terça-feira, 25 de novembro de 2014

Desigualdade social cai

São Paulo lidera ranking com 0,794 e Manaus fecha a lista com 0,720. Em dez anos, a diferença entre elas caiu 12%

No: CartaCapital 

Os indicadores socioeconômicos das regiões metropolitanas brasileiras melhoraram entre 2000 e 2010 e mostram redução das disparidades entre metrópoles do Norte e do Sul do país. Os dados são do Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, divulgado nesta terça-feira 25, fruto de parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro.

De acordo com o atlas, entre 2000 e 2010, as disparidades entre as 16 regiões metropolitanas analisadas diminuíram e todas se encontram na faixa de alto desenvolvimento humano. A análise leva em conta o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). As regiões metropolitanas que apresentaram os maiores valores para o IDHM em 2010 foram São Paulo (0,794), Distrito Federal e Entorno (0,792), Curitiba (0,783), Belo Horizonte (0,774) e Vitória (0,772), todas com índices mais altos que os apresentados em 2000.

A boa surpresa veio nas regiões metropolitanas de mais baixo IDHM. Todas elas melhoraram. Em 2000, apenas São Paulo tinha índice de desenvolvimento humano alto. Manaus tinha baixo e as outras regiões, médio. Em 2010, todas passaram a ter IDHM alto. Hoje, Recife apresenta IDHM de 0,734 e é seguido por Natal (0,732),Fortaleza (0,732), Belém (0,729) e Manaus (0,720).Em 2010, a diferença registrada entre a região metropolitana com o maior e o menor IDHM foi 0,074 pontos ou 10,3%. Enquanto São Paulo ficou com índice 0,794, Manaus estava com IDHM 0,720. Dez anos antes, essa diferença era 22,1%.

O IDHM é um número que varia entre 0 a 1: quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano de um estado, município ou região metropolitana. O índice é calculado levando em conta três fatores: expectativa de vida, renda per capita e acesso ao conhecimento, que considera a escolaridade da população adulta e o fluxo escolar da população jovem.

Os dados do atlas são calculados com base nos Censos Demográficos de 2000 e 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 2000 e 2010, as regiões metropolitanas que apresentavam um IDHM menor tiveram avanço maior e as que tinham índices maiores cresceram menos. Isso fez com que as diferenças entre as regiões metropolitanas diminuíssem, resultando em maior equilíbrio entre as 16 regiões pesquisadas (Belém, Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Distrito Federal e Entorno, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória). Essas 16 regiões correspondem a quase 50% da população brasileira.

No período analisado, as regiões metropolitanas que tiveram o maior avanço no IDHM, em termos relativos, foram Manaus, Fortaleza, São Luís, Belém e Natal. As que tiveram menor avanço foram as de São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória. Para o representante do Pnud no Brasil, Jorge Chediek, gestores públicos e população devem usar os dados do atlas não apenas para constatar as disparidades, mas também para direcionar e reivindicar políticas pública inclusivas e eficientes para as áreas mais carentes. “Para além de evidenciar o fato de que o país ainda tem um caminho a percorrer na redução das desigualdades em suas cidades, a intenção do atlas é justamente ajudar no estabelecimento de políticas inclusivas que tenham como fim a melhoria das condições de vida das pessoas”, disse.

Além das regiões metropolitanas, foram pesquisadas 9.825 unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs), conceito próximo ao de bairros. Nessas UDHs, “é possível notar níveis significativos de desigualdades intrametropolitana”, aponta o atlas.

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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

As mãos sujas

Que Deus ouça a presidenta Dilma, mas o fenômeno é o de sempre

Por: Mino Carta, no CartaCapital 

Admitia um parlamentar do Partido Democrata-Cristão da Itália, envolvido na célebre Operação Mãos Limpas: “Os partidos são máquinas de caça-níqueis”. A frase será certamente muito apreciada por todos aqueles que enxergam nos políticos em geral outros tantos ladrões. Nem por isso vale em todas as circunstâncias, embora em parte não destoasse quando foi pronunciada e tampouco destoe no Brasil de hoje.

Pretende-se semelhança entre a nossa Operação Lava Jato e a Operação Mãos Limpas dos começos dos anos 90. Ambas visam devassar e condenar esquemas corruptos, mas há mais diferenças do que parecenças. Aquelas, de saída. Tanto a Mãos Limpas quanto a Lava Jato resultam de uma investigação inicial a respeito de fato e personagens de porte miúdo. Tampas pequenas para panelões ferventes.

As duas operações apresentam os rostos de figuras centrais, o PM Antonio Di Pietro e o juiz Sergio Moro. Na Itália, o grande inquisidor Di Pietro foi logo secundado por um pool de juízes e a operação levou à cadeia mais de mil cidadãos, atingidos ao cabo por condenações inflexíveis e amiúde longas. Políticos e empresários. Alguns destes mataram-se antes de ser presos. O político que dominara por dez anos, o líder socialista e primeiro-ministro Bettino Craxi, condenado a oito anos de cárcere, fugiu para a Tunísia, a salvo da extradição.

A comparação entre o PT e o PCI exibe outra diferença. Ao contrário daquele, a se revelar igual a todos os demais partidos brasileiros, não houve condições de provar que políticos comunistas de qualquer escalão tivessem embolsado um único, escasso tostão, conquanto não fossem isentados de meticulosas investigações.

O desfecho da Mãos Limpas foi a implosão da Primeira República, nascida no imediato pós-Guerra. Nem sempre este gênero de terremoto produz bons resultados, além do ataque à corrupção, eficaz de saída. No vazio de poder que se seguiu, ao vir à luz a Segunda República, instalou-se um predador clownesco chamado Silvio Berlusconi, enquanto o PCI mudava de nome, chamuscava a sua identidade e se perdia em disputas internas.

Eis aí uma lição que seria oportuno aproveitar: a antipolítica sempre deságua em desastre. Em nome da negação da política, tida como origem de todos os males e de todas as mazelas, as ideologias chamadas a nutrir o debate responsável são abandonadas em proveito do desarme da consciência. Ou, por outra, da promoção da ignorância, do preconceito, do equívoco. No Brasil, um pensamento antipolítico leva ao fortalecimento da casa-grande e incentiva a mídia nativa no seu esforço de despolitização de quantos a leem ou ouvem.

Aonde nos conduz a Operação Lava Jato não é fácil prever. Creio que o juiz Moro queira apenas e tão somente fazer justiça e creio que esta venha a ser aplicada com todo o rigor. Tenho outra certeza: este processo vai confirmar o pecado capital da política à brasileira, cometido desde sempre. Gostaria, portanto, que outros fatos a enodoar o passado da política brasileira viessem à tona, inclusive os ocorridos em tempos recentes, antes da primeira vitória de Lula.

Pois então, em um arroubo de pacata ilusão, proponho: chamemos o tão falante Fernando Henrique Cardoso, erguido no alto de livros que ninguém leu, para que explique como se deu a privatização das Comunicações, a maior bandalheira da história do Brasil. Ou de como foi feliz na compra de votos para conseguir a sua reeleição. Ou de que maneira foram enterrados os casos Sivam e Pasta Rosa. Nesta terra pretensamente abençoada por Deus, uma multidão implora pelo definitivo triunfo da moral, com M grande, e não se incomoda com quem inaugurou a transgressão. A maioria, por viver no limbo, alguns por hipocrisia.

Se a Operação Lava Jato cumprisse o cauteloso vaticínio da presidenta Dilma, ao imaginá-la capaz de provocar uma mudança positiva nos hábitos políticos do País (e eu gostaria se também fossem comportamentais para a sociedade em peso), que bem venha. Até para impedir, daqui para a frente, que somente pobres e petistas sigam para a cadeia.

domingo, 23 de novembro de 2014

Dilma reage à Veja

Talvez um dos maiores pecados do PT, tanto no governo Lula e agora no de Dilma tenha sido tratar seus inimigos à “pão de ló”

Por: Eliseu

dilmaRecentemente tive a oportunidade de ver alguns blogueiros – felizmente a minoria – reclamando que Dilma não deu a devida retribuição à militância e oposição ferrenha que fizemos ao PSDB e por consequência ao Aécio Neves, ou “Never”, como queiram. Não me manifestei mas minha opinião é que ela não tem obrigação de qualquer retribuição, seja afetiva ou financeira uma vez que fizemos e continuamos a fazer por convicção ideológica. Quem reclamou na minha opinião não faz por ideologia e sim esperando auferir vantagens, o que não é o meu caso e de grande parte de nós.

Mas um “pecado” o PT tem que corrigir imediatamente: o tratamento que dá à mídia tradicional, o PIG (inclui-se aí  principalmente Globo; Veja; Folha; IstoÉ, que dia após dia tenta um novo golpe contra a presidenta.

Às véspera do segundo turno da eleição deste ano a Veja, da Editora Abril, soltou em vão uma desesperada matéria, em que foi condenada pela justiça eleitoral. Agora volta à carga na edição deste sábado (22), mais uma vez tentando envolver a presidenta Dilma Rousseff no esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal na Petrobras, afirmando que ela tinha conhecimento do esquema.

Reportagem da Rede Brasil Atual dá conta que a informação desta vez seria um e-mail de 2009 de Paulo Roberto Costa para Dilma, então ministra da Casa Civil, em que o ex-diretor da Petrobras trata de restrições do Tribunal de Contas da União às obras da Refinaria Abreu e Lima. Costa teria proposto que o tema passasse pelo Congresso. Segundo Veja, naquele momento, Dilma poderia ter feito parar o esquema de corrupção na Petrobras.

Finalmente o Palácio do Planalto reagiu à nova tentativa da editora contra o governo Dilma, afirmando em nota que a reportagem é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos.

Leia a nota do Planalto

“A reportagem de capa da revista Veja de hoje é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos.

Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, Veja tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras demitido em março de 2012 pelo governo da presidenta Dilma.

As práticas ilegais do senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014, graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, Veja tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras demitido em março de 2012 pelo governo da presidenta Dilma.

As práticas ilegais do senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014, graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.”

Aos fatos:

Em 6 de novembro de 2014, Veja procurou a Secretaria de Imprensa da Presidência da República informando que iria publicar notícia, “baseada em provas factuais”, de que a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, recebeu mensagem eletrônica do senhor Paulo Roberto Costa, então diretor da Petrobras, sobre irregularidades detectadas em 2009 pelo Tribunal de Contas da União nas obras da refinaria Abreu e Lima. O repórter indagava que medidas e providências foram adotadas diante do acórdão do TCU. A revista não enviou cópia do e-mail.

No dia 7 de novembro, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República encaminhou a seguinte nota para a revista:

“Em 2009, a Casa Civil era responsável pela coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Assim, relatórios e acórdãos do TCU relativos às obras deste programa eram sistematicamente enviados pelo próprio tribunal para conhecimento da Casa Civil.

Após receber do Congresso Nacional (em agosto de 2009), do TCU (em 29 de setembro de 2009) e da Petrobras (em 29 de setembro de 2009), as informações sobre eventuais problemas nas obras da refinaria Abreu e Lima, a Casa Civil tomou as seguintes medidas:

a. Encaminhamento da matéria à Controladoria Geral da União, em setembro de 2009, para as providências cabíveis;

b. Determinação para que o grupo de acompanhamento do PAC procedesse ao exame do relatório, em conjunto com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras;

c. Participação em reunião de trabalho entre representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento, Petrobras e MME, após a inclusão da determinação de suspensão das obras da refinaria Abreu e Lima no Orçamento de 2010, aprovado pelo Congresso.

Nesta reunião, realizada em 20 de janeiro de 2010, “houve consenso sobre a viabilidade da regularização das pendências identificadas pelo TCU” nas obras da refinaria Abreu e Lima (conforme razões de veto de 26 de janeiro de 2009). Foi decidido, também, o acompanhamento da solução destas pendências, por meio de reuniões regulares entre o MME, o TCU e a Petrobras.

A partir daí, o Presidente da República decidiu pelo veto da proposta de paralisação da obra, com base nos seguintes elementos:

1) a avaliação de que as pendências levantados pelo TCU seriam regularizáveis;

2) as informações prestadas em nota técnica do MME que evidencia os prejuízos decorrentes da paralisação; e

3) o pedido formal de veto por parte do então Governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Este veto foi apreciado pelo Congresso Nacional, sendo mantido.

A partir de 2011, o Congresso Nacional, reconhecendo os avanços no trabalho conjunto entre MME, Petrobras e TCU, não incluiu as obras da refinaria Abreu e Lima no conjunto daquelas que deveriam ser paralisadas.

E a partir de 2013, tendo em vista as providências tomadas pela Petrobras, o TCU modificou o seu posicionamento sobre a necessidade de paralisação das obras da refinaria Abreu e Lima”.

A inconsistência da reportagem de Veja é evidente. As pendências apontadas pelo TCU nas obras da refinaria Abreu e Lima já haviam sido comunicadas, em agosto, à Casa Civil pelo Congresso e foram repassadas ao órgão  competente, a CGU.

Como fica evidente na nota, representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento do Congresso, Petrobras e do Ministério de Minas e Energia discutiram a solução das pendências e, posteriormente, o Congresso Nacional concordou com o prosseguimento das obras na refinaria.

“Mais uma vez, Veja desinforma seus leitores e tenta  manipular a realidade dos fatos. Mais uma vez, irá fracassar.”

E os coxinhas continua alimentando essa revista sem ética, sem moral, sem princípios como eles próprios. Afinal quem farelo come aos porcos se mistura.

sábado, 22 de novembro de 2014

Deputado alerta para conivência com erros do PSDB

O deputado Amauri Teixeira (PT-BA) utilizou-se de artigo publicado na imprensa intitulado: Procuradores da Operação Lava-Jato dizem que esquema começou no Governo Fernando Henrique para criticar a postura da oposição no Congresso Nacional de sucessivos ataques ao PT. E destacou que, na época do governo FHC, o Judiciário era totalmente submisso.

No: Vermelho

fhc_corrupçaoEle observou que tornou-se comum falarem do PT, como se esse esquema tivesse começado nos governos do PT. “Isso não é verdade”, vaticinou. Segundo Amauri, a mesma abordagem foi feita no caso do mensalão, que começou em Minas Gerais. “Os tucanos foram o pai e a mãe do mensalão! E não há nenhum julgamento de tucanos neste País”.

Recentemente os tucanos foram julgados, condenados, e a Justiça decretou a prescrição dos crimes. “Então, este é o esquema dos tucanos: controle do Judiciário, controle do Ministério Público e controle da mídia. Mas eles são os pais e as mães da corrupção moderna neste País”, frisou o deputado.

 

No artigo, os procuradores que respondem pela Operação Lava Jato afirmaram que o esquema de cartel das empreiteiras de obras da Petrobras teve início antes da chegada dos diretores Paulo Roberto Costa e Renato Duque. “Aliás, é bom lembrar que Costa e Duque estavam na Petrobras desde os anos 1970 e assumiram cargos de responsabilidade bem antes da eleição do governo Lula”, afirmou Amauri Teixeira. Ele lembrou que as mesmas empreiteiras envolvidas no esquema junto à Petrobras desbaratado pela Polícia Federal também estão envolvidas no escândalo do Rodoanel de São Paulo.

Na avaliação do deputado Amauri Teixeira, esta é a oportunidade de passar o país a limpo. “E a chance de passar este País a limpo é com a presidenta Dilma. Os tucanos são mestres em botar o lixo debaixo do tapete. Os tucanos são mestres em escapar das garras da Justiça”, alertou.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Jurista critica uso seletivo da delação premiada

Fábio Medina Osório, especializado em improbidade administrativa, acha que é preciso cautela na aplicação do instrumento, até para se evitar calúnias por parte dos delatores

Por: Hylda Cavalcanti, no Rede Brasil Atual 

delaçao_premiadaO jurista Fábio Medina Osório, que possui 14 anos de atuação no Ministério Público e é professor e autor de livros sobre Direito administrativo e improbidade administrativa, afirmou hoje (18), em Brasília, que o instrumento da delação premiada não deveria ser seletivo, ao ser questionado sobre a forma como o recurso vem sendo utilizado pelos lobistas e ex-diretores da Petrobras envolvidos na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Para Osório, deveria existir uma regulação interna do procedimento, até para se evitar calúnias por parte dos delatores.

“É um instrumento moderno que eu defendo, mas é necessário afirmar que tem que ser aplicado com cautela”, acentuou. Para ele, também em relação à conduta dos delegados da Polícia Federal que publicaram críticas ao PT e ao governo federal e elogios ao PSDB em redes sociais, é preciso haver certo cuidado. “Ao exporem suas posições políticas, estes policiais podem terminar passando para a sociedade a ideia de que existe uma parcialidade entre eles.

Segundo Osório, o episódio da Operação Lava Jato deve provocar uma avaliação no país sobre a lei anticorrupção (12.846/2013), que responsabiliza civil e administrativamente pessoas jurídicas por atos contra a administração pública. Ele explicou que a lei só atinge os casos observados a partir da sua vigência, por isso, não poderia ser aplicada às empresas envolvidas no esquema de pagamento de propina referente ao caso da Petrobras. Mas ele acredita que o episódio pode dar margem para uma ampla análise sobre essa aplicabilidade.

Um pouco mais cedo, em São Paulo, o chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), ministro Jorge Hage, também ressaltou que poderia caber o efeito retroativo à referida legislação, e que o tema ainda deverá “suscitar muita discussão”.

Hage disse que preferia que tal legislação fosse chamada de "lei empresa limpa" e não lei anticorrupção. Acrescentou que a mesma consistiu em um passo importante para esclarecimento de responsabilidade das empresas sobre envolvimento em atos de corrupção, mas por si só não resolverá tudo. “A lei é o coroamento de uma etapa”, colocou, lembrando que existem outras medidas importantes que ainda não foram feitas no país, como a reforma política.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dilma esvazia jogada política desastrada de Marta Suplicy

Só um plano de mudar de partido explicaria o gesto da senadora de sair do ministério praticamente “atirando”. Ao atuar como bombeira, Dilma defendeu o governo de intrigas e até Marta, de queimaduras

Por Helena Sthephanowitz, no Rede Brasil Atual 

dilmaO gesto da demissionária ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT-SP), de divulgar carta de demissão quando a presidenta Dilma Rousseff viajou para o encontro de países do G-20 na Austrália, foi calculado. Fato semelhante ocorreu com Marina Silva (PSB-AC), quando pediu demissão do Ministério do Meio Ambiente durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, também quando o ex-presidente estava fora de Brasília. A diferença é que Lula pensava em manter Marina à frente do ministério conciliando divergências.

Marta, já sabendo que teria de entregar o cargo, principalmente devido à necessidade de Dilma de revigorar seu governo com novas forças mais representativas do cenário político e social, resolveu sair da forma mais barulhenta possível. Esperou ela viajar para divulgar publicamente a carta com críticas recorrentes na imprensa oposicionista à política econômica. O assunto foge à alçada de seu ministério, mas garante manchetes e visibilidade por estar dentro da pauta oposicionista que a imprensa tradicional gosta.

Marta volta ao Senado, onde tem mandato até 2018, e cogita sair candidata à prefeitura de São Paulo em 2016. Sendo do mesmo partido da presidenta, o mais sensato seria fazer uma transição suave de ministra para senadora, seja para usar o apoio da presidenta e do partido na pretensão de ser candidata a prefeita em 2016, seja para disputar a reeleição ao Senado em 2018. Só um plano de mudar de partido explicaria seu gesto de sair do ministério praticamente atirando.

Seu partido, o PT, já tem no prefeito Fernando Haddad o candidato natural à reeleição. Haddad já passou pelos maiores desgastes de popularidade, sobretudo em 2013 quando enfrentou as grandes manifestações contra o aumento da tarifa dos ônibus urbanos. Depois disso vem recuperando gradualmente sua popularidade à medida que a população vê resultados nas políticas públicas implantadas, tais como corredores de ônibus, ciclovias, revitalização de espaços urbanos, recomposição do salário dos professores da rede municipal de ensino, ampliação da rede de saúde, combate à corrupção e outras iniciativas em curso. Também terá mais folga orçamentária a partir da redução dos juros da dívida municipal. Marta só teria chances de ser candidata pelo PT se Haddad fracassasse completamente em seus dois últimos anos de mandato, o que parece bastante improvável.

Seja qual for a real pretensão da senadora, sua carta de demissão alinhada com críticas da oposição, se agrada setores da imprensa oposicionista e costuma abrir espaço para entrevistas nas páginas mais destacadas das revistas e jornais, desagrada sua base eleitoral mais fiel, mais ideológica e militante.

Dilma, em visita ao Catar, a caminho da Austrália, concedeu entrevista coletiva e respondeu duas vezes sobre o assunto. Contemporizou. Disse que a saída de Marta já estava acertada há mais de um mês entre as duas: “Logo depois da minha eleição, disse que sairia e eu aceitei. Ela me disse que enviaria uma carta”. Afirmou que a ministra “não fez nada de errado” e que “não teve atitude incorreta”. Mesmo as críticas dirigidas à área econômica, a presidenta se limitou a dizer que “trata-se da opinião dela”, esvaziando as tentativas de alimentar intrigas em torno deste fato.

Ao atuar como bombeira que apaga focos de incêndio, Dilma não apenas defendeu seu governo de intrigas, como também evitou que a própria Marta sofresse queimaduras. Afinal, não se troca facilmente de base eleitoral com meia dúzia de entrevistas na imprensa tradicional.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O diálogo não basta

As dificuldades de Dilma ao contar com uma base governista interessada apenas nas benesses concedidas pelo governo

Por: Mauricio Dias, no CartaCapital

dilmaDebruçado sobre o resultado das eleições para o Congresso, Senado e Câmara, o cientista político Fabiano Santos olha para os números tendo em perspectiva o segundo governo Dilma e se vê tomado de preocupação. Uma dobrada preocupação, diga-se, possivelmente refletindo no mundo acadêmico as mesmas inquietações sofridas pela presidenta, reeleita após uma disputa eleitoral duríssima.

“Dilma terá de cuidar com muito mais atenção das relações com o Parlamento. Mais especificamente com a Câmara dos Deputados”, acentua Santos, numa das salas do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde trata do tema com o pesquisador Júlio Canello.

À frente deles, na tela do computador, espalham-se números, porcentuais e votações obtidas pelos 28 partidos, incluindo os seis novos, representados na Câmara dos Deputados na legislatura de 2015. Com esse amontoado de informações Santos e Canello formaram, com a precisão possível, o cenário de governabilidade para Dilma, considerando as relações com o Congresso. No Senado, a oposição será menor, porém, mais dura. Uma coligação de apenas 18 senadores certamente mais sintonizados.

“A vantagem numérica do governo no Senado pode ser compensada, do ponto de vista das estratégias e processo deliberativo, pelo peso político e experiência de nomes da oposição, como os do próprio Aécio Neves, de José Serra, Tasso Jereissati e Aloysio Nunes Ferreira”, lista Fabiano Santos.

Ao falar sobre a composição da Câmara, ele faz avaliação distinta. Acredita que “o menor peso relativo da coalizão de apoio a Dilma seguramente será revertido com a presença maior do que chamamos centro flexível, isto é, os partidos que não são marcadamente de direita e tendem a aderir ao governo por conta de acordos pragmáticos a um baixo custo para a operação do governo e do Estado em seu conjunto”.

A vitória parece não ter subido à cabeça dela, onde, aliás, estão registradas as crises no começo do primeiro governo. Havia então um quadro muito menos problemático do que agora. Dilma e seus “aliados”, como Renan Calheiros, senador pelo PMDB, já destoam quanto à proposta de reforma política.

Na Câmara, a coalizão do governo, a chamada base governista, cairá de 340 para 304. Ainda é grande e, pelo tamanho, igualmente fragmentada e unida apenas pelas benesses oferecidas pelo Executivo aos aliados.

Júlio Canello acredita que o adversário “seguirá enrijecido”. E explica: “A oposição poderá seguir em sua estratégia de adversário implacável. Para governar será preciso equacionar as agendas do PT e dos vários PMDBs”.

É o quadro que já se projeta nos estertores do atual Congresso.

O ex-presidente Lula foi um dos primeiros a tocar nessa “ferida”. Ele não esconde a preocupação e diz que a convivência de Dilma com o Congresso será agora “cada vez mais difícil”. Não é por outra razão que a própria presidenta pretende montar um núcleo para construir uma ponte com o Parlamento, conforme circula no mundo político. Faz sentido. Dilma, nas afirmações públicas feitas após a vitória, pontuou seguidamente a palavra “diálogo”.

Mas “diálogo” não parece ser fazer a mágica. Ou seja, superar a agressividade da oposição, capitaneada pelo PSDB.