quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Modelo tucano de governar: PM reprime protesto de estudantes por educação de qualidade

Três pessoas foram detidas e liberadas em seguida. Manifestação reuniu pelo menos 15 mil pessoas, que marcharam por três horas da Avenida Paulista ao centro da capital

Por: Sarah Fernandes, no Rede Brasil Atual 

pm_alckimin_tucano_educaçaoA Tropa de Choque da Polícia Militar reprimiu com violência um protesto de estudantes na noite de ontem (9), na Praça da República, região central de São Paulo. Após três horas de manifestação, que, segundo os organizadores, reuniu pelo menos 15 mil pessoas, os policiais atiraram bombas de gás contra os manifestantes, dispersando o ato.

Três pessoas foram detidas e liberadas em seguida, sendo dois estudantes e um morador da região, que foi agredido com um soco no peito. A ação teria começado quando um grupo se aproximava da sede da Secretaria Estadual de Educação, localizada na Praça da República. Após o ataque, um grupo de manifestantes reagiu ateando fogo em lixo e soltando rojões.

Os estudantes marcharam da Avenida Paulista até o centro em protesto contra o projeto de reorganização escolar criado governador Geraldo Alckmin (PSDB) que pretendia fechar pelo menos 93 escolas e transferir compulsoriamente 311 mil alunos. Eles pediam ensino público de qualidade.

alckimin_pm_repressao_educaçaoA marcha saiu do vão livre do Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista, com cerca de mil pessoas. Ao longo do caminho, milhares de outros manifestantes se uniram ao protesto, entre alunos, professores e apoiadores.

Com bandas de fanfarra e entoando palavras de ordem contra Alckmin, o grupo seguiu pela Paulista até a Praça do Ciclista, retornou e seguiu pela avenida 9 de Julho, Viaduto Maria Paula, rua Xavier de Toledo, rua Conselheiro Crispiniano e Avenida São João, chegando Praça de República.

A reorganização elaborada sem diálogo prévio com a comunidade escolar desencadeou a ocupação de duas diretorias de ensino (Santo André e Sorocaba) e de 208 escolas, além de uma série de protestos, que também foram duramente reprimidos pela Polícia Militar. Pelo menos 11 estudantes foram presos e um policial atirou contra o prédio de uma escola que estava sendo ocupada.

Após 25 dias de luta dos estudantes, o governador veio a público na última sexta-feira (4) anunciar a suspensão do projeto, mas limitou-se a dizer que os alunos vão continuar nas escolas que já estudam e que o governo começará a aprofundar esse debate escola por escola, “especialmente com estudantes e pais de alunos”. Sem garantias do cancelamento do projeto, os estudantes prometem se manter mobilizados, até que o governador cancele definitivamente a “reorganização” e apresente um cronograma de reuniões com a comunidade.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Unidade das forças progressistas é a maior desde o impeachment de Collor

Presidente da CUT anuncia pauta unificada de trabalhadores e movimentos para ato do dia 16: contra o impeachment de Dilma, pela saída de Eduardo Cunha e por mudanças na política econômica

Por: Helder Lima, no Rede Brasil Atual

impeachement_cunha_dilmaAs forças políticas do campo progressista, representantes do trabalhadores e dos movimentos sociais, anunciaram hoje (9) que realizam um ato unificado na próxima quarta-feira (16) para levantar as bandeiras contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, pela substituição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara e pela mudança imediata da política econômica do ajuste fiscal.

“Esta é a maior unidade da esquerda desde o impeachment de Fernando Collor de Mello”, afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, referindo-se ao processo quem em 1992 derrubou o presidente do país por envolvimento em corrupção. “A unidade se dá em torno de três itens e demonstra o amadurecimento da esquerda”, disse Freitas, para quem os três problemas deixam o país sem condição de enfrentar a crise econômica.

“Não há motivo jurídico para o impeachment, é uma cortina de fumaça e um ato capitaneado pelos conservadores; os mesmos que querem o impeachment, querem acabar com a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e compactuam com a morte de jovens negros pelo país afora – são os mesmos que propõem o retrocesso”, defendeu o presidente da CUT. Sobre Cunha, Freitas destacou que “não é possível conviver com um presidente sobre quem pesam tantas acusações, como as contas na Suíça e as manobras dentro da Câmara”.

O ato do dia 16 terá concentração no vão livre do Masp, na avenida Paulista, e de lá sairá em caminhada até a Praça da República, no centro de São Paulo. Segundo o membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, além da agenda do dia 16 em São Paulo serão realizados atos concomitantemente pelo país.

“Estamos conclamando não só as esquerdas, mas todos que têm consciência”, afirmou. Mauro também ressalta a unidade da esquerda em torno dos três pontos anunciados pela CUT. “Temos muitas diferenças entre os movimentos, no entanto, nos unificamos nesta pauta”, afirmou. “Vamos para as ruas porque a democracia, ainda frágil, foi conquistada com sangue de muita gente.”. Ele também diz que além de combater a política econômica, é preciso ensejar um processo de mobilização por reformas estruturais, como a reforma tributária e a reforma política.

A aliança entre Cunha e Temer se firma

Vice respalda votação secreta suspensa pelo STF e presidente da Câmara ajuda a derrubar líder do PMDB que se opunha a Temer

No: CartaCapital

temer_cunha_golpeA aparente aliança do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi reforçada nesta quarta-feira 9, dia em que a dupla fez afagos públicos recíprocos em meio ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. Juntos, Cunha e Temer parecem engajados em uma tentativa de dar legitimidade ao processo de impeachment e tirar do caminho quem pode barrá-lo.

Pela manhã, o deputado Leonardo Quintão (MG) se tornou o novo líder do PMDB na Câmara, em substituição a Leonardo Picciani (RJ). Quintão conseguiu as assinaturas de 35 dos 66 parlamentares da sigla, número suficiente para destituir o carioca, que era um dos bastiões de apoio a Dilma Rousseff no PMDB e na Câmara. 

O nome de Picciani ganhou evidência nesta semana após o vazamento da carta em que Temer revelou sua mágoa Dilma. Um dos motivos de chateação do vice era o fato de Dilma ter nomeado dois ministros indicados por Picciani, em detrimento de pessoas que ele queria nos cargos, e do deputado Edinho Araújo, ligado a Temer. 

Eduardo Cunha foi um dos parlamentares que assinou o pedido para trocar Picciani por Quintão e disse que o fez como “desagravo” a Michel Temer.

No período da tarde, veio a retribuição de Temer ao gesto de Cunha. Em sua primeira fala pública desde o aceite do pedido de impeachment, o vice-presidente disse considerar legítima a votação secreta realizada na terça-feira 8 pela Câmara para escolher a Comissão Especial do Impeachment.

Sem previsão na Constituição, na legislação brasileira ou no Regimento Interno da Câmara, a votação secreta foi suspensa pelo ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. Para Temer, isso é sinal da “normalidade democrática extraordinária” vivida pelo País atualmente.

“A Câmara dos Deputados ontem tomou uma deliberação, no exercício legítimo da sua competência, e posteriormente, em face de medida judicial, o Supremo suspendeu temporariamente essa medida, e preliminarmente para o exame posterior pelo plenário”, disse Temer.

Se para Temer a votação é sinal da “plena democracia”, para o Planalto trata-se de um sinal preocupante de sua pouca força na Câmara. Em seguida à declaração pró-Cunha, Temer negou que vá deixar o governo. Na noite desta quarta, ele e Dilma se encontram. Talvez seja o momento de esclarecer sua ambiguidade, ou de romper de vez a tensionada parceria.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Cunha manobra para adiar comissão de impeachment

Para atrapalhar o andamento das investigações contra ele, o presidente da Câmara manobra o calendário de um tema que paralisa o Brasil

No: CartaCapital *

cunhaAinda controlador da caneta na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha deu mais uma demonstração de pretender transformar o processo de impeachment em uma longa agonia para a presidenta Dilma Rousseff e em uma “rota de fuga” no seu caso.

Depois de alongar o prazo para a indicação dos 65 integrantes da comissão especial que irá avaliar o pedido de impeachment assinado pelos advogados Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr., Cunha adiou para terça-feira 8 a sua instalação.

Por coincidência, a primeira sessão será no mesmo horário do início da reunião da Comissão de Ética que está prestes a acatar a abertura de um processo por quebra de decoro contra o peemedebista.

Para atrapalhar o andamento das investigações contra ele, o presidente da Câmara manobra o calendário de um tema sensível, que paralisa o Brasil neste momento. 

O adiamento também dá fôlego à oposição e a parte do PMDB que, descontentes com algumas indicações dos partidos de base, não fizeram suas indicações e sugerem uma chapa alternativa, contrária a Dilma. 

Diante da notícia, os líderes do governo, José Guimarães (PT-CE); do PMDB, Leonardo Picciani (RJ); e do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), criticaram a decisão de Cunha que, segundo eles, se juntou com a oposição e quebrou acordo de que a lista de integrantes seria montada por consenso.

José Guimarães disse que os partidos da base vão discutir possíveis medidas jurídicas e políticas para serem tomadas. “Eles querem compor maioria sem ter maioria. Não aceitamos esse tipo de manobra”, afirmou.

Já para Jandira Feghali, essa decisão quebra o acordo sobre as indicações e vai inviabilizar a votação da representação contra o presidente da Câmara no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

Leonardo Picciani também criticou o adiamento. “Nós começamos de forma ruim. O acordo era a definição de uma chapa única, mas parte da oposição voltou atrás. O ideal é que haja previsibilidade. O PMDB vai manter os nomes”, declarou.

Segundo Picciani, a possível lista paralela de integrantes a ser anunciada pela oposição pode inviabilizar a instalação da comissão especial sobre o impeachment. “Essa manobra tem consequências mais graves. Pode fazer com que a comissão não se instale. Pode ser que uma chapa seja eleita e, depois, indefinidamente, recuse as indicações da outra chapa.”

E há quem considere legítimo todo esse processo. Em outros tempos, a esse tipo de ação se daria o nome de golpe.

* Com informações da Agência Câmara.

domingo, 6 de dezembro de 2015

A imolação de Cunha

Ao tentar queimar Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, ainda em exercício, ateou fogo às suas vestes

Por: Mauricio Dias, no CartaCapital

acunha-protesto-camaraNão foi por qualquer razão de natureza técnica. Ao contrário. A decisão tomada por Eduardo Cunha, presidente da Câmara de Deputados, de acolher o pedido deimpeachment de Dilma foi, acima de tudo, um ato de desespero.

Este é o fator preponderante de um movimento, muito além de mero jogo político, temperado pelo sentimento de vingança. Cunha jogou a toalha. Um gesto simbólico de desespero.

Ele confiava desconfiando no acordo com feitio de chantagem imposto por ele ao Partido dos Trabalhadores. Esperava contar com os votos de três angustiados deputados petistas, integrantes do Conselho de Ética.

Nota distribuída pelo presidente do PT, Rui Falcão, anunciou o afastamento de Cunha. O partido juntou os cacos e uniu-se contra a maldita aliança que provocava engulhos. Com isso, perdeu a maioria no Conselho de Ética. A suposta barganha foi para o espaço. Cunha reagiu.

Sem a maioria no Conselho de Ética, ele será empurrado em direção ao cadafalso na Câmara que preside. Vai responder à denúncia de ter mentido a seus pares quando garantiu não ter contas no exterior, conforme a denúncia contra ele encaminhada pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal. Os argumentos apresentados por Cunha são frágeis. Risíveis até. Ele está sem saída.

Meses atrás, ao anunciar seu rompimento com Dilma, ele prometeu “incendiar” o governo. Isso porque julgava que Dilma pudesse interferir nas ações do Ministério Público Federal ou mesmo nas ações da Polícia Federal. Se quisesse, não deveria.

Cunha, no centro da crise política, foi mais longe. Com apoio da oposição, notadamente o PSDB, atrapalhou bastante, e ainda atrapalha, a administração de Dilma. Ele contribuiu efetivamente para a desmontagem da base do governo no Congresso. 

Ao perder o apoio envergonhado do PT, voltou ao ninho tucano. Estimulado, fez o que os adversários do governo pretendiam. Mas não terá o apoio necessário para evitar a reação interna. Para tentar queimar Dilma ateou fogo às vestes. Agora arde sozinho. Será que os tucanos vão blindá-lo?

O golpe, em formato de impeachment, dificilmente será bem-sucedido.

Os números governam o processo se ele seguir o curso. Uma comissão especial com 66 titulares, representação proporcional ao tamanho das bancadas. Se não cair nesta fase, será discutido e votado pelo plenário da Câmara. O processo de impeachment, para ser aberto, precisará alcançar dois terços da Câmara. Ou seja, 342 deputados.

No Senado a aprovação será ainda mais difícil. A maioria necessária para aprovação é de dois terços. Nesse caso, 54 senadores dos 81 existentes. A oposição, ciente disso, vai promover com os meios que tiver e a influência nos meios de comunicação os movimentos ditos “espontâneos”.  Essa é outra história.

Mas o curso do destino de Eduardo Cunha está traçado. Será desonroso. Voltará mais cedo para casa. Talvez antes passe pela cadeia.

Alex Silva/Estadão Conteúdo

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Tragédia em Mariana: Quanto candidatos e partidos receberam da Vale

Doações eleitorais da empresa que controla Samarco “explodem”. Metade vai para PMDB, partido que controla mineração no governo

Por: Alceu Luís Castilho, no CartaCapital 

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O PMDB recebeu 23,55 milhões de reais dos 48,85 milhões de reais destinados por empresas da Vale a comitês financeiros e diretórios na campanha de 2014. O partido controla o setor de mineração no Brasil, indicando o ministro das Minas e Energia e a maioria dos chefes dos Departamentos Nacionais de Produção Mineral (DNPM).

Essas cifras se referem às doações eleitorais de seis empresas ligadas à Vale: Vale Energia, Vale Manganês, Vale Mina do Azul, Minerações Brasileiras Reunidas, Mineração Corumbaense Reunida e Salobo Metais.

Em 2010, a soma das doações da Vale alcançava 29,96 milhões de reais, para todas as siglas. Isso mostra um aumento exponencial do investimento do grupo Vale em campanhas políticas. Mas é mais que isso: naquele ano, a empresa só doava para os comitês e diretórios.

Em 2014, doou também para candidaturas específicas, do Congresso à Presidência. Isso soma mais 39,32 milhões de reais drenados da Vale para políticos do governo e da oposição, perfazendo um total de 88 milhões de reais – três vezes mais que em 2010.

Entre os doadores para partidos (comitês, diretórios), o PMDB agora dispara em primeiro lugar com seus 23,5 milhões de reais. Em seguida vêm o PT, com 8,25 milhões de reais, o PSDB, com 6,96 milhões de reais, e o PSB, com 3,5 milhões de reais.

PP e PCdoB aparecem empatados com 1,5 milhão de reais cada. DEM e PCdoB receberam 990 mil reais e 900 mil reais. A lista é completada com SD (920 mil reais), PPS (800 mil reais), PSD (250 mil reais), PROS (150 mil reais), PRB e PDT (100 mil reais cada) e PEN (70 mil reais).

Os dados são da Justiça Eleitoral, compilados pelo Outras Palavras. O quadro abaixo se refere às doações para os partidos, e não para as candidaturas.

O CLUBE DOS SEIS

PMDB
R$ 23.550.000

PT
R$ 8.250.000

PSDB
R$ 6.960.000

PSB
R$ 3.500.000

PP
R$ 1.500.000

PCdoB
R$ 1.500.000

Fonte: TSE/Outras Palavras

Os números da Vale em 2014 são maiores que os divulgados pelo documento Quem é Quem nas Discussões do Novo Código da Mineração, pois três dessas empresas não estavam na lista feita pelo Ibase. A soma consolida a Vale como uma das maiores doadoras de campanha em 2014.

A empresa é, ao lado da anglo-australiana BHP Billinton, sócia da Samarco, a responsável pelo rompimento de barragens em Mariana (MG), em um dos maiores crimes socioambientais da história brasileira. Oito pessoas já foram encontradas mortas e dezenas estão desaparecidas.

Esses 49 milhões de reais em doações para comitês e diretórios ainda não dão conta de todas as doações feitas na campanha de 2014. Isso porque é possível doar para os partidos – pelos comitês e diretórios – ou para candidaturas específicas. Sejam estas para o Congresso, sejam para o Executivo.

Na prática, algumas doações para diretórios estaduais foram remanejadas pelo PMDB e beneficiaram candidaturas específicas, em particular a de parlamentares que atuam no Congresso em defesa dos interesses das corporações.

A candidatura da presidente Dilma Rousseff (PT) recebeu 12 milhões de reais da Vale Energia (2,5 milhões de reais), Salobo Metais (3,5 milhões de reais), Mineração Corumbaense Reunida, a MCR (4 milhões de reais) e Minerações Brasileiras Reunidas, a MBR (2 milhões de reais). Bem mais do que a verba injetada pelas empresas nos demais candidatos do partido.

O governo federal acena com multas à Samarco pelo vazamento de resíduos em Mariana (MG), que já chegam ao Oceano Atlântico, matando animais, plantas e poluindo rios numa escala pouco vista no mundo.Esses números representam uma grande inflexão em relação às doações feitas por empresas ligadas à Vale na eleição de 2010.

Naquele ano, segundo o Ibase, as doações para o PMDB (5,76 milhões de reais) apareciam apenas em terceiro lugar, atrás do PT, com 10,38 milhões de reais, e do PSDB, com 6,95 milhões de reais. Ao contrário de 2014, quando as duas siglas também disputaram o segundo turno, a Vale só doava para os comitês nacionais de campanha, ou diretórios nacionais, e não para candidatos individuais.

A campanha do candidato Aécio Neves (PSDB), derrotado no segundo turno, recebeu no ano passado 2,7 milhões de reais da Vale Energia, criada ainda nos tempos da Vale do Rio Doce. Não constam no DCE doações de outras empresas da Vale.

A candidata Marina Silva (PSB, hoje na Rede) recebeu 488 mil reais da Mineração Corumbaense Reunida, a MCR, adquirida pela Vale há alguns anos de uma de suas principais concorrentes mundiais, a Rio Tinto.

O governador mineiro, Fernando Pimentel (PT), também teve campanha financiada por mineradoras. Entre elas, Vale Energia, Vale Manganês, MBR e MCR. Vale Manganês e Vale Minas do Azul (todas essas são da Vale) contribuíram com 1 milhão de reais para a campanha de seu concorrente, o tucano Pimenta da Veiga.

Eleito senador, o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) igualmente foi financiado pela CBMM (500 mil reais) e empresas da Vale, como Vale Energia (300 mil reais) e MBR (500 mil reais).

A MCR aparece como uma das principais doadoras para a campanha eleitoral do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), com 700 mil reais. A doação foi para o diretório do PMDB, que repassou a verba para o candidato. Ele também recebeu, igualmente por meio do diretório, 1 milhão de reais da CRBS, empresa especializada em prospecção mineral que investiu 32,35 milhões de reais na campanha de 2014, dos quais 4 milhões de reais para o Diretório Nacional do PMDB e 600 mil reais para a direção fluminense do partido.

Cunha foi o líder em emendas para o novo Código: nada menos que 90. Muito à frente do segundo colocado, Bernardo Vasconcellos (PMDB-MG), que apresentou 24 emendas. Um terço das emendas foram apresentadas por deputados do PMDB.

*Publicado originalmente no blog de Alceu Castilho no Outras Palavras.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Cuba e o imperialismo brasileiro

No passado, o Estado brasileiro tomou um grande empréstimo junto aos bancos ingleses, por ocasião da independência, e, isso sem falar que conseguiu a independência, assumindo a Dívida Externa da Coroa Portuguesa (na prática comprou a independência), ou seja, o Estado brasileiro nasceu devendo. Todo empréstimo foi gasto para criação da estrutura do país que surgia e a grande maioria desse empréstimo foi investido (gasto) na capital Rio de Janeiro.

Atualmente, o Brasil fez um grande empréstimo ao Estado de Cuba e a alegação, da oposição ao governo é que, o Brasil está precisando de investimentos, enquanto estamos enviando dinheiro para Cuba!

Porto Mariel em Cuba
Estranhamente, esses empréstimos feitos a Cuba, têm uma similaridade com os empréstimos que o Brasil fez junto aos Ingleses! Vejamos algumas dessas similaridades:

a) Do dinheiro que o Brasil tomou emprestado, aos Ingleses, parte foi para pagar a Dívida Externa (assumiu a Dívida da Coroa Portuguesa para garantir a independência) e o restante foi para comprar equipamentos administrativo e militar, na própria Inglaterra, para o novo pais que estava surgindo. Todo o dinheiro emprestado a Cuba foi gasto aqui no Brasil mesmo!

b) Como o Brasil comprou todo material militar e administrativo que precisava na Inglaterra, o comércio inglês foi aquecido gerando mais empregos. O empréstimo tomado por Cuba ao Brasil foi gasto totalmente aqui no Brasil na compra de material para construção do Porto Mariel.O fato dos cubanos ter comprado todo material, para construção do porto, no Brasil gerou milhares de empregos!

c) com o financiamento, para o novo estado que surgia, os ingleses se livraram do intermediário entre o comércio inglês e brasileiro. Antes, toda a mercadoria inglesa, vendida no Brasil, era feito por exclusivamente por intermédio dos comerciantes portugueses. Com o financiamento, do Porto em Cuba, o Brasil garante a atuação de várias empresas brasileiras instaladas diretamente no porto e não precisando utilizar intermediação de empresas estrangeiras no comercio na América Central e EUA (o litoral sul dos fica no Caribe). Dezenas de empresas brasileiras estão e serão instaladas no porto cubano!

d) O Brasil tem uma posição estratégica na América do Sul e com o financiamento e facilitação da entrada dos ingleses em nosso território, ficou facilitado o comércio inglês com os países vizinho do Brasil. O Porto de Mariel tem uma posição estratégica no Caribe (América Central). O porto conta com um calado (profundidade da água) de 16 metros e permite o atracamento de grandes embarcações e com a atuação de dezenas de empresas, neste porto, fica facilitado o comércio do Brasil com os países na América Central e com os EUA (América do Norte).

Na prática, os empréstimos, tomados pelo Brasil aos ingleses e o empréstimo do Brasil feito para cubanos, beneficia mais o país que estão emprestando do que os tomadores dos empréstimos!

Toda literatura referente a história do empréstimo do Brasil junto aos ingleses se refere como uma relação de imperialismo inglês e estranhamente nosso jornalistas e políticos da oposição (quando estava no governo emprestaram dinheiro a Cuba e Venezuela) gritam aos quatro cantos que estamos dando dinheiro a Cuba!

Texto original: CARLOS GEOGRAFIA

Texto relacionado:
Porto de Cuba e o que você precisa saber rápido.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
http://carlos-geografia.blogspot.com.br

sábado, 10 de outubro de 2015

Prevenção, melhor remédio!

Por: Eliseu 

outubro-rosaNão há muito a escrever, apenas pedir às mulheres que aproveitem que está mais fácil conseguir atendimento na rede pública de saúde durante este mês de outubro e que aproveitem a campanha “Outubro Rosa” para fazerem os exames. Não há porque ter medo. Se já houver o tumor ele será detectado precocemente e a chance de cura é enorme; caso não seja encontrado – que é o que todos queremos – ótimo. Se não forem feitos os exames e já houver o tumor ele aparecerá de qualquer maneira em fase adiantada, de difícil cura. Portanto, a melhor saída e cuidar mesmo.

Em 2012 perdi minha esposa para um maldito câncer (não foi o de mama) e não gostei nada. Foram 33 anos casados. Uma vida! Há… aproveitem e façam seus homens também procurar por exames. Essa nossa quase sub-raça só chega atrasada.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

O PMDB e as 30 moedas de Judas

No comando do Congresso, o PMDB sempre teve uma força maior que Dilma e o PT e sempre cobrou, cada vez mais caro, por sua cooperação com o governo

Por: Jean Wyllys, no CartaCapital 

pmdb_golpe_cunhaEntre uma crise política grave, que reflete diretamente no desempenho econômico do País e na confiança de seu povo, e uma crise internacional das commodities puxada pela desaceleração brusca da economia chinesa, que derrubou o valor de mercado dos bens brutos - agropecuários ou minerais - nos últimos anos a uma pequena fração do que já valeram, a situação da presidenta Dilma é extremamente delicada.

O isolamento político do que ainda resta da base governista, as propostas para uma saída da crise que, na prática, implicam a penalização daqueles que mais pagam impostos - ou seja, os mais pobres, que pagam imposto sobre a totalidade da sua renda e que, por conta das altas taxas de impostos embutidos neste consumo, têm seu poder de compra severamente afetado -, dos funcionários públicos e das políticas de assistência social, acabam servindo como um prato cheio para a oposição de direita, hoje capitaneada pelo PMDB, que deseja que, sangrando, o PT saia do governo e lhes dê, automaticamente, o cargo de chefia do Executivo.

Dilma e sua equipe, mais uma vez - que não é a primeira, e provavelmente não será a última - recorrem à benevolência de quem, hoje, lhes apunhala, e pedem a Cunha que participe da reforma ministerial que servirá para reduzir gastos com a máquina pública em tempos de aperto. Cunha, como não poderia ser diferente, recusou. A ele cabe o papel de algoz, autoproclamado. Quanto pior, melhor para ele e para seu partido: hoje o PMDB ocupa a vice-presidência, a presidência da Câmara e a presidência do Senado. Comandando o Congresso, sempre teve uma força muito maior que a de Dilma ou do Partido dos Trabalhadores, e sempre cobraram o aluguel de sua cooperação com o governo. Quando queriam mais, impunham ao Executivo sucessivas derrotas.

Plutocratas, sabiam impor seu poder econômico, evidenciado no tamanho de sua bancada. Sim, no Brasil o poder econômico influi diretamente no resultado das eleições: Cunha, por exemplo, teve tantos investidores em sua campanha que cada voto recebido teve um custo equivalente a 30 reais - apenas com as doações oficiais!

Cleptocratas de carteirinha, há trinta anos no poder, direta - com Sarney na presidência do país - ou indiretamente, são estes políticos com extensa ficha corrida de envolvimento em escândalos de corrupção que agora se impõem como peças chave do movimento pelo impeachment da presidenta, e é a eles a quem Dilma ainda recorre em busca de salvação.

Contra Cunha pesam acusações de crimes contra a administração pública, enquanto foi presidente da  Companhia de Habitação do Estado do Rio de Janeiro na década de 90, sonegação de impostos, a falsificação de documentos públicos, improbidade administrativa, compra de votos, abuso do poder econômico durante as eleições e, agora, é investigado por envolvimento nos episódios de corrupção na Petrobrás. Renan Calheiros, que não fica para trás, deu nome a um escândalo - o Renangate - que envolvia empresas, lobistas e sua atuação como presidente do Senado, ao qual renunciou à época, mantendo, porém, seu cargo graças ao corporativismo e ao voto secreto que ainda imperava.

São estes mesmos que pautam parte da imprensa e a opinião pública, que hoje atribuem ao PT a culpa de tudo, inclusive daquilo que não passa diretamente pelo controle do governo federal, mas que, claro, poderiam não ser vulnerabilidades tão grandes caso as gestões petistas tivessem tido, quando havia um bom cenário, a coragem de promover reformas e reajustes de rota. Isso afeta injustamente a credibilidade de toda a esquerda, porque embora as políticas desse governo não sejam de esquerda, são identificadas dessa forma pela simbologia do partido governista.

Nada foi feito, senão maximizar o lucro das instituições bancárias, penalizar ainda mais a população e, por fim, pagar o alto custo disto com uma desastrosa política de austeridade, quando sabemos que é perfeitamente possível contornar a crise sem tirar do prato e do bolso dos mais pobres. Com isto os algozes não se importam, o urgente é aprofundar a crise política e colher seus frutos, e disto, infelizmente, a população só se dará conta quando for tarde demais!

Nós, como bancada do PSOL, sempre lutaremos contra os joguetes políticos e também contra qualquer iniciativa que transfira para a população o ônus de uma administração ineficiente, marcada, assim como as que a antecederam, por escândalos de corrupção que juntam Legislativo e Executivo no mesmo balaio do enriquecimento ilícito, e por isto mesmo estamos à vontade para criticar tanto o governo quanto o bloco da oposição de direita.

Cunha já anunciou que lerá na quinta-feira 24 o parecer sobre o possível impeachment da presidenta. A ver.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

6 ideias para que os super-ricos paguem a conta

Prestem atenção em 100 mil contribuintes. Se conseguir que eles percam as isenções escandalosas que têm, teríamos mais dinheiro do que com os ajustes.

Por Reginaldo Moraes, no site Brasil Debate

Faz alguns anos, a Receita Federal divulga os grandes números das declarações de renda. Neste ano, divulgou dados que nunca divulgara. E com isso ficamos sabendo, número por número, coisas estarrecedoras que só podíamos deduzir, observando o comportamento de nossos ricaços. Veja alguns destaques:

Quantas pessoas físicas fazem declaração?

Quase 27 milhões.

Qual é o “andar de baixo”?

Os 13,5 milhões que ganham até 5 salários mínimos. Se deixassem de pagar IR, a perda seria de mais ou menos 1% do total arrecadado pela receita. Só. E gastariam esse dinheiro, provavelmente, em alimento, roupa, escola, algum “luxo popular”.

Quais são os andares de cima?

São três andares:

1. Os que ganham entre 20 e 40 salários mínimos. Correspondem a mais ou menos 1% da população economicamente ativa. Podem ter algum luxo, pelos padrões brasileiros. Mas pagam bastante imposto.

2. Tem um andar mais alto. Os que ganham entre 40 e 160 SM representam mais ou menos 0,5% da população ativa. Já sobra algum para comprar deputados (ou juízes).

3. E tem um andar “de cobertura”, o andar da diretoria, da chefia. A nata. A faixa dos que estão acima dos 160 SM por mês. São 71.440 pessoas, que absorveram R$ 298 bilhões em 2013, o que correspondia a 14% da renda total das declarações. A renda anual média individual desse grupo foi de mais de R$ 4 milhões. Eles representam apenas 0,05% da população economicamente ativa e 0,3% dos declarantes do imposto de renda. Esse estrato possui um patrimônio de R$ 1,2 trilhão, 22,7% de toda a riqueza declarada por todos os contribuintes em bens e ativos financeiros. Pode estar certo de que são estes que decidem quem deve ter campanha financiada. Podem comprar candidatos e, também, claro, sentenças de juízes.

Quem sustenta o circo? Quem mais paga IR?

A faixa que mais paga é a do declarante com renda entre 20 e 40 salários mínimos, que se pode chamar de classe média ou classe média alta.

Quem escapa do leão?

O topo da pirâmide, o grupo que tem renda mensal superior a 160 salários mínimos (R$ 126 mil). As classes média e média alta pagam mais IR do que os verdadeiramente ricos.

Em 2013, desses 72 mil super-ricos brasileiros, 52 mil receberam lucros e dividendos – rendimentos isentos. Dois terços do que eles ganham sequer é taxado. São vacinados contra imposto. Tudo na lei, acredite. A maior parte do rendimento desses ricos é classificada como não tributado ou com tributação exclusiva, isto é tributado apenas com o percentual da fonte, como os rendimentos de aplicações financeiras.

Em 2013, do total de rendimentos desses ricaços, apenas 35% foram tributados pelo Imposto de renda pessoa física. Na faixa dos que recebem de 3 a 5 salários, por exemplo, mais de 90% da renda foi alvo de pagamento de imposto. Em resumo: a lei decidiu que salário do trabalhador paga imposto, lucro do bilionário não paga.

O que isso exige da ação política?

Quando a classe trabalhadora e suas organizações se enfraquecem, burocratizam ou recuam, deixam a ideologia e os sentimentos da classe média sob o comando da classe capitalista. Mais ainda, da sua ala mais reacionária. Pior ainda: a direita conquista até mesmo o coração dos trabalhadores que são tentados a se imaginar como “classe média”.

Na história do século 20, o resultado disso foi a experiência do fascismo, em suas múltiplas formas e aparições.

Nos últimos anos, os bilionários brasileiros e seus cães de guarda na mídia perceberam que podiam conquistar o ressentimento da classe média para jogá-la contra os pobres, os nordestinos, os negros, tudo, enfim, que se aproximasse dos grupos sociais que fossem alvo de políticas compensatórias, de redistribuição. E contra governos e partidos que tomassem essa causa.

E a esquerda, de certo modo, assistiu a essa conquista ideológica sem ter resposta. Uma resposta política: a criação de movimentos reformadores que fizessem o movimento inverso, isto é, colocassem essa classe média contra os altos andares da riqueza. Nós não soubemos fazer isso. Talvez pior: acho que nem tentamos fazer isso.

Aparece agora essa urgente necessidade e a providência divina, travestida de Receita Federal, nos traz uma nova chance.

Já sabíamos que os brasileiros mais pobres pagam mais impostos, diretos e indiretos, do que os brasileiros mais ricos. Sabemos que todos pagamos imposto sobre propriedade territorial urbana – o famoso IPTU. E conhecemos o estardalhaço que surge quando se fala em taxar mais os imóveis em bairros mais ricos.

Mas sabemos coisa pior: grandes proprietários de imóveis rurais não pagam quase nada. Sobre isso não tem estardalhaço. É assim: se você, membro da “classe média empreendedora” passeante da Avenida Paulista, tem uma loja, oficina ou restaurante de self service, paga um belo IPTU. Se você fosse um grande proprietário rural (como os bancos e as empresas de comunicação), seu mar de terras com uma dúzia de vacas não pagaria ITR. Ah, sim, teria crédito barato.

Tudo isso já é mais ou menos sabido e merece reforma. Mas ainda mais chocante é o que se chama de “imposto progressivo sobre a renda”, que agora sabemos que é ainda menos progressivo do que imaginávamos.

Faz algum tempo escrevi um artigo dizendo que a Receita Federal deveria concentrar sua fiscalização na última faixa dos declarantes pessoa física, responsável por 90% do IR. Se o resto simplesmente deixar de pagar não vai fazer tanta diferença. Além disso, a faixa mais alta é aquela que menos recolhe na fonte e a que mais tem “rendimentos não tributáveis” e de “tributação exclusiva”, isto é, rendimentos derivados de investimentos, não de pagamento do trabalho.

Fui injusto ou impreciso, moderado demais. A Receita e os legisladores podem economizar mais tempo do que eu supunha. Basta que prestem atenção em 100 mil contribuintes, do total de 26 milhões. Essa é a mina. Se conseguir que eles paguem o que devem e se conseguir que eles percam as isenções escandalosas que têm, posso apostar que teremos mais dinheiro do que os ajustes desastrados e recessivos do senhor ministro da Fazenda.

O que isso significa para o que chamamos de esquerda – partidos, sindicatos, movimentos sociais? Sugiro pensar em um movimento unificado com uma bandeira simples: que esses 100 mil ricaços paguem mais impostos e que deem sua “contribuição solidária” para reduzir a carga fiscal de quem trabalha. É preciso traduzir essa ideia numa palavra de ordem clara, curta e precisa, mobilizadora. E traduzi-la numa proposta simples e clara de reforma, cobrada do governo e do Congresso. A ideia é simples: isenção para os pobres, redução para a classe média, mais impostos para os ricaços.

Talvez essa seja uma boa ideia para fazer com que a “classe média” que atira nos pobres passe a pensar melhor em quem deve ser o alvo da ira santa. Afinal, milhares e milhares de pagadores de impostos foram para as ruas, raivosos, em agosto, enquanto os nababos que de fato os comandam ficavam em seus retiros bebendo champanhe subsidiada.

Os passeadores da Avenida Paulista são figurantes da peça, eles não sabem das coisas – os roteiristas e produtores nem deram as caras.

Em que rumo os partidos e movimentos populares devem exigir mudanças?

1. É justo e perfeitamente possível isentar todo aquele que ganha até 10 salários mínimos. Não abala a arrecadação se cobrar um pouco mais dos de cima.

2. É necessário e legítimo criar faixas mais pesadas para os andares mais altos. Mas não é suficiente.

3. É preciso mudar as regras que permitem isenção e desconto para lucros e dividendos.

4. É preciso e é legítimo mudar as regras para os pagamentos disfarçados, não tributáveis, em “benefícios indiretos”. A regra tem sido um meio de burlar a taxação.

5. É preciso e é legítimo mudar as regras de imposto sobre a propriedade territorial. A classe média estrila com o IPTU. Mas deveria é exigir cobrança do ITR.

6. É preciso ter um imposto sobre heranças. Com isenção para pequenos valores e tabela progressiva.

Texto original : CARTA MAIOR

Publicado : CARLOS GEOGRAFIA

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Levy não enfrenta “tubarões”

Dilma errou. Errou principalmente ao colocar a raposa para vigiar o galinheiro

Por: Eliseu 

ditadura_militarMinha posição política sempre foi cristalina: sou de esquerda. Até na época dos malditos anos de chumbo - período que os militares “detonaram” o Brasil e poucos falavam algo contra –, mas que hoje ladram pedindo a volta dos militares ou apoiando o golpe contra a Presidenta (É Presidenta mesmo. É assim que ela gosta de ser tratada) Dilma o que no fim é a mesma coisa. E também não sou filiado ao PT ou qualquer outro partido político.

Mas como a grande maioria dos brasileiros, esse blogueiro está insatisfeito com a política econômica em curso. Porém, há de se ressaltar que antes de Lula, ou seja, do PT assumir o poder, o Brasil ficou 502 anos com a direita dominando o País e na maioria do “pequeno” período as coisas eram bem piores para os menos favorecidos. Antes a corrupção era bem maior, apenas não era investigada. O PT deveria ser aplaudido por mandar investigar. Devemos lembrar que a Polícia Federal é subordinada ao Ministro da Justiça que por sua vez é subordinado à Presidência da República. Esse é o principal motivo da podre elite brasileira ulular pelo impeachment  de Dilma, com o PIG liderado pela Rede Globo tanto “bater” na Presidenta.

Dilma errou. Errou principalmente ao colocar a raposa para vigiar o galinheiro, ou seja, colocar Joaquim Levy, sabidamente comprometido com os poderosos, como Ministro da Fazenda.

CartaCapital explana bem a situação em sua reportagem que transcrevo abaixo, com o título: “Levy boicotou medidas tributárias progressivas”.

levy_ministro_fazenda“Ministro não quis 'enfrentar tubarões'. No Senado, pesquisadores do Ipea dizem que fim isenção de IR em lucros e dividendos fecharia orçamento 2016 – Por André Barrocal — publicado 15/09/2015 14h40

O governo anunciou na segunda-feira 14 alguns aumentos de impostos para tentar transformar o rombo de 30 bilhões de reais no orçamento de 2016 em uma sobra de 34 bilhões. Embora tivesse à mão um leque de opções capazes de tornar o sistema tributário brasileiro mais justo, o pacote tem propostas progressivas tímidas. O motivo foi o boicote do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Entre as medidas anunciadas, só duas atacam a injustiça da tributação nacional, concentrada na taxação do consumo, um modelo punitivo dos mais pobres.

Uma cria uma tabela progressiva de imposto de renda (IR) sobre o lucro obtido na venda de imóveis. Hoje, há uma alíquota de 15% de IR no lucro nestas transações. O governo quer cobrar 20%, 25% ou 30% em cima dos ganhos que, durante um ano, superem um milhão de reais.

A outra reduz um pouco as vantagens obtidas pelas empresas no uso de um dispositivo chamado “juros sobre capital próprio”. Este mecanismo, criado por uma lei de 1995 e existente só no Brasil, permite às pessoas jurídicas inventar uma despesa para pagar menos IR.

Juntas, as duas medidas, caso entrem em vigor tal qual propostas pelo governo, vão render 2,9 bilhões de reais anuais, nas contas da equipe de Levy.

A principal aposta tributária do governo para fechar o orçamento de 2016 é recriar a CPMF com uma alíquota de 0,20%. Renderia 32 bilhões de reais por ano.

Além da volta da CPMF, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, defendia dentro do governo duas medidas tributárias progressivas. Alíquotas maiores para o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). E fim da isenção de IRPF na distribuição de lucros e dividendos a donos e sócios de firmas.

Barbosa contava com o apoio de ao menos dois ministros do chamado núcleo duro do governo: Miguel Rossetto (Secretaria Geral) e Ricardo Berzoini (Comunicações). Segundo um ministro deste núcleo duro, Levy resistiu a “enfrentar os tubarões”, tendo optado por propostas que lhe pareciam “neutras”, ou seja, incapazes de transmitir sinal contrário ao “andar de cima”.

“A principal medida de progressividade tributária hoje no Brasil é acabar com a isenção de IR nos lucros e dividendos”, diz Sérgio Gobetti, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e ex-secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Por coincidência, Gobetti participou logo após o anúncio do governo de um debate na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado sobre a carga tributária nacional. Ele e o também pesquisador do Ipea Rodrigo Orair examinaram dados recém-divulgados pela Receita Federal sobre o IRPF e concluíram que a maior distorção está na blindagem dos lucros e dividendos.

A isenção foi instituída pela mesma lei de 1995 que inventou o “juro sobre capital próprio”. Na declaração de IR entregue pelos brasileiros em 2014, essa isenção protegeu 71 mil contribuintes recebedores de quase 200 bilhões de reais isentos de tributação. “Há uma brutal concentração de renda no Brasil graças a essa isenção”, afirma Orair.

A volta do IR sobre a distribuição de lucros e dividendos poderia resolver quase sozinha os problemas do orçamento de 2016. Com uma alíquota de 15% como era até 1995, dizem os pesquisadores do Ipea, a taxação renderia 53 bilhões de reais por ano. Já com a aplicação da tabela progressiva do IRPF, com um teto de 27,5%, a arrecadação chegaria a 72 bilhões de reais anuais.

“O Brasil já avançou no gasto público para fazer justiça social. Falta arrecadar melhor”, diz o senador Lindberg Farias (PT-RJ), relator da subcomissão da CAE responsável pelo debate nesta segunda-feira 14.

sábado, 12 de setembro de 2015

Como a PM paulista tornou-se máquina de assassinar jovens

De repente, a força tarefa montada para apurar a chacina de Osasco — na qual 19 jovens foram assassinados — foi atropelada pelas investigações da Polícia Militar (PM).

A maior suspeita era de PMs envolvidos.

As investigações da PM atuaram em duas frentes: para atrapalhar os aspectos materiais e para comprometer os aspectos formais da investigação.

Na primeira frente, atrapalharam a colheira de provas e expuseram nomes de testemunhas. A partir do vazamento, todas elas passam a ser juradas de morte.

Na frente formal, caso as investigações levem a nomes de policiais de menor patente, com toda certeza serão anuladas nos tribunais superiores, já que crimes de morte só podem ser investigados pela Polícia Civil (PC). À PM cabe apenas investigar infrações administrativas.

Escancara-se, assim, um dos grandes desafios nacionais, que mais cedo ou mais tarde teria mesmo que ser encarado: o do enfrentamento do poder paralelo incrustado nas PMs, cuja manifestação mais trágica é a extraordinária taxa de letalidade nas suas ações. Em muitos lugares — especialmente em São Paulo — a PM tornou-se uma máquina feroz de assassinar jovens de periferia, escudada na mais absoluta impunidade.

O papel dos P2

Os problemas da PM começaram quando transformaram o P2 em agentes policiais.

Os P2 são uma espécie de polícia judiciária, responsáveis por levantar as infrações disciplinares e propor correções de rumo à polícia. Os PMs usam fardas, os P2, não. Os PMs são cidadãos comuns; os P2, os PMs de confiança.

Gradativamente houve uma alteração na sua atuação, conforme se contará mais à frente, tornando-se a linha de frente das operações extralegais da PM, como agentes de confiança do oficialato.

Essa máquina de assassinato foi montada de forma gradativa.

Na década de 70 consolidou-se a imagem da PC corrupta e da PM violenta. Vem de lá os conflitos entre as duas polícias.

Na linha de frente, os conflitos se manifestavam no próprio atendimento policial. O PM prendia o suspeito, levava para a delegacia e lá havia a primeira frente de conflito.

Há duas espécies de policiais civis.

O policial sério é garantista — isto é, não está lá meramente para apurar culpas, mas para apurar a verdade. Ele precisa seguir o Código de Processo Penal (CPP), requisitar laudos e perícias. Já a PM não se prende a códigos e busca culpados.

Além disso, não havia interesse em fortalecer a PC, porque a própria PM pretendeu desde sempre controlar o ciclo completo da apuração do crime. No passado, houve inúmeros casos de efetivos da PM cercarem delegacias para fazer valer a vontade do oficial, exigindo flagrante em determinados casos, contra a opinião do delegado, que não via motivos para tal.

O problema maior surgiu com a segunda espécie de policial civil, o corrupto.

Ainda na década de 70 a PM deu-se conta de que prendendo o contraventor e entregando-o em uma delegacia — em geral ligado ao jogo de bicho e ao bingo — apenas valorizava a corrupção da PC.
Talvez por efeito-demonstração, as companhias da PM que atuavam na região da Santa Ifigênia começaram a praticar venda de segurança. Havia reuniões formais entre os capitães e comerciantes. Os oficiais alegavam que o Estado não tinha verbas. Os comerciantes montavam então uma associação incumbida de recolher recursos para financiar os PMs. Foi o início de um modelo que se expandiu para outras regiões da cidade e deu início ao crescente mercado de segurança, dominado por companhias de propriedade de oficiais da PM.

Hoje em dia, é comum a venda casada de segurança por essas empresas. Tipo, se a contratarem garante-se pelo menos duas vezes por dia a presença de viaturas da Rota transitando pela região.

A segurança de quem pagava

A venda de segurança começou a dar na vista, porque regiões e cidadãos passaram a ser divididos entre os que podiam e os que não podiam pagar.

Para administrar a opinião pública, a maneira encontrada por setores da PM e das companhias de segurança foi a criação de grupos de extermínio.

Se surgiam problemas em determinada região, mandavam um esquadrão na calada da noite que executava meia dúzia de pessoas, quadrilheiros ou não. A ação servia para alertar os quadrilheiros: mudem-se! Para a população, passava a ideia de guerras de quadrilha.

Aos poucos, o modelo de execução foi sendo aprimorado.

Quando surgem problemas em determinadas regiões nobres, os grupos de segurança privada combinam entre si e aquele de outra região vai até o local, procede à matança e à desova dos corpos em outro lugar.

Esse mesmo procedimento passou a ser adotado por setores da PM.

Quando precisa matar alguém, setores da PM valem-se de três equipes. A primeira, executa as vítimas. A segunda, vai até o local e esconde as provas. A terceira comparece para registrar o crime.
A eficácia do modelo é assegurada por dois instrumentos.

O primeiro, o sistema de gestão avançado, que permite programar a ida ou retirada de policiais da área. Se um grupo de extermínio planeja uma ação em determinada área, basta acionar o sistema para tirar o policiamento do entorno do alvo.

O segundo é a falta de uma polícia técnica independente. O Instituto Médico Legal não tem verba própria. Depende da Polícia Civil, porque até hoje não foi instituída uma polícia científica, conforme preconizado pela Constituição.

No geral, os PMs desenvolvem laços de compadrio com médicos. De posse da escala de médicos, é fácil identificar aqueles menos exigentes nos laudos.

Os crimes de maio de 2006 só cessaram quando médicos do Conselho Regional de Medicina correram para o IML (Instituto Médico Legal) para acompanhar as autópsias. É nesse momento que aparecem as provas mais objetivas que podem levar ao criminoso.

Os crimes de agosto

Não foi por acaso que Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) exigiu providências do governo brasileiro tão logo foram divulgadas as notícias sobre a chacina de Osasco. Nos organismos internacionais, há consenso de que as autoridades públicas perderam o controle sobre as PMs.

A primeira atitude do Secretário de Segurança Alexandre de Moraes foi a constituição de um grupo de trabalho de 50 pessoas, entre policiais civis e procuradores estaduais visando apurar os crimes. Não incluiu ninguém da PM. Parecia que, pela primeira vez, seria rompida a blindagem.

Quando a PM colocou seu bloco na rua, o Secretário calou-se. Dele não se ouviu mais nenhuma palavra, nenhuma declaração.

A chacina de Osasco tornou-se um divisor de águas. Nos próximos dias se saberá onde reside o poder de fato em São Paulo: se no Palácio Bandeirantes ou se no quartel da PM.

Dessa resposta dependem centenas de rapazes de periferia que serão executados nos próximos meses, caso o governo de São Paulo atue de forma pusilânime.

Luís Nassif
No GGN

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Esse texto é para a nossa hipocrisia!

Fique bem claro que me causou repugnância e revolta ao tomar conhecimento do ocorrido, mas não podemos fechar os olhos ao que acontece em nosso quintal

Por: Eliseu 

refugiadoApesar de não concordar com a autora quando ela diz sobre “quem diz que menino de rua é trombadinha e é a favor da redução da maioridade penal” – eu (opinião pessoal), penso que quem comete crime, independente de idade, raça, religião, dinheiro, etc. deve pagar com cadeia –, o restante do texto traduz bem próximo o que vinha pensando sobre a foto da criança síria morta na areia, sendo o assunto mais comentado no Facebook nos últimos dias.

Abaixo reproduzo o texto de Nathali Macedo, no DCM.

“O grande acontecimento na internet nesta semana não foi uma modelo que foi traída ou uma subcelebridade que resolveu escrever uma autobiografia ou uma atriz que mostrou os seios na televisão. Foi a foto chocante de uma criança síria morta na tentativa de fugir da guerra e da fome e alcançar o primeiro mundo.

A família do menino Aylan Kurdi tentava entrar no Canadá, que teria negado pedido de refúgio e ofereceu asilo ao pai da criança depois que a foto viralizou na internet. Só depois que a tragédia foi assistida pelo mundo imigraçaointeiro – antes disso, a questão imigratória simplesmente não era um problema da Europa (e nem nosso, para sermos sinceros).

A fotografia – que promete ser um divisor de águas na atitude europeia com a questão dos imigrantes (embora eu, particularmente, não guarde essa esperança) — rendeu opiniões emocionadas, ilustrações tocantes e milhões de manifestações de condolências na internet.

Parece que o mundo enxergou que a questão imigratória – assim como várias outras questões sociais – é, sim, um problema nosso.

O poder da internet de viralizar absolutamente tudo finalmente alcançou um refugiado, um esquecido, um marginalizado, um invisível. É claro que é louvável saber que as pessoas – a internet, sobretudo – ainda são capazes de se deixarem tocar, mas isso me pareceu cruelmente raso e efêmero, exatamente como aquelas fotos de crianças africanas famintas nas timelines de quem diz que menino de rua é trombadinha e é a favor da redução da maioridade penal.

A foto viralizou exatamente como a Andressa Urach, a traição do Marcelo Adnet, a morte de um cantor sertanejo: nada muito frutífero, nada realmente tocante, nada que vista um sentimento permanente.

Esse texto é pra você que acha que o mundo vai mal porque um imigrante sírio foi fotografado morto numa praia, mas ignora a guerra urbana nas favelas da sua cidade. Que lamenta a questão imigratória na segurança do seu quarto, protegido pelos muros – visíveis e invisíveis – do seu condomínio, que acha tocante que a tentativa imigratória mate crianças (e adultos, e idosos), mas não enxerga que isso é um fruto amargo do mesmo sistema que não ampara o homem que te pede esmola na mesa de um bar.

Pra você que lamenta a fome na África, o trabalho escravo, a desigualdade social e a questão imigratória mas compra roupas no AliExpress. Pra você que se deixa tocar pela foto de uma criança morta – vítima da mesma, mesmíssima desigualdade que dizima o seu país, o seu bairro, a sua rua – mas é contra programas sociais.

Esse texto é para a nossa hipocrisia que, de tão cega, não nos deixa enxergar que nem o menino sírio, nem o garoto negro do sinal, nem as crianças mortas na rocinha são um fato isolado, e que tudo isso é, sim, um problema nosso. Esse texto é pra nós, que só tiramos os olhos de nosso próprio umbigo quando vemos a foto de uma criança morta com a cara na areia. Pra nós que somos insensíveis às mazelas da vida até que elas pisem na nossa consciência. Abraço!”

domingo, 6 de setembro de 2015

Formatando a vida

Chega um momento que tem que se decidir. Ou deixa os “vírus” tomarem conta, ou mesmo doendo, deleta-se alguns arquivos que gostamos

Por: Eliseu

life-resetQuem acompanha meu blog sabe que dificilmente me refiro a assuntos pessoais. Entretanto, minha vida pessoal se confunde com a do blogueiro, e se uma está de certa forma comprometida, a outra também fica. Fiquei mais de 40 dias sem adicionar uma postagem e sequer percebi. Ruim quando se trata de alguém como eu que gosta do debate.

Quando se refere à informática, software principalmente, pensa-se logo em jovens nerds. Mas na vida existem exceções, e no caso, sou uma. Gosto muito de software e comparo muitas vezes com o ser humano. Até algumas coisas temos em comum: vírus e as vacinas para os mesmos (antivírus).

O problema é quando nos preocupamos em demasiado em não permitir deixar os vírus agirem nas máquinas, principalmente para não serem invadidas e esquecemos-nos de nos proteger. Aí sim, o perigo ronda e ficamos sem proteção.

No computador a melhor solução é fazer backup do que temos de bom para não perder bons momentos e experiências e formata-lo, que significa apagar tudo e refazer todo o sistema voltando assim às configurações iniciais e, usando o backup, colocamos de volta o que temos de bom. Caso não queiramos perder nenhum arquivo em definitivo, podemos colocá-los em “quarentena” num disco separado. Não gosto de fim. Prefiro reticências!

eliseu_ocarcaraNa vida não é muito diferente. Descuidei de minha por alguns momentos e vi que tinha sido infectado por alguns “vírus”. Relutei, tomei as vacinas, mas como nos computadores, ficam “restos” nos registros, e eles, (os vírus) acabam voltando e se não resolvermos o problema logo eles “tomam conta” e acabam nos fazendo lentos, nos paralisando e nos dominando, assim como fazem nas máquinas.

Chega um momento que tem que se decidir. Ou deixa os “vírus” tomarem conta, ou mesmo doendo, deleta-se alguns arquivos que gostamos mas que estão nos paralisando.

Tomei a decisão: fiz o que faço com computadores para resolver de vez o problema: FORMATEI MINHA VIDA, usei o “backup” e guardei os bons arquivos. Mas como disse, prefiro as reticências ao ponto final. Então, os outros não deletei, guardei num “disco” separado de onde não causarão qualquer problema. Pode ser que algum dia a tecnologia dê condições de excluirmos os “vírus” recuperá-los “limpos”. É o que espero, e o futuro a Deus pertence.

O O Carcará está de volta em definitivo!

sábado, 25 de julho de 2015

Lula sobe o tom: “Eu, sinceramente ando de saco cheio. Profundamente irritado”

Ex-presidente criticou os setores conservadores que não aceitam o resultado da eleição da presidenta Dilma Rousseff na cerimônia de posse da diretoria do Sindicato dos Bancários do ABC

No: Rede Brasil Atual 

lulaO ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem (24) que a esquerda brasileira está sendo perseguida como os judeus foram pelos nazistas e os cristãos pelos romanos, e criticou setores conservadores do país que não aceitaram a vitória nas urnas da presidenta da república, Dilma Rousseff.

“Quero dizer para vocês que estou cansado de mentiras e safadezas, estou cansado de agressões à primeira mulher que hoje governa esse país. Estou cansado com o tipo de perseguição e criminalização que tentam fazer à esquerda desse país. Parece os nazistas criminalizando o povo judeu e romanos criminalizando os cristãos”, disse, em discurso na posse da diretoria do Sindicato dos Bancários do ABC, em Santo André.

O ex-presidente Lula afirmou estar cansado do “tipo de perseguição e criminalização que fazem às esquerdas desse país”. “Eu nunca tinha visto na vida pessoas que se diziam democráticas e não aceitam uma eleição que elegeu uma mulher presidente da República”, acrescentou.

O ex-presidente lembrou de realizações de seus governos, como o ingresso de milhares de estudantes no ensino superior e a ascensão econômica de milhões de pessoas. “Eles não suportam que um metalúrgico quase analfabeto tenha colocado mais gente na faculdade do que eles, não suportam que a gente não deixou privatizar o Banco do Brasil e comprou a Nossa Caixa e o Banco Votorantim”, disse Lula.

“Eu, sinceramente ando de saco cheio. Profundamente irritado. Pobre ir de avião começa a incomodar; fazer faculdade começa incomodar; tudo que é conquista social incomoda uma elite perversa”, acrescentou o ex-presidente.

Lula disse ainda estar otimista com o futuro do país e compreender a apreensão de parte da população com o desemprego e com a inflação, mas ressaltou que o cenário já esteve pior.

“O cenário hoje não é o ideal e nós sabemos. Eu me preocupo com a inflação, com o desemprego. Mas é importante lembrar que a crise que afeta o Brasil hoje é a mesma que afeta chineses e americanos. Nossa inflação hoje é de 9%, com perspectiva de queda. É importante lembrar que, quando assumimos o governo, ela já estava a 12%, que o desemprego era de 12,5%.”

O ex-presidente fez questão de deixar claro seu otimismo. “Não tenho medo de ser otimista. Somos um país grande, com uma enorme capacidade de recuperação e um mercado interno de 204 milhões de consumidores. Quem apostar no fracasso deste país vai quebrar a cara”.

Lula falou depois de Belmiro Moreira, que acabava de assumir a presidência do Sindicato dos Bancários do ABC. Emocionado, Belmiro lembrou a história de lutas da categoria e da região. Aos 14 anos, enquanto trabalhava como patrulheiro-mirim em uma indústria metalúrgica, acompanhou de perto as conquistas sindicais que mudaram o país. “É uma responsabilidade ter hoje aqui presente o presidente que mais mudou este país. Lula criou o Partido dos Trabalhadores e ajudou a fundar a CUT para que a gente tivesse mais representação nas esferas do poder.”

quinta-feira, 23 de julho de 2015

“Golpe é impossível”, diz Governador do Maranhão

Mostraremos nas ruas que golpe é impossível, refletiu o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) ao afirmar está atento à investida conservadora da oposição que anda cada vez mais assanhada. As declarações foram realizadas durante entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim.

No: Vermelho

flaviodinoMais uma vez, Flavio Dino rebateu as tentativas da oposição de derrubar a presidenta Dilma Rousseff e reiterou o papel que a população desempenhará para defender a democracia.
“Eu e milhões de brasileiros vamos às ruas defender a democracia. A nossa geração que viveu o fim da ditadura militar tem um imenso apreço por aquilo que construímos. É impossível qualquer tipo de golpe, não só pelas questões jurídicas, mas também pela questão política. A democracia deve ser preservada”, salientou o governador comunista.
E ainda destacou, “a contaminação do debate político pela pauta da polícia leva a um desgaste profundo de todas as instituições e a propostas absurdas, como essa do impeachment por impopularidade. Algo sem precedentes no Direito internacional ou brasileiro. Se houvesse impeachment por impopularidade, todos sofreriam impeachment. Figueiredo, Sarney, Fernando Henrique, Lula… Em algum momento eles foram impopulares”. 

Nordeste apoia Dilma

Em um movimento conjunto, Flávio Dino é um dos signatários de um manifesto de governadores do Nordeste em apoio à presidenta Dilma. Segue abaixo a integra do documento:

flaviodino_dilma“ACREDITAMOS NO BRASIL!
O Brasil é maior que as crises, é maior que as dificuldades. Já provou isso várias vezes. E todos nós temos de ser do tamanho do Brasil. O Momento é de grandeza. A situação é delicada? Sim. No Brasil e no mundo. Também enfrentamos, como governadores e vices, grandes desafios nos nossos Estados. Mas, o Brasil e os brasileiros já enfrentaram momentos mais difíceis, e vencemos!
Mais uma vez, vamos vencer! Com muito trabalho, fazendo o que precisa ser feito. Vamos retomar o desenvolvimento econômico e social com responsabilidade ambiental. Vamos sair maiores e melhores.
A hora é de união do setor público com o setor privado, das instituições com a sociedade, da política com o povo. O que queremos é ampliar a democracia, o fortalecimento das instituições, mais conquistas e avanços. Retrocesso, nunca mais. Defendemos, sobretudo, o respeito à Constituição Cidadã de 1988.
O Povo brasileiro fez uma opção em 2014, a quem confiou governar o Brasil. No mesmo momento em que elegeu todos nós, governadores e vices para governar os nossos Estados. O mandato de quatro anos determina um prazo para que os compromissos de campanha sejam cumpridos, para que os desafios sejam vencidos, os ajustes sejam feitos, os projetos sejam implementados e os resultados sejam colhidos. E isso exige respeito às regras constitucionais, razão pela qual consideramos incabível qualquer tipo de interrupção do mandato da Presidenta Dilma Rousseff, já que não há motivo jurídico para tanto.
Definitivamente, não será pela via tortuosa da judicialização da política, da politização da justiça ou da parlamentarização forçada que faremos avançar e consolidar o processo democrático, a importância social das instituições do Estado de Direito e a superação do desafio civilizatório de nosso tempo.
Nossa geração enfrentou a ditadura militar, deu a volta por cima, e tem um papel importante na construção de um Brasil Melhor. Fizemos isto, juntos, como governo ou oposição. Juntos, unidos e fortalecidos, vamos seguir em frente!
VIVA O POVO BRASILEIRO!
Flávio Dino – Governador do Estado do Maranhão
Paulo Câmara – Governador do Estado de Pernambuco
Camilo Santana – Governador do Estado do Ceará
Ricardo Coutinho – Governador do Estado da Paraíba
Wellington Dias – Governador do Estado do Piauí
Rui Costa – Governador do Estado da Bahia”

quarta-feira, 22 de julho de 2015

STF proíbe Moro de julgar ação envolvendo Cunha

Lewandowski decidiu que o juiz Sergio Moro terá de dar explicações antes de julgar o caso que cita a suposta propina de US$ 5 milhões a Eduardo Cunha

No: CartaCapital 

stf

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, decidiu nesta quarta-feira 22 que o juiz Sérgio Moro não poderá proferir sentença na ação penal em que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é citado, antes de prestar informações ao Supremo. Ele concedeu prazo de dez dias para que Moro se manifeste.

Lewandowski atendeu a um pedido da defesa do parlamentar, que deseja agilidade na decisão sobre a suspensão da ação penal em que Cunha foi citado por Júlio Camargo, um dos delatores do esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato. Os advogados pediram que a manifestação de Moro seja enviada por meio eletrônico e não pelos Correios.

Após receber a manifestação, o presidente do Supremo decidirá se suspende o depoimento de Júlio Camargo. Na decisão, Lewandowski explicou que a medida foi tomada para evitar a perda de objeto do pedido de Cunha.

Na semana passada, Camargo – ex-consultor da empresa Toyo Setal – disse a Moro, responsável pelos inquéritos da Operação Lava Jato na primeira instância, que Eduardo Cunha pediu US$ 5 milhões em propina para que um contrato de navios-sonda da Petrobras fosse viabilizado.

Durante o depoimento, Camargo comprometeu-se a falar a verdade por ter assinado acordo de delação premiada. Após a divulgação do depoimento, Cunha voltou a negar que tenha recebido propina de Júlio Camargo.

Os advogados pediram a suspensão do processo, por entenderem que cabe ao Supremo presidir o inquérito, em razão da citação do presidente da Câmara, que tem prerrogativa de foro. Eduardo Cunha é investigado também em um inquérito aberto no tribunal para apurar se apresentou requerimentos para investigar empresas que pararam de pagar propina.

Na ação em que Cunha foi citado, são réus o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, o doleiro Alberto Youssef, o empresário Fernando Soares e Júlio Camargo.