quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Serra-ES, volta ao noticiário político por extorsão

Alvo de ação ajuizada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) por abuso de poder econômico e político e captação ilícita de recursos, a deputada federal reeleita, Sueli Vidigal (PDT) esposa do prefeito de Serra-ES, Sérgio Vidigal também é apontada por servidores da Prefeitura da Serra como beneficiária de um esquema de pressão e chantagens em troca de manifestações explícitas de apoio. Essa, aliás, é uma das fraudes investigadas pela Operação "Em Nome do Filho", da Polícia Federal, que mesmo sem apontar o município de Serra como alvo, apura, há quatro meses, indícios de extorsão eleitoral em prefeituras.
Na manhã desta quinta-feira (16), um dia após a ação ter sido deflagrada, levando para a cadeia cinco pessoas, o clima no município da Serra era de silêncio. Moradores evitavam repercutir as denúncias e se esquivavam de opinar. Mas para alguns servidores, a apuração está no caminho certo. Eles relatam como são tratados os servidores da administração municipal.
O motorista Jânio Miranda, que é morador de Serra Sede e conhece de perto alguns servidores municipais enfatiza: há desmandos no modo com que a Serra é conduzida. "Aqui, ou balança a bandeira para eles ou vai para fora, os comissionados. É uma exorbitância deles (Sueli e Sérgio), um coronelismo. Aqui isso ocorre direto", garantiu.
Por motivos de segurança, uma mulher que trabalha há mais de 20 anos na prefeitura não será identificada. Ela relatou o que acontece nos bastidores dos eventos políticos protagonizados por Sueli e pelo prefeito do município, Sérgio Vidigal (PDT).
"As pessoas que não participam das coisas que eles querem, comícios, eventos, são perseguidas e ameaçadas de serem exoneradas. Quem é efetivo é ameaçado de perder determinado cargo; quem é comissionado, sofre ameaça de ser mandado embora", revelou a servidora.

Sueli e Sérgio Vidigal
Sueli e Sérgio Vidigal
Segundo a servidora, a extorsão eleitoral na Prefeitura da Serra é praticada desde 1997, ano em que Sérgio Vidigal assumiu a administração pela primeira vez. Entre 2004 e 2008, o Executivo municipal passou às mãos de Audifax Barcelos, ex-aliado do pedetista e atualmente no PSB. Quando voltou à prefeitura, em 2008 - e já rompido com Audifax -, Vidigal exonerou todos os comissionados do desafeto. Desde então, segundo a servidora, paira nos departamentos um clima de medo.
"As pessoas têm medo de perder o emprego. Hoje em dia, com tanta dificuldade, quem é que quer ser demitido? Ninguém. Por isso, se submetem a ir aos eventos, bater palmas e ficar lá elogiando e participando", comentou, a respeito das inaugurações, comícios e eventos administrativos da prefeitura.

"Sueli é uma pessoa boa"

foto: Eduardo Fachetti
Sueli e Sérgio Vidigal
Gildete Simões elogiou a deputada Sueli Vidigal
Pelas ruas da cidade, apesar do silêncio da população a respeito das denúncias contra o casal Vidigal, alguns também defendem a deputada federal reeleita. A doméstica Gildete Simões, de 45 anos, já trabalhou em uma campanha de Sueli. Na intenção de elogiar a parlamentar, ela acabou revelando outra fraude vedada pela legislação eleitoral.

"Na política passada, eu trabalhei com ela. Não há como se queixar de Sueli, porque ela ajuda muito às pessoas. Ela nos ajuda de todas as maneiras: com cestas básicas, com acesso às casas de saúde... de todo meio. É uma pessoa boa e não há como eu me queixar dela. Se eu fizer isso, estou mentindo", ressaltou.






Com informações do Gazeta Online

2 comentários:

  1. e o processo da sueli vidgal? o que deu??
    Ela nao será mas cassada?

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    1. Pois é.
      Como sempre digo, aqui abaixo da Linha do Equador as coisas funcionam ao contrário.
      Abraços,
      Eliseu.

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