segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Bolsonaro. Em duas semanas os ratos estão fugindo

Acordo do PSL com Maia, promoção do filho de Mourão e decreto das armas foram alvo de críticas entre fiéis apoiadores

Por: Eliseu

bolsonaro_mito_corrupçao_ratosNão sou vidente, não sei mais que os outros, mas também não sou burro e nem “Maria vai com as outras”.Sou apenas um blogueiro progressista, que ao longo da vida sempre procurei me informar dentro do possível.

Antes e durante toda campanha eleitoral, este blogueiro e vários outros progressistas -blogueiros ou não-, tentamos alertar a população. Principalmente os “evangélicos”, facilmente manipuláveis pelos pilantras que se dizem pastores e fizeram fortuna às custas dos “fiéis” que desesperados acreditam em tudo. Edir Macedo, Silas Malafaia, Valdemiro Santiago, RR Soares e um monte de pilantras de menor porte que enganam o povo em nome de Deus.

À véspera do 2º turno fiz um post no Facebook, alertando sobre a possibilidade de Bolsonaro vir a ganhar. Pedi reflexão, uma vez que depois não adiantaria arrepender-se. É público que ele é fascista, machista, racista, homofóbico, simpatizante da ditadura e tortura. Para “evangélicos”, que pregam amor, paz, servir os mandamentos de Deus, já seria o suficiente para nem querer ouvir de Bolsonaro.

Pois bem, de acordo com o jornal de circulação nacional e claramente de direita, o Estadão, logo no 2º dia da posse do “mito” surgiram as primeiras críticas surgiram por apoiadores ao anunciar que referendaria a reeleição de Rodrigo Maia (DEM) à Câmara. Seguidores do presidente associaram a aliança à “velha política” e ao “toma lá da cá”, práticas que o próprio presidente diz combater.

E não para por aí. Em menos de duas semanas após a posse do novo governo, decisões tomadas por Jair Bolsonaro, por integrantes de seu primeiro escalão ou por seu partido, o PSL, foram vistas com desconfianças na base mais fiel de seguidores do presidente da República, a chamada rede bolsonarista na internet. O presidente dizia uma coisa, daí a minutos um ministro o desmentia. Inverteram toda e qualquer lógica de hierarquia.

As divergências na rede bolsonarista aumentaram após a nomeação do filho do vice-presidente, Hamilton Mourão, como assessor especial da presidência da Banco do Brasil, triplicando o salário.

Por hora fico por aqui. É muita falcatrua em duas semanas para discorrer em um só post.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

“O Brasil só ficará pacificado consigo próprio quando Lula estiver livre”, diz Amorim

Segundo ex-chanceler, que visitou o ex-presidente em Curitiba, Lula está acompanhando a realidade internacional. Amorim fez a visita ao lado de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça de Dilma

No: Rede Brasil Atual

lula_amorim_cardosoOs ex-ministros Celso Amorim e José Eduardo Cardozo visitaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final da tarde de hoje (10), em sua cela em Curitiba, onde está preso desde 7 de abril do ano passado. Para Amorim, “o Brasil só ficará pacificado consigo próprio quando Lula estiver livre”. Ele se disse “consolado por vê-lo muito bem disposto, acompanhando tudo, acompanhando no que me diz respeito, a realidade internacional”.

De acordo com o ex-chanceler, ele discutiu com o ex-presidente a realidade internacional, a importância da defesa da soberania nacional associada à democracia, a defesa dos interesses brasileiros, como os representados pela Embraer, a Petrobras, a integração da América Latina e América do Sul.

“Fiquei muito impressionado com o Lula. Primeiro, porque ele está num estado de saúde muito bom. Eu estava preocupado com isso, não tinha conseguindo vir aqui ainda. Ele está com uma energia interior que só os grandes estadistas possuem", disse Cardozo. "Talvez as pessoas que não tenham o privilégio de serem grandes líderes, estadistas, jamais possam entender isso.”

De acordo com o ex-ministro da Justiça no governo Dilma, apesar da condenação injusta, sem provas, contra a Constituição e a lei, o ex-presidente está com “estado de espírito e disposição para continuar lutando”. “Se pensam que ele está abatido, alquebrado, pelo contrário, ele continua sendo o velho Lula guerreiro de sempre.”

sábado, 5 de janeiro de 2019

ONGs alertam para ataque à democracia por MP de Bolsonaro

Medida Provisória 870 coloca organizações da sociedade civil sob controle – e vigilância – da Secretaria de Governo e contraria a Constituição, que prevê liberdade de associação dos cidadãos

Por: Gabriel Valery, no Rede Brasil Atual

bolsonaro_ditadura_militaresAs organizações da sociedade civil temem que, após a edição de sua primeira medida provisória, o governo de extrema-direita do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ataque o direito constitucional à liberdade de associação, representação, organização e atuação dos cidadãos. O artigo 5º da MP 870, em seu inciso II, coloca as Organizações não Governamentais (ONGs) sob supervisão e controle da Secretaria de Governo, o que vai contra o artigo 5º da Constituição.

Em resposta, a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong) publicou nota pública em repúdio do texto do governo recém-empossado. "Não cabe ao Governo Federal, aos governos estaduais ou municipais supervisionar, coordenar ou mesmo monitorar as ações da organizações da sociedade civil", afirma a entidade.

Um dos diretores-executivos da Abong, Mauri Cruz, alerta que o grande risco representado pela MP de Bolsonaro é o impacto sobre a própria democracia brasileira. "Nossa principal preocupação não é só com a MP, mas com a democracia. Para termos uma democracia plena, precisamos de liberdade, autonomia da iniciativa privada, da sociedade civil e da imprensa. A democracia tem várias bases, como a autonomia dos poderes junto da sociedade civil autônoma para se organizar de forma não tutelada", disse.

Na avaliação de Cruz, o objetivo final do novo governo pode ser a perseguição de quem discorda de seu regime. "É importante que seja corrigida essa inconstitucionalidade, para que ela não seja utilizada para tentar criminalizar organizações das quais, por acaso, o governo discorde de sua atuação e opinião.. Querer usar de um instrumento legal para perseguir alguma organização que venha a ter um embate legítimo nos parece muito preocupante", completa Cruz.

A Abong afirma ainda que a própria viabilidade da medida desperta dúvidas. O controle de todas as organizações parece impossível, já que são milhares delas no país. As próprias ideologias e motivações são extremamente plurais. "Imagine a estrutura que seria necessária construir no governo para fazer esse monitoramento", afirma Cruz, para quem tal tarefa iria contra o discurso de Bolsonaro, que assume prometendo "enxugar" a máquina estatal.

Resistência

As organizações estudam agora formas de impedir as arbitrariedades que a edição da MP sugerem. "Primeiro vamos fazer uma interpelação administrativa para que corrijam este termo. Não nos parece de bom tom deixar um instrumento jurídico em aberto, é necessário que ele seja adequado à Constituição", afirma Cruz, acrescentando que já existem diálogos com órgãos como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e mesmo com a Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) para o agrupamento de forças e a elaboração das peças jurídicas.

Outra frente de resistência republicana à ameaça de cerceamento da democracia é parlamentar. "Caso o governo não tome a iniciativa (de revogar ele mesmo os pontos em questão), esta MP tem um tempo de vigência limitado, ela precisa passar pelo Congresso. Então, vamos estabelecer uma relação com as bancadas, tanto do governo quanto da oposição, para que haja esta adequação posterior", finaliza.

Como se trata de matéria constitucional, como último recurso ainda caberia apelar ao Supremo Tribunal Federal (STF).