sexta-feira, 17 de junho de 2016

Jussara! Saudades...

Por: Eliseu 
Quem costuma ler meu blog sabe que não sou adepto a tratar aqui e também em redes sociais de assuntos pessoais. O Carcará é um blog político de tendência esquerda, sem renda, que mantenho apenas por idealismo. Mas este post se dedica à Jussara, minha amada Jussara, que tão cedo nos deixou. Não discutíamos política, principalmente por ela. Se ela poderá ver, saber, ler, etc. o que digo e estou publicando aqui pouco me importa. Teorias sobre o assunto existem aos montes, mas a verdade ninguém sabe.
 
 
Com Jussara foi pouco e intenso o tempo. Dia 21/4/2016, ao chegarmos do supermercado, ela teve uma dor forte na cabeça e desmaiou, só conseguindo segurá-la para que não caísse ao chão. Comecei a perder ali meu amor. Dentro da sala que ainda resido e estou agora. A socorri ao UPA, houve uma parada cárdico-respiratória, foi reanimada pelos médicos, enviada de ambulância UTI a um grande hospital, porém com reduzidas chances de sobrevivência. Sofrera um aneurisma cerebral de grande proporção. Ali, no frio CTI do hospital, ficou sem nada falar de 21/4 a 3/5, quando foi declarada sua morte cerebral. Mas em alguns dias que ali ficou penso ter me visto e ouvido. Conversei tanto com ela…
 
Após amenizar a perca de Ludzmar (a dor nunca acaba, e muito menos o esquecimento), conheci Jussara, que de mansinho entrou em minha vida, e quando percebi estava apaixonado. Mesmo sem casarmos formalmente, casados éramos. Vivíamos e nos respeitávamos como marido e mulher. Ela me amava profundamente, e eu, com minha desajeitada maneira de ser, retribuía.
 
Pois é Jussara, você que com seu jeitinho acabou tornando-se simplesmente amor, meu amor, não vou te pedir desculpas por não amá-la mais, porque sei que te amei como pude. E você sabe disso, e sempre demonstrou estar feliz comigo. Prova inequívoca me foi dada no dia de seu velório. Em meio á imensa tristeza que eu sentia, todas suas amigas me diziam como você estava feliz, como havia remoçado! Isto aliviou um pouco a dor. Problemas houveram, mas será tratado oportunamente. Não me esqueci de um detalhe sequer.
 
Jamais me esquecerei que no fatídico dia 21 eu havia deitado na parte da manhã e estava dormindo quando por volta de 12:30 acordei com você abraçada a mim, pelas costas, e me disse baixinho: “amor, venha almoçar”. Você mesmo não almoçou aquele dia e nunca mais.
 
Amor, você sabe que a única “reclamação” que teria de você é que não se cuidou mais. Não consegui convencê-la a tempo de ir ao médico. Talvez se você tivesse se cuidado mais estaria comigo. Mas é talvez. A tristeza que sinto é imensa, mas você sempre me pedia que eu continuasse a escrever, publicar em meu blog. Vou tentar, te prometo.
 
Sei que me perdi no texto, e peço desculpas aos eventuais leitores do post, mas não vou alterar. Ficará assim mesmo. É assim que estou me sentindo. Perdido!
 
Estou triste por tê-la perdido tão rapidamente, você sequer ter completado 51 anos, não ter gozado sua aposentadoria de menos de um ano. Mas quero te agradecer por tanta felicidade que me proporcionou neste pequeno espaço de tempo que juntos vivemos. Infelizmente mais um ciclo de minha conturbada vida se encerrou no dia 3 de maio passado. Evidentemente estou mais fraco,  porém, tentarei seguir adiante!
 
E uma inequívoca verdade amor, como já te disse quando ouvimos algumas vezes esta música, é sua letra: “Tudo que nós somos é poeira no vento” (livre tradução). Ou poeira ao vento, como queiram.

Jamais a esquecerei meu amor. Descanse em paz!