quinta-feira, 24 de março de 2016

Sobe para 316 os políticos envolvidos na lista da Odebrecht

Oito políticas da lista são integrantes da comissão que analisa o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Nem ela, nem Lula foram citados.

No: Jornal do Brasil

serra-alckmin-aecioO número de políticos brasileiros presentes na lista apreendida pela Polícia Federal na casa de um ex-executivo da Odebrecht é maior do que os 200 inicialmente divulgados. Ao todo, os repasses da empreiteira se estendiam a 316 políticos de 24 partidos. A lista da empreiteira elevou a tensão ao colocar desde nomes da esquerda a líderes da extrema direita, no mesmo rol de suspeitos por receber propinas da companhia. Entre os citados, muitos integram a linha de frente do pedido de impeachment à presidenta Dilma Rousseff, que não consta entre os políticos nomeados, muitos deles com apelidos. Nem ela, nem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. – para o centro da Lava Jato. Os repasses foram feitos nas campanhas municipais de 2012 e para a eleição de 2014. Na relação, surgem nomes de ministro do governo, senadores e deputados.
Os executivos da empreiteira, responsáveis pela gestão da lista, ainda não disseram quem levava propina e quais foram aqueles que receberam doações legais para a campanha eleitoral.

Investigadores da PF disseram a jornalistas, nas últimas horas, que há suspeitas de que os registros envolvam tanto doações legais, declaradas à Justiça, como entrega de dinheiro do caixa dois da empresa. Os indícios de prova foram descobertos em fevereiro, na casa do então presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Júnior, no Rio, na fase Acarajé da Operação Lava Jato. A lista foi a público na noite passada mas, algumas horas depois, o juiz Sergio Moro determinou o sigilo do inquérito.

A “Lista da Odebrecht”, como ficou conhecido o novo escândalo, envolve ministros, líderes da oposição, governadores, senadores, deputados e prefeitos de capitais e vereadores. Destes, oito são integrantes da comissão que analisa o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Um dos principais líderes da oposição, o senador tucano Aécio Neves (MG) é citado como receptor de repasse no valor de R$ 120 mil. Há denúncias de que Aécio recebia também por outras fontes. O senador José Serra (PSDB-SP) também aparece como suspeito de integrar o esquema de propina da Odebrecht. A empreiteira também canalizou pagamentos para grupos que denominava de “parceiros históricos” – entre eles o ex-presidente José Sarney, o atual presidente do Senado, Renan Calheiros, e o senador Romero Jucá, todos do PMDB. Renan, Cunha e Aécio já constam como investigados e foram foram citados por delatores da Lava Jato como possíveis beneficiários do esquema de corrupção montado na Petrobras, da qual a Odebrecht é a maior pagadora.

Denominado “Caranguejo”, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) aparece ao lado da indicação que recebeu pagamento de “500”, sem maiores detalhes. Em uma das planilhas, sobre gastos da campanha de 2010, Eduardo Cunha aparece como “beneficiário” de doações feitas a outros dois partidos: PR e PSC. Entre outros políticos citados constam Paulinho da Força (SDD-SP), os tucanos Jutahy Magalhães (BA) e Paulo Abi-Ackel (MG), os democratas Mendonça Filho (PE) e Rodrigo Maia (RJ) e o peemedebista Osmar Terra (RS). Consta, ainda, o nome do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) que aparece como beneficiário de uma doação de R$ 400 mil em 2010.

Entre outros prefeitos citados estão o de São Paulo, Fernando Haddad (PT), o do Rio, Eduardo Paes (PMDB), apelidado de “nervosinho”, e de Salvador, ACM Neto (DEM). A lista também mostra uma possível tentativa de diluir os recursos na campanha eleitoral entre as diversas empresas do grupo Odebrecht. As empresas eram chamadas nas planilhas de “sponsor” (patrocinador). Também há citação a contribuições para candidatos da “região do Comperj”, o complexo petroquímico do Rio que é uma das maiores obras da Petrobras.