quinta-feira, 6 de julho de 2017

Da recessão econômica à depressão psicológica

Estamos numa situação generalizada de crises sobrepostas umas às outras e num ambiente de caos

Por: Leonardo Boff, no Rede Brasil Atual 

temer_corrupçao_golpeOs conceitos de crise e de caos podem nos ajudar a entender nossa realidade contraditória. Para esclarecer a crise se usa o diagrama chinês, composto por dois traços: um expressando o risco e o outro, a oportunidade. Efetivamente a crise contem o risco de desmonte de uma ordem até degenerar na barbárie. Mas também pode representar a oportunidade de refundação de uma nova ordem. Eu pessoalmente prefiro a origem filológica sânscrita de crise. Ela se deriva da palavra kir ou kri que em sânscrito significa limpar e purificar. Daí vem a expressão acrisolar: limpar de tudo o que é acidental até vir à tona o cerne. E crisol, o cadinho que purifica o ouro das gangas. Tanto em chinês quanto em sânscrito, as palavras são diferentes mas o significado é o mesmo.

Algo parecido ocorre com o caos consoante a cosmologia contemporânea. Por um lado, ele é destrutivo de uma ordem dada e por outro, é construtor de uma nova ordem diferente. Do caos, nos diz Ilya Prigogine, Nobel de química (1977), nos veio a vida.

Aplicando estes sentidos à nossa situação, podemos dizer que a crise generalizada e o caos dominante podem, se não soubermos manejar sua energia destrutiva, degenerar em barbárie e se aproveitarmos a positiva, numa nova configuração social do Brasil.

Atualmente vigora a oportunidade de fechar o ciclo de um tipo de política que nos vem desde a colônia, fundado na conciliação entre si das classes abastadas e sempre de costas para o povo, hoje atualizada pelo presidencialismo de coalizão. Parece que este modelo de fazer política e de organizar o Estado, controlado por estas classes e que implica grandes negociatas e muita corrupção, não pode ser mais levado avante. É demasiadamente destrutivo A Lava-Jato teve o mérito de desmascarar este mecanismo perverso e anti-social. Oxalá surja a chance de uma nova construção social

No entanto, o golpe parlamentar foi dado por estas classes no interesse de prolongar esta ordem que garantiria seus privilégios, no propósito de desmantelar os avanços sociais das classes populares emergentes e alinhar-se à lógica do Grande Capital em escala mundial, hegemonizado pelos USA.

Como observou Márcio Pochmann, um dos melhores analistas das desigualdades sociais e da riqueza e pobreza do pais, a elite brasileira escolheu o lado errado". Ao invés de aliar-se ao novo, ao arranjo político, econômico e social, à maior iniciativa de desenvolvimento multilateral desde o final da Segunda Guerra Mundial, iniciada na Eurásia que propõe uma globalização inclusiva e que nós pelo BRICS estávamos incluídos, escolheu o alinhamento tardio às forças que detém a hegemonia mundial sob a regência dos USA.

O orçamento desta nova iniciativa da Eurásia está estimado em US$ 26 trilhões até o ano de 2030 envolvendo 65 outras nações que responde por quase 2/3 de população mundial. Criam-se oportunidades de desenvolvimento, a começar pelos países mais necessitados. Aqui poderíamos estar e não estamos por causa de nossa inépcia e de nossa subserviência.

Esse projeto aponta para uma nova ordem mundial, uma espécie de keynesianismo global, inovador, com uma possível maior igualdade e justiça social, respeitada a soberania das nações.

O grupo ao redor de Temer optou pelo velho sistema militarista e imperial cuja segurança reside em bases militares distribuídas por todo o mundo. Entre nós estão na Argentina, no Paraguai, no Chile, no Peru, na Colômbia e também no Brasil através da cessão da base de Alcântara no Maranhão.

A venda de terras a estrangeiros, especialmente, lá onde existe grande abundância de água – por aqui passa o futuro da humanidade junto com a biodiversidade – fere profundamente nossa soberania e ofende o povo brasileiro, cioso de seu território.

Uma vez mais estamos perdendo a oportunidade do lado positivo da crise e do caos atuais. Desperdiçamos esta chance única, por falta de um projeto de nação livre e soberana. Deve-se, usando uma expressão de Jessé Souza à “tolice da inteligência brasileira” que está aconselhando Temer.

O efeito se nota por todas as partes: os 14 milhões de desempregados, os 61 milhões de inadimplentes, a desindustrialização, os 33 navios em construção entregues à ferrugem e a neocolonização imposta que nos faz apenas exportadores de commodities.

Assistimos, anestesiados, a este crime contra o futuro do povo brasileiro. Temer, sob vários processos, cuida de si mesmo ao invés de cuidar do povo brasileiro. Uma onda de indignação, de tristeza e de desamparo está se abatendo sobre quase todos nós. Da recessão econômica estamos passando à depressão psicológica. Se não reagirmos e não nos munirmos de coragem e de esperança, a barbárie poderá estar apenas a um passo. Recusamos aceitar este inglório destino.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Golpe falhou, diz imprensa internacional

Matéria de Dario Pignotti publicada nesta segunda-feira (26) pelo jornal argentino Página 12 destaca a crescente impopularidade do presidente Michel Temer. O diário avalia que a viagem que fez recentemente acabou não servindo como uma cortina de fumaça para encobrir os escândalos de corrupção em que se encontra envolvido.

No: Vermelho

golpe_temerO golpe falhou, diz o “Página 12”. Após 1 ano, 1 mês e 14 dias da saída da presidenta Dilma Rousseff, 76 por cento dos brasileiros exigem a saída de seu sucessor, Michel Temer, e 83 por cento clamam por eleições diretas, apontando o Partido trabalhadores (PT) com 18% das intenções de voto.O noticiário observa que esta pesquisa colocou o PT como a força mais popular no país. vale ressaltar que as Forças Armadas têm 43 por cento de confiança da opinião pública.

Temer tem 69% de rejeição após a perda de prestígio causado pelas alegações de Joesley Batista, dono do frigorífico JBS. Nem as promessas da coalizão, liderados por Temer e Aécio Neves, de um futuro econômico próspero para deixar para trás as recessões de 2015 e 3,8 por cento em 2016, que foi de 3,5 por cento foram cumpridas. Expansão este ano será de 0,4 por cento de acordo com a previsão do mercado que não vê uma reversão de desemprego que já ultrapassou 14 milhões de trabalhadores.

Confrontado com esta calamidade o PT começou a mostrar sinais de recuperação, ainda insuficientes para reverter o desgaste sofrido, mas todas as pesquisas concordaram que, se houvesse eleições o vencedor seria Luiz Inácio Lula da Silva. A mais recente pesquisa eleitoral colocou Lula na liderança com 27 por cento, seguido por Jair Bolsonaro, com 14 por cento.

O eventual triunfo de Lula explica porque PMDB e PSDB permanecem unidos na oposição para as eleições. Lula há alguns dias resumiu a saga de um golpe parlamentar para destruí-lo politicamente e instalar uma nova liderança, mas não vingou.

Leia aqui a íntegra da reportagem:

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Direita não consegue resolver a crise que criou

Fracasso do governo de Temer leva a um novo dilema aos que deram curso ao golpe: mantê-lo ou derrubá-lo para colocar um novo nome sem tanta unidade?

Por: Emir Sader, no Rede Brasil Atual 

Desde as denúncias mais recentes, o governo brasileiro ficou reduzido à sobrevivência de Michel Temer no poder, perdeu toda capacidade de iniciativa e passou a ter o objetivo único de se demorar o mais possível antes da queda. O pais fica ao deus-dará. A direita, que forjou essa via do golpe, se mostra incapaz de dar continuidade a ele e sem coragem de enfrentar as eleições diretas.

À direita não importava o que se fizesse para chegar ao objetivo maior – tirar o PT do governo. Todo tipo de aliança e de meio servia para obter esse fim e foi isso que levou ao golpe, com o vice-presidente à frente.

A presença blindada da equipe de Meirelles e os seus banqueiros representava a garantia de que a restauração do projeto neoliberal seria preservada. O pacote de reformas mandado ao Congresso era a expressão dessa restauração, junto com as políticas de ajuste e o desmonte da Petrobras.

Para isso o governo golpista contava com o grande empresariado, com a velha mídia e com uma folgada maioria no Congresso. Aprovar os retrocessos em termos de direitos dos trabalhadores e das políticas sociais era o termômetro do sucesso do governo e do próprio golpe.

A combinação entre a agressividade da Lava Jato contra o PT – elemento indispensável no golpe – e a fragilidade do governo pela sua composição de grande parte de corruptos, era um elemento frágil do governo, mas que serviu até quando ele pôde tocar as reformas no Congresso e o desmonte da Petrobras. As últimas denúncias deixaram o governo perto do nocaute. Está perdido, sem ação, isolado, na contagem regressiva para o seu melancólico final.

Mas esse esgotamento de Michel Temer mostra como a direita destrói seu próprio governo, sem ter construído alternativas. Numa atitude aventureira derrubou um governo legalmente eleito para colocar um bando de ladrões para dirigir o Estado brasileiro. Agora está prestes a tirá-los do poder, mas sem ter alternativa com um mínimo de legitimidade e de apoio.

O país paga um preço alto por essas aventuras da direita brasileira. Voltou a haver um forte processo de concentração de renda, depois de termos conseguido, pela primeira vez na nossa história, diminuir significativamente a desigualdade. Os direitos dos trabalhadores tiveram um enorme retrocesso, depois de estes terem conquistado os maiores avanços na história do movimento  no Brasil. As políticas sociais foram afetadas duramente, depois de o país ter saído do Mapa da Fome, igualmente ela primeira vez na nossa história.

O fracasso do governo de Temer leva a um novo dilema à direita que o guindou ao poder: mantê-lo, com o risco de que o governo se desagregue, sendo derrubado pelas denúncias de corrupção e já sem capacidade de aprovar o pacote de medidas que tanto interessa às elites brasileiras? Ou correr o risco de uma operação difícil de conseguir outro consenso para impor um novo Temer, mas sem poder contar com a unidade das mesmas forças que impuseram o golpe?

As vozes que sentem que as eleições diretas são o único caminho legítimo aumentam, mas na direita elas contam com a inviabilização da candidatura de Lula – que tem como vencedor seguro nas diretas. Mesmo sem ele, tem medo de que vença quem ele vier a apoiar.

A direita entrou num beco sem saída e termina fazendo com que o país, nas suas mãos, se encontre nessa mesma situação. Serão meses de disputa intensa, de caráter político e institucional, de massas, de ideias, da qual sairá um país distinto.

Ou a direita se aferra de qualquer maneira ao governo, tendo que aumentar a repressão e a violação das normas constitucionais e jurídicas, ou o país entra em um processo de redemocratização e reconstrução nacional, conduzido de novo pela esquerda.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Temer será interrogado pela PF

Por: Eliseu 

temer_corruptoDe acordo com o jornal conservador Estadão, o presidente, digo, golpista e ladrão (provas em áudio), Michel Temer e o seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures passarão a ser investigados de modo separado ao do também ladrão e traficante senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG).

a Polícia Federal já pode colher o depoimento do peemedebista, podendo, desde já, encaminhar as perguntas, que deverão ser respondidas por escrito em um prazo de 24 horas após o recebimento dos questionamentos. 

O Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, negou o pedido que a defesa fez para que depoimento só fosse tomado após a perícia no áudio da conversa de Temer com Joesley Batista, do grupo J&F. O empresário gravou o presidente em um diálogo no qual, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o presidente teria dado anuência ao cometimento por crimes.

Fachin pediu “máxima brevidade” no cumprimento do que determinou e destacou a manifestação da PGR de que, por haver investigados presos, o prazo para a tramitação do inquérito é mais curto. 

Roberta Funaro, está presa no curso da investigação aberta contra Temer — o que mantém a urgência para a tramitação.

Quanto a Aécio Neves, Fachin encaminhou o caso à Presidência do STF para que a ministra Cármen Lúcia decida sobre o pedido de redistribuição para um outro relator, com base em sorteio, diante da argumentação da defesa do tucano de que a investigação sobre o recebimento de R$ 2 milhões de propina da JBS não guarda conexão com qualquer outra de relatoria de Fachin.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Temer é indiferente à opinião pública

Para observadores europeus, 12 meses do governo Temer deixam legado de retrocessos no âmbito social e perda de confiança no sistema

Por: Deutsche Welle, no: CartaCapital 

temrHá um ano, o presidente Michel Temer assumiu o cargo interinamente após o Senado ratificar o afastamento temporário de Dilma Rousseff. Na cerimônia de posse, Temer falou em “pacificar a nação” e “unificar o Brasil” e enfatizou que era urgente formar um governo de ”salvação nacional”. Na ocasião, também aproveitou para anunciar os nomes de seus novos ministros. Ele também citou uma frase que viu em um outdoor: “Não fale em crise, trabalhe.”

Nas horas seguintes, as reações aos nomes que iam comandar os ministérios já deram o tom de como o governo Temer seria encarado e analisado. Jornais, ONGs e observadores estrangeiros criticaram a falta de diversidade do gabinete, composto quase que exclusivamente por homens brancos. Pouco antes do anúncio, esperava-se que Temer conseguisse ter um período de lua de mel com a opinião pública. Ela nunca aconteceu.

Em duas semanas seria a vez de Temer perder um de seus “homens brancos”, Romero Jucá, para um escândalo que envolveu gravações e a suspeita de que o novo governo tinha uma postura duvidosa em relação à Operação Lava Jato.

Um ano depois, a popularidade de Temer – que já era baixa antes da posse – atinge impressionantes 4% de aprovação, segundo levantamento divulgado no final de abril. A mesma pesquisa mostrou que 92% acreditam que o País está no caminho errado. Ainda assim, o presidente redobrou sua aposta na indicação de nomes controversos para seu ministério, com a entrada de figuras como Osmar Serraglio, ligado à bancada ruralista, para a Justiça, e na proteção de ministros envolvidos nos escândalos revelados pela Lava Jato.

No plano das reformas, o governo continuou a promover mudanças reprovadas pela população, como a trabalhista, já aprovada na Câmara, e a da Previdência, que ainda enfrenta dificuldades no Congresso. Segundo uma pesquisa divulgada nesta semana, apenas 20% dos brasileiros apoiam a reforma da Previdência. A Trabalhista só é bem vista por 19%.

“Estado de exceção sob manto de normalidade democrática”

Para observadores estrangeiros ouvidos pela DW, o desapreço à opinião pública tem sido a característica que resume o governo Temer. ”Seus poucos apoiadores, principalmente o empresariado, encaram isso como uma vantagem, já que ele vai tentar passar essas reformas de qualquer jeito, mas isso só minou ainda mais a confiança dos brasileiros no sistema político”, afirma Thomas Manz, diretor da Fundação Friedrich Ebert no Brasil, organização ligada ao Partido Social-Democrata alemão (SPD).

“Este aniversário [de Temer na previdência] marca o fim da Nova República brasileira, baseada na Constituição de 1988. É o primeiro governo que veio depois da redemocratização que não tem os avanços sociais como prioridade”, considera Manz.

Para Gerhard Dilger, diretor da Fundação Rosa Luxemburgo no Brasil, ligada ao partido alemão A Esquerda, os 12 meses de governo Temer não devem ser analisados pela clássica fórmula erros x acertos.

“O governo Temer está implementando uma série de medidas neoliberais que atingem os brasileiros mais pobres. Infelizmente, trata-se de uma política deliberada, e não de um ‘erro’”, diz. Segundo ele, a questão principal continua sendo a falta de legitimidade do presidente. “O Brasil está vivendo uma espécie de estado de exceção sob um manto de normalidade democrática.”

Segundo o cientista político suíço Rolf Rauschenbach, do Centro Latino-Americano da Universidade de St. Gallen, na Suíça, não se poderia mesmo esperar muito de Temer no governo.

Segundo Rauschenbach, é como se Temer não ligasse para o que vai acontecer depois de 2018. “Que tipo de país ele vai entregar? Seus aliados só promovem reformas que beneficiam a própria classe política. Não surgiu nada que vai garantir uma normalidade institucional depois das próximas eleições”, considera.

Rauschenbach destaca como único ponto positivo do governo Temer uma capacidade de ter momentaneamente acalmado um pouco a situação do país, apesar da impopularidade e da série de escândalos. “Apesar de tudo, a situação política, especialmente no Congresso, está um pouco mais calma do que nos últimos meses de Dilma”, afirma.

Retrocessos e escândalos

Com a proximidade do aniversário de Temer no poder, algumas publicações brasileiras destacaram números de seu governo. A promessa de que uma nova administração seria capaz de tirar o país do atoleiro foi uma das razões para o sucesso do processo contra Dilma.

Alguns indicadores reagiram, como a inflação, que recuou dramaticamente. Mas o país soma 14 milhões de desempregados, o que significa um índice de 13,7%. O crescimento do PIB não deve passar de 0,2% neste ano, segundo o Fundo Monetário Internacional(FMI), mas pelo menos deve reverter a tendência de queda dos últimos dois anos.

Para Kai Michael Kenkel, pesquisador associado do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga), em Hamburgo, a forma como Temer lidou com a economia foi só "uma saída de curto prazo", que "não inclui toda a população".

"A meu ver, o maior erro do governo Temer foram os cortes efetivos no financiamento da Educação e da Saúde, e também o abandono de importantes programas de combate à desigualdade", aponta. "O Brasil não possui o tipo de mão de obra que navegará sem danos extensos a um processo de privatização e terceirização sem salvaguardas sociais. Temo também um retrocesso grave na situação das mulheres, dos indígenas, além de outros grupos socialmente marginalizados no país."

Sobre os escândalos que marcaram os últimos 12 meses do governo Temer, Kenkel, afirma que eles eram previsíveis. "Era tudo pré-programado, já que a principal motivação do impeachment continua sendo a de liberar o caminho para a blindagem dos envolvidos com corrupção e o desmantelamento dos avanços sociais alcançados ao longo das últimas duas décadas", diz. "Os escândalos servem para enfraquecer ainda mais a confiança do brasileiro no senso de responsabilidade da classe política."

Ainda para o professor, o legado do governo Temer deve ser "um retrocesso marcante no âmbito social e uma vertiginosa perda de soft power do Brasil no cenário internacional". ​

Sobre algum eventual acerto acerto do governo Temer, Kenkel afirma que ainda ​está "à espera de algum no âmbito da política social". "Fora isso, em termos dos maiores acertos, o creme de avelã Nutella foi uma excelente escolha para o cardápio do avião presidencial", ironizou, citando a licitação nababesca para a compra de alimentos, lançada pela presidência no final de dezembro, criticada por acontecer ao mesmo tempo que o presidente exige sacrifícios da população. Na lista, o governo indicou que queria comprar 42 quilos do produto.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Quem vai aderir à greve geral de 28 de abril?

A greve está sendo convocada por oito centrais sindicais: CUT, UGT, CTB, Força Sindical, CSB, NCST, Conlutas e CGTB. Juntas, elas representam mais de 10 milhões de trabalhadores. Além de centrais opositoras ao atual governo, como a CUT, ligada ao PT, a paralisação contará também com aquelas tidas como aliadas de Michel Temer, como a Força Sindical

Fernando Frazão/ Agência Brasil, no: CartaCapital

greve_temerAs principais centrais sindicais do Brasil convocaram uma greve geral para a sexta-feira 28, na tentativa de demonstrar força e mobilização contra a reforma trabalhista e a reforma da Previdência propostas pelo governo de Michel Temer e a lei de terceirização, sancionada pelo presidente.

A expectativa é que categorias como petroleiros, metalúrgicos, bancários, metroviários, motoristas de transporte público, professores das redes pública e particular, funcionários dos Correios, trabalhadores da construção civil e o Tribunal Regional do Trabalho da Bahia engrossem a paralisação, em várias cidades, contra as reformas, consideradas prioritárias para o governo, mas rechaçadas pela população. A reforma da Previdência, por exemplo, é rejeitada por 93% dos brasileiros, segundo pesquisa do instituto Vox Populi encomendada pela CUT e publicada no último dia 13.

Segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo, o sindicato dos Aeroviários de Guarulhos pediu ajuda ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) para fechar os dois principais aeroportos do país, em São Paulo.

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O Sindicato Nacional dos Aeronautas, por sua vez, vai decidir nesta quinta-feira 27 sobre uma paralisação dos voos para Brasília (DF). A intenção é prejudicar a chegada de parlamentares à capital nacional e, consequentemente, a votação das reformas. Se aprovada, a mobilização terá início na próxima terça-feira, mesmo dia em que está marcada a votação da reforma da Previdência.

A greve está sendo convocada por oito centrais sindicais: CUT, UGT, CTB, Força Sindical, CSB, NCST, Conlutas e CGTB. Juntas, elas representam mais de 10 milhões de trabalhadores. Além de centrais opositoras ao atual governo, como a CUT, ligada ao PT, a paralisação contará também com aquelas tidas como aliadas de Michel Temer, como a Força Sindical.

Adesão no transporte

greve_temerSetores importantes, como o de transportes, também participarão do ato. Os pilotos e comissários de voo de todo o País decidiram na segunda-feira 24, em assembleia, decretar estado de greve para pressionar o governo e parlamentares a fazer mudanças no texto da reforma trabalhista que tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados. Uma nova reunião da categoria está marcada para a quinta-feira 27, quando os profissionais decidirão se paralisam suas atividades ou encerram o movimento.

Os aeronautas reclamam principalmente do trecho da reforma que trata do trabalho intermitente, permitindo a convocação apenas para trabalhos esporádicos, sem contratação permanente. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Rodrigo Spader, como as empresas aéreas têm períodos de altos e baixos na movimentação, o trabalho intermitente poderia ser aplicado, prejudicando os empregados do setor.

“Nos períodos de baixa nós seriamos dispensados do nosso trabalho e seríamos chamados somente quando a aeronave voasse novamente. Então isso atingiria tanto pilotos de pequenas aeronaves como de grandes empresas.”

No Rio de Janeiro, trabalhadores dos ônibus urbanos da capital, do BRT, dos VLTs, do transporte intermunicipal, do fretamento de turismo e do transporte escolar decidiram paralisar suas atividades contra as atividades.

Em São Paulo, os trabalhadores do transporte coletivo municipal e intermunicipal de 21 cidades da região metropolitana cruzarão os braços. Condutores da Baixada Santista, ferroviários de quatro linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e metroviários também decidiram paralisar as atividades por 24 horas.

Com a adesão do Sindicato dos Rodoviários do ABC, o movimento grevista deverá atingir empresas de ônibus de todas as cidades da região.

Categorias filiadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, que inclui aeroviários, rodoviários, portuários e agentes de trânsito também afirmaram que cruzarão os braços.

Motoboys e mototaxistas, representados pelo Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxista Intermunicipal do Estado de São Paulo (SindimotoSP), confirmaram a adesão ao movimento grevista e também participarão da manifestação convocada para o mesmo dia no Largo da Batata, na capital paulista.

Escolas particulares

Em São Paulo, os professores da rede pública também devem participar das atividades grevistas. Engrossam o movimento o sindicato dos professores das escolas particulares cariocas e paulistanas, entre elas, unidades educacionais que atendem à classe média e alta, como o colégio Santa Cruz, São Luís e Escola Viva. Os docentes paralisarão também em outros estados, como Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Alagoas.

A Federação dos Trabalhadores em Segurança e Vigilância Privada (Fetravesp) pediu para que os vigilantes paralisem as atividades em São Paulo e participem da manifestação convocada para o Largo da Batata, na região oeste da cidade.

Funcionários do segmento de vigilância e segurança do Distrito Federal estão em greve desde quarta-feira 19, após assembleia realizada no dia anterior e que contou com quase 8 mil trabalhadores.

Os trabalhadores dos Correios devem antecipar o começo da greve para a quarta-feira 26, a partir das 22 horas, e pretendem manter a paralisação por tempo indeterminado. Além da pauta geral contra as reformas, os trabalhadores incluem entre as reivindicações demandas específicas da categoria, como a defasagem salarial e o congelamento de contratações de funcionários, vigente desde 2011.

Protagonistas de greves históricas, como a de 1978-79 no ABC, os metalúrgicos farão parte dos atos e também das paralisação. Bancários do Rio de Janeiro, São Paulo, Osasco e região não trabalharão no dia 28 de abril, em adesão à greve geral.

Largo da Batata

Soma-se ao movimento grevista a convocação de atos políticos em repúdio às reformas propostas por Temer. Em São Paulo, os manifestantes estão sendo direcionados para concentração no Largo da Batata, na região oeste, a partir das 17h. A expectativa é que o ato caminhe para a casa de Michel Temer em São Paulo, localizada no bairro Alto de Pinheiros.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Correios… reflexo de um País de ladrões

Por: Eliseu

IMG_20170418_134115771O Correios, um dos poucos órgão públicos que já foi bem avaliado pela população, hoje sofre as agruras de um governo ilegítimo, golpista, que o Sr. Michel Temer e sua quadrilha estão impondo ao funcionalismo público e toda a nação.

No bairro Jardim Limoeiro, o segundo bairro mais importante de Serra, passa de mês que correspondências não são entregues. Apenas as “registradas” e encomendas são entregues. Talvez seja porque o faturamento é maior.

Tentar “resgatar” uma correspondência na central dos Correios é uma tarefa quase impossível.

A foto acima, feita por volta de 13 hs, mostra o que o contribuinte vem passando.

Háá… E não há prioridade para idosos, gestantes, deficientes, etc conforme determina a lei.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Audifax. “A Cezar”…

Por: Eliseu

upa_cheia_audifaxHoje logo pela madrugada me “assustei” ao levar uma pessoa ao UPA de Carapina, na nossa bela cidade de Serra, cujo péssimo prefeito é o Sr. Audifax, e ser atendido de forma rápida. Havia poucas pessoas – até devido ao horário – e pelo menos um dos médicos estava acordado. Fato raro…

Mais “assustado” ainda fiquei ao chegar ao posto de saúde de Chácara Parreiral e, apesar do mesmo só estar atendendo para vacinação da febre amarela, ainda havia médico para fornecer laudos aos “véios”, digo, IDOSOS, dos quais faço parte, e a fila estava bem pequena.

Infelizmente não posso elogiar nosso prefeito Audifax, porque isso deveria acontecer desde sempre e para sempre. Ele, como todos os outros pares seus, deixaram a febre amarela dizimar algumas várias vidas para tomarem providências.

upa_carapina_gostosao_gostosonaHoje a crítica a Audifax será apenas para a falta de comunicação com os agentes de trânsito via Ciodes, dificultando acioná-los. Isso se servem para algo mais a não ser aplicar multas, geralmente escondidos em uma boa sombra. Havia no UPA, um “gostosão” ou “gostosona” que resolveu impedir a circulação dos demais veículos. Quem quisesse que voltasse de ré.

Seria bom se esse demagogo prefeito pusesse seus secretários para trabalhar, e fiscalizar seus subordinados. Afinal ele recebem polpudos salários às nossas custas.

domingo, 12 de março de 2017

Brasília é tomada por clima de “suruba”

Machismo, desdém com trabalhador, hipocrisia, conchavos, espertezas… Poderosos perderam o pudor

Por: André Barrocal, no CartaCapital 

temer_suruba_golpeÀs vésperas do Carnaval, o líder do governo Michel Temer no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), soltou a língua ao comentar a ideia de os políticos perderem o direito de serem julgados apenas no Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, se o foro privilegiado acabar, juízes e procuradores deveriam ficar sem também. Motivo: “Suruba é suruba”.

Suruba é a palavra perfeita para descrever Brasília atualmente. Os poderosos perderam o pudor, o ambiente é de alegre promiscuidade. Dizem o que pensam e defendem para o País, sem vergonha de parecerem machistas, elitistas, hipócritas, espertalhões. E ainda mergulham em conchavos para salvar a pele de todos e dos amigos contra a Operação Lava Jato.

A última semana foi uma apoteose desta suruba.

No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, Temer realizou um evento comemorativo no Palácio do Planalto. Em discurso, disse “com a maior tranquilidade, porque eu tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da [primeira dama] Marcela, o quanto a mulher faz pela casa, o quanto faz pelo lar, o que faz pelos filhos”.

Não parou aí. “Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes, por exemplo, de preços em supermercados do que a mulher.

Ao optar por ressaltar o protagonismo doméstico das mulheres, o presidente expôs sua convicção íntima sobre o papel delas na vida. Não que se encarregar dos filhos, do lar e das compras seja indigno, mas por que enfatizar esse aspecto, e logo com um minuto e trinta segundos do discurso de 11 minutos?

Está mais do que explicado por que o peemedebista, 76 anos, montou seu ministério em maio de 2016 apenas com homens (e brancos).

Longe dali, na mesma quarta-feira 8, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), era pura sinceridade. Ao comentar com jornalistas a reforma trabalhista proposta por Temer, chutou a Justiça do Trabalho: “Não deveria nem existir”. Fez igual com a CLT: “Esse processo de proteção gerou desemprego”

O que Maia quis dizer é que os empresários não conseguem pagar pouco a seus funcionários, pois a Justiça e a legislação trabalhistas impedem, daí que “a proteção gerou desemprego”.

Na verdade, o que eles não conseguem é pagar ainda menos. O salário mínimo no Brasil é de 937 reais. O rendimento médio de um trabalhador do setor privado, 1,7 mil reais. A renda per capita, de 1,2 mil reais mensais. Imagine-se quais seriam esses valores se não houvesse Justiça do Trabalho e CLT. Ou como seria a jornada semanal.

Detalhe: como deputado, Maia ganha 33,7 mil reais mensais pagos com dinheiro público, fora verbas indenizatórias etc. Vinte vezes o recebido em média por um trabalhador, que ele acha protegido demais.

Na véspera do Dia da Mulher, a Advocacia Geral da União (AGU), órgão sob a batuta de Temer, conseguiu uma decisão judicial que é outra prova do pouco caso de Brasília com os trabalhadores. O governo segue desobrigado de divulgar a “lista suja” do trabalho escravo.

A lista contém o nome de empresas flagradas com empregados em situação análoga à da escravidão e multadas por isso. É tida pelas Nações Unidas como exemplo. A vitória judicial da AGU foi uma vitória dos escravocratas do século XXI.

Os fazendeiros, bancada forte no Congresso e aliada de Temer, odeiam a lista. Sequer aceitam o conceito de “situação análoga à de escravidão”.

Os ruralistas ganharam um reforço na equipe de Temer com a posse do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) no Ministério da Justiça na terça-feira 7 e ele logo exibiu sua franqueza. Por exemplo: índio não precisa de terra. “Terra enche a barriga de alguém?”, disse na Folha da quinta-feira 9.

Afirmou ainda que “existem bandidos e bandidos” e que um deles “você olha nos olhos e quer passar longe, é um potencial assaltante, criminoso”.

Se “bandido” a gente reconhece pelos “olhos”, uma opinião incrível por si só, será que Serraglio não notou nada no olhar maligno do deputado cassado Eduardo Cunha, réu por corrupção e preso à espera de julgamento? No dia em que a Câmara aprovou o impeachment de Dilma Rousseff, inclusive defendeu “anistia” para Cunha, ou seja, nada de cassar o mandato dele.

A vitória da AGU contra a “lista suja” do trabalho escravo foi no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em decisão do presidente da corte, Ives Gandra Martins Filho. O magistrado tem visão similar à de Rodrigo Maia sobre os trabalhadores e a CLT. E também acha que Justiça do Trabalho só serve para atrapalhar empresários.

Suas opiniões sobre as mulheres são dignas de um discurso de Temer em data festiva. “O princípio da autoridade na família está ordenado de tal forma que os filhos obedeçam aos pais e a mulher ao marido”, escreveu em um artigo de 2012.

Gandra Filho chegou ao TST em 1999 graças às maquinações de Gilmar Mendes, na época chefe da AGU do governo Fernando Henrique Cardoso. Hoje ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Mendes tem se comportado como verdadeiro advogado de Temer. Reúne-se com ele aos sábados e domingos e em jatinhos da FAB. Tudo à luz do dia.

Enquanto Temer exaltava o papel doméstico das mulheres, Mendes dizia à Reuters que se a chapa Dilma-Temer eleita em 2014 for cassada no TSE, não há problema. Temer poderia seguir no cargo candidatando-se de novo, só Dilma ficaria inelegível. Por quê? “Evidente que o vice participa da campanha. Mas quem sustenta a chapa é o presidente, o cabeça de chapa.”

Se Temer não tem responsabilidade financeira com a chapa, por que então um jantar dele no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, com gente da Odebrecht, tornou-se um drama para o peemedebista, a ponto de várias pessoas terem prestado depoimento a respeito no TSE desde o fim do Carnaval?

Uma delação a tratar do jantar veio a público em dezembro e complicou um assessor especial de Temer na ocasião, José Yunes, amigão de longa data do presidente. Yunes logo pediu demissão, a esbravejar que a delação era “fantasiosa”, “abjeta” e que seu nome tinha sido jogado “no lamaçal”.

Dias antes do Carnaval, no entanto, o próprio Yunes, um rico advogado e empresário, rasgou a fantasia. Confessou publicamente em entrevistas que tinha, sim, ligação com o jantar, o qual servira para Temer captar 10 milhões de reais da Odebrecht. Mas tinha ligação na condição de “mula” de outro amigo de Temer, Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil. Só isso.

A tese defendida por Gilmar Mendes sobre Temer ser capaz de sobreviver política e eleitoralmente mesmo que a chapa de Dilma seja cassada no TSE tem sido discutida no PMDB. Seria essa a forma de contornar uma eventual derrota na corte.

Em entrevista ao SBT na segunda-feira 6, quem falou abertamente sobre isso, sem enrubescer, foi o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), aliadíssimo de Temer, de quem foi tesoureiro por muitos anos no partido de ambos. “A única regra clara que se coloca é que o presidente Michel Temer pode ser, inclusive, candidato novamente. Não se sabe se uma eleição direta, não se sabe se uma eleição indireta.”

Na noite seguinte à entrevista de Eunício, o aniversário de um jornalista reuniu alguns figurões da República em um tradicional restaurante de Brasília, o Piantella, que fechara as portas mas acaba de reabri-las. Entre os comensais, o senador mineiro Aécio Neves, presidente do PSDB.

Após aliar-se à Lava Jato para derrubar Dilma, o tucano parece outra pessoa. “É preciso salvar a política”, disse ele no jantar, perante jornalistas. “Não podemos deixar que tudo se misture”, é preciso separar dinheiro de propina de um lado, e dinheiro de campanha de outro.

Claro. Agora que Aécio e tucanos ilustres estão para ser tragados pela delação da Odebrecht, “é preciso salvar a política”. A suruba em Brasília está aí para isso.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Temer “homenageia” mulheres dizendo: lugar de mulher é em casa!

Por: Eliseu

temer_machista_golpe_mulherO pseudo presidente deste País, agora novamente rebaixado à condição de “republiqueta das bananas”, o golpista Michel Temer,  na quarta (8), fez uma “linda homenagem” às mulheres em seu dia internacional.

Talvez acostumado com a subserviência de sua cuidadora de idosos, digo, esposa Marcela, desde o início de seu mandato - subtraído ilegitimamente de Dilma Rousseff, com o apoio dos deputados, senadores e com a fundamental ajuda do Supremo Tribunal Federal, contando com a participação dos coxinhas (incluindo mulheres é claro) idiotizados pelo PIG, a mídia marrom encabeçada pela Rede Globo -Temer vem demonstrando seu pouco apreço às mulheres, deixando-as a “ver navios” no primeiro escalão do governo, formado exclusivamente por homens.

De acordo com CartaCapital, Temer disse: “o papel delas na sociedade brasileira à tarefas como cuidar da casa, da formação dos filhos e do gerenciamento das compras no supermercado”.

Durante seu discurso machista, Temer ainda reduziu mais o papel da mulher, colocando suas aptidões apenas à economia doméstica. "Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes, por exemplo, de preços em supermercados do que a mulher. Ninguém é capaz de melhor detectar as eventuais flutuações econômicas do que a mulher, pelo orçamento doméstico maior ou menor", disse o peemedebista.

O odioso discurso machista causou desconforto na plateia, de composição majoritariamente feminina Janaina Paschoal, Louca, esquizofrenica, doida, maluca, insana, e com a presença de servidoras e deputadas federais. Nas redes sociais, o descontentamento atingiu mulheres de todas as matizes ideológicas, como a professora da USP e uma das protagonistas do processo de impeachment de Dilma Rousseff, Janaina Paschoal (a louca), e a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).

 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Audifax, hipocrisia pouca é bobagem!

Por: Eliseu

17155821_1545719895439254_6921753374037029979_nA febre amarela está “atacando” com força no Espírito Santo e outros estados brasileiros, já com diversas mortes registradas. E nossos políticos não perdem nunca a oportunidade de aparecerem na mídia às custas da desgraça alheia. Vou focar no prefeito da cidade que resido, porque o conheço bem, e sei a realidade que vivemos aqui. Mas vale para boa parte dos políticos sem caráter que pululam por esse Brasil, que o dito popular diz ser terra abençoada e “achada” por Pedro Álvares Cabral.

Desde que começou as denúncias de macacos aparecendo mortos, as autoridades (?) vem dizendo que a doença está sob controle. Deve ser que está sob controle para eles próprios, seus familiares e sequazes, normalmente indicados a cargos públicos que tem acesso fácil, por meios duvidosos, às vacinas que são de TODA população.

Virou moda, principalmente aqui na nossa bela e mal administrada cidade de Serra, os “mutirões” de vacinação contra o raio da febre amarela que dão grande visualização na mídia, às custas de quilométricas filas, com “torturas” para a população, incluindo crianças e idosos, sob o escaldante sol dos trópicos, de fazer inveja aos métodos utilizados pelos malfadados DOI/Codi e DOPS.

Audifax deve delirar de alegria ao ver isso. Nosso péssimo prefeito “estufa o peito” para dizer que as unidades de saúde estão com disponibilidade para vacinas.

Mentira deslavada! Existe sim vacinação em alguns postos mas em horários reduzidos, e não em todos os dias.  E os “infelizes” que conseguiram chegar aos 60, como esse blogueiro, não podem se vacinar devido à falta do laudo médico. E médico para fornecer o laudo nas unidades já é utopia.

Continuo batendo na tecla que a população deve acordar do sono esplendido!

sábado, 4 de março de 2017

Cientista político diz que congresso não encontraria presidente mais submisso do que Temer

Na opinião de Leonardo Barreto, apesar da necessidade de dar resposta ao mercado e às forças que o apoiaram, governo Temer não vai arriscar uma ruptura para defender a reforma da Previdência

Por: Eduardo Maretti, no Rede Brasil Atual 

temer_previdenciaAprovar a agenda econômica é questão de vida ou morte para o governo Temer. Mesmo assim, os atuais ocupantes do Palácio do Planalto não vão arriscar uma ruptura política se a resistência à reforma da Previdência, por exemplo, ameaçar se transformar concretamente numa grande onda “Fora, Temer". “Eles (o governo) vão insistir, mas se perceberem que vai haver um tensionamento na sociedade a ponto de uma ruptura, eles recuam”, afirma o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB), em entrevista à RBA.

Para ele, o xadrez político do quadro atual passa pela relação de vassalagem, que existe entre Temer e o Parlamento. “Dificilmente o Congresso encontraria um presidente que fosse mais vassalo do que Temer”, diz. No feudalismo, o vassalo era um personagem submisso, que se dispunha a oferecer fidelidade  ao senhor, em troca de proteção.

Um eventual recuo do governo, no embate da reforma da Previdência, se ocorrer, ilustra o que é e tem sido historicamente o PMDB do presidente Michel Temer. “Se tem uma coisa que esses caras do PMDB sabem fazer é sobreviver politicamente”, aponta o analista. Apesar da necessidade de dar respostas ao mercado e às forças que apoiaram o processo que levou Temer ao poder, Barreto aposta que “eles não vão arriscar uma revolução por conta da Previdência”.

Para o analista, "a única força capaz de motivar uma ruptura política hoje é a rua”. Com o cenário confuso e a crise aumentando após o depoimento de Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na quarta-feira (1º), os desdobramentos do processo são imprevisíveis.

“Uma vez que os depoimentos mostram com muita clareza o envolvimento de muita gente, envolvimento direto do presidente e seus assessores em pedidos de doação, o TSE passa a ficar cada vez mais pressionado, mesmo que politicamente ele não tenha muita vontade de tocar isso.”

Qual seria o limite da paciência dos cidadãos para voltarem à rua? “Eu acho que estamos sempre muito próximos desse limite”, diz Barreto.

Temer resiste às denúncias, que já chegaram a seu gabinete?

Há duas possibilidades desse governo cair. A primeira seria pelo Congresso, e a segunda, uma decisão judicial. A segunda possibilidade se tornou maior após o depoimento do Marcelo Odebrecht. O processo de impeachment é muito difícil de acontecer, porque o mercado não quer e porque os parlamentares de certa maneira estão satisfeitos com Temer. E dificilmente o Congresso encontraria um presidente que fosse mais vassalo do Congresso do que o Temer. É um presidente que presta muita vassalagem ao Congresso, o tempo inteiro. Dificilmente encontrariam alguém que tivesse essa mesma relação com o Congresso.

Agora, na Justiça eleitoral a temperatura esquentou. O TSE tem um dever jurisdicional que precisa ser cumprido. Uma vez que os depoimentos mostram com muita clareza o envolvimento de muita gente, envolvimento direto do presidente e seus assessores em pedidos de doação, o TSE passa a ficar cada vez mais pressionado, mesmo que politicamente ele não tenha muita vontade de tocar isso. O Brasil é outro. Do ponto de vista puramente político, Temer tem uma situação razoavelmente controlada. O que cresceu foi o problema judicial. Hoje você tem um problema de prazo, quando esse julgamento vai acontecer. E um segundo problema é se a tese de separação das campanhas vai acontecer ou não.

É claro que a decisão do TSE não é puramente jurídica, tem um componente político muito forte. Acho que até existe uma vontade do TSE de adiar esse julgamento, porque a tese de separação das campanhas é muito difícil de ser sustentada. E parece que há provas em abundância de problemas de abuso econômico etc.

Supondo que a cassação seja aceita pelo TSE, poderia haver uma eleição indireta e uma "ditadura do Congresso"? O parlamentarismo seria uma opção para evitar um governo Lula?

Se você olha para quem assumiria hoje, Rodrigo Maia, do ponto de vista popular, ele teria muita dificuldade. No Congresso você não tem ninguém com autoridade ou legitimidade suficiente para propor um período longo do Congresso no poder. Existe mais risco de eleger uma tutela do Judiciário do que do Congresso. Mas, aí, ou o Judiciário determinaria uma eleição indireta, segundo a Constituição, o que talvez fosse mais provável, ou então ensejaria alguma alternativa para antecipar o processo eleitoral, o que seria contra o que está previsto.

O deputado Onyx Lorenzoni, da base de Temer, disse que “como está a reforma da Previdência não passa”. A questão da Previdência não poderia provocar uma mobilização maior do que o governo esperava, e nesse sentido ser um tiro pela culatra?

O problema da reforma da Previdência é que o governo fez um cálculo equivocado. Achou que poderia dialogar só com o Congresso e que o Congresso a toque de caixa teria condições de aprovar rapidamente. Ele errou em concentrar a comunicação no Congresso e errou em criar o tom, a propaganda, vamos dizer, da reforma da Previdência. Ele está usando um argumento puramente fiscal, dizendo que ou é isso ou o Brasil quebra. Mas por que a reforma da Previdência é boa para o Brasil? Ou, e isso do ponto de vista do governo, o que ele vai fazer com o dinheiro que economizaria? A reforma por si só já é complicada, ainda mais feita por um governo que tem problemas de legitimidade.

Esse é um governo que para continuar operando tem que aprovar a agenda econômica, é uma questão de vida ou morte para eles. Eles foram empossados para isso, para executar uma agenda econômica. Mas, por outro lado, é um governo que não tem insensibilidade política. Se ele vê a resistência aumentar e essa resistência se transformar num “Fora, Temer”, acho que ele abre mão, por algo como uma CPMF da Previdência, por exemplo. Se tem uma coisa que esses caras do PMDB sabem fazer é sobreviver politicamente. Então eles ficam pressionando a corda e avaliando até onde podem ir. A resistência no Congresso já tem uma sinalização, eles vão insistir, mas se perceberem que vai haver um tensionamento na sociedade a ponto de uma ruptura, eles recuam.

Em dezembro você afirmou que só as ruas ou fracasso econômico ameaçavam 'acordo de náufragos' entre Temer e Congresso. Isso continua?

Acho que até o próximo governo vai passar por isso, independentemente de quem seja. A população na rua e as fragilidades da economia são variáveis constantes da equação política brasileira hoje. Eles vão tentando conciliar uma agenda de liberalização que de alguma forma tente retomar um mínimo de atividade econômica e observando a reação das pessoas. Esse governo estabeleceu um acordo entre uma agenda de liberalização forte da economia e, em compensação, permite que o Congresso e as pessoas envolvidas em problemas tentem se salvar de alguma maneira, tenham uma agenda própria de auto-salvação.

Sabedor do compromisso do Temer com essa agenda liberalizante, o Congresso joga com isso também. Foi muito interessante a manifestação do deputado Fabio Ramalho (PMDB-MG), vice presidente da Câmara, dizendo que não vai votar a reforma da Previdência porque Temer não nomeou um ministro mineiro (Temer nomeou Osmar Serraglio, do PMDB-PR, para o cargo de ministro da Justiça, cargo reivindicado pela bancada mineira). Ou seja, ciente de que Temer depende muito da aprovação da agenda econômica, ele diz: ou você dá mais instrumentos e condições para a gente se salvar, ou a gente vai melar sua agenda econômica.

Temer está o tempo todo nessa gangorra. O Congresso não só sabe disso como a reforma da Previdência vem num momento em que a pressão por causa da Lava Jato aumenta – o STF liberando Valdir Raupp para julgamento, o Luís Roberto Barroso sugerindo uma mudança de interpretação do foro privilegiado, além do Janot anunciando que vai soltar uma segunda lista na semana que vem. Com tudo isso você soma elementos para uma combustão e capacidade explosiva gigante. Acho que o Congresso vai fazer uma coisa – que não deixa de ser uma chantagem também contra a sociedade: vai dizer que só vota medidas econômicas se tiverem um salvo-conduto. Não à toa, o Temer encarou o desgaste gigante de nomear o Alexandre de Moraes no STF, para ter algum tipo de controle. Num cálculo puramente político, Temer nunca bancaria o Alexandre de Moraes. Mas ele banca porque precisa oferecer alguma coisa para esse pessoal da auto-salvação, inclusive seus aliados e talvez ele mesmo.

E as mobilizações nesse processo?

Eles vão trabalhar se equilibrando nessa corda bamba. Qual é a força que pode acabar com esse equilíbrio? É a rua. Mas qual seria o limite da paciência das pessoas para elas voltarem à rua? Eu acho que estamos sempre muito próximos desse limite. Se você lembrar, a gente já teve manifestação, o pessoal pediu “Fora Maia”, “Fora Renan”, mas era um prenúncio. A gente está o tempo todo com o copo bastante cheio, esperando a gota. Podem ser as delações da Odebrecht? Como está tudo muito à flor da pele, às vezes um evento menor pode acordar o monstro e acordar a rua. Dentro do sistema político não há nenhuma força que tenha interesse e seja capaz de motivar um novo processo de ruptura política. A única força capaz de fazer isso é a rua.

Mas até o momento não houve rua suficiente. A Previdência, questão que mexe muito com o interesse de toda a sociedade, pode ser esse elemento?

Por isso que eu acho que o governo propõe e tira, vai fazer esse jogo para ver aonde ele vai. Apesar de toda a necessidade de dar resposta ao mercado e às forças que apoiaram o processo, eles não vão arriscar uma "revolução" por conta da Previdência. Acho que tiram o pé. Como disse, são hábeis no processo de sobrevivência. Mas é um governo que tem muito boas possibilidades de sofrer um revés muito forte, que passaria a se arrastar, a não oferecer mais perspectiva econômica. Aí talvez cresçam as conversas sobre antecipação de eleição, algo assim. Mas estamos falando sempre de hipóteses. O que a gente está vendo é a luta na trincheira, todos os lados muito fragilizados e a qualquer momento algo pode acontecer. Mas nosso poder de previsão dura cinco minutos.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Temer recebeu propina da Odebrecht, diz Yunes

O dinheiro seria parte, ainda segundo o delator, de um total de 10 milhões de reais acertados entre Temer e Marcelo Odebrecht

Por: Eliseu

temer_corrupçãoMuitos dizem que para mudar o Brasil, precisa mudar os políticos. E é o que tem que ser feito! Mas para que isso aconteça, antes a população de forma geral precisa de educação. Não só a educação formal, a da sala de aula, mas educação política. E isto não interessa ao políticos de direita que representam a fétida elite brasileira.

Temos uma geração de (na maioria), analfabetos funcionais. Aqueles que leem mas não sabem interpretar. Aí fica fácil para os políticos desonestos venderem seus “podres peixes”.

Estamos vendo há anos um verdadeiro massacre do PIG, capitaneado pela Rede Globo contra Lula. Desde a famosa “lava-jato” que o juizeco partidário do PSDB Sérgio Moro vem tentando sem sucesso provar que Lula, “o comandante supremo de toda corrupção no País” conseguiu comprar um apartamento e uns pedalinhos.

Enquanto isso denúncias contra políticos de direita são solenemente ignoradas por Moro, polícia federal, mídia golpista e a desinformada população.

Matéria de 24/2 do Rede Brasil Atual, que reproduzo abaixo mostra que Temer recebeu propina da Odebrecht, solenemente ignorada por nossas “zelosas” autoridades.

“Fui mula involuntário do Padilha”, disse o advogado à Veja, que confirmou sua versão à publicação e também ao jornal Folha de S.Paulo. “Não teria problema nenhum ele (Padilha) reconhecer que ligou para mim para entregar um documento, o que é verdade. Vamos ver o que ele vai falar. Estou louco para saber o que ele vai falar. Ele é uma boa figura. Mas, nesse caso, fiquei meio frustrado. Não sei. É tão simplório. É estranho, não é?", disse Yunes à revista.

Em seu depoimento, Yunes trouxe um elemento novo ao caso contra Temer e Padilha. Segundo o advogado, o mensageiro da Odebrecht era o doleiro Lucio Bolonha Funaro, que teria mencionado, em rápida conversa, financiamento a 140 deputados para “fazer o Eduardo presidente da Casa”.

Eduardo era Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deputado federal cassado que de fato foi eleito presidente da Câmara, cargo por meio do qual liderou o impeachment contra Dilma Rousseff (PT). Lucio Funaro é apontado pelo Ministério Público Federal como operador de Cunha e, assim como o ex-deputado, está preso no âmbito da Operação Lava Jato.

O pacote, afirmou Yunes, foi retirado mais tarde por uma pessoa que ele não teria identificado. De acordo com o blog do jornalista Gerson Camarotti, no portal G1, que também trata do depoimento de Yunes, a encomenda teria sido levada ao ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Encontro com Temer

Na carta de demissão enviada a Temer em dezembro, Yunes afirmara que tomou a decisão “em respeito à família”, para "preservar a dignidade". Nesta quinta-feira 23, Yunes esteve em Brasília e conversou com Temer. O encontro não aparece na agenda de Temer, mas foi confirmado pelo Palácio do Planalto ao Blog do Camarotti.

O nome de Yunes chegou às manchetes em 9 de dezembro, após o vazamento da delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht. No depoimento aos procuradores responsáveis pela Lava Jato, Melo Filho narrou ter enviado um emissário para entregar dinheiro vivo no escritório Yunes em São Paulo em 2014.

O dinheiro seria parte, ainda segundo o delator, de um total de 10 milhões de reais acertados entre Temer e Marcelo Odebrecht, o dono da construtora, em um jantar realizado em maio daquele ano no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência.

Esse montante de 10 milhões, afirma o delator, deveria ser dividido em duas partes: 6 milhões de reais para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, então candidato a governador de São Paulo, e 4 milhões para Eliseu Padilha, que distribuiria o valor para outros candidatos do PMDB.

Cunha, Moro e Temer

À revista Veja, o ministro-chefe da Casa Civil disse que não conhece Lucio Funaro e que não pediu nenhuma entrega a ele. Quando o caso veio à tona, o Palácio do Planalto confirmou o acordo com a Odebrecht para o repasse de 10 milhões de reais, mas disse que se tratava de verbas para financiar a campanha. O delator Cláudio Melo Filho sustenta que tratava-se de propina.

Réu na 13ª Vara Federal de Curitiba, na qual tramita a Lava Jato em primeira instância, Eduardo Cunha arrolou Temer como testemunha e apresentou uma lista de 41 perguntas a serem feitas a ele. O juiz Sergio Moro barrou, entretanto, 21 dessas questões, incluindo as três que citavam Yunes.

Nos questionamentos, Cunha perguntava sobre qual era a relação de Temer com Yunes e se o presidente “recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB". Na terceira pergunta, Cunha levantava a possibilidade de caixa dois ou propina ao indagar se as contribuições "foram realizadas de forma oficial ou não declarada”.

Na ocasião, Moro considerou as 21 perguntas excluídas como inapropriadas ou sem pertinência com o objeto da ação penal. Para o mundo político, a simples apresentação das perguntas por parte da defesa de Cunha foi uma sinalização do deputado cassado a respeito do potencial explosivo que uma delação premiada por parte dele poderia ter.

Após o Carnaval, três delatores da Odebrecht, incluindo Cláudio Melo Filho, serão ouvidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na ação contra a chapa Dilma-Temer, que pode ser cassada. Caso esse seja o desfecho do julgamento, Temer pode ser destituído e uma eleição direta definiria um presidente tampão até as eleições de 2018.

Dois pesos e duas medidas!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Serra, Audifax e seus buracos

“Não podemos negar o ditado que diz: ‘Cada povo tem o governo que merece!’ A classe política nada mais é que uma pequena amostragem do povo que governa; portanto, jamais será diferente de seus governados” Roger Bottini Paranhos

Por: Eliseu 

cabral_navegador_brasilBrasil, terra abençoada por Deus e todos Orixás, onde cantam os sabiás e o povo dorme em berço esplêndido, “achada” pelo incompetente navegador Pedro Álvares Cabral, que ia buscar pimenta para e rei, se perdeu e veio dar com os costados pelas bandas da Bahia, salvando assim seu “lindo” pescoço e tornando-se herói. Como todos o portugueses que por aqui aportaram, foram extremamente desonestos. A corrupção iniciou-se apenas em 2002 no governo Lula (pelo menos é o que dizem a fétida elite e seus imbecilizados aduladores, os pobres coxinhas, ou coxinhas pobres.

Os “achadores” portugueses sempre foram zelosos com as riquezas brasileira. Nunca roubaram nosso ouro, jamais roubaram o “Pau Brasil”, nem roubaram as pedras preciosas, etc. Só Lula e Dilma acabaram com o Brasil. Mas Temer já voltou com tudo no devido lugar.

Chegando aos dias atuais, e aqui no Espírito Santo (que aliás faz divisa com a Bahia), onde soldados enfrentam coronéis e são mantidos reféns nos quartéis por meia dúzia de senhoras, a segurança pública está a cargo das forças armadas (leia-se bairros nobres), ficando os bairros periféricos, ou menos desprovidos de população endinheirada jogados á própria sorte, o “couro” está comendo solto.

Ainda aqui no ES, na litorânea e linda cidade de Serra, Administrada (?) pelo incompetente Sr. Audifax Barcelos que nos últimos anos faz dobradinha com Sérgio Vidigal, tão sem vergonha como Audifax, já tendo Vidigal – pseudo-médico - o prêmio de pior prefeito do País na saúde, as coisas estão bem piores.

A cidade que tem a 2ª maior arrecadação do Estado, além de liderar de longe o índice de criminalidade, lidera também em terrenos baldios abandonados com criadores de mosquitos, cobras, onças, leões, leopardos, rinocerontes, elefantes, ratos de quatro e duas patas e mais alguns bichos. Nos postos de saúde, medicamentos apenas aqueles bem baratinhos e sequer sacolas disponibilizam. O mesmo acontece com água. Compraram modernos bebedouros, mas não disponibilizam copos. Gostaria de ver Audifax e seus lacaios ficarem lá por umas cinco horas sem serem servidos pelos puxa sacos comissionados.

WhatsApp Image 2017-02-14 at 18.56.02 (1)E para não estender muito, as ruas de Serra são exemplo mais visível do descaso, corrupção, incompetência e toda sorte de “brincadeira” com o nosso dinheiro. Hoje mesmo o carrinho deste blogueiro ficou o dia todo na oficina, com previsão de receber de “presente” uma fatura que deverá girar em torno dos R$ 1.500,00. PoucaWhatsApp Image 2017-02-14 at 18.56.02 coisa para políticos corruptos, mas uma grana significativa para um simples aposentado ou trabalhador honesto.

Veremos até quando o povo continuará dormindo em berço esplêndido e elegendo essa corja!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Morre Dª Marisa! Desrespeito em alta

“Pobre de um país ou sociedade em que o ódio político supera qualquer preceito básico de solidariedade humana para com o próximo” - Miguel Nicolelis

Por: Eliseu 

marisa_leticia_lulaInfelizmente, mas sem surpresa, mal foi anunciada a morte cerebral da ex-primeira-dama Dª Marisa Letíicia, tenho visto nas diversas redes sociais o desrespeito, o ódio sem limites dos idiotizados pela mídia, comemorando a morte da esposa de Lula.

É uma lástima que pessoas movidas pelo ódio dessa direita podre que os maneja sem escrúpulos, se sujeitem a desrespeitar dessa forma quem os ajudou, no momento de profunda dor, com a perca de um ente querido, que todos nós estamos sujeitos.

Não escreverei mais, pois estou sentindo náuseas dessa situação. Pensem bem coxinhas, a lei do retorno é certa.

Ao presidente Lula só resta ao velho  O Carcará, desejar que Deus possa amenizar sua dor, e que volte com mais força para 2018.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Economista diz: “É o próprio governo que provoca o déficit da Previdência”

Ao não cobrar sonegadores e conceder renúncias fiscais, a União alimenta o problema que diz combater, avalia Denise Gentil, da UFRJ

Por: Mariana Haubert, no CartaCapital 

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A reforma da Previdência proposta por Michel Temer no fim de 2016 tem como objetivo oculto privatizar o setor. Essa é a avaliação da economista Denise Gentil, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Na avaliação dela, as exigências impostas aos trabalhadores são tão altas e as perspectivas de obter uma boa aposentadoria, com valor integral, foram reduzidas a tal ponto que estimularão a busca por fundos de previdência privada complementar.

A economista alerta, ainda, para o esvaziamento da própria Previdência pública, uma vez que, ao não vislumbrar o acesso a um benefício digno ao fim da vida, muitas pessoas podem acabar optando por não contribuir ao longo dos anos.

Em entrevista à CartaCapital, a professora explica que a reforma alterará o caráter da Seguridade Social passando a uma visão financeira do setor. Segundo ela, entre janeiro e outubro de 2016, os bancos venderam 21% a mais de planos nos fundos privados.

Denise participou do seminário “Em defesa do direito à aposentadoria para todos”, realizado pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e Associação Nacional dos Participantes de Fundo de Pensão (Anapar), em Brasília, na sexta-feira 27, com a presença de centrais sindicais e outras entidades representativas.

Confira, abaixo, a íntegra da entrevista:

CartaCapital: A reforma da Previdência acabará, de acordo com a senhora, por pressionar o trabalhador a buscar outras alternativas de renda para garantir uma velhice tranquila. Por isso que a reforma induz a uma privatização do setor?
Denise Gentil: Quando o governo anuncia uma reforma que vai exigir um tempo maior de contribuição e uma idade maior para a aposentadoria, ele sinaliza ao trabalhador que terá dificuldade para acessar essa aposentadoria e que, portanto, deve procurar uma
previdência privada complementar. Essa reforma tem um conteúdo privatizante muito forte.

O recado é: Quem não buscar os fundos de previdência complementar pode cair na pobreza.  A reforma também tem outro objetivo: achatar os gastos públicos. Ao fazer isso com a Previdência e com a Assistência Social, ela também vai liberar mais recursos para pagar juros. E os grandes proprietários de títulos públicos no Brasil são os mesmos dos fundos de previdência, que são os fundos dos bancos.

CC: O governo anunciou a reforma como uma das soluções para a crise econômica, dentro do ajuste fiscal. Qual seria a melhor alternativa?
DG: Se a reforma tivesse a ver com ajuste fiscal, o governo tentaria aumentar as receitas da Seguridade Social. Ao invés disso, busca comprimir os gastos. O governo poderia, por exemplo, abrir mão das renúncias fiscais em favor de empresas que não dão nada em contrapartida ou cobrar a dívida dos sonegadores da Previdência.

“A União não cobra das empresas sonegadoras e ainda entrega a elas a possibilidade de pagarem menos tributos legalmente. Então, é próprio governo que provoca o déficit”

Ou seja, a União não cobra das empresas sonegadoras e ainda entrega a elas a possibilidade de pagarem menos tributos legalmente. Então, é próprio governo que provoca o déficit. Não é o aumento dos gastos. O governo sabe que tem superávit. Tanto tem que ele faz desonerações tributárias, se dá o luxo de não cobrar sonegadores.

CC: Então o déficit é uma falácia?
DG: Sim. Em primeiro lugar, porque o déficit foi provocado pelo pagamento de juros, o maior gasto do orçamento do governo. Enquanto o déficit anunciado da Previdência pelo governo é de 149,7 bilhões de reais, o governo entrega ao setor privado algo em torno de 501 bilhões ao ano, ou seja, 8% do PIB. A conta não fecha, principalmente, pelo gasto com a
dívida pública.

O ajuste fiscal que pretende cortar os gastos da Previdência não vai resolver o problema das contas do governo porque, para isso, é preciso corrigir a política monetária. A verdadeira reforma teria que ser na política monetária e cambial do Brasil, porque é responsável pelo crescimento da dívida pública. A população precisa saber disso.

CC: A reforma tramita no Congresso. A senhora acredita que pode haver grandes mudanças na proposta inicial ou não haverá muito debate?
DG: O Congresso é muito conservador e favorável à reforma da Previdência, mas ele também é sensível aos apelos da população. Acredito, também, que os parlamentares têm uma boa dose de desconhecimento das suas consequências, porque uma reforma como essa não é favorável ao crescimento econômico. Isso impacta muito a sociedade, inclusive os empresários, porque ela vai reduzir drasticamente o consumo das famílias e isso tem impacto no crescimento do PIB.

“O desemprego aumentou, o consumo das famílias caiu e a produção das empresas também. Então, não há porque ter essa expectativa de crescimento diante desse cenário”

Se os congressistas tiverem o devido esclarecimento das consequências dessa reforma, do quanto eles perderão de voto... Os idosos são eleitores, os trabalhadores também. Será que o Congresso vai querer se indispor com a grande massa de eleitores? Precisa ter uma conta muito bem feita sobre o benefício e o custo de ser favorável a uma reforma da Previdência.

CC: A análise do Tribunal de Contas da União sobre as contas apresentadas pelo governo poderá trazer resultados divergentes?
DG: A sociedade espera do TCU clareza sobre isso, porque ele também é responsável por avaliar o quanto o governo desvia da Seguridade Social. Ele julga as contas do governo. Se o governo estiver praticando atos ilegais, tem de ser responsabilizado por isso dentro das leis. TCU tem que zelar pela verdade dos relatórios que são entregues pelo governo.

CC: Alguns economistas têm dito que economia brasileira já dá sinais de melhora. A senhora concorda com essa análise?
DG: O cenário não é de crescimento. O PIB deve fechar negativo em 4%, essa é a expectativa. O
desemprego aumentou, o consumo das famílias caiu e a produção das empresas também. Então, não há porque ter essa expectativa de crescimento diante desse cenário. O governo diz que essas reformas sinalizam para o investidor e o setor produtivo que a economia vai crescer, mas não adianta anunciar ilusões. Ficções não funcionam. Na prática, tem que de haver mercado para as empresas investirem.

sábado, 14 de janeiro de 2017

“A democracia tem sido corroída pelo Estado de Exceção”, diz Dilma

Só eleições diretas vão garantir a retomada do crescimento e da geração de empregos e o reencontro com a democracia no Brasil

Por:Dilma Rousseff, no: CartaCapital fiesp_pato_dilma

O Brasil caminha para um futuro incerto, a depender do governo ilegítimo, que tem mostrado sua verdadeira face, frustrando as esperanças da sociedade. A solução passa por eleições diretas para presidente, substituindo o governo ilegítimo. Essa é a condição imprescindível para o País sair da crise e retomar o rumo da democracia, do crescimento e da geração de empregos.

Passaram-se apenas seis meses desde que o golpe parlamentar interrompeu o meu mandato, consagrado por 54,5 milhões de votos. Tramaram um golpe que contou com o apoio de oposicionistas, traidores e parte da mídia e lançou o País em um período de incertezas e retrocessos.

Violentaram a Constituição de 1988, por meio de um golpe parlamentar que fragilizou as instituições e precipitou o Brasil no abismo da crise institucional.

Tudo é possível quando um mandato presidencial é desrespeitado. O impeachment sem crime de responsabilidade escancara as portas para o avanço da crise política e institucional.

Daí os conflitos institucionais que se aprofundam e o choque entre Legislativo e Judiciário. As relações de harmonia e equilíbrio entre os Poderes, exigidas pela Constituição, estão comprometidas.

Em apenas 90 dias, muito do que alertei ao longo do processo de impeachment tornou-se real. As contradições se acentuaram e conturbaram o cenário político, econômico e social. As ações para estancar a “sangria” da Operação Lava Jato têm se mostrado ineficazes. Movimentos sociais, estudantes, professores e cidadãos sofrem com a repressão às suas manifestações.

Assistimos, estarrecidos, ocupações de escolas e universidades por jovens em defesa de seu futuro serem coibidas com violência, enquanto manifestantes que invadem o Congresso, pregando a volta da ditadura, são tratados com complacência. Os sinais de deterioração dos direitos sociais estão evidentes.

Reconheço, ainda assim, que nenhum de meus mais pessimistas prognósticos previa o escândalo gerado pelo episódio do apartamento de luxo em área histórica de Salvador. E que isso merecesse do ocupante da Presidência da República mais atenção do que os problemas reais do nosso povo, como o desemprego crescente ou a paralisação das obras de integração do São Francisco, para citar apenas dois exemplos.

A democracia tem sido corroída pelo Estado de Exceção. A interrupção ilegal do mandato de uma presidenta é o mais destruidor dos elementos desse processo, pois contamina as demais instituições.

Daí a distorção dos fatos por setores da mídia oligopolista, ou a decisão do Tribunal Federal da 4ª Região que autorizou medidas excepcionais, como a suspensão da lei e da Constituição em nome do caráter excepcional da Lava Jato.

Outro sinal é a perseguição implacável ao presidente Lula, submetido à “justiça do inimigo”, na qual a regra é destroçar a vítima.

Nesse cardápio, a PEC 55 destaca-se ao ensejar, simultaneamente, o avanço do Estado de Exceção e o retorno do neoliberalismo. Com um só golpe retira a população do Orçamento, reduzindo os gastos com saúde e educação.

Ao mesmo tempo, pelos próximos 20 anos, afasta de todos nós o direito de escolher por meio do voto direto para “quem, como e onde” serão utilizados os recursos do Orçamento. Flagrantemente inconstitucional, a PEC viabiliza o retorno do neoliberalismo, do Estado mínimo, feito por poucos e para poucos.

A reforma da Previdência proposta pelo governo ilegítimo exige a idade mínima de 65 anos e 49 anos de tempo de serviço. Obriga jovens de 16 anos a largarem os estudos para trabalhar, a fim de ter o direito à aposentadoria integral.

O objetivo é claro. Dar continuidade ao processo de desmonte do Estado, iniciado por FHC e interrompido nos governos do PT. Busca-se desmantelar o sistema de proteção social, iniciado com Getúlio Vargas, atualizado na Constituição de 1988 e aprofundado no meu governo e no de Lula.

Irão se esforçar para desregulamentar a economia e reduzir impostos sobre os muito ricos e privatizar as empresas do Estado. Além de revirar o mercado de trabalho, “flexibilizando” os direitos dos trabalhadores e tornando a aposentadoria privilégio de poucos.

Tais propostas voltam à ordem do dia, depois de derrotadas nas últimas quatro eleições presidenciais. Por isso, o impeachment. O programa neoliberal do PSDB, rejeitado no voto pela população, necessita que se suspenda a democracia para ser executado.

O neoliberalismo pelo governo Temer, cujo receituário é brandido pelos meios de comunicação e líderes da oposição tucana como solução para o País, resultará em mais desigualdade. Tal modelo não tem como conviver com a plenitude do Estado Democrático de Direito.

Em A Doutrina do Choque, Naomi Klein mostra que os teóricos e políticos adeptos do neoliberalismo advogam o uso das crises para impor medidas impopulares justamente quando os cidadãos estão impactados por outros eventos.

Em nosso caso, a crise econômica e o impeachment foram a oportunidade para a retomada do receituário neoliberal. Múltiplos agentes políticos e empresariais se associaram para revitalizar um modelo que dá sinais de esgotamento e profundas contradições em países da Europa e nos Estados Unidos.

Chama atenção a sofreguidão dos militantes empresariais encarnados no “pato amarelo”. Defendem que o único caminho diante do conflito distributivo, acirrado pela crise, é o corte dos gastos sociais, jogando o ônus da crise econômica exclusivamente nas costas dos trabalhadores e da classe média.

Afastam a possibilidade de aumento de impostos num país que tributa, sobretudo, ganhos de salário. Tal debate está interditado. Aí não importa se a consequência é a queda ainda maior da demanda e mais crise ao se derrubar o investimento público e o consumo, num quadro de anomia do investimento privado.

Defendo que ajustes precisavam ser feitos. Ajustes equilibrados, para melhorar a qualidade dos gastos e reduzir as despesas. O limite da redução das despesas foi, porém, atingido.

Há necessidade urgente de reformas, não para retirar direitos, mas, como a tributária, para ampliar a arrecadação e alterar o caráter regressivo do nosso sistema de impostos. Não podemos continuar a ser dos poucos países do mundo, em companhia da Estônia, a não tributar dividendos ou taxar ganhos de capital.

Ainda há quem queira acreditar no milagre do corte de gastos. Disseminou-se a ideia de que o golpe, travestido de impeachment, rapidamente reverteria a crise e, a partir daí, bastaria cortar gastos. Ora, a crise fiscal nunca se deveu a uma ampliação dos gastos. O Brasil enfrenta um problema fiscal que tem a ver com a desaceleração econômica, responsável pela queda vertiginosa das receitas.

É necessário reconhecer que desonerações efetuadas ao longo do meu governo, tanto aquelas sobre a folha de pagamentos quanto as que incidiram sobre setores produtivos, reduziram as receitas. Os resultados foram apropriados pelas empresas na forma de aumento da margem de lucro.

Tais desonerações também não produziram, na maioria dos setores, aumento da capacidade produtiva e, consequentemente, da arrecadação futura, impondo ônus excessivo à gestão fiscal do Estado. Por isso é necessária a revisão de tais desonerações.

Mesmo assim, o País vai precisar de medidas que se contraponham à crise. Durante meu governo foram criminalizadas todas as medidas fiscais contracíclicas. A PEC 55, pró-cíclica, vai eliminar agora todo e qualquer espaço para a política fiscal, além de enrijecer a política monetária.

Lá atrás, as manobras dos golpistas foram bem-sucedidas. Vetaram, ao longo do meu governo, todas as iniciativas para se reverter a crise, instituindo a política do “quanto pior melhor” e as “pautas-bomba”. Pior. Mobilizaram parte da população contra seus próprios interesses, cerceando a ampliação de oportunidades e de direitos.

Em várias ocasiões, declarei que o golpe contra meu mandato era um golpe contra a democracia, contra o povo brasileiro e contra a nossa Nação. Apesar dos meus críticos, promovemos um inédito processo de redução da desigualdade nos últimos 13 anos.

Foram as políticas de transferência de renda, de valorização do salário mínimo, de ampliação do acesso a serviços públicos e do incremento do investimento público que transformaram o Brasil e nos tiraram do mapa da fome.

Inédito, esse processo não garantiu uma efetiva transformação estrutural de nossa histórica concentração de riqueza. E foi insuficiente, pois acabamos impedidos de avançar na redistribuição da riqueza, na tributação dos mais ricos com impostos progressivos, tema interditado no País.

A PEC 55 vai impedir que o povo se beneficie do crescimento pelos próximos 20 anos com base no argumento da austeridade. Ao estabelecer que os gastos públicos terão crescimento real zero, a PEC terá efeito contracionista, puxando o crescimento do PIB para baixo.

O mais trágico é que resultará na redução per capita dos gastos sociais federais. Como trata apenas de gastos primários, a proposta não contém uma só medida voltada às despesas financeiras, como os juros da dívida pública.

Arbitrando de forma autoritária o conflito distributivo em torno da alocação do Orçamento, a PEC é contra a maioria da população. Retira dos cidadãos o direito de, a cada eleição, escolher o programa de governo expresso no Orçamento e, com isso, os caminhos para o desenvolvimento. É hoje um dos pilares do Estado de Exceção implantado no Brasil.

Renascido como fênix depois de quase 13 anos, o neoliberalismo do consórcio Temer-PSDB é coerente com o fato de nossas grandes empresas produtivas terem se tornado financistas. Que acreditem e defendam o ideário neoliberal não surpreende.

Mas que se somem na defesa de uma proposta que diminui o crescimento econômico e promove a retração do mercado consumidor só se entende diante da elevada rentabilidade obtida com o giro financeiro. Sem dúvida, um dos maiores desafios ao desenvolvimento no Brasil tem sido a contaminação dos setores produtivos pelo giro da dívida pública.

A importância que o resultado financeiro assumiu para o desempenho de nossas grandes empresas, inclusive secundarizando eventuais limitações de competitividade, explica o desinteresse com que o setor produtivo tratou a queda dos juros em 2012 e 2013. Serve também para entender o engajamento desses segmentos a favor do golpe, atraídos, entre outras questões, pela perspectiva de reformas e medidas fiscais.

A interrupção da normalidade democrática e o caminhar rumo ao Estado de Exceção são as bases jurídicas para a retomada do neoliberalismo. Não são as bases para “ordem, progresso e retomada do crescimento”, como prometeram antes do golpe. É o contrário. Ainda que setores da mídia mostrem com parcimônia os dados sobre a situação, o aprofundamento da crise está explícito.

A realidade sempre se impõe. Está cada vez mais evidente que os golpistas acreditaram no que propagandeavam e subestimaram os fatores que levaram à crise econômica: o fim do superciclo das commodities, a desaceleração da China, o fraco crescimento dos países desenvolvidos, o fim da política de expansão monetária dos Estados Unidos e a queda de arrecadação.

Minimizaram, sobretudo, as graves e nefastas consequências econômicas da crise política por eles criada. Tais fatores não se alteraram com a conclusão do impeachment. A “sangria“ continua e passa a ataque mortal. A crise agravou-se com a ilegitimidade, os escândalos de corrupção e as falsas profecias.

Agravou-se tão rápida e profundamente que a instabilidade gerada no atual governo e entre as instituições permite antever a possibilidade do golpe dentro do golpe: a eleição indireta para presidente, que não produzirá estabilidade ou segurança institucional.

Afasta a esperança e se revela mais um ataque à democracia, incapaz de conduzir à recuperação econômica.

A intolerância e o ressentimento diante da falta de sintonia entre as expectativas do povo e as entregas do governo minam a legitimidade da democracia. Para a população, primeiro vem a perda de poder, pelo desrespeito aos resultados legítimos da eleição.

Depois, a cassação de direitos, por meio de reformas que promovem retrocessos e exclusão. Quando as teses econômicas dominantes impedem a priorização de investimentos sociais, os governos deixam de responder às necessidades dos eleitores.

A política torna-se irrelevante para a vida dos cidadãos. Daí o risco da anti-política virulenta, em que argumentos são substituídos por slogans e sensacionalismo. Por isso, se o golpe destruiu o presente do Brasil, cabe a nós lutarmos pelo futuro.

A saída não é a marcha da insensatez golpista, mas a participação popular. Está na convocação imediata de novas eleições para presidente, como propus anteriormente. Junte-se às diretas, é hora da reforma política, proposta por mim em 2013.

Não há como sair da crise sem redefinir o sistema político, carcomido por práticas fisiológicas e corruptas, combalido pela fragmentação de partidos e pela lógica do imediatismo que não leva em conta os interesses do País.

Esse é o caminho para conter o retrocesso e garantir que a vontade do povo prevaleça quando se define o nosso destino. Reitero: o momento é grave, mas ainda há tempo de salvar a nossa jovem democracia e promover a retomada da economia. A palavra é legitimidade. Um banho de legitimidade para lavar a alma do Brasil.