quinta-feira, 10 de março de 2016

Jurista diz que pedir prisão de Lula é absurdo e clara perseguição

Um dos mais respeitados juristas do país, o professor Celso Antônio Bandeira de Mello somou-se ao coro dos que avaliam que o pedido de prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem base jurídica. “É um absurdo”, rechaçou. Em entrevista ao Vermelho, ele classificou a solicitação do Ministério Público de São Paulo como mais uma “vergonhosa perseguição”.

No; Vermelho

dilma_golpe_lula“A única palavra que eu tenho para comentar isso é: ridículo. Não tem nenhum fundamento. O caráter persecutório é tão óbvio que é de se estranhar que um órgão de Estado não tenha vergonha de fazer isso”, criticou. Bandeira de Mello, reiterou a opinião externada na semana passada ao Vermelho, de que as tentativas de desmoralizar o ex-presidente são motivadas pelo temor de que ele se candidate em 2018. “Eu até sou capaz de entender o seguinte: esse pessoal que vem perseguindo o Lula de maneira tão óbvia, clara e chapada, evidentemente, só pode estar com medo que ele volte”, disse.

Para ele, esse temor tem levado a atitudes sem fundamento. “O Lula voltando, como parece inevitável se ele for candidato, é evidente que ele não vai poder ter contemplação com esse tipo de gente, com esse pessoal que agiu com tanta falta de caráter jurídico, que não têm apreço pelo Direito. E, como eles morrem de medo, vão cometendo um absurdo atrás do outro. Esse é apenas o último absurdo”, declarou.

De acordo com o jurista, “a imagem do MP fica péssima”. Para classificar a situação da instituição, Bandeira de Mello recorreu a uma famosa parábola.

“O escorpião pediu ao jabuti para ele lhe levar ao outro lado do rio, mas o jabuti argumentou que o escorpião poderia lhe picar. O escorpião lembrando que, caso isso acontecesse, os dois morreriam afogados. O jabuti então deu a carona, mas, no meio do rio, foi picado pelo escorpião. ‘Mas por quê? Vamos morrer os dois’, disse o jabuti. E o escorpião respondeu: ‘mas é da minha natureza’”, comparou o jurista. Segundo ele, no Ministério Público, tem muita gente “com esta natureza”.

Bandeira de Mello afirmou ainda que alguns integrantes da instituição agem como “donos da verdade”. “O MP recebeu muitos poderes nessa Constituição e ele se tornou muito importante. Mas aí eles acharam que são os donos da verdade e agora cometem esses disparates. No Paraná (onde ocorrem as investigações da Operação Lava Jato), nem se fala. E agora, aqui em São Paulo, onde pensava-se que eles não eram tão desabridos, essa conduta última em relação ao Lula é um sinal claro da falta de serenidade”, condenou.