segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Milícias ideológicas de Jair Bolsonaro ameaçam as instituições

O ex-capitão abriu mão da ideia de formar uma maioria para sustentar o governo. O que lhe resta é a defesa da antidemocracia
Por: Marcos Coimbra, no CartaCapital
O ex-capitão Bolsonaro não é um político normal. Não por ser “espontâneo” e “franco”, como alguns afirmam, comparando-o ao estereótipo do político tradicional e enxergando uma qualidade em sua anormalidade.
Normais, ao longo de sua vida e na Presidência, foram José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique, Lula, Dilma e até Michel Temer, cada um à sua maneira e apesar de suas diferenças. Podemos não admirar nenhum deles e ter forte rejeição a vários, mas os sete foram normais e fizeram a carreira com base em princípios democráticos.
Bolsonaro, não. Nem nas atitudes nem no comportamento o ex-capitão mostra ter apreço pelos valores ou respeito pelos códigos de conduta democráticos. Se quisermos encontrar um antecessor de hábitos semelhantes, vem à mente o ex-presidente que ameaçava prender e arrebentar e que preferia cheiro de cavalo àquele de povo. Bolsonaro consegue ser, porém, um João Figueiredo piorado, sem capacidade para se tornar general.
Nas democracias, políticos normais, quando disputam cargos majoritários, buscam obter o máximo possível de votos. Ganhar é bom, mas melhor é ganhar por larga margem. Não por acaso, essas vitórias são chamadas de consagradoras.
Depois da performance surpreendente de Donald Trump na última eleição nos Estados Unidos, tivemos de admitir a existência de outro modo de ganhar uma disputa nas urnas. Não foi pela busca do máximo possível de votos que o republicano venceu. Ele queria apenas o mínimo suficiente para superar a adversária. Deu-se bem, apesar de derrotado no voto popular do conjunto do país e de receber cerca de 70 mil votos a mais (equivalentes a 0,0005% do eleitorado) em três estados, nos quais a eleição se resolveu.
Foi um caso excepcional. De um lado, só deu certo por causa das regras peculiares do sistema eleitoral norte-americano. De outro, inaugurou um tipo novo de trapaça para o qual ninguém estava preparado. O uso ilegal das redes sociais por Trump não se repetirá, no entanto, pois todos estarão preparados e atentos. O presidente dos EUA pode até se reeleger, mas por motivos convencionais, diferentes dos que explicam sua primeira vitória.
Quando Bolsonaro se dirige ao núcleo que o apoia na sociedade, não faz como o ídolo. Trump age para manter seu eleitorado mobilizado e busca os temas potencialmente mais eficazes naquele ambiente institucional. Não é isso que o ex-capitão busca, pois tem, ao que parece, outra meta.
O comportamento de Bolsonaro, sua capacidade de inventar impropriedades gratuitas, afugentar eleitores e assustar possíveis novos apoiadores não é normal. Para que desafiar o bom senso e os sentimentos de gente comum, que vive fora de bolhas ideológicas amalucadas e não compartilha sua violência verbal e a ilimitada disposição para agredir e humilhar?
O ex-capitão abriu mão da ideia de formar uma maioria para sustentar o governo e disputar com chances a reeleição, por reconhecer que, para ele, é um sonho inalcançável. Ao que parece, desistiu também de executar uma estratégia à Trump, pois será muito difícil repetir as manobras imorais que usou em 2018.
Seu cálculo é que a coalizão antiesquerda, formada por militares, banqueiros, Rede Globo, políticos, bispos empresários, a maioria do Judiciário, do Ministério Público e de outras corporações, permanecerá unida. Ele não é o candidato preferencial de nenhum de seus integrantes, mas pode obrigá-los a engoli-lo, impedindo que busquem opções melhores, desde já e em 2022.
O que lhe resta é enveredar por um caminho que nada tem de democrático. Antes, é inteiramente antidemocrático (o que não o detém).
O ex-capitão investe na formação de uma milícia ideológica, um núcleo largamente minoritário na sociedade, mas suficientemente grande para ameaçar as instituições e seus atores. Deve acreditar que serão poucos os políticos com coragem para enfrentá-lo no Congresso, os jornalistas dispostos a criticá-lo, os magistrados que ousarão decidir contra ele, os procuradores que o investigarão, as cidadãs e cidadãos que sairão às ruas para repudiá-lo, sabendo que terão de enfrentar os milicianos bolsonaristas e se expor à violência.
Quem confia na democracia e sabe quão tosco é Bolsonaro aposta que isso não dará certo. O ex-capitão imagina que vencerá. Sua meta não é ter o apoio de 50% mais um dos votantes ou de 30% da sociedade. O que almeja é uma matilha pronta para morder, uma milícia que, ao seu comando, saia para bater nos outros.
Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

domingo, 18 de agosto de 2019

Lava Jato usava chats para pedir ao atual chefe do Coaf dados fiscais sigilosos sem autorização

Procuradores da força-tarefa usaram o Telegram para acionar informante mesmo baseados apenas em boatos e sem passar pelo que manda a lei e a Constituição
No:Rede Brasil Atual
Além de incentivar secretamente investigações de ministros do Supremo Tribunal Federal, colaborar de forma proibida com então juiz Sergio Moro, usar partido político e grupos da sociedade civil como lobistas para emplacar suas pautas políticas, tramar o vazamento de uma delação para interferir na política de outro país e se encontrar secretamente com banqueiros em pleno ano eleitoral, os procuradores da operação Lava Jato também usaram o Telegram para obter informalmente dados sigilosos da Receita Federal – ou seja, sem nenhum controle da Justiça. A manobra foi usada por Deltan Dallagnol e outros colegas numa empreitada obsessiva por incriminar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nova reportagem da série Vaza Jato publicada neste domingo (18) pela Folha de S.Paulo, em parceria com o The Intercept, revela que o coordenador da força-tarefa e seus colegas no Ministério Público em Curitiba recorreram em diversas ocasiões a um informante graduado dentro da Receita para levantar o sigilo fiscal de cidadãos sem que a Justiça tivesse autorizado a quebra.
Por meio do Telegram, acionavam o informante Roberto Leonel, então a cargo da área de inteligência da Receita Federal em Curitiba, para obter dados sigilosos de contribuintes até mesmo para verificar hipóteses sem indícios mínimos e motivadas apenas por boatos.
Leonel atualmente é presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ligado ao ministério da Economia. Foi o ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro (PSL), Sergio Moro, quem indicou o informante ao cargo, no período em que o Coaf estava sob sua tutela.

Obsessão

A reportagem mostra três casos encontrados nos diálogos que envolvem a maior obsessão dos procuradores em todos os anos de conversas pelo Telegram: o ex-presidente Lula.
Em 2015, após divulgação de notícias de que um parente de Lula teria negócios em Angola, supostamente com ajuda da Odebrecht, o procurador Roberson Pozzobon avisou que encomendaria os serviços do informante.
“Quero pedir via Leonel para não dar muito na cara, tipo pescador de pesque e pague rsrsrs”, disse, numa mensagem a Dallagnol no grupo Chat FT MPF Curitiba 2.
No ano seguinte, entre janeiro e março, a força-tarefa pediu a Leonel que levantasse informações sobre uma nora de Lula e sobre o caseiro do sítio de Atibaia, propriedade à época registrada em nome de Fernando Bittar e Jonas Leite, e que era frequentada pelo ex-presidente. O caso levou à sua segunda condenação.
Em 15 de fevereiro daquele 2016, Dallagnol sugeriu aos colegas no grupo 3Plex que pesquisassem as declarações anuais de imposto de renda do caseiro Elcio Pereira Vieira, conhecido como Maradona. “Vcs checaram o IR de Maradona? Não me surpreenderia se ele fosse funcionário fantasma de algum órgão público (comissionado)”, disse. “Pede pro Roberto Leonel dar uma olhada informal”.
Uma semana depois, Moro autorizou a quebra do sigilo fiscal do caseiro. No processo que trata do sítio, no entanto, não há nenhuma informação do Fisco sobre ele, nem sinal de que a hipótese de Dallagnol tenha sido checada.
Em 6 de setembro de 2016, o procurador Athayde Ribeiro Costa informou aos colegas no grupo 3Plex que havia pedido a Leonel para averiguar se os seguranças de Lula tinham adquirido uma geladeira e um fogão, dois anos antes, para equipar o triplex que a empreiteira OAS diz ter reformado para o petista no Guarujá.
Costa enviou ao auditor sem autorização judicial, os nomes de oito seguranças que trabalhavam para o ex-presidente, além do nome de duas lojas. Não há confirmação, nos chats, se Leonel verificou as informações, mas no processo do triplex, que levou Lula à prisão, a OAS é indicada como responsável pela compra dos eletrodomésticos, e não os seguranças.

sábado, 10 de agosto de 2019

Meus parabéns!


"Aqui se faz, aqui se paga!"
Por: Eliseu
Tenho que parabenizar aos Titãs por terem a coragem de dizer em público o que a maioria da população de bem brasileira tem "engasgada" há anos. Infelizmente não citaram nominalmente, mas sabemos que mandaram o recado principalmente para o cão maldito, o Moro, os rebentos do bobo da corte Jair Bolsonaro que são o senador e miliciano Flávio Bolsonaro, o deputado que pediu ao papai para ser embaixador do Brasil nos Eua, porque sabe falar inglês e o caçulinha que não vou qualificá-lo senão serei taxado de homofóbico, o que não sou, mas que serve pro bobo da corte Bolsonaro lavar a boca quando falar de gays.


sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Meu pedido de desculpas

Sempre pensei não ser de bom tom tratar de assuntos pessoais em blog, mas às vezes é necessário

Por: Eliseu

Por respeito aos meus leitores, tenho que me desculpar por não estar atualizando meu blog como sempre fiz e gostaria.

A vida nos leva por caminhos às vezes nunca imaginado. Em 2012, exatamente em 19/12/2012, perdi minha esposa, companheira de 33 anos só de casamento. Chamava-se Ludzmar. Foi um “baque” imensurável que pensei jamais superar. Na verdade quando se perde alguém que amamos, nunca é superável.

Mas a vida seguiu, e em 2015 tive um novo relacionamento, que também foi traumático. Minha nova esposa, Jussara, faleceu com apenas sete meses de casamento. Outro terrível “baque”. Resolvi não me relacionar seriamente com nenhuma mulher.

Novamente a vida seguiu. E em 2017, logo no limiar do ano, em 5 de janeiro, conheci uma pessoa maravilhosa que acabei me apaixonando, mulher linda e maravilhosa, a Claudir Almeida Ziviani e novamente estou casado. Já são dois anos e pouco mais de sete meses. Desta vez espero eu ir, empatando assim, uma vez que ela também é viúva. Ficaremos no 2x2, rsssss.

Além destas perdas de esposas, foram duas irmãs no intervalo de três meses. Uma delas, a mais velha, Odicéa foi uma espécie de segunda mãe. Na infância morei com ela para estudar pois no povoado que residiam meus pais só havia ensino até o quarto ano primário. A segunda, Telma, esta era a “chefe da família”. Aquela que todos recorriam nos momentos de angústia, de alegria,tudo…

Enfim, apesar de hoje estar muito feliz ao lado de Claudir, os impactos que sofri, me abalaram profundamente e tenho atualizado muito pouco meu blog, sendo que nos últimos meses, fiquei sem nenhuma. Não conseguia escrever nada!

Bom, reitero aqui meu pedido de desculpa a meus leitores, e também pelo desabafo pessoal e prometo tentar voltar a fazer atualizações mais frequentes. É uma fonte de prazer para mim, e uma antiga ideologia!

Um abraço a todos.