sábado, 25 de julho de 2015

Lula sobe o tom: “Eu, sinceramente ando de saco cheio. Profundamente irritado”

Ex-presidente criticou os setores conservadores que não aceitam o resultado da eleição da presidenta Dilma Rousseff na cerimônia de posse da diretoria do Sindicato dos Bancários do ABC

No: Rede Brasil Atual 

lulaO ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem (24) que a esquerda brasileira está sendo perseguida como os judeus foram pelos nazistas e os cristãos pelos romanos, e criticou setores conservadores do país que não aceitaram a vitória nas urnas da presidenta da república, Dilma Rousseff.

“Quero dizer para vocês que estou cansado de mentiras e safadezas, estou cansado de agressões à primeira mulher que hoje governa esse país. Estou cansado com o tipo de perseguição e criminalização que tentam fazer à esquerda desse país. Parece os nazistas criminalizando o povo judeu e romanos criminalizando os cristãos”, disse, em discurso na posse da diretoria do Sindicato dos Bancários do ABC, em Santo André.

O ex-presidente Lula afirmou estar cansado do “tipo de perseguição e criminalização que fazem às esquerdas desse país”. “Eu nunca tinha visto na vida pessoas que se diziam democráticas e não aceitam uma eleição que elegeu uma mulher presidente da República”, acrescentou.

O ex-presidente lembrou de realizações de seus governos, como o ingresso de milhares de estudantes no ensino superior e a ascensão econômica de milhões de pessoas. “Eles não suportam que um metalúrgico quase analfabeto tenha colocado mais gente na faculdade do que eles, não suportam que a gente não deixou privatizar o Banco do Brasil e comprou a Nossa Caixa e o Banco Votorantim”, disse Lula.

“Eu, sinceramente ando de saco cheio. Profundamente irritado. Pobre ir de avião começa a incomodar; fazer faculdade começa incomodar; tudo que é conquista social incomoda uma elite perversa”, acrescentou o ex-presidente.

Lula disse ainda estar otimista com o futuro do país e compreender a apreensão de parte da população com o desemprego e com a inflação, mas ressaltou que o cenário já esteve pior.

“O cenário hoje não é o ideal e nós sabemos. Eu me preocupo com a inflação, com o desemprego. Mas é importante lembrar que a crise que afeta o Brasil hoje é a mesma que afeta chineses e americanos. Nossa inflação hoje é de 9%, com perspectiva de queda. É importante lembrar que, quando assumimos o governo, ela já estava a 12%, que o desemprego era de 12,5%.”

O ex-presidente fez questão de deixar claro seu otimismo. “Não tenho medo de ser otimista. Somos um país grande, com uma enorme capacidade de recuperação e um mercado interno de 204 milhões de consumidores. Quem apostar no fracasso deste país vai quebrar a cara”.

Lula falou depois de Belmiro Moreira, que acabava de assumir a presidência do Sindicato dos Bancários do ABC. Emocionado, Belmiro lembrou a história de lutas da categoria e da região. Aos 14 anos, enquanto trabalhava como patrulheiro-mirim em uma indústria metalúrgica, acompanhou de perto as conquistas sindicais que mudaram o país. “É uma responsabilidade ter hoje aqui presente o presidente que mais mudou este país. Lula criou o Partido dos Trabalhadores e ajudou a fundar a CUT para que a gente tivesse mais representação nas esferas do poder.”

quinta-feira, 23 de julho de 2015

“Golpe é impossível”, diz Governador do Maranhão

Mostraremos nas ruas que golpe é impossível, refletiu o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) ao afirmar está atento à investida conservadora da oposição que anda cada vez mais assanhada. As declarações foram realizadas durante entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim.

No: Vermelho

flaviodinoMais uma vez, Flavio Dino rebateu as tentativas da oposição de derrubar a presidenta Dilma Rousseff e reiterou o papel que a população desempenhará para defender a democracia.
“Eu e milhões de brasileiros vamos às ruas defender a democracia. A nossa geração que viveu o fim da ditadura militar tem um imenso apreço por aquilo que construímos. É impossível qualquer tipo de golpe, não só pelas questões jurídicas, mas também pela questão política. A democracia deve ser preservada”, salientou o governador comunista.
E ainda destacou, “a contaminação do debate político pela pauta da polícia leva a um desgaste profundo de todas as instituições e a propostas absurdas, como essa do impeachment por impopularidade. Algo sem precedentes no Direito internacional ou brasileiro. Se houvesse impeachment por impopularidade, todos sofreriam impeachment. Figueiredo, Sarney, Fernando Henrique, Lula… Em algum momento eles foram impopulares”. 

Nordeste apoia Dilma

Em um movimento conjunto, Flávio Dino é um dos signatários de um manifesto de governadores do Nordeste em apoio à presidenta Dilma. Segue abaixo a integra do documento:

flaviodino_dilma“ACREDITAMOS NO BRASIL!
O Brasil é maior que as crises, é maior que as dificuldades. Já provou isso várias vezes. E todos nós temos de ser do tamanho do Brasil. O Momento é de grandeza. A situação é delicada? Sim. No Brasil e no mundo. Também enfrentamos, como governadores e vices, grandes desafios nos nossos Estados. Mas, o Brasil e os brasileiros já enfrentaram momentos mais difíceis, e vencemos!
Mais uma vez, vamos vencer! Com muito trabalho, fazendo o que precisa ser feito. Vamos retomar o desenvolvimento econômico e social com responsabilidade ambiental. Vamos sair maiores e melhores.
A hora é de união do setor público com o setor privado, das instituições com a sociedade, da política com o povo. O que queremos é ampliar a democracia, o fortalecimento das instituições, mais conquistas e avanços. Retrocesso, nunca mais. Defendemos, sobretudo, o respeito à Constituição Cidadã de 1988.
O Povo brasileiro fez uma opção em 2014, a quem confiou governar o Brasil. No mesmo momento em que elegeu todos nós, governadores e vices para governar os nossos Estados. O mandato de quatro anos determina um prazo para que os compromissos de campanha sejam cumpridos, para que os desafios sejam vencidos, os ajustes sejam feitos, os projetos sejam implementados e os resultados sejam colhidos. E isso exige respeito às regras constitucionais, razão pela qual consideramos incabível qualquer tipo de interrupção do mandato da Presidenta Dilma Rousseff, já que não há motivo jurídico para tanto.
Definitivamente, não será pela via tortuosa da judicialização da política, da politização da justiça ou da parlamentarização forçada que faremos avançar e consolidar o processo democrático, a importância social das instituições do Estado de Direito e a superação do desafio civilizatório de nosso tempo.
Nossa geração enfrentou a ditadura militar, deu a volta por cima, e tem um papel importante na construção de um Brasil Melhor. Fizemos isto, juntos, como governo ou oposição. Juntos, unidos e fortalecidos, vamos seguir em frente!
VIVA O POVO BRASILEIRO!
Flávio Dino – Governador do Estado do Maranhão
Paulo Câmara – Governador do Estado de Pernambuco
Camilo Santana – Governador do Estado do Ceará
Ricardo Coutinho – Governador do Estado da Paraíba
Wellington Dias – Governador do Estado do Piauí
Rui Costa – Governador do Estado da Bahia”

quarta-feira, 22 de julho de 2015

STF proíbe Moro de julgar ação envolvendo Cunha

Lewandowski decidiu que o juiz Sergio Moro terá de dar explicações antes de julgar o caso que cita a suposta propina de US$ 5 milhões a Eduardo Cunha

No: CartaCapital 

stf

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, decidiu nesta quarta-feira 22 que o juiz Sérgio Moro não poderá proferir sentença na ação penal em que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é citado, antes de prestar informações ao Supremo. Ele concedeu prazo de dez dias para que Moro se manifeste.

Lewandowski atendeu a um pedido da defesa do parlamentar, que deseja agilidade na decisão sobre a suspensão da ação penal em que Cunha foi citado por Júlio Camargo, um dos delatores do esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato. Os advogados pediram que a manifestação de Moro seja enviada por meio eletrônico e não pelos Correios.

Após receber a manifestação, o presidente do Supremo decidirá se suspende o depoimento de Júlio Camargo. Na decisão, Lewandowski explicou que a medida foi tomada para evitar a perda de objeto do pedido de Cunha.

Na semana passada, Camargo – ex-consultor da empresa Toyo Setal – disse a Moro, responsável pelos inquéritos da Operação Lava Jato na primeira instância, que Eduardo Cunha pediu US$ 5 milhões em propina para que um contrato de navios-sonda da Petrobras fosse viabilizado.

Durante o depoimento, Camargo comprometeu-se a falar a verdade por ter assinado acordo de delação premiada. Após a divulgação do depoimento, Cunha voltou a negar que tenha recebido propina de Júlio Camargo.

Os advogados pediram a suspensão do processo, por entenderem que cabe ao Supremo presidir o inquérito, em razão da citação do presidente da Câmara, que tem prerrogativa de foro. Eduardo Cunha é investigado também em um inquérito aberto no tribunal para apurar se apresentou requerimentos para investigar empresas que pararam de pagar propina.

Na ação em que Cunha foi citado, são réus o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, o doleiro Alberto Youssef, o empresário Fernando Soares e Júlio Camargo.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

As agruras do jornalismo honesto

Ao manifestar antipatia pelo delator, a presidenta exprime um sentimento global. Mas basta isso para sermos tachados de dilmistas, lulopetistas, bolivarianos

Por: Mino Carta, no CartaCapital 

dilmaAté o mundo mineral não nutre maior apreço pela figura do delator. A personagem não é simpática, nem mesmo quando sua delação é legalmente premiada. A mídia nativa, somente ela, e quem acredita nela, foge à regra, ao sentimento comum não somente do Oiapoque ao Chuí, mas também de um polo a outro do planeta Terra.

Mídia peculiar, empenhada em enganar seus leitores, a precipitá-los no equívoco a respeito da verdadeira essência e dos alcances da delação. Sem falar do insondável mistério de tantos vazamentos, o que o delator delata terá de ser provado. Exponho o óbvio. Parece-me, porém, que os crentes na mídia, ao lerem as manchetes ou ao ouvirem âncoras, locutores e comentaristas, supõem ler e ouvir a sacrossanta verdade factual.

Coisas de um país que, de muitos pontos de vista, vive uma espécie de Idade Média, como acaba de dizer a presidenta Dilma Rousseff, a reforçar o vetusto e insubstituível conceito: in dubio pro reo. A imprensa da quarta 1º de julho, a mesma que remeteu enviados especiais a Washington para produzirem provas excelentes (eles, sim) do estágio patético da nossa mídia esmeraram-se em críticas e outros azedumes às declarações de Dilma sobre a Lava Jato, conduzida, de fato, ao sabor de um cardápio de arbitrariedades variadas.

A presidenta tem todo o direito de dizer o que pensa a respeito do delator, como númeno e como fenômeno, e a mim agradou bastante que, ao falar do seu passado na luta armada, evocasse quantos não foram delatores mesmo sob tortura. Houve um colunista, disposto a ironizar Dilma “por confundir o STF com o DOI-Codi”. Se a comparação for possível, cabe dizer que a masmorra dos torturadores foi mais coerente com a ferocidade da ditadura civil-militar do que a atual Suprema Corte, tão escassamente parecida com as similares do mundo civilizado, em relação a um regime democrático. Ali a política pesa mais que a Justiça, e não faltam provas a respeito.

Sei que, ao tecer tais considerações, corro o risco de ser tachado de dilmista, lulopetista, bolivariano. Ocorre que a mídia nativa, intérprete do reacionarismo à brasileira, não perdoa a singular presença de praticantes do jornalismo honesto. No caso de CartaCapital, sofremos os ataques dos sabujos do baronato midiático, simplesmente porque apoiamos as duas candidaturas do PT à Presidência da República. Definir a posição tão logo comece oficialmente a campanha eleitoral, além de ser ato comum na mídia de países democráticos e civilizados, é próprio do jornalismo honesto, em lugar de uma isenção diuturnamente desmentida.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

De volta, desafio de Dilma será reagir à crise

Ao retornar dos Estados Unidos, onde foi prestigiada por Barack Obama, restaurou os laços bilaterais abalados há dois anos e teve contatos importantes com investidores, a presidente “encontrará a crise política em outro patamar e terá de estar preparada para o avanço da ofensiva adversária, que só pode ser detido por uma reação muito vigorosa. É disso que se ocupa Lula neste momento”, afirma Tereza Cruvinel, colunista 247; para a jornalista, que cita a falta de unidade da oposição, “o desfecho da crise política não é iminente, mas os próximos três meses serão cruciais”; “Ou seja, a divisão de interesses entre os que querem remover Dilma do governo garante a ela um tempo para reagir e evitar o pior”, avalia

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Por: Tereza Cruvinel, no Brasil 247

A presidenta Dilma cumpre hoje a última etapa de sua viagem aos Estados Unidos, visitando o Vale do Silício na Califórnia. Foi prestigiada por Barack Obama, restaurou os laços bilaterais abalados há dois anos e teve contatos importantes com investidores. Uma viagem exitosa cujo brilho só foi tisnado pelo tanto que ela falou sobre Lava Jato e delações. Poderia ter recorrido ao velho chavão de presidentes em viagem: "não falo sobre assuntos domésticos fora do Brasil". De volta, ela encontrará a crise política em outro patamar e terá de estar preparada para o avanço da ofensiva adversária, que só pode ser detido por uma reação muito vigorosa. É disso que se ocupa Lula neste momento.

O desfecho da crise política não é iminente mas os próximos três meses serão cruciais. Estão sobre a mesa três hipóteses de solução radical, chamemos assim para evitar a palavra golpe: o impeachment de Dilma, a impugnação da chapa Dilma-Temer ou a adoção do parlamentarismo, tese que Eduardo Cunha lançou como sendo para 2018 mas que, se for preciso, alguém proporá como remédio da hora. Como em 1961, na crise da renúncia de Jânio. Vão prosseguir por algum tempo as trepidações, vazamentos seletivos e golpes do Congresso, como o do Senado ontem, ao aprovar um reajuste salarial para o Judiciário que atenta contra o ajuste das contas.

O desfecho é esperado (ou programado?) para mais adiante por várias razões. Uma é relacionada com a própria dinâmica da crise, que ainda não atingiu seu ponto máximo. Outra, com a falta de unidade da oposição, e do próprio PSDB, sobre o caminho a ser adotado.

Relativamente ao "timing", a crise econômica ainda terá de piorar muito para que a crise política chegue ao ponto em que todos queiram a ruptura: povo sacrificado, empresários no sufoco e a oposição no ataque. Este momento, até aliados mais realistas do governo avaliam, pode chegar entre setembro e outubro. A não ser, é claro, que Dilma e o PT entendam o sentido de urgência da movimentação do ex-presidente Lula. Como diz um cacique da oposição, "Collor não sofreu impeachment por causa do Fiat Elba. Foi afastado porque perdeu completamente as condições de governar o país".

Este momento pode ser evitado? Só se o governo tiver disposição para “um verdadeiro cavalo de pau”, diz um preocupado peemedebista. Isso significaria mudar completamente o ministério, reduzir pastas e trocar a guarda palaciana. Levy não pode fazer milagres na economia mas os juros de 13,75% poderiam ser trocados por um aumento do compulsório dos bancos. Algo terá de ser feito para reverter o ambiente negativista na economia, aumentar a segurança jurídica e a confiança no governo.

Por outro lado, existe a divisão na oposição sobre o caminho a seguir para remover Dilma, que determinaria o tipo de substituição. A ala tucana ligada ao senador Aécio Neves aposta na criminalização da chapa Dilma-Temer, a partir de uma ação do TSE, que tomasse como ilegais e criminosas as doações oficiais de empreiteiras implicadas na Lava Jato. A eventual impugnação da chapa Dilma-Temer, antes de dois anos de cumprimento do mandato, exigiria, nos termos da Constituição, a realização de novas eleições, em que Aécio seria o candidato natural do PSDB. “Esta solução é o pior dos mundos. O país vai pegar fogo. Lula será candidato, Aécio também e o para a guerra. Disso não viria um novo equilíbrio de forças que permitisse ao país retomar a normalidade”, PT irá diz um tucano de outra linhagem.

Ala vinculada ao governador Geraldo Alckmin, por exemplo, preferem a solução mais convencional: apenas Dilma seria afastada (pelo Congresso ou pelo Judiciário, a partir do “crime de responsabilidade” já apontado pelo TCU por violação da lei orçamentária). Neste caso, haveria uma pactuação pela posse do vice Michel Temer, que faria um governo tampão, ao final do qual haveria eleições e Alckmin seria candidato.

É justo dizer que o vice-presidente tem se mantido numa posição de lealdade a Dilma, atuando como coordenador político e desconversando sobre este tema quando abordado por políticos. Ontem mesmo (terça, 30) ele teve um almoço com dezenas de parlamentares de primeiro mandato e certamente agiu do mesmo modo que em outros encontros. Seus aliados continuam reclamando, entretanto, das dificuldades criadas no próprio Palácio para o êxito de sua missão como coordenador político. Michel faz acordos com a base aliadas que envolvem nomeações e liberações de emendas mas eles esbarrariam em má vontade da Casa Civil e da área econômica.

A hipótese de “cooptação” de Michel para a “solução radical” é que a mais preocupa Lula. Ajuda a explicar seu empenho em restaurar os laços com o PMDB, especialmente com Renan Calheiros, com quem tomou café ontem, quinta-feira, 30, pedindo que ele “releve” as mágoas com o governo e estejam juntos para enfrentar a crise. Renan não é exatamente um escudeiro de Temer, pelo contrário. Sempre houve uma rivalidade entre o PMDB do Senado, que ele comanda, e o da Câmara, liderado pelo hoje vice-presidente quando era deputado e presidente do partido.

O PMDB não tem unidade sobre este eventual desfecho. Com todos os problemas que tem com o governo Dilma, é sócio do governo, controla sete ministérios e parte da máquina. No eventual governo-tampão, poderia não ter a hegemonia mesmo tendo a presidência.

A solução parlamentarista começou a ser ventilada a partir da entrevista de Eduardo Cunha à Folha de São Paulo defendendo a a adoção do modelo a partir de 2018. Mas ela exigiria um plebiscito ou referendo, e isso não se faz a toque de caixa, nem teria resultado garantido. Mas passou a ser falada.

Ou seja, a divisão de interesses entre os que querem remover Dilma do governo garante a ela um tempo para reagir e evitar o pior. Voltará a presidenta dos Estados Unidos disposta a promover o “cavalo de pau”, enquanto imagem de uma reação vigorosa para debelar a crise?

Estas conjecturas podem soar açodadas para quem está olhando apenas acima da superfície das águas agitadas. Mas é sobre isso que já conversam os agentes políticos mais experientes e que, na hora H, terão algum papel a cumprir no enredo.

domingo, 28 de junho de 2015

Aécio e Anastasia blindaram “amigos” em roubo ao Banco do Brasil

Polícia mineira conclui investigação que indicia parentes diretos da mulher-forte do “choque de gestão” de Aécio e Anastasia. Empresa já é denunciada por golpe em outro banco público, a CEF

Por: Helena Sthephanowitz, no Rede Brasil Atual 

aecio_roubo_tucanoUm inquérito da Divisão Especializada em Investigação de Fraudes, da Polícia Civil, que investiga o roubo de R$ 22,7 milhões de agências do Banco do Brasil em Minas Gerais por meio da empresa de transporte de valores Embraforte, em 2013, aponta uso político da Polícia Civil mineira pelo então governo do PSDB daquele estado para blindar criminosos “amigos”.

O delegado Cláudio Utsch, que assumiu e concluiu o inquérito, indiciou e pediu a prisão dos donos da Embraforte, Marcos André Paes de Vilhena e seus dois filhos – Pedro Henrique Gonçalves de Vilhena e Marcos Felipe Gonçalves de Vilhena. São respectivamente irmão e sobrinhos de Renata Vilhena, chefe da Secretaria de Planejamento e Gestão, entre 2006 e 2014. Trata-se da poderosa secretária estadual do “choque de gestão” dos governos tucanos de Aécio Neves e Antônio Anastasia. Ela também foi secretária adjunta de Logística e TI do Ministério do Planejamento do governo Fernando Henrique Cardoso.

“O poder de Renata esteve sempre pronto a auxiliar o irmão, e como é cediço”, (*Cediço: indiscutível, claro, notório, conhecido de todos etc. Nota da edição) “tempos atrás a Deif (Divisão Especializada em Investigação de Fraudes) fora usada para atender interesses do grupo político do qual faz parte a ex-secretária”, diz o inquérito. O problema, segundo o delegado, seria interferências políticas para atrapalhar as investigações.

Desde que o Banco do Brasil deu queixa do roubo a investigação na Polícia Civil não andou. Só em abril deste ano o novo titular da Deif (Cláudio Utsch) assumiu o caso e concluiu a investigação, em junho.

Entre as evidências de “blindagem” dos investigados, Utsch relata o que considera manobras para atrasar a investigação, “orquestradas por meio da influência de Renata Vilhena”. Uma delas teria sido tirar a investigação da Deif e levar para a Delegacia de Crimes Cibernéticos, que não tem nada a ver com as características do caso. Outra foi a retirada de peças importantes do inquérito pelo antigo delegado do caso.

A Embraforte prestou serviços de transporte de valores ao Banco do Brasil de 2006 a 2014 nas cidades mineiras de Belo Horizonte, Varginha e Passos. O Banco do Brasil descobriu uma fraude nos caixas eletrônicos abastecidos pela empresa, que colocava menos dinheiro do que declarava. Flagrados, os donos reconheceram o ocorrido mas colocam a culpa nos empregados. Estes disseram ter cumprido ordens que vinham de cima, inclusive sob coação.

O inquérito afirma que a Embraforte roubou R$ 22,7 milhões do Banco do Brasil por meio de depósitos com valores inferiores que os incluídos no sistema da empresa. O esquema foi descoberto pelo próprio banco, uma vez que as investigações pararam em algum gabinete da Polícia Civil.

Utsch pediu também o afastamento de seu antecessor nesta investigação, o delegado César Matoso, acusando-o de ter agido como um “advogado de defesa” dos Vilhena. “A autoridade policial, travestindo-se de advogado de defesa de criminosos, e em parceria com os advogados de defesa, produziu tais peças! Jamais tais oitivas poderão ser consideradas como interrogatórios de criminosos que cometeram graves crimes de colarinho branco”, descreve, no inquérito.

As peças referidas são depoimentos dos investigados de forma completamente anormal e suspeita. Em vez de o escrivão taquigrafar diretamente no PCNet, sistema oficial da Polícia Civil próprio para isto, o fez num programa de edição de texto comum, como se fosse um rascunho, abrindo a possibilidade de seu conteúdo ser alterado antes de ser lavrado como o depoimento oficial. Não bastasse, o próprio delegado César Matoso fez o serviço de passar o “rascunho” para o PCNet oficial, uma atitude bastante suspeita.

A Embraforte é alvo de outro inquérito na Polícia Federal por ocorrência semelhante na Caixa Econômica Federal. Casas lotéricas deram queixa de furto de dinheiro pela empresa. Parte do dinheiro recolhido nas lotéricas pelos carros-forte não era depositada no banco de destino, apesar dos controles apontarem exatidão nas operações.

Os negócios da Embraforte não ficam apenas nos bancos públicos do Brasil. Outra denúncia contra os donos da empresa foi apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) por trabalho escravo dentro da sede da empresa. Em 2012, fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego encontraram 115 empregados submetidos a jornadas extenuantes, em alguns casos com duração superior a 24 horas, e a condições degradantes de trabalho.

De certa forma, aplicavam na iniciativa privada conceitos que guardam alguma semelhança com aquilo que “choque de gestão tucano” propõe ao serviço público.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A serpente sem casca

O nosso tea party impõe a pauta do atraso e aplica um golpe branco que agrava a ineficiência do Estado e aprofunda a crise política

Por: Roberto Amaral, no: CartaCapital

eduardo_cunha_golpeA característica do ovo da serpente é a quase transparência de sua membrana, o que permite a quem o observe, conhecendo o embrião, antever a peçonha que, adulta, poderá picá-lo. Trata-se de bela e precisa imagem, que nos lembra, no presente, o que o futuro nos pode ameaçar. Ao observador sempre caberá a decisão de interromper ou não a gestação. Mas, a partir do conhecimento da ameaça, não mais lhe será dado o direito de, amanhã, ferido o calcanhar, arguir surpresa. Como na vida social, ao não intervir, o sujeito histórico opta pela cumplicidade.

Ingrid Bergman, em filme notável, descreveu a vida do pós Primeira Guerra Mundial, o encontro da Alemanha com a República e a democracia representada pela Constituição de Weimar, mas, igualmente, a Alemanha dos “loucos anos”, de hiperinflação, fracasso industrial, desemprego, antissemitismo e xenofobia. Não por outro motivo o denominou de O ovo da serpente. Enxergava, naqueles tempos, o prenúncio que mais tarde conheceríamos como nazismo.

Lembro a onda absolutista-autoritária de desrespeito aos direitos humanos, à liberdade, que, intoxicada de violência e xenofobia, construiu a Segunda Guerra Mundial. Vimos naquela altura a construção do nazismo, do franquismo, do salazarismo, do stalinismo e da loucura em que se transformou o feroz império japonês. Sabemos que preço foi pago.

O movimento social, que se propaga em ondas, muitas vezes se processa em subterrâneos que não nos é dado pressentir. Nas vésperas do famoso maio de 1968, Daniel Conh-Bendit reclamava da pasmaceira da vida universitária francesa. Imprevistos foram a queda do Muro de Berlim, o suicídio da URSS e, respeitadas as distintas proporções, as jornadas brasileiras de junho de 2013, detonadas por aumento de alguns centavos nas passagens de ônibus em São Paulo. Tais fatos e movimentos, alguns de caráter revolucionário, não foram construídos. Explodiram. Hoje, antecipa o amanhã. Sem forma exata.

Nos tristes idos de 1954, a sociedade brasileira foi despertada para um “mar de lama” que correria nos inexistentes porões do Palácio do Catete. A onda anti-varguista era promovida por uma oposição competente tanto quanto vituperina e inescrupulosa, que compreendia o Congresso, os partidos e, principalmente, a imprensa, atuando em concerto. Naquele então como agora. A deposição de Vargas passou a ser o alvo, o atentado, o grande pretexto. O desfecho faz parte da História.

Nos tristes idos dos anos sessenta, muitos liberais e democratas, que não haviam lido Brecht, engrossaram os arreganhos da direita que prometia cadeia para os comunistas e os corruptos, “encastelados no governo Jango”, cuja posse não haviam conseguido impedir em 1961. Nos primeiros momentos da ditadura, revelados seus propósitos, ainda assim nossos liberais não se sentiram ameaçados. Mas, insaciável, o dragão devorou todos.

O processo histórico não se move como uma equação algébrica ou uma lei da física. Não há leis determinando os fatos. Mas seu conhecimento ilumina ao caminhante as frentes por percorrer no presente.

Com a conhecida imagem do ovo da serpente procuro significar que estão dadas, para quem quiser ver, as condições para um perigoso processo de ruptura do pacto social que possibilitou a Constituinte quase progressista de 1988, agredida em seus aspectos mais socialmente avançados já a partir de sua promulgação, indicando de logo a resistência dos setores conservadores. Esse processo desconstitutivo atinge o paroxismo na atual legislatura parlamentar. Se o Congresso que aí está legitima os atos de seus líderes – evidência clara como a luz do sol – resta-nos a amarga indagação se esse caminhar representa também o pensamento majoritário de nossa sociedade. Se a conclusão plausível é pela coerência entre o pensamento social e a ação retrógrada do Congresso, perguntar-se-á, como desafio: como explicar as transformações que revelam o Brasil na contramão do avanço social medido a partir da redemocratização e da da Constituição de 1988?

O País vinha, conquista após conquista, avançando numa trilha iluminada por valores democráticos e progressistas. Um novo Brasil parecia nascer com as vitórias eleitorais da oposição; tinha-se a sociedade majoritariamente identificada em torno das campanhas contra a Tortura, pela Anistia, pelas Diretas-já, unificada na eleição indireta de Tancredo, no impeachment contra Collor e finalmente, nas eleições e reeleições de Lula e Dilma Rousseff. E no apoio popular a seus governos. Como explicar a crise de hoje, cujo ponto de partida é a desconexão entre o voto que escolhe o presidente e aquele que, na mesma eleição, preenche as cadeiras da Câmara dos Deputados? Como explicar que o mesmo eleitorado, na mesma eleição, consagre um candidato a presidente e eleja um Congresso que lhe será hostil?

O que pretendo pôr de manifesto é o subterrâneo da crise política, a saber, a falência do modelo de política e do modelo de Estado. Trata-se do fracasso do processo político eleitoral proporcional, fundado na farsa, na manipulação do poder econômico – que a direita quer aprofundar facilitando a contribuição financeira de empresas nas campanhas eleitorais e no financiamento de partidos e candidatos –, na manipulação do poder político, que distorce a vontade eleitoral. Trata-se da exaustão do ‘presidencialismo de coalizão’. Trata-se da necessidade de reforma de um Estado concebido para não funcionar, senão como conservador dos interesses da classe dominante.

A contrapartida do Estado infuncional é a incapacidade governativa, derivada do pacto imposto pelo “presidencialismo de coalização”, mas é igualmente a consequência de uma estrutura montada para impedir o fazer. Vivemos formal e objetivamente a grande crise constituinte, que nasce com o Estado brasileiro e a Carta outorgada de 1824.

Mas ainda não é tudo.

Fruto ou causa dessa ascensão conservadora, vivemos o encontro do esvaziamento da sociedade organizada – dominada por um certo niilismo – com a crise das instituições da República. O povo se ressente do Estado que não lhe assegura os serviços de que carece; não se identifica com o Poder Legislativo, que só legisla segundo os interesses dos parlamentares, e ao fim e ao cabo se sente frágil, à míngua de direitos diante de um Judiciário incompetente, de um ‘sistema’ que só pune os pobres. Dessa sociedade não se pode esperar a defesa da política, que jamais foi a forma de realização de seus interesses. Mas do progresso não pode cuidar a classe dominante, beneficiária e sócia de todos os desarranjos que contaminam a política e a coisa pública, privatizada, pois, na medida em que fracassam os meios republicamos, crescem as negociações de cúpula, no vértice do poder presidencial, onde se encontram líderes políticos e os representantes do grande capital.

A crise da política é a crise da representação que ilustra a crise constituinte, peças da grande crise do Estado, desaparelhado para gerir a sociedade emergente em meio à crise econômica alimentada por fatores internos e exógenos, condicionada pelos humores políticos e financeiros da globalização, um bem-sucedido projeto de poder das potências.

O plano interno parece repetir os ventos que sopram das metrópoles, com o avanço do pensamento e da prática de direita, que hoje domina a Europa, com a falência dos partidos socialistas e comunistas e a rendição de socialdemocracia. Aqui, com a renúncia da socialdemocracia que se transforma no baluarte do pensamento e da ação de direita, a falência dos partidos do campo da esquerda, o recuo do movimento social como um todo, notadamente do sindical, contido em reivindicações econômicas. Desapareceram as lideranças liberais e os quadros de esquerda minguam, como minguam as instituições e as lideranças da sociedade. É nesse vácuo – e não obstante o fracasso do neoliberalismo que detonou a crise econômica – que, lá e cá, crescem as forças da reação, do conservadorismo e da xenofobia. Mas não só o conservadorismo político-congressual-partidário, mas o pior de todos, o conservadorismo na sociedade.

Vínhamos de 12 anos de relativo sucesso de uma sequência de governos de centro-esquerda, que possibilitou a entrada de mais de 40 milhões de brasileiros na economia e no consumo, promovendo a mais notável ascensão social da história republicana. Hoje, esse governo sofre um cerco sem similar na história recente, hostilizado pelos meios de comunicação, hostilizado pelo mais poderoso  partido político da República (que participa do governo e comanda sua política...), hostilizado pelo Congresso (presidido pelo mesmo partido), finalmente, e por tudo isso, hostilizado na ruas.

Esse quadro ensejou a realização de um “especioso golpe branco”, volta a repeti-lo, de que resultou a instalação, em pleno presidencialismo, de um “parlamentarismo de fato”, mostrengo híbrido que, avançando sobre os poderes da presidência da República, agrava a ineficiência do Estado e aprofunda a crise política. Pois, presidido por um premier comprometido com o atraso fundamentalista de origem evangélico-pentecostal, governando contra o Executivo, o Parlamento cria dificuldades às nossas negociações com o governo chinês – de quem muito dependemos para sair da crise, via investimentos em nossa infraestrutura –, cria dificuldades à nossa participação no banco de investimentos que reúne a China e países europeus da área do euro, dificulta a vida dos BRICS, intenta desconstituir o Mercosul e torpedeia nossa política externa.

É o nosso tea party. No plano social, impõe a pauta do atraso, que compreende a diminuição da menoridade penal, a diminuição da menoridade para o ingresso no trabalho, a precarização do trabalho, a terceirização, o armamentismo, a intolerância à livre manifestação de crenças e credos e os diferentes tipos de discriminação.

Estamos diante do ovo da serpente, que nos antecipa, no presente, o que o futuro no reserva. Resta-nos enxergar as saídas que nos distanciem da premonição do que está sendo gestado. Esse o nosso desafio.

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segunda-feira, 22 de junho de 2015

“Democracia é bom na casa do outro. Aqui nem direito de resposta temos”, diz Lula

Toda vez que você fala em regulação dos meios de comunicação vem bordoada, diz Lula, lembrando que atual regulação é de 1962. Para ex-presidente, desconstruir a política fragiliza a democracia

No: Rede Brasil Atual

image_previewEm discurso dirigido ao ex-presidente da Espanha Felipe González, na Conferência “Novos desafios da democracia”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva exortou o partido hoje (22) a repensar sua prática, voltar a dialogar com a juventude e falou da necessidade de rediscutir as utopias, para que a gente possa fazer essa meninada sonhar ou aprender com eles como fazer a gente voltar a ter sonhos”.

Lula também criticou o partido e o governo. “Não sei se o defeito é nosso, se é do governo. Eu acho que o PT perdeu um pouco a utopia. Hoje a gente só pensa em cargo, em emprego, em ser eleito, ninguém hoje trabalha mais de graça.” Mas o ex-presidente disse também que o PT é "o mais importante partido de esquerda na América Latina".

Sem se excluir, ele reconheceu as dificuldades que as antigas lideranças têm no atual processo político brasileiro. “Eu tô falando as mesmas coisas que eu falava em 1980. Eu penso se não está na hora de a gente fazer uma revolução nesse partido, uma revolução interna e colocar gente nova, que pensa diferente, mais ousada, com mais coragem do que a gente. Temos que definir se queremos salvar a nossa pele e nossos cargos ou salvar o nosso projeto.” Segundo ele, é preciso “criar um novo projeto de organização partidária neste país”.

E citou partidos como o Podemos (Espanha) e outras iniciativas populares no Brasil e no mundo, como experiências a serem observadas e valorizadas. Mas alertou: “Dos movimentos de hoje, que surja um partido melhor que o PT, mas que surja. Porque quando se nega a política, o que vem é muito pior”. O ex-presidente enalteceu a vitória do Podemos na Espanha e disse que “é mais ou menos como o quando PT ganhou Diadema em 1982”, observando considerar fundamental, no Brasil, não apenas a esquerda repensar seu papel. “Que surja no Brasil um partido melhor do que o PT, mas que surja”, disse, reiterando que não acredita em soluções fora da política – num ambiente em que os meios de comunicação apostam na desqualificação da política como meio de desestimular as pessoas a se interessar e participar dela.

Lula considera que a desconstrução da política seria um retrocesso em relação a um dos principais avanços alcançados nos últimos 12 anos. “Nunca antes na história do Brasil o povo exerceu tanto a democracia e participou das decisões do governo como no governo do PT (...) Se perguntarem qual foi meu maior legado, foi o exercício de democracia que praticamos no governo”, afirmou.

Ele também não deixou de falar no papel da imprensa brasileira e dos oligopólios dos meios de comunicação. “A regulação da mídia (no Brasil) é de 1962, no tempo em que ligar do Rio Grande do Sul para Brasília, segundo o Brizola, demorava seis horas. Ainda tem nove famílias que controlam praticamente todos os meios de comunicação no país. Toda vez que você fala em regulação dos meios de comunicação vem bordoada de todo lado. Democracia é muito importante na casa do outro. Aqui no Brasil nem direito de resposta temos mais”, ironizou.

Como sua fala foi direcionada a Felipe González, o ex-presidente brasileiro usou em diversos momentos exemplos passados ou presentes da Europa para ilustrar seu discurso.

Para Lula, a crise financeira mundial iniciada em 2008 “se transformou numa crise muito mais política sobretudo por falta de lideranças políticas”. O mesmo problema vivido pela esquerda brasileira, de modo geral, ou pelo PT, em particular. “Vejo a esquerda europeia ter imensa dificuldade de discutir a imigração, e a direita deita e rola, porque para a direita é fácil: é ser contra. A gente deveria assumir a postura de querer a imigração. Os ricos não vêm de barco.”

Sobre política econômica, o ex-presidente metalúrgico não falou diretamente do governo Dilma Rousseff, mas mencionou a Grécia e os países europeu que adotaram soluções de ajustes neoliberais para combater a crise. “O ajuste só fez com que a dívida bruta e a líquida crescesse.”

Numa análise retrospectiva sobre as crises vividas pela democracia no mundo, Lula lembrou o processo iniciado com a Primavera Árabe, mais um golpe nas utopias. “Quanta gente não ficou maravilhada quando começou a Primavera Árabe? E agora quem está governando? Os militares outra vez.”

Ele criticou os assassinatos dos líderes árabes iraquiano Saddam Hussein (em 2006) e líbio Muamar Kadafi (2011) e afirmou que eles prejudicam a democracia mundial. “A morte do Kadafi não tem explicação para a democracia. Porque a Líbia estava quieta, não incomodava ninguém. De repente resolveram transformar a Líbia em inimiga da humanidade, destruíram, e colocaram uma coisa mil vezes pior do que tinha. E ninguém responde por essa responsabilidade.” Segundo Lula, a democracia “nunca correu tanto risco como corre agora”.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Os gays foram muito longe

Penso que cada um pode dispor de seu corpo como melhor entender, mas o respeito à sociedade e às instituições religiosas é fundamental

Por: Eliseu

gays

Já havia me recolhido hoje por não estar me sentindo bem devido à ter tomado uma bendita vacina contra a gripe que parece mais uma bala da canhão. Mas quem me conhece sabe que não consigo “engolir” certas coisas.

Não gosto de polêmica religiosa até porque não sou membro de qualquer igreja, - mas sempre que sou convidado e posso - vou a qualquer uma e respeito todas as religiões e fiéis e acredito em Deus. Tem que haver uma força superior para controlar tudo que acontece nesse universo.

Não concordo com o pastor Silas Malafaia devido sua desmedida intolerância contra tudo que ele não acha correto e também porque o acho muito prepotente. Também não gosto do Deputado Federal Marco Feliciano pelo mesmo motivo.

gayMas o Brasil constitucionalmente é um País democrático e até por isso é garantida a livre expressão, citada no Artº 5º da Constituição Federal. Portanto Silas Malafaia, Marco Feliciano ou seja lá quem for tem todo direito a pensar o que quiser. Até o editor deste blog tem o direito, e expressa sua opinião.

Como já diziam os mais antigos, quem quer ser respeitado tem que respeitar. E o que houve na passeata da 19ª Parada do Orgulho LGBT em São Paulo, neste domingo nada pode justificar. Uma falta de respeito difícil de entender. Desrespeitaram eles próprios, os religiosos de todas as crenças e desrespeitaram a lei. Infelizmente vivemos no País da impunidade. Os líderes dessa palhaçada deveriam ter sido presos imediatamente e estar na cadeia aguardando julgamento, e que a pena fosse pesada o bastante para desestimular outros imbecís de fazerem o mesmo, ou pior.

gaysRevoltante as imagens que circulam na Net. Moramos em um País laico, ou seja, sem religião. Por isso mesmo TODAS religiões, sem exceção – se não por uma questão de respeito - por lei, devem ser respeitadas, assim como seus seguidores.

O Carcará não gostou nem um pouco do que aconteceu! Voltaremos ao assunto com mais calma.