduardo Campos [PSB-PE] começa a pôr em prática o que muita gente já esperava que fizesse: expor seu filho, portador da síndrome de down, como forma de sensibilizar o eleitorado. A imagem não deixa dúvidas de que isso tem fundo de verdade, haja vista não ser necessário sua esposa, Renata Campos, posar ao lado do candidato com o bebê. Dirão que o evento está relacionado à infância, à criança, ao adolescente, ao propósito de combate à mortalidade infantil e à promoção de uma educação de qualidade para parte dessas faixas etárias. Esse compromisso deveria ter sido cumprido em toda a sua gestão... Sabe-se que não foi bem assim, muito pelo contrário...
Mais interessante seria se Eduardo evidenciasse o que foi feito na FUNASE para que aos jovens infratores tivessem sido dadas oportunidades de medidas socioeducativas efetivas e de qualidade. Entretanto ele não engendrou este tipo de discurso por não ter nada a mostrar.
Como se sabe, o seu governo foi denunciado por descaso nas unidades da Funase pela deputada Terezinha Nunes [PSDB-PE], hoje aliada de primeira hora do ex-governador [Leia aqui].
É público e notório que o governo Eduardo Campos também foi denunciado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, na Suíça, por organizações como Fundação Abrinq, ANCED, CENDHEC e GAJOP pelo descaso com que a gestão "socialista" tratou "a reeducação de jovens infratores, descumprindo compromissos e deixando de responder a recomendações, inclusive tornando Pernambuco líder em homicídios de jovens dentro das unidades socioeducativas" [Leia aqui].

sábado, 9 de agosto de 2014

Política não é marketing

O horário eleitoral transforma candidatos em bonecos, manipulados pelo conceito de que vale mais saber dizer do que dizer

Por: Mauricio Dias, no CartaCapital 

marketing-polc3adticoA crença vigente no universo político e entre os publicitários é a de que a campanha presidencial começa agora, 19 de agosto, com o início, na televisão e no rádio, do Horário de Propaganda Eleitoral Gratuita, que de gratuita, realmente, não tem nada.

De fato há, até agora, um patamar menor de eleitores com os votos definidos e uma maioria, em porcentuais acima das eleições anteriores, de votos brancos, nulos e indecisos. Esse contingente estaria, supostamente, esperando ver e ouvir para se definir. A propaganda também cria expectativas nos institutos de pesquisa.

Neste momento do horário eleitoral, o comando passa efetivamente aos marqueteiros, cuja crença fundamental é a de que, para conquistar votos, a imagem do candidato é mais importante do que a sigla do partido e do que o programa apresentado como guia das ações de governo.

De dois em dois anos, nas eleições presidenciais, entremeadas por eleições municipais, exumam a teoria – “O meio é a mensagem” – do sociólogo Marshall McLuhan, figura que os marqueteiros parecem ter lido demais e entendido de menos.

Há exceções, mas essa é a regra. Em geral, o fantoche manipulado pelo marqueteiro toma o lugar do candidato com ideias e propostas.

Alguns desses profissionais que cuidam dos candidatos, chamados há tempos de “telepolíticos”, devem ter lido também Nicolau Maquiavel, quando ele diz, dirigindo-se ao “Príncipe”: “Os homens em geral julgam antes com os olhos do que com as mãos (...) Todos veem o que aparentas por fora, poucos percebem o que há por dentro, e esses poucos temem a opinião dos muitos”.

O marqueteiro, não o candidato, entra em cena na televisão e no rádio. A regra básica a partir daí é esta: o contingente substitui o conteúdo. A forma de dizer é mais importante do que a consistência do dizer.

Essa troca de papéis levou às alturas o custo da eleição. Mas não se trata somente do custo financeiro. O horário gratuito e os chamados spots, também conhecidos como torpedos, são cada vez mais valiosos.

Há 100 minutos diários na televisão e 100 minutos no rádio. Esse tempo virou moeda de troca entre os partidos fortes e os fracos. Esses últimos chamados de legendas de aluguel.

Essa proeminência do marqueteiro construiu um princípio nebuloso ao processo eleitoral. O princípio de que as mesmas leis que se aplicam à política são aplicáveis ao marketing.

Certos políticos, mesmo os não maleáveis como mamulengos, e são poucos, correm o risco de cair nessa armadilha. E assim, de eleição em eleição, a televisão e o rádio se fortificam com um tônico milagroso: o dinheiro. E se embebedam do que acreditam ser as armas absolutas para convencer o eleitor.

As lições dos marqueteiros, ensinadas aos políticos, não passam de um sermão de generalidades.

Solidariedade ao jornalista Ricardo Antunes e contra a censura prévia do TJ/PE

No: Terra Brasilis | Publicação original em 2/8/2014

Publicado, em 25/10/2013, Por Mário Augusto Jakobskind

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“A Comissão da ABI de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos solidariza-se com o jornalista pernambucano Ricardo Antunes, que está sendo vítima de cerceamento à liberdade de expressão. Ele foi censurado em seu blog, preso e acusado de chantagear quem ele denunciou, ou seja, o empresário e marqueteiro José Antônio Guimarães Lavareda Filho.

A acusação foi bancada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco, que o proibiu de escrever qualquer coisa sobre o empresário e quatro empresas de sua propriedade, inclusive impedindo-o de se defender das acusações. E no caso de que não cumpra a determinação pagará uma multa de cinco mil reais por cada inserção jornalística, seja em seu blog Leitura Crítica ou em outro sítio de informação, ou seja, página de internet, e ainda na mídia escrita.

Esse é mais um caso de “judicialização” contra jornalistas que deve merecer o nosso maior repúdio. Se o jornalista eventualmente cometeu algum ilícito deve sofrer as penalidades previstas no código civil. Cercear o seu direito de expressão de pensamento e livre manifestação só mostra o quanto tornou-se perigoso exercer a profissão de jornalista em nosso país. E demonstra cabalmente o quanto os “poderosos” temem uma imprensa livre e independente.

É um fato grave que merece toda nossa indignação e um retrocesso institucional que temos certeza será reparado junto aos tribunais de Brasília. Não existe censura prévia no Brasil.

A Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos exorta a Justiça pernambucana a suspender imediatamente qualquer tipo de restrição ao jornalista que na prática está impedido de exercer a profissão”.

Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2013

Mário Augusto Jakobskind, presidente da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI

Fonte: ABI

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Do Palácio das Princesas a ordem para prender Ricardo Antunes

No: Terra Brasilis |Publicação original em 2/8/2014

Publicado em 02/12/2012, por Talis Andrade

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No dia 3 de outubro último, escrevia o jornalista Ricardo Antunes: “Esta semana, Lavareda jantou com o governador Eduardo Campos, e discutiu o cenário eleitoral local e de outras cidades”. No dia 5, Ricardo foi preso.

Impensável que o banqueiro, empresário e industrial Antônio Lavareda esteve em Palácio e não conversou com o governador a prisão do seu colega de profissão. Lavareda é bacharel em Jornalismo.

Que polícia ousa prender um jornalista no exercício da profissão sem avisar o governador? Principalmente quando esse jornalista era o único que fazia oposição ao governo. Isso num dia “D”, antevéspera das eleições municipais.

Que notícia, avaliada pela polícia em um milhão de dólares, tinha Ricardo Antunes para publicar,  e que poderia ter influência no pleito? Contra o governador Eduardo Campos? Contra o prefeito do Recife, aliado político João da Costa? Contra o candidato do governador e do prefeito o vitorioso Geraldo Júlio? Diz Lavareda que era contra ele.

Não é que aconteceu: sem querer, Ricardo Antunes noticiou a trama da sua própria prisão. Confira.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Sejamos sinceros, Israel não quer a paz

A ofensiva atual foi provocada por Netanyahu para perpetuar o status quo e impedir a formação de um Estado palestino. Vai dar certo a longo prazo?

Por: José Antonio Lima, no CartaCapital

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Quem acompanha minimamente o noticiário internacional e já ouviu falar do conflito entre Israel e os palestinos conhece a versão segundo a qual a culpa pela violência é das duas partes. Esta explicação já foi verdadeira, como comprovam os abusos cometidos de parte a parte ao longo do último século, mas a cada nova crise ela se enfraquece. O passar do tempo tem tornado óbvia a responsabilidade maior de Israel pela perpetuação da tragédia. A atual ofensiva, aberta em 8 de julho com o início da operação Protective Edge (Borda Protetora), escancara a intenção israelense de, custe o que custar, levantar barreiras à formação do Estado palestino.

O Hamas, alvo da atual operação militar israelense, tem suas mãos repletas de sangue. O grupo realizou inúmeros ataques em Israel ao longo de sua história e, recentemente, se notabilizou pelo lançamento indiscriminado de foguetes contra alvos civis. Em seus documentos oficiais o Hamas se revela antissemita e prega a destruição de Israel. Diante desses fatos, a simples existência desta facção militante causa engulhos em muitos israelenses, mas o caminho para a paz passa, necessariamente, pelo Hamas. Como afirmava Moshe Dayan, histórico líder político e militar de Israel, a paz não se faz com amigos, mas com os inimigos.

Há pelo menos dois anos, analistas avaliam que o Hamas pode estar moderando suas posições, ainda que por meio de canais informais, como declarações públicas, e não por documentos oficiais. Entrevistas recentes de Khaled Meshaal, o líder do Hamas, exilado no Catar, dão força a essa possibilidade. No domingo 27, Meshaal foi o entrevistado do programa Face The Nation, da rede de tevê norte-americana CBS. Ele negou o antissemitismo e se disse pronto para coexistir com os judeus. Questionado repetidas vezes pelo entrevistador sobre a possibilidade de reconhecer a existência de Israel, afirmou: "Quando tivermos o Estado palestino, então o Estado palestino vai decidir as suas políticas. O povo palestino poderá dar sua opinião quando tiver seu próprio Estado, sem ocupação". Diante do histórico do Hamas é compreensível a desconfiança sobre a sinceridade de seu líder, mas, existisse hoje em Israel um governo disposto a lutar pela resolução do conflito, ele se agarraria à frase com força, porque, ao cogitar a possibilidade do reconhecimento de Israel, Meshaal provavelmente fez o maior aceno à paz por parte do Hamas.

O encerramento da questão palestina, no entanto, não é intenção do governo israelense. Isso fica claro quando se percebe que as hostilidades atuais foram provocadas deliberadamente por Israel.

Uma guerra provocada

Em abril deste ano, o Hamas e o Fatah, grupo secular que controla a Cisjordânia, assim como a Organização para a Libertação da Palestina e a Autoridade Palestina, entidades reconhecidas internacionalmente, chegaram a um histórico acordo para formar um governo de coalizão. Os dois grupos estavam divididos desde 2007, quando uma guerra civil palestina eclodiu após o Hamas ganhar as eleições parlamentares de 2006 e ser proibido de assumir o governo por Israel e pelas potências ocidentais. No acerto deste ano, o Hamas mostrou o desespero provocado pelo isolamento em que se encontra. O grupo abriu mão daquela vitória eleitoral e entregou a autoridade sobre os palestinos integralmente nas mãos de Mahmoud Abbas, o chefe da OLP e da AP. Em troca, o novo governo passaria a pagar os salários dos 43 mil funcionários da administração criada pelo Hamas e Israel e o Egito aliviariam o bloqueio terrestre, aéreo e naval responsável por transformar a Faixa de Gaza em um gueto no qual cerca de 1,7 milhão de pessoas vivem em condições precárias. Como afirmou Nathan Thrall, analista do International Crisis Group, no jornal The New York Times, Israel dinamitou o acordo de coalizão ao não abrir as fronteiras e impedir o pagamento dos salários. Antes, o governo de Benjamin Netanyahu afirmou que jamais negociaria com o Hamas, atacou a Faixa de Gaza e manteve a construção de assentamentos na Cisjordânia.

Apesar das ações de Israel, havia uma grande pressão dos Estados Unidos e da União Europeia para que o governo israelense negociasse seriamente. Em junho, veio a tábua de salvação para Netanyahu.

No dia 12 daquele mês, três adolescentes israelenses, Naftali Fraenkel, Gilad Shaer e Eyal Yifrah, desapareceram em Gush Etzion, assentamento na Cisjordânia. Logo após o sequestro havia indicações de que os três tinham sido assassinatos. O carro usado no crime foi encontrado, com marcas de sangue e buracos de balas. Mais importante, a polícia israelense tinha a gravação de uma ligação feita por um dos garotos ao serviço de emergência, no qual ficava claro que ele tinha sido baleado.

O governo de Israel, no entanto, proibiu a divulgação do áudio por parte das autoridades policiais e da imprensa. Ao mesmo tempo, iniciou uma campanha intitulada “tragam nossos garotos de volta”, apoiada por parte da imprensa, que aderiu mesmo sabendo do conteúdo da gravação. Netanyahu também anunciou, sem provas, que o sequestro teria sido realizado pelo Hamas. Na “busca” pelos garotos, Israel cercou a cidade de Hebron, demoliu residências, prendeu centenas de palestinos, dezenas deles integrantes do Hamas, e matou cerca de dez pessoas.

O resultado do estratagema foi uma impressionante onda de xenofobia anti-árabe em Israel, que culminou com o brutal assassinato de Mohamed Abu Khdeir, adolescente de 17 anos queimado vivo por extremistas israelenses. O plano do governo Netanyahu parece ter servido também para, como cogitou o jornalista israelense Raviv Drucker, galvanizar o sentimento anti-Hamas em Israel e gerar apoio à ofensiva contra o grupo militante na Faixa de Gaza. Em retaliação aos atos de Israel na Cisjordânia, o Hamas voltou a lançar foguetes contra alvos israelenses. Assim começou a operação Borda Protetora. Hoje, o apoio a ela é tão firme que a revelação, feita pelo chefe de polícia de Israel, Mickey Rosenfield, a Jon Donnison, da BBC, de que o Hamas não foi responsável pelo sequestro, teve repercussão mínima em Israel.

Israel não quer a paz

A operação atual é a terceira de Israel desde 2008 e segue um comportamento batizado com o tétrico nome de "cortar a grama". De tempos em tempos, Israel ataca a região, matando pessoas e destruindo a infraestrutura do Hamas, de forma a aleijar temporariamente o grupo palestino. Por trás das operações regulares está, como explica Zack Beauchamp em análise no site norte-americano Vox, o entendimento de que Israel não poderá destruir por completo o Hamas. Como a grama, a facção palestina vai voltar a crescer até ser “aparada” novamente.

Há outros dois motivos para Israel não realizar uma ação decisiva contra o Hamas. Em primeiro lugar, o grupo é mais moderado que as outras várias facções atuantes na Faixa de Gaza. Assim, manter o Hamas como principal adversário é importante para não piorar a situação. Em segundo lugar, o Hamas, com seu radicalismo, fornece os pretextos perfeitos para Israel não contribuir para o avanço das negociações com os palestinos. Quando o grupo não gera essas justificativas, o governo israelense as fabrica.

O "corte de grama" é parte central do objetivo do governo de Netanyahu e da coalizão de direita e extrema-direita que ele lidera: manter o impasse atual para sempre, sem anexar por completo os territórios palestinos e, muito menos, sem contribuir para a criação de um Estado palestino. A intenção é antiga e antecede a chegada de Netanyahu ao poder. Como lembrou Mouin Rabbani em recente artigo no London Review of Books, em 2004, um ano antes de o governo de Ariel Sharon desocupar a Faixa de Gaza, Dov Weisglass, conselheiro do então premier, afirmou ao jornal Haaretz que o intuito da saída da Faixa de Gaza era “congelar o processo de paz”. “Quando você congela esse processo, você previne o estabelecimento de um Estado palestino, e previne a discussão sobre os refugiados, as fronteiras e Jerusalém”, afirmou Weisglass. “Efetivamente, todo este pacote chamado Estado palestino, com tudo o que ele implica, foi removido indefinidamente de nossa agenda”.

Até 2009, Netanyahu era, assim como seu partido, o Likud, contra a chamada solução de dois Estados – Israel e Palestina. Naquele ano, sob pressão de um Barack Obama recém-empossado, Bibi fez um famoso discurso na Universidade Bar Ilan no qual se disse favorável a um Estado palestino, desde que desmilitarizado. No último 12 de julho, Netanyahu aparentemente reverteu sua posição, ao afirmar em uma entrevista coletiva que jamais aceitará um Estado palestino completamente soberano. As declarações parecem semelhantes, mas a segunda carrega um peso significativo pois rechaça de antemão a demanda palestina por um país próprio.

Há um componente ideológico na recusa de Netanyahu a um Estado Palestino, mas a questão estratégica é mais decisiva. Conceder soberania aos palestinos na Cisjordânia seria abrir a possibilidade de a maior cidade israelense, Tel Aviv, ficar a menos de 20 quilômetros de um exército adversário que teria, também, capacidade para dividir o estreito Estado de Israel ao meio. Barrar a fundação da Palestina é, aos olhos de Netanyahu, garantir a sobrevivência de Israel. Se o objetivo implica em um sofrimento acintoso para os palestinos, isso não diz respeito a Israel, acredita o premier.

Esta forma de pensar é amplamente popular hoje em Israel. Após o fracasso do processo de paz da década de 1990, que culminou com a segunda intifada (2000 a 2005) e uma série de atentados terroristas em cidades israelenses, a direita e a extrema-direita se fortaleceram. Questionar a ocupação da Cisjordânia e a violência empregada contra a Faixa de Gaza se tornaram causas praticamente perdidas, para não dizer perigosas a seus defensores.

Apesar de ter conseguido convencer boa parte da população, o expediente usado por Netanyahu é perigoso para Israel, pois o status quo não poderá ser sustentado por muito tempo. George Friedman, da Stratfor, afirma que é muito mais fácil vislumbrar episódios prejudiciais a Israel no futuro do Oriente Médio do que favoráveis. Assim, um acordo arriscado com os palestinos, mesmo inviável politicamente, seria prudente pensando no futuro. Netanyahu e muitos outros líderes não raciocinam desta forma. Como afirmou o ex-líder do Shin Bet Abraham Shalom no documentário The Gatekeepers, as forças de segurança israelenses não têm estratégia, apenas tática.

Hoje, Israel possui acordos de paz com a Jordânia e o Egito. Se fizesse o mesmo com os palestinos, poderia garantir sua segurança no longo prazo. A opção por manter uma ocupação ilegal e draconiana, impondo um sofrimento desumano a quatro gerações de palestinos, só faz fomentar o ódio em suas fronteiras. Mais que isso, ao acumular atrocidades impressionantes para "cortar a grama" na Faixa de Gaza e manter o status quo, Israel se isola internacionalmente e coloca em risco sua própria legitimidade. A magistral força militar e a habilidosa classe política parecem estar alimentando o sonho de uma segurança eterna para Israel. Se os israelenses não entenderem a realidade, vão sair do sonho diretamente para um pesadelo. Talvez mais rápido do que imaginam.