segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Vazamento mal calculado

Divulgação sem provas da delação de ex-diretor da Petrobras tem Dilma como alvo, mas ela ainda não foi atingida, mostram as pesquisas

Por: Mauricio Dias, no CartaCapital

dilma_eleiçoesFoi ação calculada o vazamento de acusações vagas, feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, contra governadores, ministro, empresas e parlamentares da base governista integrantes de um suposto esquema de   corrupção nas entranhas da maior estatal brasileira, a empresa mais importante do País.

O juiz do processo, o rigoroso Sergio Moro, não gostou da publicidade dada a um depoimento, ainda incompleto, sob segredo de Justiça, criptografado e despregado dos fatos capazes de sustentá-lo.

Não há nada ocasional nessa história.A informação vazada e vazia de provas ocorreu em momento calculado, para embaralhar a eleição que parecia arrumada e projetava, como ainda projeta, um confronto de segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva.

Marina surpreendeu-se com a inclusão de Eduardo Campos na panela. Aécio ficou mais à vontade para atacar as duas opositoras.

O alvo era a candidatura da presidenta. Com o peso da autoridade e a imagem preservada pela seriedade, ela tem reafirmado constantemente um comprometimento profundo, política e administrativamente, com a Petrobras. Atingida por denúncias ainda em fase de apuração, as acusações provocariam mais danos à imagem da empresa e ricocheteariam na candidatura de Dilma.

Exceto pelo vaivém da Bolsa de Valores, provocado pelos adversários de sempre, os danos não ganharam a proporção desejada. Houve, ao contrário, bônus para os especuladores mais famintos.

No caso da candidata petista, isso se comprova com o resultado de três últimas pesquisas de institutos diferentes, realizadas praticamente no mesmo espaço de tempo. Ou seja, entre os dias 5 e 9 de setembro, logo após, portanto, de as acusações explodirem na mídia conservadora sempre sequiosa por boatos contra o governo e o PT.

Em resumo, Dilma, à frente, sobe. Marina, em segundo lugar, desce, e Aécio empaca em terceiro lugar.
As acusações provocaram, porém, efeito profundo no discurso dos candidatos. Os temas políticos, econômicos, o plano para governar, tudo foi sufocado pelo programa das acusações recíprocas. Nesses casos, quem está no poder, com o telhado de vidro sempre à disposição dos opositores, sai prejudicado.

Acusar é mais fácil do que debater.

Assim fez Aécio. E talvez não tenha tomado o melhor caminho para ele próprio. Atacou Marina, sua adversária imediata. Foi mais duro com Dilma como se tivesse gana de desconstruí-la como candidata.

A acusação tomou o lugar do debate temático, em que a presidenta Dilma, malgrado o seu fraco desempenho na oratória, tem um enorme estoque de realizações e propostas para apresentar ao eleitor.

A inconsistência das acusações, caso não surjam provas reais, fará a campanha voltar ao leito normal. É de se esperar. Os problemas brasileiros  vão muito além da corrupção gerada nos vícios de uma sociedade permissiva.

sábado, 13 de setembro de 2014

O difícil diálogo de Marina Silva com o Estado laico brasileiro

Contrária a avanços em temas relacionados aos direitos humanos, como aborto e agenda LGBT, e vulnerável à influência de pastores neopentecostais, a candidata do PSB preocupa o mundo político

por Eduardo Maretti, no Rede Brasil Atual

marina_religiaoO recuo da candidata do PSB à presidência da República, Marina Silva, na proposta a favor do casamento civil entre homossexuais, após pressão do pastor Silas Malafaia, da igreja Vitória em Cristo, foi recebido com perplexidade por parte da comunidade LGBT e por setores mais progressistas da sociedade brasileira, mas é apenas mais um episódio envolvendo a ex-ministra do Meio Ambiente e a expor contradições entre o programa de governo “em movimento” e o Estado laico preconizado pela Constituição de 1988.

O temor de lideranças brasileiras de perder votos ou apoio da chamada bancada evangélica no Congresso não é exclusividade de Marina. A presidenta Dilma Rousseff (PT) foi criticada durante o mandato por não ter enfrentado os representantes neopentecostais, ou mesmo católicos, quando estão em jogo mudanças legais ou constitucionais que mexam em pontos “intocáveis”, como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e descriminalização da maconha. No início de agosto, em evento de mulheres das Assembleias de Deus, a presidenta citou um salmo de Davi – do Velho Testamento. "Feliz a nação cujo Deus é o Senhor", disse.

No Congresso, o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) tem criticado frequentemente as ações da bancada evangélica e a falta de vontade política do governo e de aliados para fazer andar propostas de avanços.

Contudo, o caso de Marina preocupa os analistas por posições que não se resumem à chamada governabilidade ou a uma relação institucional ou política com lideranças religiosas. “Dilma também é suscetível a pressões, teve que negociar com os religiosos, mas o que chama a atenção no caso de Marina é que a fala dela sobre aborto, por exemplo, é a opinião dela. Algumas vezes Dilma deveria ter enfrentado os religiosos, mas o problema da Marina é que ela acredita nisso”, diz a pesquisadora Maria das Dores Campos Machado, professora do Núcleo de Pesquisas em Religião, Gênero, Ação Social e Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os crucifixos que ornamentam as casas legislativas revelam que ainda há um longo caminho para se avançar em busca do chamado Estado laico. No país, os governos ainda convocam igrejas para implementar políticas públicas, como de combate ao crack, à mortalidade infantil ou para a instalação de comunidades terapêuticas, geridas por grupos religiosos cristãos, tanto evangélicos quanto católicos.

No plano de governo lançado oficialmente dia 29 de agosto em São Paulo, Marina Silva elencava uma série de itens “para assegurar direitos e combater a discriminação”, entre os quais um de clareza exemplar: “apoiar propostas em defesa do casamento civil igualitário” entre homossexuais. Porém, após manifestação hostil e ameaças de Malafaia em uma rede social, o programa mudou. Segundo a candidata, o texto original estava errado por “uma falha processual na editoração".

A nova redação propõe “garantir os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo”, o que não representa nenhuma evolução, já que esse entendimento foi consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em julgamento de 2011.

“O que me parece um atraso é que, em pleno século 21, a candidatura da Marina Silva coloque em questão certos direitos civis. Há uma opacidade em relação à figura da Marina Silva e um eventual governo dela. A candidatura Marina se mantém como moderna numa agenda ambiental e numa espécie de idade das trevas na questão de gênero ou na questão do aborto”, diz Francisco Fonseca, professor da Fundação Getúlio Vargas.

Quando ministra do Meio Ambiente do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, de 2003 a 2008, Marina teria usado os serviços do pastor Roberto Firmo Vieira, da Assembleia de Deus, como consultor. Segundo reportagens da época, ele promovia cultos e pregações criacionistas nas dependências do ministério, inclusive com a participação da ex-ministra, ou seja, utilizava um espaço público, do Estado, para a difusão de uma tendência religiosa.

Passados seis anos, em conversa com a RBA, o pastor diz que não é mais da Assembleia de Deus, mas de outra instituição, a Sara Nossa Terra. Ele afirma que não era assessor de Marina, não era contratado nem tinha função no Ministério do Meio Ambiente (MMA). “No ministério, não. Eu organizei a segunda e a terceira Conferência Nacional do Meio Ambiente. Não é verdade que promovia cultos evangélicos. Eu participava de alguns cultos. Eu não organizava nada disso”, afirma. “Eu estava na organização da Conferência Nacional do Meio Ambiente. Era contratado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).”

“Em todos os demais prédios ali da Esplanada há cultos. Tem dias que é dos católicos, existe uma organização, um calendário. No intervalo da hora do almoço, aqueles que querem, quando há disponibilidade do auditório, se reúnem para orar. Quando não tem, as pessoas oram debaixo das árvores.”

Constituição

O Estado laico é garantido no país pelo Artigo 19, Inciso I, da Constituição de 1988: “É vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.

Apesar da “Lei Maior”, consta que a candidata do PSB prefere consultar outro livro. Segundo a escritora Marília de Camargo César, autora da biografia Marina: a vida por uma causa (editora Mundo Cristão, 2010), diante da necessidade de tomar decisões difíceis, a ex-ministra pratica a chamada “roleta bíblica”, hábito de consultar uma passagem da Bíblia, aleatoriamente, para saber o que Deus recomendaria na situação.

A visão de Marina sobre o aborto, por exemplo, é conservadora e não propõe avanços. “Qualquer mudança (da lei) é uma atribuição do Congresso. Eu, particularmente, não sou favorável ao aborto, e o que está no nosso programa é o que já é previsto em lei”, disse a candidata no lançamento do programa de governo.

No Brasil, o aborto é crime, a não ser quando há risco de vida para a mulher, quando a gravidez é resultado de estupro ou em casos de feto anencefálico, como também determinou o STF em julgamento de 2012. “Mas o aperfeiçoamento da democracia implica, sim, em aperfeiçoamento das leis”, argumenta Maria das Dores.

Em que pese o conservadorismo na área econômica, até mesmo a candidatura tucana à presidência, com Aécio Neves, deixaria parte do movimento social menos preocupado quanto a direitos da mulher e dos grupos LGBT. Os Planos Nacionais de Direitos Humanos 1 e 2 foram construídos no governo de Fernando Henrique Cardoso (depois, ainda viria o PNDH 3, no governo Lula).

Ao lançar o programa de governo, Marina afirmou defender a laicidade do Estado e justificou: “O Estado laico é uma contribuição dos cristãos protestantes, que, durante muito tempo, foram perseguidos”. “Nosso compromisso é que os direitos civis das pessoas sejam respeitados e isso está na nossa Constituição. Nós queremos o respeito do Estado laico tanto para os que creem como para os que não creem.”

Os analistas entendem que, quando Marina diz ser a favor do Estado laico, de fato ela é. Porém o que ela entende por Estado laico, se pressionada por um religioso, muda seu programa de governo e, além disso, como ministra, permite pregação e realização de cultos em espaços que pertencem ao poder público?

“Para nós, é direito da Marina Silva ter a declaração de fé, mas, dentro do Estado laico, como define nossa Constituição, os valores pessoais não podem ser os principais legisladores do processo”, diz Morgana Boostel, secretária-executiva da Rede Fale, entidade cristã evangélica que reúne pessoas de igrejas e organizações em luta pelos direitos humanos. “Mas ao mesmo tempo a gente conhece um pouco da trajetória de Marina e sabe que isso não tem sido o cotidiano da trajetória dela. Não diria que ela é a única candidata a ter que fazer algumas concessões”, pondera. Para ela, a candidata ser religiosa não necessariamente a coloca num lugar de “não diálogo”.

Estima-se que 800 mil mulheres por ano recorram ao aborto de modo precário no Brasil. Apesar de não haver números precisos, entre 15 a 20 mil mulheres morrem anualmente em decorrência da prática. “Estamos no século 21 e ainda estamos debatendo direitos civis. Do ponto de vista dos direitos civis, Marina é a figura do atraso, mas ela quer dizer que não é”, avalia Fonseca.

Poder político e econômico

Na campanha de 2010, quando questionada sobre a posição em relação ao aborto e à legalização da maconha, Marina sugeriu que essas questões devem ser definidas em plebiscito, postura interpretada como uma saída política que não irrite nem religiosos, nem movimentos sociais. O discurso não ignora o pragmatismo, já que a saída é claramente conservadora, pois plebiscitos sobre esses temas têm remotas chances de aprovar mudanças.

Se nos últimos anos alguns avanços no campo moral e de costumes, devido à omissão e conservadorismo do Legislativo e acordos políticos do governo, têm sido decorrentes de posicionamentos do STF, como a união civil entre homossexuais, aborto de feto anencefálico e pesquisas com células-tronco, as perspectivas são de que, com as eleições de 2014, a composição do Congresso deverá ficar ainda mais conservadora.

O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) prevê que a chamada bancada evangélica cresça, aproximadamente, 30% com as eleições. Atualmente, são 73 parlamentares: 70 deputados e três senadores. Se a previsão se concretizar, a bancada evangélica contará, a partir de 2015, com 95 parlamentares, num salto de 12% para quase 16% da composição de forças.

O diretor do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, atribui o possível crescimento da representação evangélica à percepção de que a política institucional traz resultados concretos aos interesses “religiosos”. “O fato de figuras como Malafaia terem ganhado importância no segundo turno da última eleição revelou para eles o prestígio que as igrejas podem ter. Malafaia, pastor Everaldo, o pessoal da igreja Universal e o Magno Malta tiveram uma visibilidade muito grande em 2010 e viram que dá resultado”, diz Queiroz. “Com a articulação político-partidária, eles conseguem brecar uma série de iniciativas que contrariam os princípios que defendem, o que é um estímulo a que concorram à eleição.”

Para a Rede Fale, a bancada evangélica não é representativa do que eles dizem representar. “Muitas vezes, são personagens políticos já conservadores, independentemente da questão religiosa. A questão religiosa fica um pouco como pano de fundo. É usada como desculpa para uma agenda já conservadora”, afirma Morgana.

Os evangélicos não são uma força política apenas do ponto de vista religioso, mas também econômico. Levantamento da revista norte-americana Forbes, no início de 2013, mostrou que igreja, no Brasil, é um ótimo negócio. Segundo a revista, o bispo Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus, encabeça a lista dos neopentecostais donos das maiores fortunas no país. Ele tinha, na época, US$ 950 milhões. Em seguida, Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, com US$ 220 milhões. Em terceiro, aparece Silas Malafaia, da Vitória em Cristo, com US$ 150 milhões. Em quarto, R. R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, com US$ 125 milhões. Num país em que vigora o financiamento privado de campanhas, o efeito desse poderio em cifrões é óbvio.

Na visão de Fonseca, da FGV, o Estado laico não está ameaçado porque há instituições e uma Constituição no país “capazes de defendê-lo”. “A não ser que mude a Constituição.” Mas, com um Congresso conservador e uma chefe do Executivo evangélica, propostas progressistas continuarão engavetadas. “O presidente tem grande poder de agenda no Brasil e tem poder de veto”, lembra.

Em 2013, quando o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, a influência não foi suficiente para fazer passar uma agenda retrógrada, como a “cura gay”, mas pautas progressistas eram sistematicamente barradas.

Para o analista, só uma reforma política e a pressão popular podem trazer a luz no fim do túnel. “Tem que se fazer uma reforma política e, paralelamente, contar com uma pressão vigorosa de movimentos sociais.”

“A laicidade em si é, hoje, muito mais um valor a ser buscado do que algo concreto, está para ser construída”, ressalta Maria das Dores, da UFRJ. E, nessa busca, vale lembrar que, legalmente, a separação entre Estado e Igreja vem de longe no Brasil, logo após a proclamação da República, em 1889, o que foi consolidado na Constituição de 1891.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Bolsa de Valores já vê Marina Silva como um Aécio de saias

Se passado ambientalista da candidata não combina com euforia especulativa, só há uma explicação: têm informações privilegiadas de que, com ela, teriam governo do mercado, pelo mercado e para o mercado

Por: Helena Sthephanowitiz, no Rede Brasil Atual

marina_aecio_bolsa_valoresAntes, quando diminuía a diferença entre Dilma Rousseff e Aécio Neves nas pesquisas eleitorais, os especuladores da Bolsa de Valores ficavam eufóricos, provocando alta nas ações das estatais. Viam em Aécio a certeza de que ele faria o que os tucanos sempre fizeram. Ora privatizam as empresas totalmente, ora transferem as fatias mais atraentes para a iniciativa privada, ora privatizam a gestão da estatal, como fizeram os governadores tucanos de São Paulo, Geraldo Alckmin e José Serra, com a Sabesp (empresa estadual de águas). Privilegiaram a distribuição de lucros para acionistas acima do razoável, sacrificando investimentos que levaram à falta de água nas casas das pessoas. O próprio Aécio Neves fez coisa semelhante na Cemig, priorizando aumentos draconianos das tarifas na conta de luz do cidadão e, com isso, distribuindo mais lucros aos acionistas acima do razoável.

Agora Aécio cai nas pesquisas e quem surge com chances de ameaçar a reeleição da presidenta é Marina Silva. Curiosamente, os especuladores da Bolsa de Valores ficaram mais eufóricos ainda. Pelo histórico pregresso de Marina, no mínimo os especuladores deveriam ficar cautelosos. Suas antigas posições sobre energia não eram exatamente expansionistas. Além disso, exigências ambientais sempre provocam custos mais altos nos empreendimentos, reduzindo o lucro. De certa forma as bandeiras ambientais são por natureza intervencionistas e regulatórias sobre a atividade econômica, coisa que quem prega o livre mercado tem ojeriza. Por que então as ações de estatais como a Eletrobrás haveriam de subir? Difícil explicar se a Marina de hoje fosse a mesma do passado recente.

As bandeiras ambientais também têm restrições ao uso do petróleo. Por esse caminho a Petrobras deveria explorar o mínimo possível o pré-sal, e as ações deveriam cair caso Marina viesse a ser presidenta. Dilma tem um cronograma de investimentos ambicioso para Petrobras reconhecido pelo próprio mercado como atraente a médio prazo. Marina seria fator de incerteza para este futuro. Difícil explicar as ações da petroleira subirem com expectativas eleitorais positivas sobre Marina.

Só há uma explicação para os operadores da Bolsa de Valores se empolgarem com Marina: ela se rendeu às pressões e exigências do mercado tanto quanto Aécio Neves. O tucano escalou Armínio Fraga para ser o fiador de seu projeto, sinalizando ao mercado a certeza de como será seu governo. Marina Silva não disse em público quem seria seu ministro da fazenda. Eduardo Campos, antes de perder a vida, quando ainda era cabeça da chapa do PSB e Marina era vice, já havia dito publicamente que gostaria de ter o banqueiro Roberto Setúbal no cargo. Trata-se do presidente do Banco Itaú e irmão de Neca Setúbal, também acionista do banco, e coordenadora do programa de governo de Marina.

O comportamento da Bolsa mostra que o mercado financeiro tem informação privilegiada sobre como seria um governo de Marina, que o cidadão comum, eleitor, não tem. O mercado já vê Marina como um Aécio de saias. Os donos do Itaú tornaram-se para Marina mais do que Armínio Fraga representa para Aécio. Mais do que um avalista, tornaram-se um garantidor ao mercado de que, com ela, dariam cartas na área econômica – em um governo do mercado, pelo mercado e para o mercado.

A história se repete como tragédia

No: Terra Brasilis 

marina

O que aconteceu com a classe média brasileira?  Esquecimento?  Gosta de sofrer?

Elegeram Collor apesar de serem avisados  do risco. Deu no que deu, fez um péssimo governo, sofreu o impeachment. A equipe econômica, com Zélia Cardoso e André Lara Rezende, confiscou a poupança. Foi um horror, pessoas suicidaram-se por desespero. O mesmo  Lara Rezende que vai fazer parte da equipe econômica da Marina Silva.

Elegeram FHC, foi um terror  para o país e para o povo brasileiro. Privatizações escusas, arrocho salarial, desemprego recorde, FMI mandando e desmandando na nossa economia, 54 milhões de pessoas vivendo na miséria. Juros estratosféricos, o país quebrou três vezes, dívida imensa externa e interna. Comprou votos no Congresso para a reeleição. Tentou privatizar a Petrobras, o BB, a Caixa Federal. O povo não tinha crédito, tinha que  recorrer a agiotas com juros de 20% ao mês se necessitasse de dinheiro. O povo comeu o pão que o diabo amassou.

Agora  querem eleger Marina Silva. Ligada diretamente com banqueiros,  que querem cada vez mais lucro, o povo vai ser massacrado.  O desemprego será imenso, o crédito  pessoal vai sumir  e os juros serão insuportáveis. Os banqueiros vão ditar as regras para economia. Ela vai entregar o pré-sal  aos EUA, vai privatizar a Petrobras com ajuda do PSDB/DEM. Essa é nova política?

Os homossexuais não terão direitos  no governo Marina Silva, o fundamentalismo evangélico vai ditar o comportamento da população. Vai ter censura de programas, de filmes, livros, revistas e até de vestimentas, que serão julgadas adequadas ou não. O Brasil deixará de ser um estado laico, as religiões africanas serão dizimadas.  Marina Silva e seus  bispos mentores são fundamentalistas da Assembleia de Deus!

Os programas sociais  de Lula e Dilma vão acabar, o país vai viver um caos. As obras  de infraestrutura do PAC serão suspensas, causando um grande prejuízo  para o país e para o povo.

O agronegócio e a pecuária  não vão  ser muito prejudicados  porque toda a produção será voltada para a exportação, mas vão faltar alimentos, carne e leite, que terão preços estratosféricos.  O  desemprego será novamente imenso. Marina Silva vai  cortar os incentivos para os pequenos produtores agrícolas.  Não vai ter mais  Mercosul, Unasul ou BRICS, ela vai se unir  com o  EUA, com  a  ALCA, e vai  ter a volta do FMI.

E novamente, como ocorreu com Collor, o povo vai às ruas pedir o impeachment. É isso que desejam para o país, para o povo, para seus filhos?  Vai ser um grande  pesadelo se por uma imensa desgraça ela se eleger!

Jussara Seixas

Marina debocha da memória de Chico Mendes

No: Terra Brasilis – Postado originalmente em 29 de agosto do 2014

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Marina comparar Chico Mendes aos multimilionários da elite é um escárnio, afirma Urariano Mota

Urariano Mota: O retrato cubista de Marina Silva
Em sua coluna “Prosa, Poesia e Política”, o jornalista e escritor pernambucano Urariano Mota faz uma análise da candidata à Presidência da República, Marina Silva, do PSB. “Notem que ela substitui uma harmonia de ideias e valores partidários por uma seleção de melhores. Ótimo, para os ingênuos. Mas sob qual critério os melhores serão eleitos por Marina, ela própria, que se acha a melhor dos melhores?”

Por Ramon de Castro

“E continua a rara orquídea decomposta em faces de um cubo: Ela criará o ‘Estado Mobilizador’, mas que diabo será isso? Uma injeção para uma corrida de 100 metros rasos? Não, é o Estado que nem é mínimo nem é provedor – e provedor vocês sabem o que é: é o Estado do Minha Casa, Minha Vida, por exemplo. Já o Estado Mobilizador é aquele capaz de mobilizar a iniciativa privada, empreendedorismo social, no atendimento das necessidades da população, porém onde já se viu a iniciativa privada atender às necessidades da população? O valor do empresário, daqueles mais empreendedores, é o lucro. Ponto”, enfatiza Urariano.

“No debate da Band ela cravou: ‘Quero combater essa visão de apartar o Brasil, de que temos de combater as elites. O Guilherme, da Natura, faz parte da elite, mas os ianomâmis também. A Neca é parte da elite, mas o Chico Mendes também é parte da elite. Essa visão tacanha de ter de combater a elite deve ser combatida’. Meus amigos, essa eu vi e ouvi. Isso valeria para um atestado de óbito de um ex-militante socialista. Mas em Marina é apenas mais uma absurda face. A Neca, no caso, é acionista e herdeira do Banco Itaú, que para Marina é apenas uma educadora social. O Guilherme é um chapa, um cara legal, desinteressado, que não joga dinheiro fora por nada, só por amor ao retrato de Dora Maar. E Chico Mendes, bem, é aquele cara que foi morto na luta na floresta. Mas todos estão juntos e na elite, lado ao lado dos ianomâmis. Não é piada, é um escárnio, que já vem pronto”, comentou o escritor.

“Nesse novo retrato dos últimos tempos, Marina é a encarnação de um amontoado de faces. Da falsa viúva à madona falsa, mas sempre de cabelos presos e com bastante pudor. Daqueles que a direita brasileira adora”, concluiu Mota.

Talis Andrade

Os nécios Marina e seu vice Albuquerque!

No: Terra Brasilis – Postado originalmente em 29 de agosto de 2014

marina

Esse néscio não arrumou desculpa melhor, vejam  a besteira que ele falou: É como entrar no táxi e perguntar se é roubado, diz Albuquerque sobre jato. Vice de Marina Silva ironizou suspeita de ilegalidade no uso de aeronave. Jornal Nacional apontou que empresas fantasmas pagaram dona do avião

Seu  néscio Albuquerque, se eu ver na garagem do meu vizinho um carro novo, lindo e caro, não vou perguntar como ele conseguiu, pelo simples motivo que eu tenho nada com isso, não é problema meu. . Se eu tomar um taxi, não vou perguntar a procedência, não sou sócia taxi, não sou parente, não sou amiga do taxista. Ele me leva aonde eu preciso e eu pago a corrida.   Agora se eu sou a vice de um candidato, e ele aparece com um avião, eu vou  querer  saber como ele comprou, aonde arrumou a grana, quanto pagou, quem financiou, quem faz a manutenção, e quanto eu como vice vou ter que contribuir com o pagamento já vou utilizar a aeronave. Vou querer  saber informações sobre antigo proprietário. Não acredito que Marina Solva não tivesse nenhuma informação sobre  a aquisição do avião. É um avião, não é uma simples gravata. Tanto Marina Silva, como o PSB, o seu Albuquerque tem obrigação de prestar contas desse  avião, que fez sete vítimas,  e causou um imenso prejuízo   a moradores de Santos, local da queda. Tem que prestar contas ao TSE, e colaborar com  as investigações policiais. Como dizer que não sabe quem é o dono, quem pagou, de onde veio o dinheiro para  a  aquisição.? Esse seu Albuquerque pensa que somos idiotas, diante de tudo que foi dito pelas investigações, laranjas, endereços falsos, pessoas sem condições financeiras para a compra, pessoas se escondendo. Tenha  o mínimo  respeito pelas pessoas.  Está claro que se trata de uma maracutaia, de uma negociata espúria, caixa 2 quem sabe? Os néscios Marina Silva,  Albuquerque, e PSB, devem muitas explicações, e  chega de blá, blá  para tentar enganar o povo.

Jussara Seixas

sábado, 30 de agosto de 2014

A entrevista da candidata do PSB, Marina Silva, ao Jornal dito Nacional

No: Terra Brasilis – Postado originalmente em 28 de agosto de 2014

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William Bonner: Boa noite, candidata.

Marina Silva: Boa noite, William. Boa noite, Patrícia.

William Bonner: Muito obrigado pela sua presença. O tempo da entrevista começa a ser contado a partir de agora. Candidata, o avião que o PSB vinha utilizando na campanha eleitoral, até aquele acidente trágico de duas semanas atrás, está sendo investigado pelas autoridades competentes. Ele foi objeto de uma transação milionária feita por meio de laranjas. Essa transação não foi informada na prestação de contas prévia, parcial, à Justiça Eleitoral. A senhora tem dito que vai inaugurar uma nova forma de fazer política, que todo político tem que ter certeza absoluta da correção de seus atos. No entanto, a senhora usou aquele avião como teria feito qualquer representante daquilo que a senhora chama de velha política. Eu lhe pergunto: a senhora procurou saber que avião era aquele, quem tinha pago por aquele avião, ou a senhora confiou cegamente nos seus aliados?

Marina Silva: Nós tínhamos, William, uma informação de que era um empréstimo, que seria feito um ressarcimento, num prazo legal, que pode ser feito, segundo a própria Justiça Eleitoral, até o encerramento da campanha. E que esse ressarcimento seria feito pelo comitê financeiro do candidato. Existem duas formas, três formas, aliás, de fazer o provimento da campanha: pelo partido, pelo comitê financeiro do candidato e pelo comitê financeiro da coligação. Nesse caso, pelo comitê financeiro do candidato. Essas informações eram as informações que nós tínhamos.

[Bonner pergunta: "O avião que o PSB vinha utilizando na campanha eleitoral... " Pessoa jurídica não é gente. E sim a pessoa física. Quem vinha usando o avião não era o PSB, mas os candidatos a presidente Eduardo Campos e a candidata a vice Marina Silva que, inclusive, escondeu que viajou no avião. Por "intuição, providência divina", só não pegou o voo da morte no azarado dia 13 de agosto. Marina revelou para Eduardo este milagroso aviso divino?

Bonner: "A senhora procurou saber que avião era aquele?.."

Marina responde: "Era um empréstimo... Neste caso, pelo comitê financeiro do candidato". Candidato no singular. Marina quer dizer que o comitê era exclusivo de Eduardo Campos. Marina deu uma de Pilatos: lavou as mãos, e tirou o corpo fora. E como representante da velha política, está providenciando que seu partido, o PSB, sob nova gerência, promova a troca do CNPJ. Este foi o jeitinho encontrado para que Eduardo Campos seja o único culpado].

William Bonner: A senhora sabia dos laranjas? Essa informação foi passada para a senhora como candidata a vice-presidente?

Marina Silva: Não tinha nenhuma informação quanto a qualquer ilegalidade referente à postura dos proprietários do avião.

[Bonner chama os proprietários de "laranjas", e Marina não contesta. Uso de "laranjas" é crime, corrupção,  mas Marina afirma que "não tinha nenhuma informação quanto a qualquer ilegalidade". Passou a ter].

William Bonner: Eu lhe pergunto isso…

Marina Silva: As informações que tínhamos eram exatamente aquelas referente à forma legal de adquirir o provimento desse serviço. Agora, uma coisa que eu quero dizer para todos aqueles que estão nos acompanhando é que, para além das informações que estão sendo prestadas pelo partido, há uma investigação que está sendo feita pela Polícia Federal. E o nosso interesse e a nossa determinação é de que essas investigações sejam feitas com todo o rigor para que a sociedade possa ter os esclarecimentos e para que não se cometa uma injustiça com a memória de Eduardo.

[Marina quer "rigor" nas investigação para que "não se cometa uma injustiça com a memória de Eduardo". Ou melhor dito, a obrigação da Polícia Federal é culpabilizar, unicamente, o comitê financeiro. Neste trecho da entrevista, Marina nega a anterior insinuação. Testemunha que Eduardo, também, não sabia de nada].

William Bonner: Candidata, quando os políticos são confrontados ou cobrados por alguma irregularidade, é muito comum que eles digam que não sabiam, que foram enganados, que foram traídos, que tudo tem que ser investigado, que se houver culpados, eles sejam punidos. Este é um discurso muito, muito comum aqui no Brasil. E é o discurso que a senhora está usando neste momento. Eu lhe pergunto: em que esse seu comportamento difere do comportamento que a senhora combate tanto da tal velha política?

Marina Silva: Difere no sentido de que esse é o discurso que eu tenho utilizado, William, para todas as situações. Inclusive quando envolve os meus adversários. E não como retórica, mas como desejo de quem de fato quer que as investigações aconteçam. Porque o meu compromisso e o compromisso de todos aqueles que querem a renovação da política é com a verdade. E a verdade, ela não virá nem apenas pelas mãos do partido e nem, também, apenas pela investigação da imprensa. Que eu respeito o trabalho de vocês. Ela terá que ser aferida pela investigação que está sendo feita pela Polícia Federal. Isso não tem nada a ver com querer tangenciar ou se livrar do problema. Muito pelo contrário, é você enfrentar o problema para que a sociedade possa, com transparência, ter acesso às informações.

[Marina aqui deixa bem clara sua visão extremista, e amoral, de considerar como juízo de valor o inquérito policial. Apesar desta crença, não prometeu nenhuma investigação para combater a velha política. Não prometeu uma auditoria da dívida. Nem prometeu combater o tráfico de minérios, de madeira nobre, de água, de moedas etc]

William Bonner: Candidata…

Marina Silva: O compromisso é com a verdade.

William Bonner: Agora, é que a senhora tem uma postura bem rigorosa no que diz respeito à ética, no discurso, quando a senhora se dirige aos seus adversários [Gostei do elogio, do reconhecido do discurso ético]. Esse rigor ético que a senhora exige dos seus adversários nos faz perguntar e insistir se a senhora antes de voar naquele avião não teria então deixado de fazer a pergunta obrigatória se estava tudo em ordem em relação àquele voo. Não lhe faltou o rigor que a senhora exige dos seus adversários?

Marina Silva: O rigor é tomar as informações com aqueles que deveriam prestar as informações em relação à forma como aquele avião estava prestando serviço. ["Aqueles"? Os sem nomes? Quais indivíduos] E a forma como estava prestando serviço era por um empréstimo que seria ressarcido pelo comitê financeiro. [Novamente culpa um comitê financeiro que a própria Marina extinguiu] Agora, em relação à postura dos empresários[que Bonner chamou de laranjas], os problemas que estão sendo identificados agora pela imprensa, e que com certeza serão esclarecidos pela Polícia Federal, esses, eu, como todos os brasileiros, estou aguardando. E com todo rigor. Eu não uso, William, de dois pesos e duas medidas. Não é? A métrica, a régua com que eu meço os meus adversários, é porque eu a uso em primeiro lugar.

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Por Talis Andrade

Marina defende anistia. É contra investigar empresários e banqueiros que financiaram os crimes da ditadura

No: Terra Brasilis – Postado originalmente em 27 de agosto de 2014

Marina Silva mudou de posição quando passou a ser financiada pelo Banco Itaú. Defende a Anistia ampla, geral e irrestrita. Inclusive é contra a Comissão da Verdade abrir investigação para apurar os empresários que financiaram os crimes de torturas, desaparecimentos e assassinatos durante a ditadura militar.

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“Estamos em cima dos que deram dinheiro para a OBAN [Operação Bandeirante, que coordenava a repressão]“, disse o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias em um encontro em sua casa com outros três integrantes da comissão – Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Maria Cardoso Cunha.

Dias fez um paralelo do suporte empresarial à ditadura com o escândalo de corrupção que levou à queda de Fernando Collor em 1992. “PC Farias [tesoureiro de campanha de Collor] tinha uma empresa, a EPC, que fingia que prestava consultoria e emitia notas fiscais frias a empresários que davam dinheiro a ele. Descobrimos uma consultoria fictícia que fazia a mesma coisa na ditadura: fornecia notas fiscais de ‘assessoria econômica’ a empresas que davam dinheiro à repressão.”

Os integrantes da comissão revelaram que estão tendo dificuldades para acessar documentos oficiais que poderiam esclarecer crimes. O principal obstáculo estaria no Ministério da Defesa.

“Buscamos documentos, e eles dizem que foram incinerados”, diz José Carlos Dias.

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A Frente de Esculacho Popular (FEP) promoveu, no dia 9 de março último, ato de protesto na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), localizada na Avenida Paulista, criticando o apoio da entidade à ditadura militar (1964-1985). Além da Fiesp, a frente denunciou o Banco Itaú, que, segundo os ativistas, ajudou a financiar o regime militar.

“Hoje estamos esculachando não uma pessoa, como fizemos até agora, mas duas empresas, que são mais representativas de toda uma estrutura: a Fiesp e o Itaú. A Fiesp foi uma das principais organizadoras das reuniões, chamadas de grupos de trabalho, onde os empresários se reuniam para contribuir para a caixinha da ditadura”, explicou Lavinia Clara Del Roio, uma das organizadoras do ato. Segundo Lavinia, essas empresas, entre várias outras, financiaram a preparação do golpe, a ditadura e a repressão e, em troca desse apoio, receberam “facilitações fiscais”, o que as fez “crescer enormemente”.

Quanto ao Itaú, Lavinia disse que o banco foi escrachado principalmente pelo fato de um de seus controladores, Olavo Setúbal, ter sido prefeito biônico de São Paulo entre os anos de 1975 e 1979. Olavo é pai de Maria Alice Setúbal, Neca, mentora política e financiadora de Marina.

Segundo a Frente de Esculacho Popular, a “caixinha” era feita pelo regime entre os empresários paulistas para financiar a Operação Bandeirante (Oban), responsável por atos de repressão durante o regime. Em fevereiro do ano passado, a Comissão da Verdade de São Paulo apresentou documentos obtidos no Arquivo Público do Estado que mostravam indícios de ligação entre a Fiesp e os serviços de repressão da época. Entre os documentos, há seis livros datados dos anos 70 que registram entradas e saídas de funcionários e visitantes do extinto Departamento de Ordem Política e Social (Dops) em São Paulo, um dos órgãos da repressão. Segundo a comissão, nesses livros, há registro de entradas de Geraldo Resende de Matos, cujo cargo é identificado como representante da “Fiesp”.

De acordo com Lavinia, as empresas e a federação precisam dar uma resposta à sociedade. E não somente isso. Para ela, a Fiesp, por exemplo, deveria abrir seus arquivos, encontrar os culpados e puni-los. “As empresas tem que se posicionar. Pedimos uma posição e também que, eventualmente, sejam encontrados os nomes e que se tenha punição e ressarcimento”, disse ela.

Durante o protesto, vários cartazes denunciando a participação e apoio da Fiesp e do Itaú na ditadura militar foram colados em postes, orelhões e pontos de ônibus na região da Avenida Paulista.

 

Usando uma máscara de gorila, uma atriz segurava cartolinas com os nomes “Dr Geraldo” e “Olavo Setúbal”, em referência a Geraldo Resende de Mattos, ex-funcionário da Fiesp, e ao banqueiro Olavo Setúbal, que foi prefeito biônico de São Paulo, entre 1975 e 1979.

Ao microfone, o deputado Adriano Diogo (PT), ex-preso político e presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, citou empresas colaboradoras da ditadura, sendo seguido pelos manifestantes, que repetiam, em coro: “Supergel, Cobrasma, Mercedes Benz, Volkswagen. Elas financiaram o golpe, acompanharam sessões de tortura com o Boilesen e o Dr. Geraldo. A Fiesp é o símbolo da ditadura”.

Outra ex-presa e militante de direitos humanos, que atua nas comissões da Verdade e de Familiares, Maria Amélia Teles, a Amelinha, afirmou:

- Viemos mostrar nosso repúdio à participação do empresariado e da Fiesp não só no golpe como em todo o aparato repressivo que torturou e matou pessoas durante a ditadura. Aqui, na Fiesp, tem de ter um centro de memória e verdade para contar a história dos trabalhadores perseguidos.

Entre os participantes do protesto, estavam a ex-guerrilheira do Araguaia Crimeia de Almeida, viúva de André Grabois; Denise Crispim, viúva de Eduardo Collen Leite, o Bacuri, e Angela Almeida, viúva de Luiz Merlino.

A Frente de Esculacho Popular, criada em 2012, é uma organização composta por familiares de vítimas da ditadura e ativistas de direitos humanos, em geral. O objetivo da frente é promover esculachos, denunciando os colaboradores da ditadura militar, sejam eles pessoas ou empresas.

Por Talis Andrade

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A máscara negra de Marina Silva

No: Terra Brasilis – Postado originalmente em 26 de agosto de 2014

Na campanha presidencial de 2010, candidata pelo partido Verde, Marina Silva deixou passar a versão que era descendente das nações indígenas, e defensora da Amazônia, e viúva de Chico Mendes.

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Candidata novamente, hospedeira do PSB, Marina diz que é de um partido inexistente, “repleto de palavras-senha da propaganda das organizações de Soros: “sociedade sustentável”, “sociedade do conhecimento” e “diversidade”.

Usa como slogan a frase final da última entrevista de Eduardo Campos: “Não vou desistir do Brasil”. Que Marina, no troca-troca de partidos, nunca teve ideias próprias.

No papel de viúva, estendeu sua rede entre os caixões de Chico Mendes e Eduardo Campos.

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A novidade é que passou a proclamar que será a primeira presidente negra do Brasil, quando vários mestiços já exerceram o cargo. Inclusive dois ciganos – Washington Luiz e Juscelino -, uma minoria étnica entre as mais perseguidas no mundo, notadamente hoje na França, como aconteceu na Alemanha dos fornos de Hitler.

Atriz, Marina representa vários papéis: a doente de malária, a meiga, a santa, a deusa mãe terra Pachamama, a Indira Gandhi no jeito de se vestir, a Jacqueline Kennedy que não chorou no enterro do marido assassinado.

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Em Marina, várias personas na busca de adaptação política. Começou no Partido Revolucionário Comunista de José Genoíno, depois de noviça em um convento. Deixou de ser católica e ingressou na Assembleia de Deus. Uma carreira que resultou no seguinte cartazete que circula na internet:

Para cada partido uma máscara nova (persona), em uma campanha que lembra velhos carnavais.

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil candidatos na eleição
A viúva está chorando
pelo amor de Chico Mendes
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo quatro anos
Foi no eleição que passou
Eu sou aquela candidata
Que te abraçou
Que te beijou, meu eleitor
Na mesma máscara negra
Que esconde o meu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Eu era vice
Neste carnaval
virei viúva presidencial

Por André Thalis