sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ludzmar, dois anos…

Nunca julgue a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor

Por: Eliseu 

ludzmar_luto_esposaTempo… uns dizem que ele é amigo e alivia a dor, outros – incluindo esse que vos escreve, ou escreve para si mesmo –, pensa que ele, o tempo é um inimigo implacável e só prolonga a dor. Seja como for, acredito que cada um tem sua visão e opinião sobre o tema e sente o que pensa.

Hoje faz dois anos que ela com toda sua sapiência se foi. Veio à esse planeta com a missão de fazer o bem, trazer alegria, consertar algumas “coisas” que podem se classificadas como pessoas. Terminada sua missão, deu um jeito de cair fora desse lugar horroroso, tenebroso, lúgubre - mas que ela demonstrava gostar - e voltar de onde veio, lá em cima...

Ela, a quem me referi é Ludzmar, essa da foto, mulher de fibra, linda, alegre e que não sei porque cargas d’agua foi minha esposa por 33 anos. Na verdade sei, era uma de  suas missões a cumprir. Mas ela me amava, isso sempre tive certeza. E eu também a amei. Com todos os meus defeitos a amei e ela também sabia disso. Faltaram apenas alguns dias para arredondar a conta. De 12 de janeiro de 1980 até o dia 19 de dezembro de 2012 às 11:05 hs quando ela resolveu partir para continuar brilhando de forma mais intensa.

Poderia ficar escrevendo páginas e páginas sobre você Ludzmar, ou bem, como sempre nos tratamos, mas para que? Você sabe de tudo! Prometi encontrá-la em breve, mas parece que eu não sou tão iluminado como você. Aliás, sempre soube disso! E o culpado é o tempo… Um ditador, metido a mandar, decidir quem, quando e porque a gente pode fazer algo. Mas você sabe que nunca gostei de obedecer ordens. Detesto! A gente pode interferir, mas apesar de não ser temeroso de coisa alguma, por enquanto não tive coragem de ir contra ele. Talvez seja porque ele é muito poderoso. Mas todo poderoso em um momento acaba perdendo para alguém.

Quanto ao blog, vou fazer todo o possível para dar continuidade e mante-lo mais atualizado. Não tenho conseguido escrever, desenvolver as ideias. A mente “embaralha”. Mas daqui em diante, enquanto eu estiver por aqui O Carcará vai voltar a escrever. Nunca me esqueci daquela última quinta-feira que você passou entre nós e apesar de já estar debilitada fisicamente fez,  - sem que eu percebesse - e me trouxe o café na mesa enquanto escrevia um post no notebook. Raramente o uso. Comprei outro computador e coloquei no nosso quarto. “Ralhei” com você: “não faça isso. Vá descansar!”. Não aprendi fazer o danado do café. Café só de cafeteira, mas não fico sem ele. Arroz só na panela elétrica que Carla e Thiago me deram. Mas a Flavinha tem feito comida. Ela terminou a faculdade ano passado. Quanta falta você fez na formatura dela… Na Colação de Grau, nossa netinha Ana Beatriz no alto de seus dois aninhos gritava: “Favinha… Favinha… Favinha…”. Como ela está linda e inteligente. Pouco tempo atrás me perguntou por você. Parece que tem bem mais de três anos. Vem aqui pra Flavinha a maquiar, passar esmalte… vaidosa, linda, muito fofa!

Há… Houve melhoras por aqui. Aqueles ônibus que você tanto queria já estão circulando a um bom tempo, mas só para Laranjeiras. Virão outros de Carapina. Eu e o Gilmar (o Gilmar mais que eu) estamos articulando. E o ponto fica bem debaixo de nossa janela. Também tem polícia passando todo dia (poucas vezes, mas tem). E você ia adorar: estão asfaltando aquela rua ao lado do muro da empresa em frente a nossa janela e as ruas próximas aos outros condomínios, a saída para Novo Horizonte. As máquinas estão me atazanando o dia todo inclusive finais de semana. Mas tudo teve o “meu dedo” para concretização. Ainda tem muito o que fazer. Aquele terreno baldio que você detestava ainda não conseguimos resolver. Também pra que estou te contando? Você sabe de tudo, inclusive que não pude fazer essas coisas enquanto estava conosco…

Saudades… Também não consigo dimensionar, se é que existe uma fórmula. Falta de você? Imensa!

Loucura de estar falando com você? Talvez. Vá saber… Está aí a vantagem de ter um blog e não aceitar patrocínio: posso escrever o que quiser. Ele é meu!

Você sabe que do meu jeito eu te amei. 33 anos… uma vida! Ando meio confuso, você sabe, mas essa música é para você e como não sei cantar, escolhi o Benito de Paula para me representar. Claro que sou mais bonito que ele. Rssss

Um beijo, nos encontraremos. Preciso bater um papo sem o tempo para atrapalhar. Nesse momento, de uma forma ou outra terei vencido o tempo!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Imprensa finge que não vê mas Polícia fecha o cerco ao ninho tucano

A mídia tradicional vem martelando na cabeça dos leitores 24 horas por dia o assunto Petrobras, mas “esquece” a roubalheira no metrô, trens e monotrilho de São Paulo

Por: Helena Sthephanowitz, no Rede Brasil Atual 

tucano_corrupçao_psdbO jornal Folha de S.Paulo denuncia que planilhas apreendidas pela Polícia Federal na sede da empreiteira Queiroz Galvão, na capital paulista, mostram que a empresa vincula valores recebidos por obras públicas a doações eleitorais para partidos e candidatos de oposição ao governo federal.

O material foi obtido no âmbito da sétima fase da Operação Lava Jato, chamada de Juízo Final, que investiga denúncias de desvio de recursos de obras e pagamento de propinas por empresas a funcionários da Petrobras.

De acordo com a planilha, datada de 2014, para chegar ao valor da doação ao político a empreiteira fazia um cálculo sobre o valor recebido por determinada obra.

Segundo a reportagem, um dos registros dos papeis encontrados, nomeado como “VLT” – uma provável referência ao Veículo Leve sobre Trilhos da Baixada Santista, obra realizada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin(PSDB), por meio da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), é possível perceber a aplicação de uma fórmula sobre o “recebimento acumulado” até medição de junho de 2014, para que a empreiteira chegasse ao valor que seria destinado a “doações”.

Após descontos, o valor aparece na planilha como sendo de “117.500”, possivelmente R$ 117,5 milhões, sobre o qual incidia o cálculo: 1,5% vezes 66% (percentual já recebido pela obra), resultando numa doação de R$ 1,16 milhão. Esse valor constituía uma “ProfPart” (sigla usada na planilha), que a Queiroz Galvão reconheceu ser uma “Provisão Financeira para o PSDB”.

Em outra planilha apreendida junto com a primeira, esse exato valor é atribuído ao “PSDB nacional”. Outros políticos destinatários de possíveis doações aparecem na planilha, com iniciais.

Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a empreiteira doou R$ 3,7 milhões ao diretório nacional do PSDB nas eleições de 2014.

A Queiroz Galvão explicou outras iniciais na planilha: “J.S.” é o senador eleito José Serra (PSDB-SP), “P.S.” é o candidato do PMDB ao governo Paulo Skaf e “E.A.” é o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Há outros valores associados a outras obras realizadas em São Paulo, como o CSS (Contorno de São Sebastião) e CEML (Consórcio Monotrilho Leste), realizados pelo governo de São Paulo, mas com dinheiro do governo federal.

No entanto a imprensa não “martela” esse tipo de notícia na cabeça do leitor, o  excessivo bombardeio ao governo federal no noticiário, funcionando como artilharia para a oposição partidária, começa a dar sinais de fadiga de material. Ou seja, provoca cansaço no próprio leitor e telespectador, com consequente ceticismo em vez de chegar ao objetivo dos editores: levar a população ao sentimento antigoverno.

É absolutamente desejável em democracias sólidas que notícias de corrupção façam parte do cotidiano e sejam divulgadas com total transparência, da mesma forma que existe o noticiário policial, onde todo dia há notícias de crimes e criminosos. Funcionários públicos, maus policiais, políticos, juízes, procuradores, seja quem for que de fato cometa crimes, e corrupção é um deles, não há por que ser blindado no noticiário.

Mas no noticiário político denuncista, não há delimitação clara da individualização de condutas, buscando criar no imaginário popular a ideia de que todo um governo, uma estatal, um partido, serem todos uma grande “organização criminosa”. No entanto, o governo da coligação petista iniciado em 2003 foi o que mais criou instrumentos para combater a corrupção.

Editores de notícias comprometidos com projetos de poder oposicionistas constroem há anos narrativas de forma seletiva, no final das contas buscando direcionar o leitor ou ouvinte a votar em candidatos de oposição. Deu certo com alguns eleitores, mas a maioria sente o cheiro de picaretagem quando o noticiário é seletivo demais, e o resultado das três últimas eleições presidenciais mostram isso.

O cidadão desconfia do ambiente político como um todo e dos próprios jornais e TVs. Não crê que a oposição seja melhor do que o governo neste quesito de combate à corrupção. Não por acaso, Aécio Neves (PSDB) não só perdeu a última eleição, como despontou nas pesquisas com rejeição mais alta do que a presidenta Dilma Rousseff, pela fadiga do discurso falso de combate à corrupção.

Além disso, ninguém aguenta ficar tantos anos seguidos ouvindo notícias de denúncias repetitivas, sem que a imprensa tradicional conte algo de novo para modificar o quadro, como falar nas causas e soluções.

O debate sobre o financiamento empresarial de campanha e da reforma política não ocupa o noticiário de grande audiência, e até para justificar o excesso de denuncismo precisaria receber a mesma ênfase. Seus repórteres nunca perguntam ao ministro Gilmar Mendes quando ele vai devolver o processo da ação da OAB para terminar o julgamento que declarará inconstitucional o financiamento de campanhas por empresas.

No jargão político a expressão “fadiga de material” geralmente é usada contra os governos que se desgastam após um tempo no poder. Mas ela também acontece com um discurso de oposição repetitivo que não convence mais. Nas urnas, faltam votos. Ao golpe, faltam adeptos. No jornalismo, a perda é, primeiro de credibilidade, seguida da perda de audiência.

Mas o governo também não pode se iludir apenas com o cansaço deste discurso oposicionista, pois não existe vácuo nem no poder, nem na pauta de notícias. Alguém sempre a ocupa. Se o governo não disputar essa pauta, democratizando as comunicações para haver mais circulação de informações e debate de ideias, a oposição, ainda que seja uma nova oposição, vai continuar ocupando sozinha.

A mídia tradicional vem martelando na cabeça dos leitores 24 horas por dia o assunto Petrobras, mas “esquece” a roubalheira no metrô, trens e monotrilho de São Paulo.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Saudade é Diferente - João Cunha




SAUDADE É DIFERENTE
João Cunha


MINHA SAUDADE É DIFERENTE DA SUA...

MINHA SAUDADE É DIFERENTE...
TÃO BELA!... TÃO NUA!..
MINHA SAUDADE PASSA DE REPENTE,
FINDA AO SOL... RENASCE À LUA.

MINHA SAUDADE ME FAZ TÃO FELIZ!
DO MARCO ZERO À IMPERATRIZ.
DERRAMANDO POESIA EM CANÇÕES
VIOLINOS, VIOLÕES,
CLARINETES, CLARINS!

NA ARSENAL TODOS PARAM PRA VER
O MEU POVO, EM SAUDADE, NA RUA...
SÓ ALI VOCÊ ENTENDE POR QUE
MINHA SAUDADE DIFERE DA SUA...

MINHA SAUDADE É DIFERENTE
CANTA PONTES, RIO E MAR...
MINHA SAUDADE,
PASSA CANTANDO PRA GENTE
FAZ MEU RECIFE SONHAR...

MINHA SAUDADE É DIFERENTE DA SUA...
LÁ, LAIÁ, LAIÁ, LAIÁ, LÁ...

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Economia retoma crescimento

No: Agência Brasil

economia-brasileiraO Ministério da Fazenda avalia que o aumento de 0,1% do PIB no terceiro trimestre na comparação com o trimestre anterior mostra que a economia entrou em processo de retomada do crescimento econômico, embora em ritmo ainda modesto. O ministério destacou também, por meio de nota, a expansão de 1,7% da indústria e de 1,3% dos investimentos.

“Os indicadores antecedentes e coincidentes sinalizam a continuidade dessa trajetória de melhora no quarto trimestre. A retomada do investimento é fundamental para que o crescimento econômico se acelere e tenha sustentação ao longo do tempo”, informa a nota.

Outro destaque, informou o ministério, é que a queda de 1,9% na agricultura no terceiro trimestre foi provocada basicamente pela seca prolongada, que afetou importantes culturas, como a de cana-de-açúcar e a de café.

Na avaliação do ministério, é importante mencionar que a demanda interna mostrou enfraquecimento no terceiro trimestre, situação expressa na queda de 0,3% do consumo das famílias, que reflete a escassez de crédito em um ambiente de restrição monetária para combater a inflação. “É importante destacar que o crédito começa a dar sinais de melhora, mas ainda está aquém do necessário para levar a taxa de crescimento do consumo das famílias para uma situação de normalidade.”

Outro destaque na nota é para o baixo desemprego no país, com a menor taxa de desemprego da série histórica (4,7% em outubro) e para a continuidade do aumento da renda dos trabalhadores. Para o ministério, isso significa que a massa salarial continuou crescendo, mas o desempenho do mercado interno tem sido contido pela falta de crédito.

“O bem-sucedido desempenho do mercado de trabalho brasileiro é resultado da estratégia de política econômica anticíclica, que mitigou os impactos da desaceleração econômica mundial e doméstica sobre os trabalhadores”, diz a nota.

O ministério destaca ainda que a economia brasileira apresenta fundamentos macroeconômicos sólidos e tem todas as condições para apresentar, no quarto trimestre e em 2015, crescimento mais intenso, garantindo e ampliando as conquistas sociais, em especial da população trabalhadora e de menor renda.  

Jane Birkin - Quoi

O Carcará também gosta de música!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Desigualdade social cai

São Paulo lidera ranking com 0,794 e Manaus fecha a lista com 0,720. Em dez anos, a diferença entre elas caiu 12%

No: CartaCapital 

Os indicadores socioeconômicos das regiões metropolitanas brasileiras melhoraram entre 2000 e 2010 e mostram redução das disparidades entre metrópoles do Norte e do Sul do país. Os dados são do Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, divulgado nesta terça-feira 25, fruto de parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro.

De acordo com o atlas, entre 2000 e 2010, as disparidades entre as 16 regiões metropolitanas analisadas diminuíram e todas se encontram na faixa de alto desenvolvimento humano. A análise leva em conta o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). As regiões metropolitanas que apresentaram os maiores valores para o IDHM em 2010 foram São Paulo (0,794), Distrito Federal e Entorno (0,792), Curitiba (0,783), Belo Horizonte (0,774) e Vitória (0,772), todas com índices mais altos que os apresentados em 2000.

A boa surpresa veio nas regiões metropolitanas de mais baixo IDHM. Todas elas melhoraram. Em 2000, apenas São Paulo tinha índice de desenvolvimento humano alto. Manaus tinha baixo e as outras regiões, médio. Em 2010, todas passaram a ter IDHM alto. Hoje, Recife apresenta IDHM de 0,734 e é seguido por Natal (0,732),Fortaleza (0,732), Belém (0,729) e Manaus (0,720).Em 2010, a diferença registrada entre a região metropolitana com o maior e o menor IDHM foi 0,074 pontos ou 10,3%. Enquanto São Paulo ficou com índice 0,794, Manaus estava com IDHM 0,720. Dez anos antes, essa diferença era 22,1%.

O IDHM é um número que varia entre 0 a 1: quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano de um estado, município ou região metropolitana. O índice é calculado levando em conta três fatores: expectativa de vida, renda per capita e acesso ao conhecimento, que considera a escolaridade da população adulta e o fluxo escolar da população jovem.

Os dados do atlas são calculados com base nos Censos Demográficos de 2000 e 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 2000 e 2010, as regiões metropolitanas que apresentavam um IDHM menor tiveram avanço maior e as que tinham índices maiores cresceram menos. Isso fez com que as diferenças entre as regiões metropolitanas diminuíssem, resultando em maior equilíbrio entre as 16 regiões pesquisadas (Belém, Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Distrito Federal e Entorno, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória). Essas 16 regiões correspondem a quase 50% da população brasileira.

No período analisado, as regiões metropolitanas que tiveram o maior avanço no IDHM, em termos relativos, foram Manaus, Fortaleza, São Luís, Belém e Natal. As que tiveram menor avanço foram as de São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória. Para o representante do Pnud no Brasil, Jorge Chediek, gestores públicos e população devem usar os dados do atlas não apenas para constatar as disparidades, mas também para direcionar e reivindicar políticas pública inclusivas e eficientes para as áreas mais carentes. “Para além de evidenciar o fato de que o país ainda tem um caminho a percorrer na redução das desigualdades em suas cidades, a intenção do atlas é justamente ajudar no estabelecimento de políticas inclusivas que tenham como fim a melhoria das condições de vida das pessoas”, disse.

Além das regiões metropolitanas, foram pesquisadas 9.825 unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs), conceito próximo ao de bairros. Nessas UDHs, “é possível notar níveis significativos de desigualdades intrametropolitana”, aponta o atlas.

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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

As mãos sujas

Que Deus ouça a presidenta Dilma, mas o fenômeno é o de sempre

Por: Mino Carta, no CartaCapital 

Admitia um parlamentar do Partido Democrata-Cristão da Itália, envolvido na célebre Operação Mãos Limpas: “Os partidos são máquinas de caça-níqueis”. A frase será certamente muito apreciada por todos aqueles que enxergam nos políticos em geral outros tantos ladrões. Nem por isso vale em todas as circunstâncias, embora em parte não destoasse quando foi pronunciada e tampouco destoe no Brasil de hoje.

Pretende-se semelhança entre a nossa Operação Lava Jato e a Operação Mãos Limpas dos começos dos anos 90. Ambas visam devassar e condenar esquemas corruptos, mas há mais diferenças do que parecenças. Aquelas, de saída. Tanto a Mãos Limpas quanto a Lava Jato resultam de uma investigação inicial a respeito de fato e personagens de porte miúdo. Tampas pequenas para panelões ferventes.

As duas operações apresentam os rostos de figuras centrais, o PM Antonio Di Pietro e o juiz Sergio Moro. Na Itália, o grande inquisidor Di Pietro foi logo secundado por um pool de juízes e a operação levou à cadeia mais de mil cidadãos, atingidos ao cabo por condenações inflexíveis e amiúde longas. Políticos e empresários. Alguns destes mataram-se antes de ser presos. O político que dominara por dez anos, o líder socialista e primeiro-ministro Bettino Craxi, condenado a oito anos de cárcere, fugiu para a Tunísia, a salvo da extradição.

A comparação entre o PT e o PCI exibe outra diferença. Ao contrário daquele, a se revelar igual a todos os demais partidos brasileiros, não houve condições de provar que políticos comunistas de qualquer escalão tivessem embolsado um único, escasso tostão, conquanto não fossem isentados de meticulosas investigações.

O desfecho da Mãos Limpas foi a implosão da Primeira República, nascida no imediato pós-Guerra. Nem sempre este gênero de terremoto produz bons resultados, além do ataque à corrupção, eficaz de saída. No vazio de poder que se seguiu, ao vir à luz a Segunda República, instalou-se um predador clownesco chamado Silvio Berlusconi, enquanto o PCI mudava de nome, chamuscava a sua identidade e se perdia em disputas internas.

Eis aí uma lição que seria oportuno aproveitar: a antipolítica sempre deságua em desastre. Em nome da negação da política, tida como origem de todos os males e de todas as mazelas, as ideologias chamadas a nutrir o debate responsável são abandonadas em proveito do desarme da consciência. Ou, por outra, da promoção da ignorância, do preconceito, do equívoco. No Brasil, um pensamento antipolítico leva ao fortalecimento da casa-grande e incentiva a mídia nativa no seu esforço de despolitização de quantos a leem ou ouvem.

Aonde nos conduz a Operação Lava Jato não é fácil prever. Creio que o juiz Moro queira apenas e tão somente fazer justiça e creio que esta venha a ser aplicada com todo o rigor. Tenho outra certeza: este processo vai confirmar o pecado capital da política à brasileira, cometido desde sempre. Gostaria, portanto, que outros fatos a enodoar o passado da política brasileira viessem à tona, inclusive os ocorridos em tempos recentes, antes da primeira vitória de Lula.

Pois então, em um arroubo de pacata ilusão, proponho: chamemos o tão falante Fernando Henrique Cardoso, erguido no alto de livros que ninguém leu, para que explique como se deu a privatização das Comunicações, a maior bandalheira da história do Brasil. Ou de como foi feliz na compra de votos para conseguir a sua reeleição. Ou de que maneira foram enterrados os casos Sivam e Pasta Rosa. Nesta terra pretensamente abençoada por Deus, uma multidão implora pelo definitivo triunfo da moral, com M grande, e não se incomoda com quem inaugurou a transgressão. A maioria, por viver no limbo, alguns por hipocrisia.

Se a Operação Lava Jato cumprisse o cauteloso vaticínio da presidenta Dilma, ao imaginá-la capaz de provocar uma mudança positiva nos hábitos políticos do País (e eu gostaria se também fossem comportamentais para a sociedade em peso), que bem venha. Até para impedir, daqui para a frente, que somente pobres e petistas sigam para a cadeia.

domingo, 23 de novembro de 2014

Dilma reage à Veja

Talvez um dos maiores pecados do PT, tanto no governo Lula e agora no de Dilma tenha sido tratar seus inimigos à “pão de ló”

Por: Eliseu

dilmaRecentemente tive a oportunidade de ver alguns blogueiros – felizmente a minoria – reclamando que Dilma não deu a devida retribuição à militância e oposição ferrenha que fizemos ao PSDB e por consequência ao Aécio Neves, ou “Never”, como queiram. Não me manifestei mas minha opinião é que ela não tem obrigação de qualquer retribuição, seja afetiva ou financeira uma vez que fizemos e continuamos a fazer por convicção ideológica. Quem reclamou na minha opinião não faz por ideologia e sim esperando auferir vantagens, o que não é o meu caso e de grande parte de nós.

Mas um “pecado” o PT tem que corrigir imediatamente: o tratamento que dá à mídia tradicional, o PIG (inclui-se aí  principalmente Globo; Veja; Folha; IstoÉ, que dia após dia tenta um novo golpe contra a presidenta.

Às véspera do segundo turno da eleição deste ano a Veja, da Editora Abril, soltou em vão uma desesperada matéria, em que foi condenada pela justiça eleitoral. Agora volta à carga na edição deste sábado (22), mais uma vez tentando envolver a presidenta Dilma Rousseff no esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal na Petrobras, afirmando que ela tinha conhecimento do esquema.

Reportagem da Rede Brasil Atual dá conta que a informação desta vez seria um e-mail de 2009 de Paulo Roberto Costa para Dilma, então ministra da Casa Civil, em que o ex-diretor da Petrobras trata de restrições do Tribunal de Contas da União às obras da Refinaria Abreu e Lima. Costa teria proposto que o tema passasse pelo Congresso. Segundo Veja, naquele momento, Dilma poderia ter feito parar o esquema de corrupção na Petrobras.

Finalmente o Palácio do Planalto reagiu à nova tentativa da editora contra o governo Dilma, afirmando em nota que a reportagem é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos.

Leia a nota do Planalto

“A reportagem de capa da revista Veja de hoje é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos.

Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, Veja tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras demitido em março de 2012 pelo governo da presidenta Dilma.

As práticas ilegais do senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014, graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, Veja tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras demitido em março de 2012 pelo governo da presidenta Dilma.

As práticas ilegais do senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014, graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.”

Aos fatos:

Em 6 de novembro de 2014, Veja procurou a Secretaria de Imprensa da Presidência da República informando que iria publicar notícia, “baseada em provas factuais”, de que a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, recebeu mensagem eletrônica do senhor Paulo Roberto Costa, então diretor da Petrobras, sobre irregularidades detectadas em 2009 pelo Tribunal de Contas da União nas obras da refinaria Abreu e Lima. O repórter indagava que medidas e providências foram adotadas diante do acórdão do TCU. A revista não enviou cópia do e-mail.

No dia 7 de novembro, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República encaminhou a seguinte nota para a revista:

“Em 2009, a Casa Civil era responsável pela coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Assim, relatórios e acórdãos do TCU relativos às obras deste programa eram sistematicamente enviados pelo próprio tribunal para conhecimento da Casa Civil.

Após receber do Congresso Nacional (em agosto de 2009), do TCU (em 29 de setembro de 2009) e da Petrobras (em 29 de setembro de 2009), as informações sobre eventuais problemas nas obras da refinaria Abreu e Lima, a Casa Civil tomou as seguintes medidas:

a. Encaminhamento da matéria à Controladoria Geral da União, em setembro de 2009, para as providências cabíveis;

b. Determinação para que o grupo de acompanhamento do PAC procedesse ao exame do relatório, em conjunto com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras;

c. Participação em reunião de trabalho entre representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento, Petrobras e MME, após a inclusão da determinação de suspensão das obras da refinaria Abreu e Lima no Orçamento de 2010, aprovado pelo Congresso.

Nesta reunião, realizada em 20 de janeiro de 2010, “houve consenso sobre a viabilidade da regularização das pendências identificadas pelo TCU” nas obras da refinaria Abreu e Lima (conforme razões de veto de 26 de janeiro de 2009). Foi decidido, também, o acompanhamento da solução destas pendências, por meio de reuniões regulares entre o MME, o TCU e a Petrobras.

A partir daí, o Presidente da República decidiu pelo veto da proposta de paralisação da obra, com base nos seguintes elementos:

1) a avaliação de que as pendências levantados pelo TCU seriam regularizáveis;

2) as informações prestadas em nota técnica do MME que evidencia os prejuízos decorrentes da paralisação; e

3) o pedido formal de veto por parte do então Governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Este veto foi apreciado pelo Congresso Nacional, sendo mantido.

A partir de 2011, o Congresso Nacional, reconhecendo os avanços no trabalho conjunto entre MME, Petrobras e TCU, não incluiu as obras da refinaria Abreu e Lima no conjunto daquelas que deveriam ser paralisadas.

E a partir de 2013, tendo em vista as providências tomadas pela Petrobras, o TCU modificou o seu posicionamento sobre a necessidade de paralisação das obras da refinaria Abreu e Lima”.

A inconsistência da reportagem de Veja é evidente. As pendências apontadas pelo TCU nas obras da refinaria Abreu e Lima já haviam sido comunicadas, em agosto, à Casa Civil pelo Congresso e foram repassadas ao órgão  competente, a CGU.

Como fica evidente na nota, representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento do Congresso, Petrobras e do Ministério de Minas e Energia discutiram a solução das pendências e, posteriormente, o Congresso Nacional concordou com o prosseguimento das obras na refinaria.

“Mais uma vez, Veja desinforma seus leitores e tenta  manipular a realidade dos fatos. Mais uma vez, irá fracassar.”

E os coxinhas continua alimentando essa revista sem ética, sem moral, sem princípios como eles próprios. Afinal quem farelo come aos porcos se mistura.

sábado, 22 de novembro de 2014

Deputado alerta para conivência com erros do PSDB

O deputado Amauri Teixeira (PT-BA) utilizou-se de artigo publicado na imprensa intitulado: Procuradores da Operação Lava-Jato dizem que esquema começou no Governo Fernando Henrique para criticar a postura da oposição no Congresso Nacional de sucessivos ataques ao PT. E destacou que, na época do governo FHC, o Judiciário era totalmente submisso.

No: Vermelho

fhc_corrupçaoEle observou que tornou-se comum falarem do PT, como se esse esquema tivesse começado nos governos do PT. “Isso não é verdade”, vaticinou. Segundo Amauri, a mesma abordagem foi feita no caso do mensalão, que começou em Minas Gerais. “Os tucanos foram o pai e a mãe do mensalão! E não há nenhum julgamento de tucanos neste País”.

Recentemente os tucanos foram julgados, condenados, e a Justiça decretou a prescrição dos crimes. “Então, este é o esquema dos tucanos: controle do Judiciário, controle do Ministério Público e controle da mídia. Mas eles são os pais e as mães da corrupção moderna neste País”, frisou o deputado.

 

No artigo, os procuradores que respondem pela Operação Lava Jato afirmaram que o esquema de cartel das empreiteiras de obras da Petrobras teve início antes da chegada dos diretores Paulo Roberto Costa e Renato Duque. “Aliás, é bom lembrar que Costa e Duque estavam na Petrobras desde os anos 1970 e assumiram cargos de responsabilidade bem antes da eleição do governo Lula”, afirmou Amauri Teixeira. Ele lembrou que as mesmas empreiteiras envolvidas no esquema junto à Petrobras desbaratado pela Polícia Federal também estão envolvidas no escândalo do Rodoanel de São Paulo.

Na avaliação do deputado Amauri Teixeira, esta é a oportunidade de passar o país a limpo. “E a chance de passar este País a limpo é com a presidenta Dilma. Os tucanos são mestres em botar o lixo debaixo do tapete. Os tucanos são mestres em escapar das garras da Justiça”, alertou.