quarta-feira, 8 de junho de 2011

Lições da lamentável repressão aos bombeiros

São heróis e foram tratados de forma humilhante. Não satisfeito, Cabral ainda os ofendeu

O Governador Sérgio Cabral deu o ar de sua graça política ao ordenar a violenta repressão contra os bombeiros que ganham salários aviltantes. São heróis e foram tratados de forma humilhante. Não satisfeito, Cabral ainda os ofendeu. Se alguém tinha dúvidas sobre Cabral, o episódio no Quartel General da guarnição esclareceu.

Mais uma vez o noticiário da mídia de mercado de um modo geral mistura conceitos deliberadamente. Os jornais, rádios e televisões falam em invasão do quartel general pelos bombeiros, quando o certo é que houve ocupação e isso depois de não atendidos os apelos no sentido de abrir canais de negociações. Invasão, aí sim, foi do Bope, que usou até armas letais, feriu mulheres e crianças que davam força aos seus familiares que se pediam SOS.

Alguns soldados da PM foram presos e seguem nessa condição porque se negaram a obedecer ordens da cúpula da segurança do Estado do Rio de Janeiro, segundo as lideranças dos bombeiros, mas o fato não foi noticiado. Cabral ofendeu os bombeiros chamando-os de “vândalos”. O Bope está sendo comparado a Gestapo da época do III Reich alemão. 

Os bombeiros informaram que estão recebendo manifestações de solidariedade nacional e internacional, dos Estados Unidos, da Espanha e França. Em Nova York, os bombeiros pararam por uma hora em apoio aos brasileiros que estão sendo vítimas da repressão ordenada por Sergio Cabral, o governador que está loteando o Estado para grupos internacionais tendo em vista os megaeventos de 2014, Copa do Mundo, e 2016, Olimpíadas. 

Outro ponto lamentável nesta história é o fato do governador do estado do Rio de Janeiro receber o apoio de partidos cujos integrantes em outros tempos se mobilizavam exatamente para denunciar violências do mesmo tipo que as praticadas agora no Rio de Janeiro.

Os bombeiros, considerados heróis pelo povo pelo tipo de trabalho que desenvolvem, foram tratados como marginais, chamados absurdamente de “vândalos”. Há testemunhas que comprovam os excessos praticados pelo Bope, como a deputada Janira Rocha, do PSOL, e o deputado Paulo Ramos, do PDT, que dignificam os seus mandatos ao ficarem ao lado dos manifestantes no QG dos bombeiros.

Cabral faz lembrar épocas do século passado, inclusive de governantes como Washington Luis, que consideravam a questão social como caso de polícia. Já chamou médicos do Estado de “vagabundos”, porque vem sendo denunciado pela categoria de descumprir promessas até registradas em cartório.   

O que está acontecendo agora é na prática um divisor de águas. Se a esquerda parlamentar não repudiar o que foi feito pelo Bope e denunciar Cabral, entrará para a história ao lado do conservadorismo que não aceita  mobilizações populares, ainda mais o direito humano de reivindicar melhores salários e condições de vida.

Repressão aos bombeiros, aprovação na Câmara dos Deputados do Código Florestal que favorece os violadores do meio ambiente são demonstrações concretas da existência de “uma esquerda que a direita gosta” como diria o inesquecível Darcy Ribeiro.

Soma-se a isso o fato de o vice-governador Luiz Fernando Pezão estar sendo agraciado por uma entidade vinculada ao agronegócio, setor recém-favorecido pelo deputado Aldo Rebelo, do PC do B.

Por estas e muitas outras, a cada dia que passa os partidos políticos se distanciam dos anseios de amplas parcelas do povo brasileiro. Afinal de contas, como explicar a prática que adotam de apoio aos que ao longo da história foram combatidos por setores políticos que tinham como bandeiras principais a democracia e o socialismo?

É possível até que nas próximas horas os referidos partidos apresentem seus argumentos e criem as suas dialéticas para continuar com a mesma prática de apoio a quem reprime o povo. E até para justificar a ocupação de cargos na administração fluminense.

Estes partidos estão perdendo o tempo da história e pelo menos nas primeiras horas não perceberam que a opinião pública, mesmo os que votaram em Sérgio Cabral, está apoiando integralmente os pleitos dos bombeiros.

Por: Brasil  de Fato



2 comentários:

  1. Por que o ato dos bombeiros cria um precedente perigoso

    Os bombeiros assim como qualquer categoria têm o direito de pedir melhoria salarial, ocorre que por servirem junto com a PM, sob regime militar, lhes é vetado o direto à greve. Nos últimos dias o que tenho visto no Rio é um circo. Uma categoria que vem sendo “doutrinada” por políticos faz meses, chega ao ponto de rasgar sua lei militar, invadir um quartel, ocupar e inutilizar viaturas.
    Ora, isso é inadmissível em um estado de direito. Imaginemos se médicos decidem fazer greve, invadir hospitais, furar pneu das ambulâncias e trancar as portas; E se um dia policiais em greve ocuparem os presídios e ameaçarem soltar os presos? Não obstante, teríamos ainda a possibilidade de Soldados do exército em greve, colocarem tanques para obstruir vias. Pergunto: Onde a sociedade vai parar? É esse o precedente que a sociedade deseja abrir com os bombeiros?
    Para que não corramos esse risco há uma legislação militar que rege as FFA, Bombeiros e a PM. Independente de qualquer pleito salarial, ela tem de ser respeitada. No momento em que a sociedade permitir que essa lei seja ignorada, estará pondo em risco sua própria ordem.

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  2. Olá Carlos, obrigado pela visita e comentário.
    Realmente os Bombeiros erraram. Mas num estado que vereadores ganham mais de 15 mil mensais para nada fazer, é desesperador para um trabalhador, principalmente do naipe dos bombeiros, receberem a miséria que tem como salário. E daí a colocar a tropa de choque e tratá-los como bandidos, me parece um exagero.
    Volte sempre.
    Abraços.

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