sábado, 31 de janeiro de 2015

O Perfeito Idiota Brasileiro

Jornalista critica o jeitinho brasileiro como forma de atraso no país.

Por: Superinteressante

super_imgperfeito-idiota-brasileiro1Ele não faz trabalhos domésticos. Não tem gosto nem respeito por trabalhos manuais. Se puder, atrapalha quem pega no pesado. Trata-se de uma tradição lusitana, ibérica, reproduzida aqui na colônia desde os tempos em que os negros carregavam em barris, nos ombros, a tolete dos seus proprietários, e eram chamados de “tigres” - porque os excrementos lhes caíam sobre as costas -, formando listras. O Perfeito Idiota Brasileiro, ou PIB, também não ajuda em casa. Influência da mamãe, que nunca deixou que ele participasse das tarefas - nem mesmo pôr ou tirar uma mesa, nem mesmo arrumar a própria cama. Ele atira suas coisas pela casa, no chão, em qualquer lugar, e as deixa lá, pelo caminho. Não é com ele. Ele foi criado irresponsável e inconsequente. É o tipo de cara que pede um copo d'água deitado no sofá. E não faz nenhuma questão de mudar. O PIB (Perfeito Idiota Brasileiro) é especialista em não fazer, em fazer de conta, em empurrar com a barriga, em se fazer de morto. Ele sabe que alguém fará por ele. Então ele se desenvolveu um sujeito preguiçoso. Folgado. Que se escora nos outros, não reconhece obrigações e adora levar vantagem. Esse é o seu esporte predileto, transformar quem o cerca em seus otários particulares.

O tempo do PIB (Perfeito Idiota Brasileiro) vale mais que o das demais pessoas. É a mãe que fura a fila de carros no colégio dos filhos. É a moça que estaciona em vaga para deficientes no shopping. É o casal que atrasa uma hora para um jantar com amigos. As regras só valem para os outros. O PIB (Perfeito Idiota Brasileiro) não aceita restrições. Para ele, só privilégios e prerrogativas. Um direito divino, porque ele é melhor que os outros. É um adepto do vale-tudo social, do cada um por si e do seja o que Deus quiser. Só tem olhos para o próprio umbigo e os únicos interesses válidos são os seus.

O PIB (Perfeito Idiota Brasileiro) é o parâmetro de tudo. Quanto mais alguém for diferente dele, mais errado esse alguém estará. Ele tem preconceito contra pretos, pardos, pobres, nordestinos, baixos, gordos, gente do interior, gente que mora longe. E ele é sexista para caramba. Mesma lógica: quem não é da sua tribo, do seu quintal, é torto. E às vezes até quem é da tribo entra na moenda dos seus pré-julgamentos e da sua maledicência. A discriminação também é um jeito de você se tornar externo, e oposto, a um padrão que reconhece em si, mas de que não gosta. É quando o narigudo se insurge contra narizes grandes. O PIB adora isso.

O PIB (Perfeito Idiota Brasileiro) anda de metrô. Em Paris. Ou em Manhattan. Até em Buenos Aires ele encara. Aqui, nem a pau. Melhor uma hora de trânsito e R$ 25 de estacionamento do que 15 minutos com a galera do vagão. É que o Perfeito Idiota tem um medo bizarro de parecer pobre. E o modo mais direto de não parecer pobre é evitar ambientes em que ele possa ser confundido com um despossuído qualquer. Daí a fobia do PIB por qualquer forma de transporte coletivo.

Outro modo de nunca parecer pobre é pagar caro. O PIB (Perfeito Idiota Brasileiro) adora pagar caro. Faz questão. Não apenas porque, para ele, caro é sinônimo de bom. Mas, principalmente, porque caro é sinônimo de “cheguei lá” e “eu posso”. O sujeito acha que reclamar dos preços, ou discuti-los, ou pechinchar, ou buscar ofertas, é coisa de pobre. E exibe marcas como penduricalhos numa árvore de natal. É assim que se mostra para os outros. Se pudesse, deixaria as etiquetas presas ao que veste e carrega. O PIB (Perfeito Idiota Brasileiro) compra para se afirmar. Essa é a sua religião. E ele não se importa em ficar no vermelho - preocupação com ter as contas em dia, afinal, é coisa de pobre.

O PIB (Perfeito Idiota Brasileiro) também é cleptomaníaco. Sua obsessão por ter, e sua mania de locupletação material, lhe fazem roubar roupão de hotel e garrafinha de bebida do avião e amostra grátis de perfume em loja de departamento. Ele pega qualquer produto que esteja sendo ofertado numa degustação no supermercado. Mesmo que não goste daquilo. O PIB gosta de pagar caro, mas ama uma boca-livre.

E o PIB (Perfeito Idiota Brasileiro) detesta ler. Então este texto é inútil, já que dificilmente chegará às mãos de um Perfeito Idiota Brasileiro legítimo, certo? Errado. Qualquer um de nós corre o risco de se comportar assim. O Perfeito Idiota é muito mais um software do que um hardware, muito mais um sistema ético do que um determinado grupo de pessoas.

Um sistema ético que, infelizmente, virou a cara do Brasil. Ele está na atitude da magistrada que bloqueou, no bairro do Humaitá, no Rio, um trecho de calçada em frente à sua casa, para poder manobrar o carro. Ele está no uso descarado dos acostamentos nas estradas. E está, principalmente, na luz amarela do semáforo. No Brasil, ela é um sinal para avançar, que ainda dá tempo - enquanto no Japão, por exemplo, é um sinal para parar, que não dá mais tempo. Nada traduz melhor nossa sanha por avançar sobre o outro, sobre o espaço do outro, sobre o tempo do outro. Parar no amarelo significaria oferecer a sua contribuição individual em nome da coletividade. E isso o PIB prefere morrer antes de fazer.

Na verdade, basta um teste simples para identificar outras atitudes que definem o PIB (Perfeito Idiota Brasileiro): liste as coisas que você teria que fazer se saísse do Brasil hoje para morar em Berlim ou em Toronto ou em Sidney. Lavar a própria roupa, arrumar a própria casa. Usar o transporte público. Respeitar a faixa de pedestres, tanto a pé quanto atrás de um volante. Esperar a sua vez. Compreender que as leis são feitas para todos, inclusive para você. Aceitar que todos os cidadãos têm os mesmos direitos e os mesmo deveres - não há cidadãos de primeira classe e excluídos. Não oferecer mimos que possam ser confundidos com propina. Não manter um caixa dois que lhe permita burlar o fisco. Entender que a coisa pública é de todos - e não uma terra de ninguém à sua disposição para fincar o garfo. Ser honesto, ser justo, não atrasar mais do que gostaria que atrasassem com você. Se algum desses códigos sociais lhe parecer alienígena em algum momento, cuidado: você pode estar contaminado pelo vírus do PIB (Perfeito Idiota Brasileiro). Reaja, porque enquanto não erradicarmos esse mal nunca vamos ser uma sociedade para valer.

*Adriano Silva, jornalista e publicitário, foi diretor de redação da SUPER entre 2000 e 2005.

Fonte: http://super.abril.com.br/historia/idiota-brasileira-804110.shtml

Ps. do O Carcará: Aqui no nosso condomínio Parque dos Pássaros, em Jardim Limoeiro na Serra/ES estamos cheios de PIB’s (Perfeitos Idiotas Brasileiros). Esquecem que em condomínio existem normas, regras. Pessoas que se vestem a rigor aos domingos, coloca uma bíblia debaixo do braço (nada tenho contra religião seja ela qual for, mas creio de deveriam ser exemplo para nós “mundanos”) e que não titubeiam em estacionar em local proibido atrapalhando todos os outros moradores; Perfeitos Idiotas Brasileiros que param seus carros limpos, brilhantes e bem conservados mas jogam a sacola de lixo no chão, com os receptáculos vazios; que passam pelos vizinhos, funcionários e sequer os cumprimentam; Perfeitos Idiotas Brasileiros que se precisar usam a furadeira em horários e dias proibidos sem importar com os vizinhos; o síndico (não sei se é um idiota) que só pensa em “escalpelar” os moradores com planilhas duvidáveis e serviços ineficientes; Perfeitos Idiotas Brasileiros que NUNCA vão às reuniões de condomínio demonstrar força e fazer valer nossos direitos. E tudo sob o olhar complacente da Caixa Econômica Federal que ainda tem a maioria dos votos visto que aqui é um programa do extinto PAR. Infelizmente!

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Superação!

Após ser vítima de um dispararo de arma de fogo, Luis Carlos tinha tudo para desistir da vida. Mas optou por viver, e viver bem

Por: Eliseu 

luis_carlos_cadeirante_projetoRecentemente tive o prazer de conhecer pessoalmente e brevemente um homem de valor, pessoa rara. Essa pessoa é Luiz Carlos, um jovem senhor que aparece no vídeo (créditos TV Gazeta) abaixo e que como poucos, deu a volta por cima.

Após ser balado e ter diversas complicações de saúde, resolveu dar a volta por cima e viver. Viver de forma plena, intensa! Para isso teve o fundamental apoio da família e das prefeituras de Vila Velha e Vitória que criaram um projeto de acessibilidade de cadeirante à praia.

Só que Luis Carlos não se contentou em apenas tomar banho de mar - um direito que deveria ser universal – e resolveu ir além. Tornou-se um atleta. Simplesmente atravessa a nado a Cuva da Jurema e percorre também a nado grandes percursos em Vila Velha, sempre com o apoio de guarda vidas das prefeituras.

As prefeituras de Vilha Velha e Vitória estão de parabéns pelo projeto, mas merecem críticas. O projeto não é divulgado – ou muito pouco divulgado - ao contrário do que é feito com pequenas obras de pouca importância coletiva e de cunho eleitoreiro, às quais são dispensadas verdadeiras fortunas com insersões diárias na mídia. Ao contrário, um projeto dessa importância não vem mrecendo o mesmo tratamento das prefeituras.

A você, guerreio Luis Carlos, meus sinceros parabéns pela sua força de vontade e determinação. E à sua família também meus parabéns pelo apoio, fato que infelizmente não se encontra em todos os lares brasileiros.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Corrupção tucana: Ministério Público investiga obras do Metrô, Sabesp e do Rodoanel

Os contratos apareceram na planilha apreendida na casa do doleiro Alberto Youssef

Por: Fabio Serapião, no Rede Brasil Atual com alguns pitacos do O Carcará 

metro_sabesp_corrupção_tucanoInteressante como o PIG, capitaneado pela Rede Globo, Veja e Folha estão empenhado em desmascarar a corrupção que ningém pode negar existe no Brasil. Mas interessante mesmo que só olham para o governo Dilma. Corrupção é corrupção, seja o governo que for. Porque a falta d’agua em São Paulo é culpa de São Pedro? Onde estão as raivosas reportagens sobre Metrô, Sabesp, Rodoanel e outras de Minas? Abaixo Fabio Serapião publicou uma reportagem no portal online Rede Brasil Atual que mostra o que anda acontecento:

Alvo de uma série de processos e inquéritos para apurar a atuação de um cartel de empresas em suas licitações, o Metrô de São Paulo entrou na mira dos promotores paulistas após aparecer em uma planilha apreendida na casa de Alberto Youssef. No documento, revelado por CartaCapital em sua edição 828, a estatal aparece em meio às 750 obras que, segundo a Polícia Federal, foram intermediadas pelo doleiro preso desde março em Curitiba e alvo principal da Operação Lava Jato. Com base nas informações publicadas pela revista, o Ministério Público instaurou um procedimento preliminar e solicitou à Justiça Federal do Paraná o compartilhamento de provas relacionadas à suposta ação de Youssef em solo bandeirante.

Além do Metrô, serão investigadas outras três obras apontadas na planilha, duas da Companhia de Saneamento, a Sabesp, e uma do Rodoanel. Subscrita pelo promotor Augusto Eduardo de Souza Rossini, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, o pedido relacionado ao setor metroferroviário tem como objetivo investigar possíveis “irregularidades consistentes em supostos desvios na licitação do trecho do Monotrilho entre as estações Oratório e Vila Prudente, integrante da Linha 15-Prata do Metrô e descumprimento do prazo de entrega do referido trecho pelos representados”.

No documento, uma planilha de 34 páginas com nomes de clientes relacionados a obras e órgãos públicos, a “Obra Vila Prudente” tem como cliente do doleiro a construtora baiana OAS. Além de alvo da Lava Jato, a empreiteira é integrante do consórcio responsável pela construção do monotrilho ao lado da Queiroz Galvão e da canadense Bombardier. Prometida pelo governador Geraldo Alckmin, do PSDB, para janeiro de 2014, a obra ainda não foi inaugurada. Na planilha, o doleiro cita o engenheiro Vagner Mendonça e aponta como o valor do contrato a cifra de 7,9 milhões de reais. Ao analisar a lista de projetos, a PF apontou que “pode-se deduzir que o doleiro tinha interesse especial nos contratos dessas empresas, onde de alguma forma atuava na intermediação”.

Além da planilha, caso o compartilhamento seja autorizado pelo juiz Sergio Moro, os investigadores da força-tarefa paranaense enviarão aos promotores paulistas uma série de documentos com potencial para colocar, mais uma vez, as caríssimas e lentas obras do Metrô no centro de um escândalo de corrupção. Em meio à papelada amealhada pelas diversas fases da Lava Jato encontram-se registros de movimentações financeiras em contas do doleiro sediadas no exterior que devem comprometer duas integrantes do consórcio do Monotrilho. Além da OAS, a Bombardier aparece em extratos encontrados sob a tutela do funcionário de Youssef João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado. A empresa canadense é alvo das investigações sobre o cartel de trens que teria operado em São Paulo durante as gestões de Mario Covas, José Serra e Alckmin.

O material no qual a Bombardier aparece foi apreendido na Queluz Investimentos, que, segundo a PF, servia de escritório ilegal do banco suíço PKB no Brasil. Os investigadores chegaram até a sede da empresa em busca dos rastros deixados por Almeida Prado. Preso desde o dia 1º de julho, o funcionário de Youssef é considerado pela força-tarefa como responsável pela abertura deoffshore em paraísos fiscais, por onde a organização criminosa escoava o dinheiro proveniente de desvios em licitações públicas. Ele é integrante da centenária família Almeida Prado e concunhado do vice-presidente da Camargo Corrêa, João Auler, outro detido na carceragem da PF no Paraná.

Uma das offshore criadas e administradas por Almeida Prado é a Santa Tereza Services Limited Partnership. Nela, além da Bombardier, os investigadores encontraram movimentações financeiras de outras empresas com contratos milionários em estatais federais e estaduais. Diz o MPF sobre a offshore: “Apurou-se que dentro da conta da Santa Tereza na Suíça há quatro subcontas, todas controladas pela organização criminosa de Youssef e utilizadas para práticas delitivas. No extrato da subconta Sanko Sider aparecem depósitos que são também relacionados à corrupção de funcionários públicos brasileiros: Bombardier, OAS Investments, Cimentos Tupy (...)”.

Mantida no PKB Private Bank da Suíça, a conta da offshore chegou a ter 3,2 milhões de dólares de saldo e, segundo análise dos peritos da PF, seus extratos do período entre 8 de outubro de 2012 e 4 de março de 2014 indicam “intensa movimentação financeira, com diversas operações com valores iguais ou superiores a 1 milhão de dólares”.  A subconta Sanko Sider, diz a PF, era abastecida por numerário proveniente da ação do doleiro em negociações relacionadas à venda de tubos para empreiteiras envolvidas no cartel da Petrobras. A planilha apreendida com o doleiro também está relacionada à Sanko.

Em nota, a Bombardier negou manter contato com a Santa Tereza ou empresas pertencentes a Alberto Youssef. Segundo a multinacional, em 2013, a empresa emitiu títulos para captação de recursos na forma de bonds que teriam sido adquiridos pelaoffshore em operação transparente e de acordo com as normas financeiras. “A Bombardier reforça seu compromisso com os mais altos padrões de ética corporativa em todos os países onde está presente”, diz a nota. Também em nota distribuída à imprensa, o Metrô criticou “a tentativa de extrair conclusões de documento cuja autenticidade e significado dependem de provas que já estão sendo produzidas com muita correção pelo Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal”. Segundo a estatal, o​ projeto da Linha 15, bem como todas as obras​ executadas pela Companhia, foi licitado com base na Lei nº 8.666, com ​ampla concorrência entre os consórcios participantes. O certame foi vencido pelo Consórcio Expresso Monotrilho Leste, que ofereceu o melhor projeto e o menor preço.

Somadas, as obras listadas na planilha de Youssef alcançam a cifra de 11,5 bilhões de reais. São 747 projetos executados por órgãos públicos entre 2008 e 2012. No caso do monotrilho da Vila Prudente, as relações do doleiro com as licitações ainda necessitam de uma investigação mais aprofundada. Mas o fato é que a instauração dos inquéritos por parte das autoridades paulistas é mais um passo no caminho da busca por todos os tentáculos da organização criminosa comandada por Youssef e que, segundo a PF, extrapola os limites da Petrobras e “assola o País de Norte a Sul.”

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Apesar de 2014 fraco, primeiro mandato de Dilma cria 4,8 milhões de empregos

Ano passado foi o pior para o emprego formal desde 1999. Mas saldo dos quatro anos é comparável ao do primeiro período de Lula e bem melhor que a primeira metade da gestão FHC

No: Rede Brasil Atual

dilma_empregoAno passado foi o pior para o emprego formal desde 1999. Mas saldo de 396.993 vagas, 700 mil a menos do que no ano anterior, 2014 foi o mais fraco desde 1999 para o mercado formal de trabalho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado hoje (23) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Mas o primeiro mandato de Dilma Rousseff (2011-2014) mostrou resultado comparável ao dos primeiros quatro anos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006) e bem melhor do que a primeira metade da gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-1999). Segundo os dados do MTE, o estoque de trabalhadores formais chega a 41 milhões. O dado positivo não esconde preocupação com as perspectivas para o mercado de trabalho em um ambiente pouco propício ao crescimento.

emprego_dilma_economiaDe 2011 a 2014, o Caged mostra saldo de 4,8 milhões de empregos com carteira assinada (o número não inclui a Relação Anual de Informações Sociais - Rais, que considera também os estatutários). O volume é próximo do primeiro mandato de Lula, quando foram criadas 5,6 milhões de vagas formais, de acordo com dados ajustados pelo ministério. No primeiro governo FHC, o país eliminou 1 milhão de postos de trabalho. O governo divulgou hoje um total de 5,2 milhões, mas incluindo informações da Rais.

Somado todo o período 2003-2014, o número de empregos com carteira criados no país chega a 17,7 milhões. Os dados são apenas do Caged.

O salário de admissão em 2014 teve aumento real (acima da inflação) de 0,92%, tendo como base o INPC-IBGE, e chegou a R$ 1.181,56. O ganho real foi de 1,39% para as mulheres e de 0,84% no caso dos homens. A relação entre o valor médio do salário das mulheres (R$ 1.075,52) e o dos homens (R$ 1.247,89) passou de 85,72%, em 2013, para 86,19%.

O ministro Manoel Dias afirmou que o Brasil "vive o pleno emprego", com regiões onde a taxa de desemprego fica abaixo dos 3%, citando Rio de Janeiro e Santa Catarina. "Em 2015, como os prognósticos da economia são mais positivos que em 2014, acreditamos que vamos continuar gerando empregos", acrescentou. Ele ressaltou que o Brasil continuou abrindo postos de trabalho, enquanto muitos países ainda não recuperaram o nível de emprego desde o início da crise internacional, em 2008. "Nesse mesmo período, o Brasil gerou mais de 10,5 milhões de postos de trabalho."

Embora o mercado formal brasileiro continue abrindo empregos, um movimento por vezes contrário à tendência mundial, o ritmo caiu pelo quarto ano seguido. Depois do recorde de 2,543 milhões de vagas com carteira em 2010, foram 1,945 milhão em 2011, 1,302 milhão em 2012 e 1,117 milhão em 2013, para chegar nos menos de 400 mil ano passado.

Apenas em dezembro, foram eliminados 555.508 postos de trabalho, perdendo na série histórica apenas para 2008 (-654.946). Por fatores sazonais, em toda a série do Caged há corte de vagas no último mês de ano. Em dezembro de 2014, todas os setores de atividade eliminaram empregos, sendo 171.763 na indústria de transformação (-2,05%), 132.015 na construção civil (-4,24%) e 148.734 nos serviços (-0,86%).

Em todo o ano, apenas dois setores se destacam na criação de vagas, principalmente o de serviços, com saldo de 476.108. O comércio abriu 180.814. A indústria fechou 163.817, enquanto a construção civil eliminou 106.476. A administração pública teve saldo positivo de 8.257, enquanto a agropecuária, praticamente estável, fechou 370 postos de trabalho.

Nota da Redação: a matéria foi corrigida às 15h, porque os dados do Caged divulgados hoje relativos ao período 2003-2006 são diferentes dos que constam no site do Ministério do Trabalho e Emprego.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Jeito tucano de governar: Sabesp se nega a publicar contratos de empresas que mais consomem água

Em resposta a pedido pela LAI, companhia defende sigilo de dados de interesse público alegando “segredo industrial” e “direito à privacidade e intimidade”

No: Agência Pública

sistema_cantareira_tucano_psdb_sabespEmbora a Lei de Acesso à Informação (LAI) determine, já no seu primeiro artigo, que toda a administração pública está sujeita a ela, incluindo “autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista e demais entidades” a Sabesp parece se considerar uma exceção.

Desde dezembro do ano passado, nossa reportagem pede, através da LAI, os contratos de Demanda Firme assinados pela Companhia de Saneamento com cerca de 500 empresas para o fornecimento de altos volumes de água. Juntas, elas consomem, em média, 1,9 milhão de m³/mês.

Agora, em resposta ao recurso da reportagem a Sabesp alega que as empresas têm direito à privacidade como as pessoas, este estabelecido pelo artigo 5º da Constituição. “A pessoa jurídica goza das garantias relativas à privacidade, garantindo-lhe o direito a segredos comerciais, fórmulas e métodos que lhe pertencem reservadamente, constituindo os elementos que compõem sua esfera privada”, defende a empresa na resposta (leia a íntegra aqui).

Para a advogada da organização Artigo 19, Karina Quintanilha, a comparação não tem respaldo legal. “O direito à privacidade, assim como o direito à informação, é um direito humano e tem certos critérios para ser aplicado. Não existe direito à privacidade de uma empresa, de pessoa jurídica”. Segundo ela, a posição da Sabesp não leva em conta a sujeição da empresa à Lei de Acesso. “A regra é o acesso à informação, a abertura dos documentos públicos e contratos. A exceção é o sigilo, e somente nos casos previstos na lei, nenhuma outra hipótese seria possível. Como a Sabesp é uma empresa de economia mista, está enquadrada no artigo primeiro, não tem como fugir disso”.

A Sabesp também alega risco de prejuízo às empresas contratantes. “As informações solicitadas que se referem a um dos segmentos de mercado atendido pela Sabesp, podem apresentar uma vulnerabilidade, tais como perdas financeiras e ameaças à realização de seus objetivos”. Mas esse argumento também não se justifica, segundo a advogada. “Estamos falando de contratos públicos já que a empresa por vontade própria estabeleceu uma relação jurídica com um órgão público. A partir do momento em que ela firmou esse contrato de demanda firme com a Sabesp, (o contrato) está sujeito à lei da transparência”. Para ela, a disponibilidade de contratos dessa natureza é fundamental “para que se tenha acesso à forma como esses órgãos administram os recursos públicos – no caso, a água”.

Na mesma resposta, a Sabesp menciona o Artigo 29 do decreto 58.052, que regulamentou a LAI no Estado de São Paulo, e determina: “O disposto neste decreto não exclui as demais hipóteses legais de sigilo e de segredo de justiça nem as hipóteses de segredo industrial decorrentes da exploração direta de atividade econômica pelo Estado ou por pessoa física ou entidade privada que tenha qualquer vínculo com o poder público”.

Segundo Karina, para que exceção pudesse ser feita teria que haver uma ação prévia da empresa nesse sentido. “(A Sabesp) deveria previamente classificar o sigilo, se fosse o caso, de acordo com a LAI. No caso do pedido sobre os contratos de demanda firme, caso existisse alguma informação protegida pelo sigilo industrial eles teriam que apresentar o registro disso. Mas essa é uma hipótese muito improvável já que o sigilo industrial ocorre quando tem alguma ‘fórmula’ da empresa a ser protegida por exemplo” explica.

Precedente negativo

Em um caso similar, o TRF da 2ª Região decidiu favoravelmente ao pedido do jornal Folha de S. Paulopara obter “relatórios de análise” de contratos firmados pelo BNDES. “Não há como acolher a tese de que o BNDES exerceria suas atividades de maneira idêntica às instituições financeiras privadas, sob o regime de direito privado, de modo a isentá-lo da fiscalização de toda a sociedade brasileira”, argumentou o juiz. E ainda acrescentou que “(…) os ‘Relatórios de Análise’ objeto do presentemandamus (ação judicial) são documentos produzidos pelo Órgão da Administração Indireta e que versam sobre utilização de recursos públicos, enquadrando-se, portanto, perfeitamente nas disposições da Lei de Transparência”.

Agora a reportagem da Pública recorreu à segunda instância, que é a Corregedoria-Geral da Administração (CGA), e está aguardando a resposta. Para Karina, se a tese da Sabesp for acatada pela CGA, pode abrir um precedente perigoso, “justamente porque através desses documentos de contratos é que a gente consegue informações precisas sobre as negociações estabelecidas ente empresas e o poder público”, explica.

“A Sabesp está colocando o segredo industrial como um princípio maior, acima do direito à informação. Isso levaria com certeza a um precedente muito negativo para a liberdade expressão e o acesso à informação”, diz a advogada da Artigo 19.

A Sabesp já foi alvo de críticas da organização, que monitora a aplicação da LAI no país, em um relatório publicado em dezembro sobre a crise do sistema Cantareira. De sete pedidos feitos à Companhia, nenhum foi respondido. “A gente entende que justamente nesse momento de crise é essencial garantir a transparência. É isso que vai possibilitar que a sociedade possa participar das decisões, e elas podem se continuamente monitoradas e acompanhadas pelas pessoas que são as mais afetadas”, completa Karina.

Contratos estimulam o consumo de água

Os contratos de demanda firme estão no centro da discussão sobre as políticas adotadas pela Sabesp nos últimos anos. Eles começaram a ser usados em 2002 pela Sabesp como forma de “fidelizar” clientes do comércio ou indústria que têm grande consumo de água. Em 2010, o contrato passou a valer para clientes que consomem acima de 500m³/mês. Empresas como a General Motors do Brasil, o aeroporto de Congonhas, a SPTrans, o Jockey Club de São Paulo, a Ford Brasil e a Universidade Metodista  já assinaram contratos dessa modalidade, garantindo um desconto que pode chegar a ate 40% do valor pelo alto consumo de água.

O programa prevê um consumo mínimo de água. Se o cliente consumir menos, pagará o valor completo de todo jeito. Se ultrapassar a quantidade acordada, paga a diferença. Ou seja, a empresa é penalizada se economizar, e é instada a usar mais água, já que pagará de qualquer forma. Outro problema nesse tipo de contrato é que a Sabesp exige exclusividade de fornecimento. Uma reportagem do Valor Econômico mostrou que um centro comercial na zona oeste de São Paulo foi forçado a abandonar dois poços artesianos para receber apenas água da Sabesp, em troca do desconto na conta.

As taxas cobradas não estão disponíveis no site da Sabesp. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa afirmou apenas que “cada contrato tem sua característica própria” e “as informações são confidenciais”. De acordo com os dados do Plano Estadual de Recursos Hídricos 2004-2007, o setor industrial respondia por 30,4% do consumo de água no estado.

A Sabesp finalmente reviu essa obrigação de consumo mínimo em março do ano passado, depois do agravamento da crise hídrica. Em 29 de dezembro, durante uma audiência na Arcesp, chegou a anunciar a intenção de isentar os clientes dos contratos de demanda firme da sobretaxa dos consumidores que aumentarem o consumo em relação à média do ano anterior – afinal liberada pelo TJ para vigorar neste janeiro. Depois da repercussão negativa já no dia seguinte nos jornais, as grandes clientes foram incluídas na sobretaxa. Mas os descontos previstos pelos contratos de demanda firme continuam a vigorar.

Para Marussia Whately, coordenadora da Aliança pela Água, coalizão de organizações da sociedade civil, esses contratos não levam em conta que a água é um bem escasso e é muito importante que sejam conhecidos pela população. “Muitas vezes os contratantes são prestadores de serviços para as pessoas, como supermercados, academia de ginásticas; com a crise há um interesse ainda maior em relação a como a água é consumida”. Além disso, ela destaca que “a postura da Sabesp e do governo do Estado, de ausência de informações claras e de canais mais amplos de diálogo com a sociedade, até contribuiu para piorar a crise”.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Serra/ES tem prefeito?

Por: Eliseu 

saude_audifax_serraNo post anterior falei um pouco sobre o “coxinha” prefeito de Guarapari. Mas a situação aqui na minha cidade não anda nada boa já há um bom tempo. Dois “rivais” de mentirinha vem se revezando à frente da Administração Municipal e com isso se perpetuando no poder. E o pior, com nosso aval. Não vou me estender muito porque se for para falar de todos os problemas e mazelas da nossa cidade o post vai ficar enorme.

Na área da saúde, em 2012 Sérgio Vidigal obteve o título de pior prefeito do país. Agora parece que Audifax (PSB) quer competir com ele e ficar com o amaldiçoado título. Algum cidadão que desafortunadamente precisar de um atendimento médico de urgência/emergência está perdido. Na melhor das hipóteses, para ser atendido - se for atendido com certeza será muito mal atendido - levará no mínimo 4 horas e correrá o risco de ter prescrito medicação errada, como já aconteceu com esse bloqueiro (ainda não entrei com uma ação na justiça porque sei que vai sobrar para o mais fraco, que evidentemente será a técnica de enfermagem).

ScanSe precisar de medicamento e não tiver dinheiro para comprar, ai sim, a coisa fica feia mesmo. Um “passarinho” me confidenciou que falta medicamentos básicos para hipertensão e diabetes já há vários meses em toda rede. E hoje eu mesmo tive um antibiótico prescrito que não havia na Unidade de Novo Horizonte. Consegui pegar em Praia de Carapebus que havia ainda alguns comprimidos. Por falar em Unidade de Saúde, a de Praia de Carapebus é uma verdadeira vergonha. Casa enorme alugada, mas não distribuída adequadamente para atender uma unidade de saúde. Para ter acesso à farmácia tem que subir (e depois descer, né?) uma estreita e perigosa escada, correndo sérios riscos de queda de graves consequências. A foto está acima.

Tem mais: para pegar o referido medicamento tive que argumentar com a funcionária que o SUS é universal e que tenho o sagrado direito de pegar em qualquer unidade de saúde do país desde que esteja de posse de uma receita emitida por médico credenciado ao SUS. Infelizmente grande parte da população desconhece esse direito. Até isso Audifax quer fazer. Se não mora no bairro, não tem medicamento. Oras prefeito…

E as aberrações não terminam ai.  O Azitromicina que me foi prescrito dois comprimidos me foi entregue três. Ao questionar a atendente da farmácia, a resposta: “não podemos cortar a cartela”. Conclusão: 50% do caro medicamento que não foi adquirido com dinheiro do Audifax e sim com o nosso vai para o lixo e outro munícipe ficará sem. Mas na receita foi colocado como entregue apenas dois!

Há… E se quis ser atendido direito tive que recorrer ao famoso jeitinho brasileiro e apelar para conhecimento no Hospital das Clínicas, porque se dependesse da UPA…

sábado, 17 de janeiro de 2015

Guarapari e seu prefeito “coxinha”

Prefeito de Guarapai Orly Gomes (DEM) disse que quem não pode gastar R$ 200,00 por dia não será bem recebido em Guarapari

Por: Eliseu

guarapari_coxinha_demJá estou um pouco atrazado desde a declaração do prefeito “coxinha” do DEM de Guarapari sobre o turismo na cidade, mas como o verão continua a todo vapor e apareceram outros “coxinhas” com a mesma ideia resolvi postar assim mesmo.

Repercutiu ma mídia local e nacional a declaração do prfeito Orly Gomes (DEM) de que não quer saber de turista pobre na cidade. “Precisamos de pessoas que venham com dinheiro para gastar, e assim, justificar os investimentos na cidade.” Essa foi a declaração do prefeito de Guarapari, na Grande Vitória, Orly Gomes (DEM), em entrevista à rádio CBN Vitória. “Medidas serão adotadas no município, como a cobrança de taxa para ônibus de turismo, limitação de pessoas em casas de veraneio, bem como cobrança de impostos. As medidas ainda não valem para o verão de 2015.”

Tal declaração só poderia mesmo vir de uma mente desequilibrada e completamente distorcida de políticos que só encontram abrigo em partidos como o DEM, que na verdade são uma ramificação do PSDB, partido elitista. O prefeito do DEM se esquece que moramos em uma Federação, e que temos o sagrado direito constitucional de ir e vir onde bem entendermos e com o dinheiro que tivermos, ou sem dinheiro, em território nacional.

Pobre prefeito rico, estamos indo com uma farofada pra Guarapari. Nos aguarde! A foto com os preparativos está acima. Chame a polícia!!!

E com essa O Carcará fianlmente deverá voltar a “bicar”.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A concentração das empresas nas gôndolas do supermercado

Dez grandes companhias abocanham de 60% a 70% das compras de uma família e tornam o Brasil um dos países com maior nível de concentração no mundo.

Reporter Brasil

Talvez passe despercebido àqueles que vão ao supermercado que um conjunto pequeno de grandes transnacionais concentra a maior parte das marcas compradas pelos brasileiros. Dez grandes companhias – entre elas Unilever, Nestlé, Procter & Gamble, Kraft e Coca-Cola – abocanham de 60% a 70% das compras de uma família e tornam o Brasil um dos países com maior nível de concentração no mundo. O que sobra do mercado é disputado por cerca de 500 empresas menores, regionais.

Quer um exemplo dessa concentração? Quando um consumidor vai à seção de higiene pessoal de um estabelecimento comercial e pega nas gôndolas um aparelho de barbear Gilette, um pacote de absorventes Tampax e um pacote de fraldas Pampers, ele está comprando três marcas que integram o portfólio da gigante norte-americana Procter & Gamble – que também é dona dos produtos Oral-B, para dentes.

O poder da Unilever

Uma dona de casa vai uma vez por mês ao supermercado fazer as compras para sua família: ela, o marido e duas crianças. Para a cozinha, ela compra Knorr, Maizena, suco Ades e a maionese Hellmann’s. Para a limpeza da casa, sabão em pó Omo e Brilhante. Compra ainda Comfort para lavar a roupa. Passa na área de cosméticos e pega o desodorante Rexona para seu marido, e sabonete Lux para ela. Compra pasta de dente Closeup, a marca preferida da filha.

Quase ao sair do supermercado, o filho liga e diz que quer sorvete. Ela compra picolés Kibon. Todas as marcas adquiridas por ela pertencem à Unilever, que em 2013 foi o maior investidor no mercado publicitário do Brasil, com R$ 4,5 bilhões aplicados. Omo possui 49,1% de participação de mercado em sua categoria, segundo pesquisa do instituto Nielsen em 2012. A Hellmann´s detém mais de 55% do mercado. A Unilever vende cerca de 200 produtos por segundo no Brasil.


Mercado de Bebidas


O que o refrigerante Coca-Cola, o energético Powerade, o suco Del Vale, a água Crystal e o chá Matte Leão têm em comum? Eles são marcas da Coca-Cola, que apenas no segmento de refrigerantes detém cerca de 60% do mercado nacional. E sabe quando está um dia de calor e você quer tomar uma cerveja? Há uma grande chance de que ela seja produzida pela Ambev, que concentra cerca de 70% do mercado com produtos como Brahma, Antarctica, Skol e Bohemia. A companhia Brasil Kirin (ex-Schincariol) possui pouco mais de 10%, e o Grupo Petrópolis, cerca de 10%.

Quer um chocolate?

Na hora dos desenhos, uma criança se senta à frente da televisão e pede para a mãe alguma coisa para comer. Uma vez no mês, ela decide trocar as frutas por doces. A mãe então oferece algumas opções: um chocolate Suflair ou um Kit Kat? Um chá Nestea ou um Nescau? Um Chambinho ou iogurte Chandelle? Uma bolacha Tostines ou Negresco?


No fundo, ele está perguntando à criança qual marca e linha de produtos da Nestlé ela quer, porque todas acima citadas pertencem à gigante suíça. O segmento de chocolates é concentrado. Segundo pesquisa do instituto Mintel, ele é dominado por três companhias líderes que possuem 85% do mercado. Kraft lidera ranking, seguida por Nestlé e Garoto (a empresa Garoto pertence à Nestlé, mas tem posicionamento independente, e ambas somam 46% de participação).

Empresas Brasileiras também concentram mercado

A BRF – nascida da união entre Sadia e Perdigão – é líder em vários segmentos das gôndolas: está presente em 28 das 30 categorias de alimentos perecíveis analisadas pelo instituto Nielsen, como massas, congelados de carne, margarinas e produtos lácteos. A BRF está na mesa de aproximadamente 90% dos 45 milhões de domicílios do Brasil. Ela é responsável por 20% do comércio de aves no mundo. Em pizzas, a empresa detém 52,5% do mercado e 60% do de massas congeladas no país.

Outra empresa brasileira com grande presença na mesa dos brasileiros e de outros países é a JBS, dona de várias marcas conhecidas, como Friboi, Seara, Swift, Maturatta e Cabana Las Lilas. Com essa variedade de produtos e a presença em 22 países de cinco continentes (entre plataformas de produção e escritórios), ela atende mais de 300 mil clientes em 150 nações.


Governo brasileiro incentivou a concentração empresarial?

Para alguns economistas, tem havido um aumento da presença do Estado na economia brasileira, um movimento que ganhou força no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o BNDES passou a conceder financiamentos a juros mais baixos para promover as chamadas “campeãs nacionais”.

Nesse caso, foi estimulada a fusão entre as operadoras de telefonia Brasil Telecom e a Oi, e a criação da BRF, fruto da união entre Sadia e Perdigão. Esse movimento de empresas brasileiras mais fortes no exterior cria gigantes, mas não necessariamente essa liderança traz vantagens para os consumidores brasileiros, que continuam com poucas opções quando vão ao supermercado. Será que essa ação do Estado beneficiou o consumidor final?

Em paralelo, as empresas estatais têm ganhado peso. No setor bancário, CEF e Banco do Brasil estão entre as cinco maiores instituições do país, sendo que a Caixa é líder em financiamento habitacional, e o BB, no setor agrícola. Em energia, a Petrobras é a maior empresa do setor, enquanto a Eletrobrás detém a liderança em geração de energia elétrica.

Mas essa concentração de poder nas empresas públicas é diferente das privadas. Um exemplo está no setor de energia, em que a Petrobras tem tido uma política de reajuste dos preços dos combustíveis alinhada à política de inflação do governo federal. Empresas estatais bem administradas podem render bons lucros, que se tornam dividendos para o governo federal, que, por sua vez, com esse dinheiro dos lucros, pode investir em setores essenciais, como saúde e educação.

Créditos da foto: reprodução

Texto original: CARTA MAIOR

Texto replicado: CARLOS GEOGRAFIA

domingo, 11 de janeiro de 2015

1964: O Julgamento de Deus [Impressões de Leitura]

Por Prof. DiAfonso


Tendo como pano de fundo a “ditadura que ainda engatinhava” ou a “gloriosa e vitoriosa Revolução Redentora” – como os militares golpistas e os bajuladores de plantão chamavam a quartelada de 1964 - e ambientado na “cidade pernambucana de Boi Pintado”, o romance “1964: O Julgamento de Deus” [Recife: Bagaço, 2014, 302 p.], do publicitário e escritor José Nivaldo Júnior, seduz não só pela capacidade que o autor revela ter de "costurar" a narrativa [coisa de quem incorporou o espírito de saber contar histórias e estórias], mas também pela maestria com que ele desenha e redesenha os personagens e constrói o papel que cabe a cada um deles no universo narrativo engendrado.

Com habilidade, José Nivaldo Júnior recria fatos históricos [o Golpe de 64, a onda de prisões que se seguiram a partir do endurecimento do regime ditatorial, a resistência ao golpe] e personagens históricos e não históricos alinhavando-os na teia ficcional em que o grotesco, a ironia, a intertextualidade bíblica, a presença da cultura nordestina com seu rico universo linguístico [notadamente no tocante ao aspecto vocabular: “bregueço”, “mulé”, “cabra safado”, "gota serena", "febre tifo do rato", “chamegar”, “falcudade”, “óidio”, “fela da puta”], com seus costumes e com seu misticismo latente não se insinuam, mas integram, de forma decisiva, a trama narrativa e com ela interagem.

Um a um, os personagens vão surgindo, compondo e contribuindo para que a tessitura narrativa desemboque no grande e incomparável evento, porque nunca antes registrado “em qualquer lugar do mundo”: o julgamento de Deus. Evento que traz em seu bojo um contraponto e uma crítica ao conservadorismo da Igreja Católica Apostólica Romana e ao próprio Golpe Militar.

Desse modo, personagens como seu Binoca, Mané Tiro Certo [beato Elias], Monsenhor Afonso, Továrish Lói, Cumpade Deca, Natércio Pai dos Burros [os Tetéus], o Xerife, a Dama de Ouro, coronel Honorato Francisco das Chagas, o Delegado, Honorato Meu Doutor, Francisquinho Pai Mandou, Jota França, “a bela irmã Maria do Espírito Santo” e Garapa vão sedimentando a trilha narrativa e sendo “cúmplices”, direta ou indiretamente, de um final dramático e surpreendente.

Para baixar a obra em pdf, com o consentimento do autor, clique aqui.