segunda-feira, 13 de março de 2017

Audifax. “A Cezar”…

Por: Eliseu

upa_cheia_audifaxHoje logo pela madrugada me “assustei” ao levar uma pessoa ao UPA de Carapina, na nossa bela cidade de Serra, cujo péssimo prefeito é o Sr. Audifax, e ser atendido de forma rápida. Havia poucas pessoas – até devido ao horário – e pelo menos um dos médicos estava acordado. Fato raro…

Mais “assustado” ainda fiquei ao chegar ao posto de saúde de Chácara Parreiral e, apesar do mesmo só estar atendendo para vacinação da febre amarela, ainda havia médico para fornecer laudos aos “véios”, digo, IDOSOS, dos quais faço parte, e a fila estava bem pequena.

Infelizmente não posso elogiar nosso prefeito Audifax, porque isso deveria acontecer desde sempre e para sempre. Ele, como todos os outros pares seus, deixaram a febre amarela dizimar algumas várias vidas para tomarem providências.

upa_carapina_gostosao_gostosonaHoje a crítica a Audifax será apenas para a falta de comunicação com os agentes de trânsito via Ciodes, dificultando acioná-los. Isso se servem para algo mais a não ser aplicar multas, geralmente escondidos em uma boa sombra. Havia no UPA, um “gostosão” ou “gostosona” que resolveu impedir a circulação dos demais veículos. Quem quisesse que voltasse de ré.

Seria bom se esse demagogo prefeito pusesse seus secretários para trabalhar, e fiscalizar seus subordinados. Afinal ele recebem polpudos salários às nossas custas.

domingo, 12 de março de 2017

Brasília é tomada por clima de “suruba”

Machismo, desdém com trabalhador, hipocrisia, conchavos, espertezas… Poderosos perderam o pudor

Por: André Barrocal, no CartaCapital 

temer_suruba_golpeÀs vésperas do Carnaval, o líder do governo Michel Temer no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), soltou a língua ao comentar a ideia de os políticos perderem o direito de serem julgados apenas no Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, se o foro privilegiado acabar, juízes e procuradores deveriam ficar sem também. Motivo: “Suruba é suruba”.

Suruba é a palavra perfeita para descrever Brasília atualmente. Os poderosos perderam o pudor, o ambiente é de alegre promiscuidade. Dizem o que pensam e defendem para o País, sem vergonha de parecerem machistas, elitistas, hipócritas, espertalhões. E ainda mergulham em conchavos para salvar a pele de todos e dos amigos contra a Operação Lava Jato.

A última semana foi uma apoteose desta suruba.

No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, Temer realizou um evento comemorativo no Palácio do Planalto. Em discurso, disse “com a maior tranquilidade, porque eu tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da [primeira dama] Marcela, o quanto a mulher faz pela casa, o quanto faz pelo lar, o que faz pelos filhos”.

Não parou aí. “Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes, por exemplo, de preços em supermercados do que a mulher.

Ao optar por ressaltar o protagonismo doméstico das mulheres, o presidente expôs sua convicção íntima sobre o papel delas na vida. Não que se encarregar dos filhos, do lar e das compras seja indigno, mas por que enfatizar esse aspecto, e logo com um minuto e trinta segundos do discurso de 11 minutos?

Está mais do que explicado por que o peemedebista, 76 anos, montou seu ministério em maio de 2016 apenas com homens (e brancos).

Longe dali, na mesma quarta-feira 8, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), era pura sinceridade. Ao comentar com jornalistas a reforma trabalhista proposta por Temer, chutou a Justiça do Trabalho: “Não deveria nem existir”. Fez igual com a CLT: “Esse processo de proteção gerou desemprego”

O que Maia quis dizer é que os empresários não conseguem pagar pouco a seus funcionários, pois a Justiça e a legislação trabalhistas impedem, daí que “a proteção gerou desemprego”.

Na verdade, o que eles não conseguem é pagar ainda menos. O salário mínimo no Brasil é de 937 reais. O rendimento médio de um trabalhador do setor privado, 1,7 mil reais. A renda per capita, de 1,2 mil reais mensais. Imagine-se quais seriam esses valores se não houvesse Justiça do Trabalho e CLT. Ou como seria a jornada semanal.

Detalhe: como deputado, Maia ganha 33,7 mil reais mensais pagos com dinheiro público, fora verbas indenizatórias etc. Vinte vezes o recebido em média por um trabalhador, que ele acha protegido demais.

Na véspera do Dia da Mulher, a Advocacia Geral da União (AGU), órgão sob a batuta de Temer, conseguiu uma decisão judicial que é outra prova do pouco caso de Brasília com os trabalhadores. O governo segue desobrigado de divulgar a “lista suja” do trabalho escravo.

A lista contém o nome de empresas flagradas com empregados em situação análoga à da escravidão e multadas por isso. É tida pelas Nações Unidas como exemplo. A vitória judicial da AGU foi uma vitória dos escravocratas do século XXI.

Os fazendeiros, bancada forte no Congresso e aliada de Temer, odeiam a lista. Sequer aceitam o conceito de “situação análoga à de escravidão”.

Os ruralistas ganharam um reforço na equipe de Temer com a posse do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) no Ministério da Justiça na terça-feira 7 e ele logo exibiu sua franqueza. Por exemplo: índio não precisa de terra. “Terra enche a barriga de alguém?”, disse na Folha da quinta-feira 9.

Afirmou ainda que “existem bandidos e bandidos” e que um deles “você olha nos olhos e quer passar longe, é um potencial assaltante, criminoso”.

Se “bandido” a gente reconhece pelos “olhos”, uma opinião incrível por si só, será que Serraglio não notou nada no olhar maligno do deputado cassado Eduardo Cunha, réu por corrupção e preso à espera de julgamento? No dia em que a Câmara aprovou o impeachment de Dilma Rousseff, inclusive defendeu “anistia” para Cunha, ou seja, nada de cassar o mandato dele.

A vitória da AGU contra a “lista suja” do trabalho escravo foi no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em decisão do presidente da corte, Ives Gandra Martins Filho. O magistrado tem visão similar à de Rodrigo Maia sobre os trabalhadores e a CLT. E também acha que Justiça do Trabalho só serve para atrapalhar empresários.

Suas opiniões sobre as mulheres são dignas de um discurso de Temer em data festiva. “O princípio da autoridade na família está ordenado de tal forma que os filhos obedeçam aos pais e a mulher ao marido”, escreveu em um artigo de 2012.

Gandra Filho chegou ao TST em 1999 graças às maquinações de Gilmar Mendes, na época chefe da AGU do governo Fernando Henrique Cardoso. Hoje ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Mendes tem se comportado como verdadeiro advogado de Temer. Reúne-se com ele aos sábados e domingos e em jatinhos da FAB. Tudo à luz do dia.

Enquanto Temer exaltava o papel doméstico das mulheres, Mendes dizia à Reuters que se a chapa Dilma-Temer eleita em 2014 for cassada no TSE, não há problema. Temer poderia seguir no cargo candidatando-se de novo, só Dilma ficaria inelegível. Por quê? “Evidente que o vice participa da campanha. Mas quem sustenta a chapa é o presidente, o cabeça de chapa.”

Se Temer não tem responsabilidade financeira com a chapa, por que então um jantar dele no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, com gente da Odebrecht, tornou-se um drama para o peemedebista, a ponto de várias pessoas terem prestado depoimento a respeito no TSE desde o fim do Carnaval?

Uma delação a tratar do jantar veio a público em dezembro e complicou um assessor especial de Temer na ocasião, José Yunes, amigão de longa data do presidente. Yunes logo pediu demissão, a esbravejar que a delação era “fantasiosa”, “abjeta” e que seu nome tinha sido jogado “no lamaçal”.

Dias antes do Carnaval, no entanto, o próprio Yunes, um rico advogado e empresário, rasgou a fantasia. Confessou publicamente em entrevistas que tinha, sim, ligação com o jantar, o qual servira para Temer captar 10 milhões de reais da Odebrecht. Mas tinha ligação na condição de “mula” de outro amigo de Temer, Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil. Só isso.

A tese defendida por Gilmar Mendes sobre Temer ser capaz de sobreviver política e eleitoralmente mesmo que a chapa de Dilma seja cassada no TSE tem sido discutida no PMDB. Seria essa a forma de contornar uma eventual derrota na corte.

Em entrevista ao SBT na segunda-feira 6, quem falou abertamente sobre isso, sem enrubescer, foi o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), aliadíssimo de Temer, de quem foi tesoureiro por muitos anos no partido de ambos. “A única regra clara que se coloca é que o presidente Michel Temer pode ser, inclusive, candidato novamente. Não se sabe se uma eleição direta, não se sabe se uma eleição indireta.”

Na noite seguinte à entrevista de Eunício, o aniversário de um jornalista reuniu alguns figurões da República em um tradicional restaurante de Brasília, o Piantella, que fechara as portas mas acaba de reabri-las. Entre os comensais, o senador mineiro Aécio Neves, presidente do PSDB.

Após aliar-se à Lava Jato para derrubar Dilma, o tucano parece outra pessoa. “É preciso salvar a política”, disse ele no jantar, perante jornalistas. “Não podemos deixar que tudo se misture”, é preciso separar dinheiro de propina de um lado, e dinheiro de campanha de outro.

Claro. Agora que Aécio e tucanos ilustres estão para ser tragados pela delação da Odebrecht, “é preciso salvar a política”. A suruba em Brasília está aí para isso.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Temer “homenageia” mulheres dizendo: lugar de mulher é em casa!

Por: Eliseu

temer_machista_golpe_mulherO pseudo presidente deste País, agora novamente rebaixado à condição de “republiqueta das bananas”, o golpista Michel Temer,  na quarta (8), fez uma “linda homenagem” às mulheres em seu dia internacional.

Talvez acostumado com a subserviência de sua cuidadora de idosos, digo, esposa Marcela, desde o início de seu mandato - subtraído ilegitimamente de Dilma Rousseff, com o apoio dos deputados, senadores e com a fundamental ajuda do Supremo Tribunal Federal, contando com a participação dos coxinhas (incluindo mulheres é claro) idiotizados pelo PIG, a mídia marrom encabeçada pela Rede Globo -Temer vem demonstrando seu pouco apreço às mulheres, deixando-as a “ver navios” no primeiro escalão do governo, formado exclusivamente por homens.

De acordo com CartaCapital, Temer disse: “o papel delas na sociedade brasileira à tarefas como cuidar da casa, da formação dos filhos e do gerenciamento das compras no supermercado”.

Durante seu discurso machista, Temer ainda reduziu mais o papel da mulher, colocando suas aptidões apenas à economia doméstica. "Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes, por exemplo, de preços em supermercados do que a mulher. Ninguém é capaz de melhor detectar as eventuais flutuações econômicas do que a mulher, pelo orçamento doméstico maior ou menor", disse o peemedebista.

O odioso discurso machista causou desconforto na plateia, de composição majoritariamente feminina Janaina Paschoal, Louca, esquizofrenica, doida, maluca, insana, e com a presença de servidoras e deputadas federais. Nas redes sociais, o descontentamento atingiu mulheres de todas as matizes ideológicas, como a professora da USP e uma das protagonistas do processo de impeachment de Dilma Rousseff, Janaina Paschoal (a louca), e a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).

 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Audifax, hipocrisia pouca é bobagem!

Por: Eliseu

17155821_1545719895439254_6921753374037029979_nA febre amarela está “atacando” com força no Espírito Santo e outros estados brasileiros, já com diversas mortes registradas. E nossos políticos não perdem nunca a oportunidade de aparecerem na mídia às custas da desgraça alheia. Vou focar no prefeito da cidade que resido, porque o conheço bem, e sei a realidade que vivemos aqui. Mas vale para boa parte dos políticos sem caráter que pululam por esse Brasil, que o dito popular diz ser terra abençoada e “achada” por Pedro Álvares Cabral.

Desde que começou as denúncias de macacos aparecendo mortos, as autoridades (?) vem dizendo que a doença está sob controle. Deve ser que está sob controle para eles próprios, seus familiares e sequazes, normalmente indicados a cargos públicos que tem acesso fácil, por meios duvidosos, às vacinas que são de TODA população.

Virou moda, principalmente aqui na nossa bela e mal administrada cidade de Serra, os “mutirões” de vacinação contra o raio da febre amarela que dão grande visualização na mídia, às custas de quilométricas filas, com “torturas” para a população, incluindo crianças e idosos, sob o escaldante sol dos trópicos, de fazer inveja aos métodos utilizados pelos malfadados DOI/Codi e DOPS.

Audifax deve delirar de alegria ao ver isso. Nosso péssimo prefeito “estufa o peito” para dizer que as unidades de saúde estão com disponibilidade para vacinas.

Mentira deslavada! Existe sim vacinação em alguns postos mas em horários reduzidos, e não em todos os dias.  E os “infelizes” que conseguiram chegar aos 60, como esse blogueiro, não podem se vacinar devido à falta do laudo médico. E médico para fornecer o laudo nas unidades já é utopia.

Continuo batendo na tecla que a população deve acordar do sono esplendido!

sábado, 4 de março de 2017

Cientista político diz que congresso não encontraria presidente mais submisso do que Temer

Na opinião de Leonardo Barreto, apesar da necessidade de dar resposta ao mercado e às forças que o apoiaram, governo Temer não vai arriscar uma ruptura para defender a reforma da Previdência

Por: Eduardo Maretti, no Rede Brasil Atual 

temer_previdenciaAprovar a agenda econômica é questão de vida ou morte para o governo Temer. Mesmo assim, os atuais ocupantes do Palácio do Planalto não vão arriscar uma ruptura política se a resistência à reforma da Previdência, por exemplo, ameaçar se transformar concretamente numa grande onda “Fora, Temer". “Eles (o governo) vão insistir, mas se perceberem que vai haver um tensionamento na sociedade a ponto de uma ruptura, eles recuam”, afirma o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB), em entrevista à RBA.

Para ele, o xadrez político do quadro atual passa pela relação de vassalagem, que existe entre Temer e o Parlamento. “Dificilmente o Congresso encontraria um presidente que fosse mais vassalo do que Temer”, diz. No feudalismo, o vassalo era um personagem submisso, que se dispunha a oferecer fidelidade  ao senhor, em troca de proteção.

Um eventual recuo do governo, no embate da reforma da Previdência, se ocorrer, ilustra o que é e tem sido historicamente o PMDB do presidente Michel Temer. “Se tem uma coisa que esses caras do PMDB sabem fazer é sobreviver politicamente”, aponta o analista. Apesar da necessidade de dar respostas ao mercado e às forças que apoiaram o processo que levou Temer ao poder, Barreto aposta que “eles não vão arriscar uma revolução por conta da Previdência”.

Para o analista, "a única força capaz de motivar uma ruptura política hoje é a rua”. Com o cenário confuso e a crise aumentando após o depoimento de Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na quarta-feira (1º), os desdobramentos do processo são imprevisíveis.

“Uma vez que os depoimentos mostram com muita clareza o envolvimento de muita gente, envolvimento direto do presidente e seus assessores em pedidos de doação, o TSE passa a ficar cada vez mais pressionado, mesmo que politicamente ele não tenha muita vontade de tocar isso.”

Qual seria o limite da paciência dos cidadãos para voltarem à rua? “Eu acho que estamos sempre muito próximos desse limite”, diz Barreto.

Temer resiste às denúncias, que já chegaram a seu gabinete?

Há duas possibilidades desse governo cair. A primeira seria pelo Congresso, e a segunda, uma decisão judicial. A segunda possibilidade se tornou maior após o depoimento do Marcelo Odebrecht. O processo de impeachment é muito difícil de acontecer, porque o mercado não quer e porque os parlamentares de certa maneira estão satisfeitos com Temer. E dificilmente o Congresso encontraria um presidente que fosse mais vassalo do Congresso do que o Temer. É um presidente que presta muita vassalagem ao Congresso, o tempo inteiro. Dificilmente encontrariam alguém que tivesse essa mesma relação com o Congresso.

Agora, na Justiça eleitoral a temperatura esquentou. O TSE tem um dever jurisdicional que precisa ser cumprido. Uma vez que os depoimentos mostram com muita clareza o envolvimento de muita gente, envolvimento direto do presidente e seus assessores em pedidos de doação, o TSE passa a ficar cada vez mais pressionado, mesmo que politicamente ele não tenha muita vontade de tocar isso. O Brasil é outro. Do ponto de vista puramente político, Temer tem uma situação razoavelmente controlada. O que cresceu foi o problema judicial. Hoje você tem um problema de prazo, quando esse julgamento vai acontecer. E um segundo problema é se a tese de separação das campanhas vai acontecer ou não.

É claro que a decisão do TSE não é puramente jurídica, tem um componente político muito forte. Acho que até existe uma vontade do TSE de adiar esse julgamento, porque a tese de separação das campanhas é muito difícil de ser sustentada. E parece que há provas em abundância de problemas de abuso econômico etc.

Supondo que a cassação seja aceita pelo TSE, poderia haver uma eleição indireta e uma "ditadura do Congresso"? O parlamentarismo seria uma opção para evitar um governo Lula?

Se você olha para quem assumiria hoje, Rodrigo Maia, do ponto de vista popular, ele teria muita dificuldade. No Congresso você não tem ninguém com autoridade ou legitimidade suficiente para propor um período longo do Congresso no poder. Existe mais risco de eleger uma tutela do Judiciário do que do Congresso. Mas, aí, ou o Judiciário determinaria uma eleição indireta, segundo a Constituição, o que talvez fosse mais provável, ou então ensejaria alguma alternativa para antecipar o processo eleitoral, o que seria contra o que está previsto.

O deputado Onyx Lorenzoni, da base de Temer, disse que “como está a reforma da Previdência não passa”. A questão da Previdência não poderia provocar uma mobilização maior do que o governo esperava, e nesse sentido ser um tiro pela culatra?

O problema da reforma da Previdência é que o governo fez um cálculo equivocado. Achou que poderia dialogar só com o Congresso e que o Congresso a toque de caixa teria condições de aprovar rapidamente. Ele errou em concentrar a comunicação no Congresso e errou em criar o tom, a propaganda, vamos dizer, da reforma da Previdência. Ele está usando um argumento puramente fiscal, dizendo que ou é isso ou o Brasil quebra. Mas por que a reforma da Previdência é boa para o Brasil? Ou, e isso do ponto de vista do governo, o que ele vai fazer com o dinheiro que economizaria? A reforma por si só já é complicada, ainda mais feita por um governo que tem problemas de legitimidade.

Esse é um governo que para continuar operando tem que aprovar a agenda econômica, é uma questão de vida ou morte para eles. Eles foram empossados para isso, para executar uma agenda econômica. Mas, por outro lado, é um governo que não tem insensibilidade política. Se ele vê a resistência aumentar e essa resistência se transformar num “Fora, Temer”, acho que ele abre mão, por algo como uma CPMF da Previdência, por exemplo. Se tem uma coisa que esses caras do PMDB sabem fazer é sobreviver politicamente. Então eles ficam pressionando a corda e avaliando até onde podem ir. A resistência no Congresso já tem uma sinalização, eles vão insistir, mas se perceberem que vai haver um tensionamento na sociedade a ponto de uma ruptura, eles recuam.

Em dezembro você afirmou que só as ruas ou fracasso econômico ameaçavam 'acordo de náufragos' entre Temer e Congresso. Isso continua?

Acho que até o próximo governo vai passar por isso, independentemente de quem seja. A população na rua e as fragilidades da economia são variáveis constantes da equação política brasileira hoje. Eles vão tentando conciliar uma agenda de liberalização que de alguma forma tente retomar um mínimo de atividade econômica e observando a reação das pessoas. Esse governo estabeleceu um acordo entre uma agenda de liberalização forte da economia e, em compensação, permite que o Congresso e as pessoas envolvidas em problemas tentem se salvar de alguma maneira, tenham uma agenda própria de auto-salvação.

Sabedor do compromisso do Temer com essa agenda liberalizante, o Congresso joga com isso também. Foi muito interessante a manifestação do deputado Fabio Ramalho (PMDB-MG), vice presidente da Câmara, dizendo que não vai votar a reforma da Previdência porque Temer não nomeou um ministro mineiro (Temer nomeou Osmar Serraglio, do PMDB-PR, para o cargo de ministro da Justiça, cargo reivindicado pela bancada mineira). Ou seja, ciente de que Temer depende muito da aprovação da agenda econômica, ele diz: ou você dá mais instrumentos e condições para a gente se salvar, ou a gente vai melar sua agenda econômica.

Temer está o tempo todo nessa gangorra. O Congresso não só sabe disso como a reforma da Previdência vem num momento em que a pressão por causa da Lava Jato aumenta – o STF liberando Valdir Raupp para julgamento, o Luís Roberto Barroso sugerindo uma mudança de interpretação do foro privilegiado, além do Janot anunciando que vai soltar uma segunda lista na semana que vem. Com tudo isso você soma elementos para uma combustão e capacidade explosiva gigante. Acho que o Congresso vai fazer uma coisa – que não deixa de ser uma chantagem também contra a sociedade: vai dizer que só vota medidas econômicas se tiverem um salvo-conduto. Não à toa, o Temer encarou o desgaste gigante de nomear o Alexandre de Moraes no STF, para ter algum tipo de controle. Num cálculo puramente político, Temer nunca bancaria o Alexandre de Moraes. Mas ele banca porque precisa oferecer alguma coisa para esse pessoal da auto-salvação, inclusive seus aliados e talvez ele mesmo.

E as mobilizações nesse processo?

Eles vão trabalhar se equilibrando nessa corda bamba. Qual é a força que pode acabar com esse equilíbrio? É a rua. Mas qual seria o limite da paciência das pessoas para elas voltarem à rua? Eu acho que estamos sempre muito próximos desse limite. Se você lembrar, a gente já teve manifestação, o pessoal pediu “Fora Maia”, “Fora Renan”, mas era um prenúncio. A gente está o tempo todo com o copo bastante cheio, esperando a gota. Podem ser as delações da Odebrecht? Como está tudo muito à flor da pele, às vezes um evento menor pode acordar o monstro e acordar a rua. Dentro do sistema político não há nenhuma força que tenha interesse e seja capaz de motivar um novo processo de ruptura política. A única força capaz de fazer isso é a rua.

Mas até o momento não houve rua suficiente. A Previdência, questão que mexe muito com o interesse de toda a sociedade, pode ser esse elemento?

Por isso que eu acho que o governo propõe e tira, vai fazer esse jogo para ver aonde ele vai. Apesar de toda a necessidade de dar resposta ao mercado e às forças que apoiaram o processo, eles não vão arriscar uma "revolução" por conta da Previdência. Acho que tiram o pé. Como disse, são hábeis no processo de sobrevivência. Mas é um governo que tem muito boas possibilidades de sofrer um revés muito forte, que passaria a se arrastar, a não oferecer mais perspectiva econômica. Aí talvez cresçam as conversas sobre antecipação de eleição, algo assim. Mas estamos falando sempre de hipóteses. O que a gente está vendo é a luta na trincheira, todos os lados muito fragilizados e a qualquer momento algo pode acontecer. Mas nosso poder de previsão dura cinco minutos.