sábado, 29 de janeiro de 2011

Já difícil de encontrar, selo de Lula atrai críticas e elogios

Na íntegra, do Jornal Último Segundo


Lançados, no começo de janeiro, com uma tiragem de 900 mil unidades, os selos comemorativos em homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegam ao fim do mês como raridade nas agências dos Correios. Disponíveis desde dia 1º de janeiro, data em que Lula passou o cargo paraDilma Rousseff, os selos com a foto do ex-presidente têm sido requisitados nas agências e até atraíram colecionadores. Ainda assim, não são unanimidade entre os clientes. 
Foto: Reprodução
O selo que homenageia o ex-presidente Lula
Embora apontem que não faltam pedidos por mais selos com a cara de Lula, funcionários de algumas agências dos Correios já se depararam com outros que se negam a estampar em suas correspondências a imagem do ex-presidente. “É uma questão de afinidade mesmo. Para a maioria das pessoas o selo foi bem aceito”, diz o gerente de uma agência na zona sul de São Paulo, que prefere não ser identificado.
De acordo com ele, os guichês viraram palco de discussões políticas desde que chegou o primeiro lote de selos com a foto do ex-presidente, tiradas nos jardins do Palácio da Alvorada pelo ex-fotógrafo oficial da Presidência, Ricardo Stuckert.
Em uma dessas ocasiões, um cliente de aproximadamente 50 anos questionou uma atendente assim que viu a foto de Lula colada em sua carta. "Vocês vão colar o selo do Lula aí?", perguntou o senhor. O gerente garante que não houve troca de grosserias, mas logo engatou em uma conversa sobre como não gostou do governo comandado pelo ex-presidente. "Ele xingou o Lula um pouco também", conta o gerente.
No fim das contas, entretanto, o cliente aceitou a deferência. “Ele achou, no fim, que o selo ficou bem na carta”, brincou o gerente.
Outra polêmica, entretanto, surgiu justamente porque outro cliente se dirigiu à agência e exigiu que fosse postado em sua correspondência um selo com a foto de Lula. O lote recebido pela agência já tinha terminado e o cliente passou a se queixar. Perguntado se fez questão de guardar o selo com o ex-presidente, no entanto, o gerente desconversa: “Não faço coleção. É como dizem: em casa de ferreiro, o espeto é de pau.”
Na mesma agência, entretanto, uma atendente lamentou a falta do produto e diz que diariamente tem de explicar que o lote de 400 selos recebidos pela agência já terminou. Enquanto se explica, a funcionária, identificada apenas como Débora, abre a carteira, orgulhosa de sua “coleção” de dois selos: um comemorativo ao centenário do Corinthians, feito em tecido e vendido a R$ 8,20, e outra do ex-presidente, suas duas paixões – esta adquirida por R$ 2,00. “Eu garanti o meu, por via das dúvidas”, diz.
Em Belo Horizonte, um funcionário de uma agência dos Correios na Savassi, região centro-sul da capital mineira, conta que o selo comemorativo também causou polêmica no local, principalmente para quem despacha alguma encomenda para o exterior. "Tem quem gosta e quem não gosta. Principalmente quem manda correspondências internacionais, pede para não usar o selo. Temos outras opções. Há também os colecionadores", disse. Alguns italianos, em especial, não disfarçam a contrariedade em enviar pacotes com o rosto do ex-presidente estampado. A reação reflete a polêmica sobre a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti.
Em São Paulo, estima-se que haja cerca de 2.000 selos ainda a serem distribuídos. De acordo com distribuidores, o produto já é considerado “de primeira linha” por causa da procura, inclusive entre crianças – e hoje só compete com as imagens do centenário do Corinthians. Por isso, não há dia em que a central não receba ligações de representantes de agências pedindo a remessa de novos selos com a imagem do petista.
Em menos de duas semanas, segundo os Correios, foram vendidas 239.879 unidades do selo em homenagem ao ex-presidente - 3.318 comercializados pela internet. O selo de Lula custa R$ 2 e tem tiragem limitada. Uma pessoa física pode usar o selo para enviar correspondência de até 150 gramas. No caso de pessoa jurídica, o peso cai para 100 gramas.
*Com reportagem de Denise Motta e Matheus Pichonelli

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este espaço é livre. Os comentários são de total responsabilidade dos seus remetentes, não representando necessariamente a minha opinião.
Todos os comentários serão publicados após moderados, mas os comentários anônimos nem sempre serão respondidos.
Porém, não serão tolerados spams, insultos, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.
Textos ofensivos ou que contenham agressão, discriminação, palavras ou expressões grosseiras e sem estarem inseridas no contexto, ou que de alguma forma incitem a violência ou transgridam leis e normas vigentes no Brasil serão excluídos.